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Crachá de ouro para Escritor Transmontano

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 05.05.18

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 Por intermédio de Barroso da Fonte chegou-me ao conhecimento esta noticia que como transmontano muito me honra e divulgo:

"Já estamos em Maio e o tempo continua muito pouco primaveril. As temperaturas têm estado abaixo do que é suposto e para o meu gosto. Chuva não significa Inverno, mas depois de uma pausa ela veio repor no solo o preciso líquido que tanta falta fazia.                                                                                                                                    

 Faz pouco tempo que os Bombeiros Voluntários de Fafe decidiram entregar o crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses ao Dr. Artur Coimbra,  vice-presidente daquela instituição, no âmbito das comemorações dos 128 anos de existência (fundado em 1890). Aqui o felicitamos pela distinção. O 1.º de Maio é o Dia do Trabalhador. Há 44 anos que se comemora este Dia, após o restabelecimento da Democracia. A propósito, sabem quando foi a primeira vez que se comemorou o Primeiro de Maio em Fafe?                                                                                                                                Segundo o Povo de Fafe, de 3 de Maio de 1916,[1] foi a primeira vez que o operariado local, por intermédio da Associação de Classes Artísticas Fafense, que tinha sede na Rua Teófilo de Braga (actual Serpa Pinto), comemorou o 1.º de Maio. A chuva prejudicou a festa, fazendo com que as manifestações de rua não tivessem a imponência desejada, mas a conferência e o espetáculo constituíram dois bons números.           Por sua vez, O Desforço, de 4 de Maio de 1916, referindo-se à festa do 1.º de Maio, em Fafe, escreveu que ela se iniciou com uma alvorada, com os foguetes a anunciarem o dia festivo. Junto à sede da instituição, a Banda de Revelhe tocou o hino do trabalho ou 1.º de Maio, para depois encabeçar o cortejo que esta associação de trabalhadores levou a cabo da parte da tarde. A primeira paragem foi junto à fábrica do Ferro, onde discursou Francisco Pinto Cerqueira, empregado tipógrafo do Porto. Falou sobre o significado do 1.º de Maio e do facto dos operários da fábrica estarem a trabalhar no seu dia, no que foi muito aplaudido. Depois de percorrer as várias artérias da vila iniciou-se a sessão solene, na sua sede, sob a presidência do presidente da Câmara, Dr. Artur Vieira de Castro, secretariado pelo Administrador do concelho. Francisco Cerqueira voltou a usar da palavra fazendo, segundo Pinto Bastos, um discurso frenético e realçando a essência do dia e da festa no contributo para o progresso do Socialismo. Seguiu-se a votação de uma moção para o cumprimento da lei das 8 horas de trabalho.[2] Durante a tarde tocou no largo da vila uma banda de música queimando-se bastante fogo. O dia terminou com um espetáculo com fitas cinematográficas, monólogos e a comédia “Os dois caturras”, achando-se a casa literalmente cheia. [3] A sede da associação iluminou-se nessa noite.

[4]                                                                                                                               

Artur Coimbra nasceu nas Minas da Borralha, Montalegre, em 1956. Cedo a família se transferiu para o concelho de Fafe, onde foi vereador da Cultura. Licenciou-se em História e fez o Mestrado na UM em Cultura Moderna e Contemporânea. Brilhou no Dirigismo, no associativo, no jornalismo e em todo o tipo de  modalidades literárias, em  prosa e verso. O Crachá de Ouro dos Bombeiros Voluntários, simboliza uma vida cheia de serviço comunitário, que já lhe granjeou muitos outros prémios nas artes, nas letras, no jornalismo e na saga dos caminhos que a sociedade democrática reclama para o líder incontestado  do concelho" .  Aureliano Barata

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[1].Cf. Povo de Fafe n.º 513, 1.ª série, de 3 de maio de 1916, “1.º de Maio”.

[2].ESTEVÃO, João Antunes, O Milho na crise das subsistências, 1916-1920. Dos motins da fome à ação do Celeiro Municipal de Fafe. in Actas das 3.ªas Jornadas de História Local, pp.204-205. Edição da Câmara Municipal de Fafe, 2002.

[3].Cf. Povo de Fafe n.º 513, 1.ª série, de 3 de maio de 1916, “1.º de Maio”.

[4].Cf. O Desforço de 4 de maio de 1916.

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publicado às 15:58


Câmara de Montalegre demitiu funcionário que desviou 61 mil euros

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 22.02.18

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Por: Barroso da Fonte

Na reunião do executivo da Câmara de Montalegre e após dois processos disciplinares a um técnico superior que fora presidente da Comissão  Política do PS,  foi demitido. A fraude foi consubstanciada com base num processo maquiavélico. Numa primeira fase o funcionário ainda foi suspenso por 90 dias. Mas o escândalo numa câmara e num meio pequenos, alastrou e, numa segunda votação, foi mesmo despedido. Mais este desvio e, por unanimidade, terá gerado mau ambiente entre os sete vereadores, cinco do PS e 2 da oposição que se viram compelidos a abandonar a reunião por linguagem imprópria do lugar, do cargo e de quem, usa e abusa, de gestos e palavrões como: «tinhosos, delatores, cobardes, vocês não prestam..»

Na sequência dessa exaltação provocada pelo  presidente da Câmara que já no mandato anterior tinha provocado idêntico abandono, os dois representes da oposição distribuíram um comunicado através da redes sociais, acusando o chefe do executivo.«Parece que Orlando Alves ficou ressabiado com a decisão tomada, em relação ao amigo e companheiro de partido», lê-se nesse comunicado que acrescenta: «em 2014, também a vereadora da oposição, Elisa Minhava, tivera de sair da sala por palavrões do mesmo presidente».

