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Portugal, minha terra.

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Portugal, minha terra.

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02.03.16

Autores do Hino do Grupo Desportivo de Chaves

aquimetem, Falar disto e daquilo

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De Barroso da Fonte:

O Desportivo de Chaves nasceu em 1949 e só na época de 1972/3 subiu da III à II divisão nacional. Em 1974 completou 25 anos e a direcção dessa época convidou-me para escrever a letra e ao Carlos Emídio Pereira para escrever a música. Desde aí é sempre cantada quando há jogos no seu Estádio. No início deste século a Ágata, mãe do actual Presidente, Bruno de Carvalho, gravou-a em CD, através da Espacial. Mas em vez de pedir autorização aos autores e de escrever os nomes da letra e da música, omitiram os seus nomes e chamaram-lhe «populares» Na edição de 02-11-2007 o Jornal Notícias do Douro, deu essa notícias nos seguintes termos: «Discográfica que editou CD do Desportivo de Chaves «matou» os autores da letra e da música». O Grupo Desportivo de Chaves já esteve 13 anos na I divisão, já foi a uma Final da Taça de Portugal ao Jamor contra o Porto, em 2015 chegou a estar na I, mas no último segundo, subiu o Tondela que este ano vai descer. Já o Desportivo de Chaves está em 1ª lugar dos que sobem e torcemos por esse regresso. Mas já que a APEL não deu andamento ao processo, fica aqui desmistificado o «roubo». Há muitas formas de matar pessoas vivas. E a Espacial cometeu essa proeza, ao editar um CD, registado na SPA com o n° 3200637, em 2003, plagiando a letra e a música e registando-as com a palavra “popular”, quando o autor da letra está vivo, como se vê por estas palavras que assina, e o autor da música Carlos Emídio Pereira, faleceu há 14 anos, mas tem o filho, António Maria Pereira, a viver em Vila Real, pertencendo-lhe os direitos artísticos do Pai.
Como se sabe, as obras literárias e artísticas têm dono, tal como uma propriedade que se herda ou um automóvel que se compra. E, do mesmo modo, também os direitos desses bens se transmitem aos herdeiros, até 75 anos para além de morte dos seus criadores.
Quem tiver dúvidas sobre a legitimidade que aqui se reclama poderá consultar a imprensa da época, nomeadamente o Notícias de Chaves de 28/9/1974. Aí se podem ler, sob o distintivo do Clube: «letra da marcha do Grupo Desportivo de Chaves - Comemorativa das suas Bodas de Prata que ocorreram ontem, dia 27-9-1974. Música de Carlos Emídio Pereira, Letra de Barroso da Fonte, interpretação de Avelino Aurélio (Bio)». Na altura, o Álvaro Coutinho, um competente tipógrafo da Gutenberg, que, com o António Saldanha, viria a assinar um livro sobre o glorioso Desportivo de todos nós, fez e distribuiu centenas de folhas soltas com essa letra, devidamente identificada, para que todos os adeptos pudessem cantar o Hino, sempre que quisessem e/ou em dias de futebol no Estádio Municipal. Ele, felizmente, está vivo e pode comprová-lo. Há cerca de um ano, o Dr. Manuel