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Portugal, minha terra.

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04.02.16

O editorial de seu ultimo numero

aquimetem, Falar disto e daquilo

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Pessoa amiga fez-me chegar à mão o recorte de um jornal que, como tantos outros, acaba de dar o seu ultimo suspiro, ou então entrada em prolongado estado sonambúlico. O JORNAL POETAS & TROVADORES que tinha por director e proprietário Barroso da Fonte. É uma perda para o património editorial, mas sobretudo para os nossos poetas que no anonimato, deixam de ter um espaço, onde divulgar os seus trabalhos e se tornarem conhecidos, dado que as grandes empresas de comunicação e informação, são só para lançamento de amigos e afilhados. Lamentando a extinção deste órgão de divulgação e informação cultural, transcrevo, com pesar, o editorial de seu ultimo numero:       

“Escrevo esta crónica nostálgica no dia de Natal de 2015. Talvez seja o editorial mais desolado de quase 63 anos de jornalismo.

Iniciei-me em 24 de Janeiro de 1953. Raros foram os dias em que não escrevi, fosse o que fosse. Quase sempre para reivindicar justiça, solidariedade e paz social. De pouco me valeu, pela vida fora, este frémito que os poderosos usam e abusam para espezinhar, cada vez mais os indefesos, os inválidos e os famintos.

O que se diz dos homens, aplica-se aos jornais. Nascem, vivem e morrem com a consciência plena de que cumprem a sua missão, mas nunca conseguem contribuir para os seus objectivos: denunciar para corrigir, esclarecer para formar, repreender para humanizar.

Este Jornal foi registado na antiga Direcção-Geral da  Comunicação Social. Em 6 de Novembro de 1979. O primeiro número apareceu em Maio de 1980. E chegou em forma de revista. Sempre com vontade de ser grande, mas nunca conseguindo meios para dar o grande salto qualitativo que ansiava. Napoleão Palma fora o director. Mas não teve sorte e por ali se ficou.

Em 1985 José de Azevedo retomou-o e prolongou-lhe a vida até 12 de Março de 1997. A última edição saíra em 1994. José Azevedo faleceu em acidente de viação, em 12-02-1997.

Por ofício de 7-01-1998 o jornal foi registado em nome pessoal do signatário. Alterámos o formato para o tablóide. Chegou a publicar-se mensalmente, como encarte do quinzenário a Voz de Guimarães. Em 1999 passou a trimensário autónomo até que a crise se fez sentir decisivamente.

Nunca este jornal recebeu fosse o que fosse de publicidade, nem pública, nem privada. Sendo uma publicação nacional, com sede em Guimarães, que em 2012 foi a Capital Europeia da Cultura, onde se esbanjaram 107 milhões de euros de maneira escandalosa e cujo maior responsável foi condecorado pelo Presidente da República, este Jornal de cultura nunca foi ouvido nem achado, fosse para o que fosse. Este contraste paradoxal de tudo para o fútil e do nada para o essencialmente cultural é o exemplo claro de como se gastam os fundos comunitários e nacionais, naquilo que apenas dá glória a algumas dúzias, em detrimento de milhões de contribuintes a quem ninguém dá ouvidos. Ainda hoje , volvidos quase quatro anos, há mamarrachos espalhados pela cidade que nunca ou poucas vezes abriram as portas, que custaram muitos milhões, como há processos judiciais de calotes e de fretes de que nunca mais se ouviu falar, mexendo-se os seus algozes como heróis nacionais. Que, imunes à justiça e às suspeitas de que a culpa morrerá solteira, nunca mais terão explicações convincentes. É este o país que temos, com a cultura transformada em esterco da agricultura, que dá nabos, cebolas e nabiças para todos os gostos.

O signatário deste editorial,  ao despedir-se dos leitores do Jornal dos Poetas & Trovadores, que algumas vezes sentiu chorarem lágrimas de alegria pela chegada do periódico e que, agora, talvez chorem de compaixão pelo mensageiro dessas horas de leitura, não pode silenciar a injustiça com que tratam os assuntos sérios, trocando-os por brincadeiras de mau gosto.

O voluntarismo em que me envolvi com este projecto levou-me ao desânimo pessoal e familiar. Nele investi o meu apreço pelos poetas populares, alguns dos quais nunca teriam visto os seus poemas em letra  de imprensa se este jornal não tivesse existido. O empenho em repercutir os méritos literários de outros autores mais calejados, em prosa e em verso, mas aos quais outras tribunas, impressas, radiofónicas ou televisivas não dão ouvidos.

Sou abertamente contra os canais televisivos que tresandam com o volume de informação cor-de-rosa e que apenas dão imagem e voz aos amigalhaços desses órgãos e seus camaradas. «Fabricam» autores que nunca o seriam, em detrimento dos outros autores verdadeiros do «país real». O país está cheio de exemplos desses.

Por tudo isso entendi pôr um fim ao Jornal dos Poetas & Trovadores . Continuaremos a editar livros de poetas e/ou prosadores. Talvez o jornal volte ao formato de revista e reapareça com cara diferente. Se tal acontecer darei notícias online.

Como proprietário e director deste periódico peço desculpa aos leitores e assinantes que foram mais solidários, sendo com esses proventos que pagava os encargos da expedição por correio. Os custos da impressão sempre saíram do nosso pobre bolso de reformado. E a parte gráfica resultou da competência técnica do meu filho João Pedro.

Os dois nos despedimos, até quando Deus quiser.

O director

 

In JORNAL DOS POETAS & TROVADORES”.

 

 

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