É pena que, ainda sem conhecer, os resultados do «inquérito que o Ministério Público decidiu abrir, sobre o inédito imbróglio que ocorreu na véspera e no dia das últimas eleições autárquicas, não haja a prudência, a serenidade e a tolerância que se impunham para bem de Barroso e dos Barrosões. Para ser Barrosão no verdadeiro sentido cívico, não basta proclamar que «somos Barroso». Devemos pugnar, uns e outros, pela solidariedade, pelo altruísmo, pela verdade e pela transparência. Estas circunstâncias são  consequências dogmáticas da democracia. A Câmara de Montalegre, pela volumetria dos seus ecos, vai tornar-se capital do banzé. Qualquer dia são os jornalistas ávidos de  notícias bizarras que passam a ocupar os lugares do público durante as sessões do executivo. As sessões são públicas e os jornalistas encartados têm acesso livre.

 Orlando Alves ganhou as eleições mas não ganhou o direito de mandar calar aqueles que foram eleitos para lhe fazerem oposição. E, pior do que isso: nem ele nem ninguém pode impedir esses vereadores de exigirem transparência, lisura e fiscalização aos contratos e à execução das obras pagas pelo orçamento municipal. São eles que representam os cidadãos concelhios que votaram neles e ainda outros que não votaram, mas que se revêm na oposição. Esses dois vereadores foram tão eleitos para vigiar, como os outros cinco foram eleitos para gerir. Os direitos são proporcionais. É preciso que os sete camaristas, aprendam a interpretar as regras da democracia e aceitem conviver em sociedade.  

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publicado às 19:32


  1. barroso_da_fonte.jpgNa edição do Diário de Noticias, de 7/10, mas com base na Lusa, escreve-se, em manchete, que «O ministério Publico já abriu um inquérito ao caso da suspeita e fraude eleitoral em Montalegre, onde, nas últimas eleições autárquicas, centenas de emigrantes foram recebidos por um autarca no aeroporto Sá Carneiro e transportados para as autarquias onde votaram», regressando, de imediato aos países de onde vieram com transporte e refeições pagas. Segundo se lê na mesma fonte «o caso foi revelado pelo programa "Sexta às 9" da RTP que indicava que esses emigrantes tinham à sua espera, no aeroporto, o presidente da junta de freguesia de Meixedo e Padornelos, Ricardo Moura, recandidato nas listas do PS, no concelho de Montalegre. O programa mostrava que a entrada dos emigrantes nos autocarros que os aguardavam, era coordenada pelo autarca» que viajava no "lugar do crime" pelo facto de enjoar». Continua a ler-se no DN  que «no domingo seguinte, dia da votação, logo à  abertura das urnas, os mesmos emigrantes foram encontrados, pelo "Sexta-Feira às 9", a votar na freguesia, onde o presidente de junta acabou por ser reeleito: a União de Freguesias de Meixedo e de Padornelos». Estes acontecimentos foram filmados, editados e tele-visionados por milhares de cidadãos, nesses dias. E ainda circulam, e vão perdurar, online, assim como vai acontecer, com o debate radiofónico pré-eleitoral, entre os três candidatos, emitido pela rádio Montalegre e coordenado por um locutor flaviense que, sendo um antigo radiologista e repórter, sediado em Vila Real, não teve tarefa fácil nessa noite infeliz para todos os intervenientes. Foi mau de mais para a região de Barroso, para quem o viu e ouviu e até para as futuras gerações que hão-de lembrá-lo, para além delas. Uma pobreza franciscana, a todos os níveis, quer na linguagem, quer nos gestos, quer na chusma de palavrões, de infâmias, de jaculatórias, mais próprias das sextas-feiras 13, do que de representantes do povo ordeiro, sensato, prudente e calmo. Foram feitas nesse fórum afirmações de quem devia dar exemplos de civismo, de tolerância, de respeito e de democracia, através de palavras e de gestos que ofenderam, mais do que reconfortaram, os destinatários. Algumas dessas afirmações foram graves, por falsas, maliciosas e descontextualizadas. E não só para os presentes, como para com os ausentes, como a seu tempo se verá.

  2. Depois dessa tragicomédia mais apropriada para a bruxaria da «Sexta-Feira 13», que esteve bem mas que não apagou a memória desse debate, da excursão eleitoral e das evidencias reveladas pela RTP, no dia 6 de Outubro, que já  estão a ser alvo de averiguação judicial, esperava-se que no ato de posse dos eleitos locais, os excessos linguísticos, as injuriarias, as mentiras e as dislexias mentais, dessem lugar a palavras apaziguadoras, toleráveis, civilizadas e coerentes, para uma convivência serena nos quatro anos seguintes. Aconteceu o pior. Um discurso escrito, lido e apresentado em tom que agradou, naturalmente, aos bem intencionados, que batem palmas de boa fé, mas que desagradou a muitos convidados, aos neutros e até as crianças que perguntaram pelo significado dos foguetes, em semana e dia de luto nacional, pelas vitimas dos incêndios. E desagradaram, sobretudo, aos vereadores e deputados municipais que deveriam ouvir uma mensagem serena, pacificadora e propicia a preparar um ambiente de fraternidade telúrica e convencional para os quatro anos de mandato. As tomadas de posse dos políticos deverão primar pela serenidade, pela prudência, pela sã convivência social. Não pode ser um ajuste de contas, pelo que se deveria ter dito e ficou por dizer, ora no debate a três, ora nas 48 horas de reflexão obrigatória. Foram seis paginas penosas, provocatórias e indiciarias de que o reeleito edil se robusteceu nesta segunda vitória para incentivar os adversários,para inviabilizar acordos e para unir os barrosões. Impossível e inédito! 3. Orlando Alves, mesmo que tente regenerar-se dos maus fígados que mostra perante quem não vai com ele à missa, dificilmente o conseguirá. Teve alguns mestres, mesmo no seu partido, que poderia seguir, depois das campanhas eleitorais. Um qualquer presidente da Câmara, de Assembleia Municipal, de Governo, pelo facto de ter garantidos os votos da sua bancada, deve saber que não está livre de precisar do apoio da oposição para obviar projectos comuns. O Alto Tâmega epicentro de seis outros concelhos que nas últimas duas décadas concretizaram empresas comuns que precisam, entre si, da oposição. Orlando Alves sabe disso melhor que ninguém, porque é um político profissional. Está enganado se há situações como este flagelo dos incêndios que obrigam a classe política a unir-se em nome do bem comum. Nas decisões municipais que se tomam nas reuniões mensais ou quinzenais e que são obrigatórias, tanto peso tem o voto da oposição como do grupo que gere a Câmara. Cada um dos sete vereadores teve o mesmo numero de eleitores. O PS teve cinco eleitos e a coligação apenas teve dois. Já antes fora o contrário. Mas todos foram eleitos. E, a partir da instalação da Câmara, até final desse mandato, são todos vereadores, merecendo o mesmo respeito democrático. Perante palavrões de «boca suja», «aldrabão», «cale-se seu reles», «seja educado seu reles», etc, qual será a predisposição do vereador Carvalho de Moura para manter em publico, como em privado, a decadência e cortesia que são atributos indispensáveis à  cidadania mais elementar?