António Pereira assinou neste jornal um texto em que falava da letra do Hino, cantada por Ágata, pertencendo essa letra a Barroso da Fonte. Ignorava eu essa edição. E, durante estas férias, procurei em Chaves um exemplar desse disco compacto que me confirmou duas realidades: a alegria de ver essa marcha cantada por uma artista de projecção nacional e com a qual já me cruzei na «Praça da Alegria» da RTP, a tristeza por verificar que, onde deveriam constar os nomes dos autores, estava escrita a palavra «popular», possivelmente para que a discográfica pudesse furtar-se aos direitos de autor. Pior ainda: nos 24 versos dessa melodia aparecem sete gralhas de palmatória, desvirtuando a canção, no espírito e na forma.
Logo no 2º verso, onde deveria estar «Saiba-o bem toda a gente», aparece: «Saibam bem toda a gente». No 3º verso, onde está «supera as maiores entraves», deveria estar: «os». No 7° verso, onde está: «A luta», deveria estar: «Na luta». No 13° verso, onde escreveram «Somos de Chaves Unidos», deveriam ter escrito «Somos de Chaves. Unidos,». No Coro (refrão), onde chaparam «O Desportivo de Chaves», deveriam ter respeitado: «Meu Desportivo de Chaves». E, no 3° verso dessa quadra, onde aparece «joga sempre como sabe», deveria aparecer «joga sempre como sabes» (para rimar e dar sentido ao poema). E grave, gravíssimo, é a troca da palavra «guiar» por «Guião» no 6° verso do Côro, para rimar com «verdadeiro campeão», última palavra do 8° verso. Também a música sofreu profundas modificações, o que não aconteceria se tivessem falado com a família do autor, que tem o original, devidamente transcrito, como nós temos.
Deste lamentável episódio foi dado conhecimento à editora Espacial, por fax, em 3/10, que nem sequer deu qualquer justificação. E, embora sabendo que a actual Direcção do Desportivo nada teve a ver com o sucedido, foi-lhe comunicada a anomalia, na mesma data, tendo respondido em 22, a mostrar-se surpreendida e a disponibilizar-se para «cooperar no sentido de esclarecer e repor a verdade e legalidade dos factos, sendo caso disso». Importará dizer que também no site da Internet do Grupo Desportivo aparece a letra, sem o nome do autor e com os erros atrás assinalados. Apela-se à sua actualização.
Quanto ao diferendo, foi já participado à Sociedade Portuguesa de Autores para reparar os danos morais e materiais, o que se teria evitado se, em tempo útil, quem tomou a decisão, tivesse consultado os legítimos proprietários. Pela nossa parte concederíamos ao Desportivo mais esse contributo (na conturbada época dos anos 70 já tínhamos sido o vice-presidente da Direcção que levou o GDC da III à II divisão). E, certamente, o fariam os herdeiros do saudoso Carlos Emídio Pereira. Face à «morte» que nos causaram, felizmente vivos, veremos o que os tribunais decidem, se o diálogo não prevalecer.
Trata-se de um ato lesivo dos mais elementares direitos artísticos e implicando pessoas e instituições de bem, assiste-nos o direito de publicamente reclamar aquilo que nos pertence, cumprindo o princípio: o seu a seu dono.