  3. Para quem não ouviu, nem tem acesso ao site da Câmara, onde estão gravadas, em papel timbrado da autarquia, as seis paginas do discurso de Orlando Alves, vale a pena obte-lo e guarda-lo. Talvez esse estilo seja útil ao Ministério Publico quando elaborar o relatório acerca do tom, do ambiente linguístico e da riqueza verbal e ética do grande beneficiado da eventual fraude eleitoral que mereceu caixa alta no programa da televisão pública «Sexta as 9». Pelas piores razões Montalegre correu mundo, como exemplo a não seguir, numa democracia plena. Esta mensagem que deveria ser uma espécie de água-benta para purificar, mais lembra lixívia que se usa, por engano, nos esgotos ou em roupa manchada. Mas foi o contrário, como iremos ver em crónicas posteriores. E mais do que isso: talvez o reeleito Presidente da Câmara de Montalegre venha a ser vitima do grito de vitória, quando afirma que os «ajustes diretos são instrumentos legais de que dispomos para que o dinheiro fique na nossa terra». Assim tem feito e «assim iremos continuar». Pela boca morre o peixe. Talvez esta bicada pretenda justificar «o polvo» que o jornal Noticias de Barroso levantou na edição 523. A resposta a essa decisão, que propõe para ser pratica corrente, foi condenada no último «Sexta às 9» quando se soube que, através de um contrato desses, pagamos todos 1 milhão e 460 mil euros a uma empresa de aviões que nem chegaram a levantar voo por causa da chuva. Os ajustes directos apenas são legítimos em situações excepcionais e até montantes condicionados. As leis europeias existem para serem cumpridas como as nacionais. O uso dos ajustes directos apenas está previsto para casos raros e em situações muito especiais. Incitar a sua generalização, num concelho e numa cerimonia deste cariz, é estranho que o presidente reeleito fatigue os convidados com pormenores técnicos que só visam desviar as atenções  para eventuais casos de consciência política. Em dia de luto nacional deitar foguetes de artificio, para anunciar a festa da provocação, de que estas seis paginas são prova clara de insofismável revivalismo, é um ultraje e uma afronta à  maioria dos Barrosões: aqueles que não votaram e  aqueles que perderam. Logo no 4º paragrafo, Orlando Alves ofende essa maioria que não teve direito a defender-se. Eis o epitáfio do presunçoso Presidente: «Passada a hora dos festejos e manifestações de júbilo com que os barrosões tributaram os vencedores enquanto os vencidos afogavam a magoa na promoção de danças  eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade...» Este autarca Barrosão, nem depois desta prova anti-democrática a que terá de responder perante o Ministério Publico, teve a sensatez de evitar a calúnia que as palavras sublinhadas encerram, as tais «danças eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade». Ao que chegamos!

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publicado às 11:02


O complexo do lugar onde se nasce ou se vive

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 07.10.17

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Não é um plagio do belíssimo texto de Miguel Esteves Cardoso. é apenas  a confirmação de uma realidade introduzida na geringonça da toponímia linguística gerada pela léxico . Diz esse autor que um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada, do lugar onde se nasce, se vive ou se visita. E dá um exemplo: «um grande amigo que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu. Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia !

Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide».

 No corpo do artigo. Esteves Cardoso remete o trauma para a injustiça do endereço. E exemplifica:

«está-se numa festa e as pessoas perguntam, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. Ao ler os nomes de alguns sítios como: Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para estar na Europa. Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente: "e a menina de onde é?", e a menina diz: - "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).

para não falar em Picha, no concelho de Pedrogão Grande e de "Rata" em Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém Santiago do Cacem e Tondela. Ou -acrescento eu - “ Pica, de Fafe, onde o povo não sabe ler sem cedilha.
Temos, assim, em Portugal, uma "Picha" para 11 "Ratas". O que vale é que mesmo ao lado da "Picha", temos a "Venda da Gaita"... E ainda existe "Colhões", perto de Coimbra. 

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do "Garganta Funda". É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir. Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denuncia-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. Não há limites. HÃ até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!»

 Esteves Cardoso propõe que se proceda à  renomeação de todos estes apeadeiros. E «Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um Percurso que vaí da Fome Aguda  à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Porico (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alsaperna ".

 Leio este jocoso artigo de Miguel Esteves Cardoso no preciso dia em que uma mão cheia de amigos me questionam: - não tens vergonha de ser de Montalegre, onde votam 15 mil pessoas, num concelho que tem cerca de dez mil habitantes? Não deverá Montalegre seguir o exemplo da Catalunha?

Dia 6 do corrente a RTP, no programa Sexta Às 9, mostrou grande azafama no aeroporto Sá Carneiro, o presidente de Junta pelo PS  da Freguesia de Meixedo / Padornelos, a receber e a ciceronear meia centena de emigrantes que vieram de França para votar nele próprio. À RTP garantiu que já  faz assim desde  1972. Desde essa altura «nunca se mexeu uma pedra em Padornelos que não fosse eu  a mexe-la». O  presidente da Câmara que já leva 28 anos como autarca, corroborou esse hábito que já faz tradição, «porque os emigrantes lhe merecem esse afecto». A RTP mostrou que nas legislativas que, naquele concelho ganha sempre a direita (PSD/CDS) e com os votos reais. Ao invés, nas autarquias, desde  1990, quem ganha é sempre a esquerda (o PS). Mas nessa altura aparecem cerca de mais 1500 eleitores a votar. O Ministro Publico já está a investigar. Aquilino Ribeiro já lhe chamava as Terras do Demo. Mas as «bruxas» do Padre Fontes, desde 1983, tomaram conta dessas terras fronteiriças  que já conquistaram Chaves. Isto que se passa em Montalegre com as autárquicas é uma fraude democrática que nenhum poder judicial irá desvendar. O que a RTP mostrou no seu programa «Sexta Às 9», é  uma gota no oceano.

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publicado às 20:55


Com 97 anos morreu o Autor da Marcha de Montalegre

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 15.12.16

 

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De Barroso da Fonte

Quem era vivo e tem a memória fresca lembra-se da música dos anos sessenta, durante a guerra do ultramar «Angola é nossa». De resto havia duas canções com o mesmo título. Mas com letra e música diferentes. Ambas muito conhecidas, ritmadas, muito persuasivas e muito empolgantes. Ninguém ficava indiferente à música e à letra. Sobretudo nas rubricas radiofónicas de discos pedidos, tanto uma versão como a outra, eram das mais requisitadas pelos ouvintes, quer em Angola, quer no Continente. Logo após a autonomia das Províncias Ultramarinas, uma e outra versões foram silenciadas, deixando de ouvir-se. Uma dessas versões tinha música e letra do Padre Ângelo do Carmo Minhava, natural de Ermelo, concelho de Mondim de Basto. Este sacerdote Transmontano nasceu em 15 de Janeiro de 1919 e faleceu dia 2 de Dezembro em curso. Foram 97 anos de vida cheia, de entrega aos outros que foram todos aqueles que com ele se relacionaram, que com ele aprenderam nas aulas e cumpriram as normas religiosas.
Ordenou-se no Seminário de Vila Real, em 1942. Desde cedo se dedicou à arte musical e poética, lecionando, formando tunas e orfeões e regendo esses agrupamentos, quer no antigo Liceu Camilo Castelo Branco, na Escola de S. Pedro, no Instituto Politécnico de Vila Real (mais tarde UTAD), quer no próprio seminário a que pertenceu como aluno e mais tarde, o resto da vida, como professor. Foram seus alunos e vários e conhecidos maestros, como José Luís Borges Coelho, Altino Moreira Cardoso, Prof. Magalhães. Padre Branco de Matos.
Foi professor de latim, Francês, Literatura e, obviamente, música. Em 1947 escreveu e publicou o poema herói-cómico – Lírico Cabrilíada. Editou vários outros livros sobre literatura e boas maneiras de falar e de conviver em sociedade. Foi autor de muitas marchas, entre as quais de: Vila Real, Montalegre, Régua, Boticas, Ribeira de Pena, Pensalves, Pontido, Lagoaça. Hino do Regimento Militar de Chaves e de vários regimentos que prestaram serviço no Ultramar. Com letras do autor desta nota, musicou os Hinos das Casas Regionais de Trás-os-Montes de: Guimarães e do Porto; o soneto «Para meu Pai» e o poemeto «Da terra nasce o amor».
O que fica para além da morte do Padre Minhava, depois de 97 anos de vida, são a bondade, o saber o exemplo cívico. Resta seguir as linhas mestras que o Padre Minhava nos incutiu.
Falo por mim que fui seu aluno durante dez anos. Foi meu maestro, meu complemento em coisas que têm a minha assinatura, mas precisei da dele; e, em cultura, que muito me ensinou e que, por culpa minha, tão pouco aprendi.
Perdemos todos os Transmontanos, muitos portugueses e a sociedade, em geral, um dos mais lúcidos, mais sólidos e mais coerentes cidadãos do nosso tempo. Quase um século de uma convivência proveitosa, porque viveu para os outros e não me parece que tenha vivido para si. Permita-me o leitor que fale na primeira pessoa. Há notícias que se escrevem e que podem gerar incomodidades. Mas quando se fala de alguém, como foi o Padre Ângelo do Carmo Minhava, fica-se, com a quase certeza, de que falamos de um ser humano, verdadeiramente exemplar.
Conheci-o em 1952, como meu professor de música. Nunca fui bom aluno em nada, nem sequer em música. Em dez anos solfejei, cantei e até regi algumas vezes, mas só nas aulas e entre colegas. Fui barítono por escolha sua. Nessa condição cheguei a ir, integrado no seu orfeão, atuar aos estúdios da Rádio Alto Douro. Penso que era um brinquedo para o (depois, meu amigo) Carlos Ruela. Era um privilégio nesses tempos, em que não havia estúdios, nem televisões. Mas, de facto, apenas fiz letras que (os hoje maestros) José Luís Borges Coelho e o Altino Moreira Cardoso, musicaram.
Por não conseguir musicar, sinal de que aprendi pouco, em dez anos, tive a rara satisfação de ver quatro poemas meus musicados pelo Mestre de nós os três. Pela vida fora foi lendo os meus escritos em jornais e em livros, em prosa e em verso,que produzi em mais de meio século. Sempre me escrevia a agradecer e a felicitar; e, algumas vezes, a puxar as orelhas, por excessos de linguagem ou discordâncias formais. Recordo que numa entrevista a Gil Silva e a Paulo Mourão ao programa «Perfis -Transmontano sem preconceito», questionado sobre - «o que tem a dizer sobre Pires Cabral, António Cabral e Barroso da Fonte, respondeu assim: - «embora discorde, por vezes, de certas efabulações do escritor Pires Cabral, reconheço nele um escritor de muito mérito... O dr. António Cabral é, desde jovem, vocacionado para as letras. Barroso da Fonte, idem, por vezes bastante conflituoso, mas frontal e grande patriota». Nunca me reconheci tão bem caraterizado. De Ângelo Minhava fica, para além da morte, aquilo que todos nós deveríamos deixar: erudição, obras e exemplos de toda a natureza. A imprensa regional já noticiou o seu desaparecimento. Na imprensa diária, a começar pela RTP que se proclama de serviço público, ainda nada vi, nem ouvi, de entretida que anda com o futebol, com guerras de alecrim e de manjerona e com vedetas vazias de tudo, a não ser a espuma que lhes tapa as mazelas. Espero que o poder político distrital, desde Mondim de Basto a Montalegre, desde Vila Real à Régua, de Chaves a Lagoaça, saiba perpetuar o nome e a obra deste Transmontano do tamanho das Fisgas de Ermelo e do simbolismo intelectual do Douro. Há homens do tamanho do mundo como o Mons. Ângelo Minhava que só aparecem e desaparecem de século a século.

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publicado às 22:16


Três livros de leitura amena num verão escaldante

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 19.09.16

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Por: Barroso da Fonte;

Só dia 13 de Setembro choveu neste verão de 2016. Um verão anómalo, tórrido e com menos sombras, porque os incêndios em Portugal passaram a medir a temperatura económica, política e social. Infelizmente custou muitas vidas, de pessoas e de animais, já que na florestação é impossível contabilizar a área reduzida a cinzas. Empobreceu o país, avaliou-se a degradação social.
Para esquecer este miserabilismo aconselhamos a leitura destes livros:

Conheces SANCHO ? A académica Maria Helena Ventura é autora de 19 títulos: sete em poesia, doze em de ficção e um infantil. Alguns dos romances históricos fazem parte da colecção «A História de Portugal em Romances -900 anos de histórias», contadas pelos melhores romancistas históricos. Este volume de 368 páginas ocupa-se de D. Sancho II, bisneto de Afonso Henriques. Baseando-se numa investigação cuidada, Maria Helena Ventura descreve-nos a biografia de uma das personagens mais desconhecidas da História de Portugal. No subtítulo a romancista demonstra que os mouros guerreavam D. Sancho II. Os nobres e o clero traíam-no. E o próprio irmão lhe cobiçava o trono. Neste último romance de Maria Helena Ventura, decorre a vida de uma das figuras mais trágicas e misteriosas as História de Portugal. A história de Portugal em Romances, com o selo da Saída em emergência, começa a impor-se como modelo de sucesso. Bem anda Maria Helena Ventura que marcou um ritmo certificado para, através de uma escrita efervescente, «dar a conhecer a História de uma pequena nação que sonhou ser valente e imortal».

A Bombarda de Banastarím - seis capitães e outros mais em terras da Índia Portuguesa em meados do século XX. É este o título do mais recente livro do Tenente- General José Lopes Alves
que nasceu em Lagoas, no concelho de Valpaços (1924) e vive em Lisboa. Desde que se aposentou tem-se dedicado a obras de inegável interesse historiográfico, como: "Entre Cardos e Espinhos ao Anoitecer - regresso ao Verão Quente de 1936", com o pseudónimo de A. de Alémmontes (2002); O Preto Deitado que não estava - Moçambique, 1969 (2003) e A Morte desceu à Praia (2005). Em José Lopes Alves, encontramos duas personalidades superiores: o militar e o escritor. A primeira foi coroada pelo topo da carreira. A segunda está patente nos quatro dezenas de obras cada qual a mais importante para poder ajuizar-se um século da vida social que caracterizou o nosso país, a nossa epopeia e a comunitária.
Este militar transmontano «tem publicados diversos trabalhos de índole técnica e cultural dos âmbitos político, histórico, militar e outros, romanceados e de base histórica». Tem um curriculum militar impressionante. Desde os anos oitenta, tem produzido imensos livros da mais variada temática. A europress tem sido a sua editora de serviço. Ultrapassa já os 40 títulos em obras de índole histórica, prevalecendo em todos o domínio puramente literário. Na introdução começa o autor por dizer que foi um dos cerca de dez militares expedicionários ao Estado Português da Índia, entre 1955 e 1957, período durante o qual se incentivaram a subversão e o terrorismo, especialmente no distrito de Goa. Neste seu último livro de 346 páginas explica, como protagonista, aquilo que se viveu nessas longínquas paragens Indianas. Este volume é um documento histórico-militar de grande oportunidade, narrado por um distinto militar que aos 92 anos nos delicia com estes pedaços de História Portuguesa.

Arnaldo Moura -memórias de um padre do Povo. Maria da Assunção Anes Morais organizou, em tempo recorde, uma biografia que veio eternizar um pároco que deixou um rasto de generosidade, de bondade e de humanismo. Esse pároco chamou-se Arnaldo Alves de Moura, nas freguesia de Pinho, do concelho de Boticas. Ordenou-se em 20/9/1958 e faleceu em 28 de Março de 2015. Para entrar na memória do povo um padre, como outra qualquer pessoa não precisa de fazer milagres. Basta-lhe ser afável, dialogante e sobretudo justo. Nas 350 páginas deste livro, não se descrevem fatos e feitos façanhosos deste bondoso Padre Arnaldo Moura. Mencionam-se quase uma centena de testemunhos, das mais variadas figuras que com ele conviveram e que são comprovativos da grandeza humana deste padre que não precisou de sair do seu terrunho para merecer uma homenagem. A Câmara de Boticas e a freguesia de Pinto irmanaram vontades e conjugaram esforços para que se perpetuasse a figura irrepreensível de um cidadão que, a docente e investigadora Maria da Assunção Anes Morais condensou num livro sério, oportuno e exemplar.

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publicado às 22:39


A imprensa livre é o maior inimigo da Corrupção

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 09.09.16

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Por Barroso da Fonte:
O jornalismo, como eu o conheci nos anos cinquenta, foi chão que deu uvas. Por isso cresce a corrupção, aumenta o caos e medra o compadrio. Se eu ainda tivesse a liberdade que tive no tempo da «censura» do Estado Novo, descobriria a careca a alguns camafeus que entraram na política com as calças na mão e, sempre enlameados, remaram a favor da corrente, chegando a deuses do reino da sua própria «ambição».
Os mais sensatos dizem-me que acabe com este tipo de jornalismo porque não endireito o mundo. Pelo contrário: serei ostracizado, perseguido, vítima da minha ingenuidade.
Talvez opte pelo silêncio. Mas nunca me juntarei a eles porque prefiro morrer de pé.
À falta de jornais onde possa exprimir as minhas mágoas contra este estado de vegetação, vou-me valendo de alguns blogues com os quais me identifico. Sempre em defesa dos valores supremos que preconizo e defenderei enquanto tiver alguma lucidez. Aos jornais que resistem, desejo longa vida.
Há uma década poucos sabiam o que era um blogue. Hoje haverá cerca de 250 mil. Um estudo internacional diz-nos que Portugal é um dos países onde mais gente escreve em blogues. E uma sondagem da Nielsen, diz-nos que mais de 20% dos cibernautas portugueses visitam diariamente blogues, facto que representa o dobro da média europeia. Essa mesma sondagem leva-nos a concluir que os países europeus com mais baixos índices de escrita e leitura de blogues são os escandinavos, enquanto aqueloutros países em que a blogosfera se mostra mais ativa são, além de Portugal, a Grécia e a Itália.
Possuir um blogue nos primeiros tempos para quem quisesse criar uma página na Internet tinha de conhecer bem a linguagem de programação «html» (Hyper Text Markup Language) e tinha de pagar o alojamento do seu site. Hoje qualquer pessoa mesmo pouco adestrada, com a informática, pode abrir e alimentar um blogue sem pagar, seja o que for.
No dia em que escrevo esta crónica recebo um mapa em permanente atualização da Biblioteca Municipal do Porto, através do qual se verifica que em 29 de Agosto deste ano estavam registados 36.063 títulos de periódicos, em Portugal, entre os quais 1. 109 jornais do Porto e 2.981 revistas. Já Lisboa, na mesma data, tinha 1997 jornais e 10 567 revistas. Braga tem no mesmo estudo: 523 jornais e 995 revistas. Vila Real conta com 188 jornais periódicos e 310 revistas.
Este mesmo mapa permite-nos saber que nos países lusófonos há, proporcionalmente, muito menos periódicos, trate-se de revistas, trate-se de jornais. Moçambique publica 82 jornais e 245 revistas; Angola edita 75 periódicos e 327 revistas; Brasil publica apenas 41 periódicos e 304 revistas. Em síntese: em língua portuguesa nos diferentes espaços da lusofonia, de acordo com este registo da Biblioteca Municipal do Porto estão registados 36063 títulos, sendo 9.087 em formato de jornal e 26976 em formato de revista. Parabéns Adriano da Silva!
Os blogues ainda não mereceram um estudo científico, como as publicações regulares ou periódicas. Mas envolve muitas mais tribunas, muito maior universo de cibernautas e uma maior liberdade de exercício porque se olha mais à quantidade da escrita do que à qualidade. Uns impuseram-se pelo pioneirismo outros pela fama dos seus criadores, outros ainda pela força dos seus mentores. O Insurgente, Abrupto, Corta-fitas. Estado Civil, Tempo caminhado, Farrapos da memória, Aquimetem, NetBila, Observador, Portugal, Minha terra, são alguns dos muitos milhares. Foi pena acabar com a maior parte da imprensa regional. Com o estrangulamento dessas tribunas medram os opinadores, políticos, técnicos, sindicalistas e outros equilibristas que se movem e removem, se culpam e desculpam, nas televisões, rádios e jornais diários. Assim se «matou» a liberdade de imprensa que era a menina mimada da democracia, em nome da qual tantas injustiças se propagam contra os indefesos.

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publicado às 11:19


Da terra venho

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 09.08.16

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De “Poesia, amoras & presunto”, obra de Barroso da Fonte, galardoada com o Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves, transcrevo um dos poemas que muito me sensibilizou por corresponder à visão que tenho formatada desta viagem que sem fim determinado o Criador nos concedeu. Mediante estes versos eis-me nas minhas origens territoriais e sociais da década de 30, muito diferente do tempo actual, mas que nem por isso deixamos de ter saudades.


DA TERRA VENHO


Da terra venho
P´ra terra vou
E orgulho tenho
Do que sou


Nasci da fome
Com fome existo
Mas do nome
Não desisto


Venho da vida
Vou para a morte
- toda a ferida
É passaporte


O homem passa
E se renova
A erguer na praça
A sua cova


E eu tenho andado
A vida inteira
Ligado ao fado
A minha caveira.


                       Montalegre , 1972.

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publicado às 16:10


Tribunais: tanto respeito para tanta desorganização

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 17.07.16

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Por: Barroso da Fonte

 Sempre tive pelos magistrados e pelos tribunais um enorme respeito. A toga preta que os titulares da justiça usam em julgamentos e audiências próprias da aplicação da Justiça, sempre me amedrontaram. Quando comecei a ir à vila de Montalegre (a sede do meu concelho), fixei na minha retina um ambiente quase sinistro. Volvidos 70 anos, ainda me arrepia o corpo e a alma. Em frente ao edifício da Câmara: o tribunal, a cadeia, o carvalho da Forca e o paredão da Casa do Cerrado. Nesse recinto se realizava a feira quinzenal do gado. Das aldeias chegavam os bezerros com cerca de 6 a 7 meses. Lá apareciam o Cinzas, o Barbudo, o Miranda e outros compradores que chegavam do Minho. Os preços por cada vitelo oscilavam entre as 17 e as 19 notas (de cem escudos cada). Meu pai já tinha comprador certo: o João Cinzas. Quase sempre oferecia 18 notas que era «dinheirinho sagrado» para os gastos essenciais, ao longo do ano. Outros vitelos eram comprados por negociantes habituais da zona do Minho. Juntavam esses vitelinhos em cortes de vila. E ao fim de cada feira, eram encaminhados, em manadas, por caminhos e atalhos que conduziam, com grandes dificuldades, até Braga e Guimarães, revendendo a talhos ou matadouros conhecidos. Conservo desses tempos recordações saudosas pelo amor aos bezerros que via nascer, crescer e partir para o abate fatal.
O cenário do Largo do Toural, mudou de sítio e de forma de comercialização. Em vez das «manadas», vieram as camionetas de transporte e o local da feira também mudou de sítio, tal como eu que deixei de ser pastor para ser estudante, militar e várias outras coisas, como esta de dar testemunho de como era no meu tempo e na minha geração.
Dessas más recordações me servi para não querer nada com tribunais, cadeias e funções afins. A primeira vez que entrei num tribunal foi em Chaves, num conflito entre clientes de dois advogados: Manuel Verdelho e o «Dr. Alheiras», cujo nome verdadeiro nunca fixei. As coisas «aqueceram» entre os dois juristas, de tal modo que eu, regressado de Angola, como oficial miliciano Ranger, disse aos circunstantes que, em dois anos de guerra, nunca assistira a cena tão peripatética.
Declaradamente fiquei mal impressionado com a experiência e, ainda que, como jornalista tenha sido arguido nalguns processos por «alegado abuso de liberdade de imprensa», nunca fui julgado, nem sequer admoestado, o que considero uma façanha para quem, como eu, sempre foi tão frontal como polémico.
A este propósito deixo aqui um certo sentimento de pasmo: o anterior governo – que eu saiba – atravessou um mandato de 4 anos sem que algum governante, político ou assessor, tenha processado qualquer jornalista ou órgão de informação. E muitas injúrias, nomes feios e acusações graves foram, publicamente feitas contra vários governantes. Já o mesmo não se pode dizer de membros do atual governo e de seus apoiantes, como o ministro da Educação e o sindicalista Mário Nogueira que já anunciaram processar alguém que os beliscou. Pela aragem...
Trouxe este tema à reflexão com os meus leitores pela notícia que tem circulado em jornais credíveis, como o JN de 21 de Maio, pela revista Gente da última semana. Nesta revista cor-de-rosa foi manchete, na capa, em duas páginas interiores. Na capa pôde ler-se: «Sócrates e advogados chocados- não queremos acreditar que isto possa ser verdade – Escândalo Festas Privadas no Tribunal – oficiais de Justiça divertem-se no local de trabalho». A revista usa letras garrafais e imagens com diversas pessoas como interpretes, facilmente identificáveis.
O JN mostra uma imagem elucidativa e escreve em título: «Vídeo de funcionárias judiciais faz furor nas redes sociais: Dança no varão sem inquérito disciplinar». Se a notícia vem confirmar que tais procedimentos afetam a (boa) imagem dos funcionários da Justiça, o que aí se lê, é que alguma coisa mais profunda e revoltante se passa com a Justiça e seus servidores.
«As funcionárias judiciais que improvisaram uma dança no varão no local de trabalho não deverão ser alvo de processo disciplinar». E esclarece: «o que fizeram durante a hora de trabalho, se ocorreu, é grave. Mas ocorreu há mais de um ano. E «o Código Administrativo não permite abrir inquéritos sobre algo que ocorreu há mais de três meses. Ora a cena terá sido filmada numa terça-feira de Carnaval, em 2013 e, durante o almoço. Vê-se bem que foi uma brincadeira»...
Mas os funcionários públicos, já por si, têm má imagem, por parte de quem a eles recorre. No caso concreto dos tribunais, as televisões mostram, nalgumas reportagens, as pastas espalhadas pelo chão, em cima de mesas mal arrumadas e acauteladas, face aos casos jurídicos que estão em segredo de justiça. Essas imagens vêm sempre ao de cima, quando, num caso como este, surgem cenas nada edificantes. As decisões políticas recentes, de fechar, de reabrir, de alterar serviços tão complexos, quase dá a entender que a justiça anda de rastos. E a justiça não é, nem pode ser uma bola de pingue-pongue.

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publicado às 11:18


Acerca do «caso de polícia» no Centro da Aldeia Nova

por aquimetem, Falar disto e daquilo, em 28.06.16

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Por : Barroso da Fonte

Na última edição deste Jornal, vinda a público no dia 30 de Maio, em toda a sua pagina 11, noticiei um «caso grave» que se vive, a céu aberto, naquele que foi o centro vital, dos dois aldeamentos, mandados construir pela Junta de Colonização Interna, nas décadas de 1940/1950. Nasci nesse tempo, minha irmã mais velha teve direito a uma casa dessas e aí nasceram os seus sete filhos que emigraram. Além de casas tiveram direito a terrenos que mais tarde deixaram, por terem emigrado. Sempre entendi esse projeto como obra meritória. E, ainda hoje, quando ali passo, tenho saudades de quando ali ajudava meus familiares, nas fainas agrícolas.
Conheci o saudoso Regente Agrícola Pisco, Homem que pautou a sua vida pela lisura, pela competência e pela honradez, virtudes que se perderam e que não posso deixar de invocar. Vivia ele no «chamado Centro» das duas aldeias: «de Barroso» e de «Criande». Era uma espécie de responsável dos aldeamentos existentes na região do alto Barroso (Montalegre e Boticas). O de Cri- ande situa-se aos pés de Morgade e, quem não souber a história, pensa que se trata da mesma povoação. Mas não: são duas, ainda que fundidas. Ali passava a antiga Estrada Nacional: Braga-Chaves. Na década de 1960 mudou mais para norte: passando por: Friães,Viade, Parafita, Penedones, S. Vicente. Nesse espaço foram plantados muitos pinheiros que, por bem cuidados, bem distribuídos e com a água da Barragem à sua volta, possibilitaram, ali, uma espécie de ilha que no verão servia de praia aos passantes e pescadores.
Esse núcleo cresceu, urbanizou-se e tornou-se uma zona de lazer. Teve uma pousada, estação de serviço para reparação de alfaias agrícolas e até teve direito a uma rotunda, que terá servido de modelo para a chusma delas que povoam hoje as cidades e vilas de norte a sul do país.
Com a revolução dos cravos e com a perseguição a quem não barricou as ruas, preferindo manter-se, calmo e sereno, cumprindo, honestamente, as suas competências, o referido técnico e família mudaram-se para a cidade e, por lá reconstruiram as suas vidas. A ingratidão fez vítimas inocentes que prepararam o céu para quem, em condições normais, merecia o purgatório.
Com o simbolismo desta metáfora, em 27 de Maio último, chegaram ao meu conhecimento imagens comprovativas de que esse apetecível espaço, já depois de ter sido inaugurado pelo então e atual ministro Capoulas Santos, em 1998, o Centro de Formação Profissional Agrário de Barroso, virou antro de todo o tipo de monstruosidades. Espaços que, de confortáveis salas da aulas, ricamente equipadas com monitores audiovisuais, quadros, computadores, pastas, ficheiros, material vídeo, viraram o lamaçal que ali está. Certamente, quem me fez chegar essas provas, sabendo que sou jornalista, dizia-me «O sr. costuma escrever que as pessoas da sua terra são sérias e civilizadas. Eu sou pescador e fui chamado para ver aquela lixeira. Faça também uma visita a esse local. E depois escreva acerca daquilo que viu». No fim de semana seguinte cumpri o desafio. E escrevi o que veio a público, informando, fosse quem fosse, que me desse uma explicação para que eu pudesse esclarecer os leitores, acerca daquela montureira que envergonha não só as autoridades implicadas, como os Barrosões e cidadãos em geral.
Inseri, inclusive nessa página de jornal, cópia de 2 tipos de envelopes, perfeitamente utilizáveis, com a agravante de que foram feitos vários milhares deles com a gravação de correio azul pela litografia Maia. Andam por lá, aos pontapés de todos, sabendo-se que foram pagos pelo erário público e cada um vale 1,10 euros. Essa estrumeira sem portas, de céu aberto, com tudo esventrado, sujo, inútil, com carcaças de plasmas, de estantes, de televisores, de cadernos escolares, de pastas com os cadastros de alunos, de contas, de diplomas, de camisas de Vénus, de cd's,mais lembra um terramoto do que um sítio aprazível, centro de formação, escola ou mero dormitório. Ninguém pode culpar ninguém, de levar dali, seja o que for, porque está aos deus-dará, entre pinheiros e silvados, um mundo que permitiu a muita gente, para o bem e para o mal, esbanjar o património nacional No mês que decorreu fui diversas vezes a Montalegre. Cumprimentei muita gente. Penso que alguma dessa gente é co-responsável. Ninguém, absolutamente ninguém, me questionou, me fez qualquer observação, nem chegou à redação do Jornal qualquer reparo. Esperaria que chegasse qualquer explicação justificativa. O espaço desta crónica serviria para dar possível justificação que assumisse o descuido, ou até da própria Câmara, a informar que iria proceder à limpeza desse espaço.
Pelos vistos é o jornalista que não merece crédito e que anda neste mundo ou está ligado a esta terra para levantar problemas a quem não tem culpa nenhuma.
Pela minha parte cumpri apenas o dever de informar, não acusando, seja quem for. É uma missão que cumpro desde há 62 anos. Tenho a minha carteira profissional em dia, nada consta no meu cadastro acerca de direitos caducados. E por isso podem todos os pescadores da Barragem de Pisões, visitar esse e todos os lugares com ou sem história. A não ser os pinheiros que são do domínio público, tudo aquilo que ali existe, em bom ou mau estado, timbrado ou manuscrito, entrou no domínio público e nada ali existe que tenha portas convencionais, que seja proibido para levar ou consultar.
Dizem-me que sucede o mesmo no Posto Experimental da Veiga, entre a Vila, Meixedo e Codeçoso.
Um concelho a saque, um património público que tão útil foi no tempo em que me criei e que, entre no domínio público como se vivessemos no reino das bananas.

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publicado às 15:26


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