27.02.16

Escola Bento da Cruz velará em 365 dias o seu patrono

aquimetem, Falar disto e daquilo

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De Barroso da Fonte:
A coincidência do aniversário de Bento da Cruz com o de mediático Padre Fontes, em 22 de Fevereiro, fez com que a Câmara de Montalegre, na presidência do médico Joaquim Pires e do Prof. Fernando Rodrigues, trouxesse à tona os méritos do escritor Bento da Cruz e do etnógrafo Padre Lourenço Fontes. Cada um à sua maneira evidenciou as qualidades que sobressaíram da vulgaridade. Políticos da mesma área, foram pescados no mérito da escrita. Bento da Cruz fora o primeiro a impor-se pela qualidade da sua obra literária. Até 1950 poucos Barrosões se tinham revelado figuras de repercussão regional ou nacional.
Montalvão Machado, Juiz em Montalegre, com o Arcipreste de Barroso, Ferreira de Castro com «Terra Fria» e Artur Maria Afonso com Boninas de Chaves e com os versos sobre o enforcamento do Bagueiro, tinham dado sinal de que esse planáltico espaço do Larouco, à Mourela e desta ao Gerês, era habitado e, desde há muito, constituía a principal porta da fronteira com a Galiza.
Fora um vazio de ideias, de pobreza social e, sobretudo de escuridão cultural.
Se não havia quem tivesse vocação e preparação para dar testemunhos em livros, também em jornais esse vazio se limitava a João do Rio (pseudónimo de um Padre de Vila da Ponte), ao Alberto Machado (de Stª Cruz-Venda), ao José Taboada, de Montalegre. Como correspondentes de diários era na imprensa regional que pontificavam, de longe a longe.
Foi na ausência de colaboradores mais assíduos na imprensa regional e nacional que o autor desta nota de leitura, começou a dar Voz às Terras de Barroso, em a Voz de Trás-os-Montes, no Notícias de Chaves e em a Voz de Chaves. E também no DN, no Diário Popular, Jornal do Norte e no Primeiro de Janeiro que passámos a ter voz ativa. É certo que em Barroso tinham existido vários semanários, quinzenários e mensários. Mas após essa febre de jornais a mais, veio o tempo das vacas magras. No século XIX publicaram-se vários periódicos porque havia diversos partidos políticos e cada força procurava manifestar-se por essa quase única via, visto não haver rádios, nem televisões, nem outros meios que hoje proliferam. Durante o Estado Novo perdeu-se a liberdade e perderam-se vocações por falta de estímulos à educação permanente dos cidadãos que vegetavam no interior do país. O concelho de Montalegre foi vítima do seu isolamento. Por falta de meios e de escolas, os jovens não estudavam. E aqueles que conseguiam ter acesso à escola eram raros. Os filhos de famílias remediadas ainda chegavam ao liceu. A par desses, somente o seminário diocesano de Vila Real que apareceu na primeira década do do Estado Novo.
Bento da Cruz nasceu em Peireses, em 1925, no seio da conhecida Família dos Marinheiros. Por volta dos 15 anos ingressou no Mosteiro de Singeverga, de onde saiu, anos depois para ingressar no Curso de Medicina em que se licenciou e fez carreira. Aos 34 anos publicou o seu único livro de versos e, aos 38, passou a publicar em prosa, em torno da mítica aldeia de Gostofrio, nome do Monte do Castro que pertence a Codeçoso e que fica junto à EN, onde hoje existe a estação da recolha e tratamento do lixo da Câmara. Esse era o monte comum às povoações de Codeçoso e Peireses, para apascentar o gado. Também junto da Estrada 311, no concelho de Boticas, há um povoado com o nome de Bostofrio. Mas B. de C. foi pastor e muitas vezes «botou» o gado ao monte de Gostofrio pelo que esse topónimo terá servido de laboratório para o seu imaginário ficcional. Como era o primeiro Barrosão a escrever e a usar temática etnográfica e antropológica sobre um povo martirizado e quase escondido no «planalto» que usaria para título do Jornal que criou e dirigiu até à morte, depois das recensões favoráveis da imprensa prevalecente de Lisboa e Porto (DN e JN), o autor foi acarinhado pela crítica, mas bastante, contestado pelo clero e alguns católicos mais afeitos ao tradicionalismo reinante. A Editorial Notícias e a Âncora foram editoras que apostaram no autor que floriu em terra certa e em hora de promissão. Ao mérito ficcional juntou-se o evolucionismo partidário. Após meio século de autor do novo regime e noventa de idade, B. de C. sentiu, em vida, os louros que os artistas, normalmente só alcançam depois de mortos. Patrono da Escola Secundária, Patrono do Agrupamento, nome na Biblioteca dessa Escola, uma avenida com duas travessas dessa avenida, mais uma escultura com o seu busto, no recinto da mesma Instituição foi quanto Bento da Cruz granjeou em vida.
No dia 22 em que completaria 91 anos se fosse vivo, o Presidente do Agrupamento de Escolas, Dr. Paulo Alves e a sua equipa primaram pelo fulgor da homenagem ao mais conhecido escritor Barrosão. Com a presença da Família (Viúva, filho, nora e netos, mais o irmão mais novo), o Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, António Chaves; a Presidente da Assembleia Geral da mesma Academia, Maria da Assunção Anes Morais e Vice-Presidente do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, mais o signatário, usaram da palavra para enaltecer a vida e a obra do homenageado. Foi uma manhã em cheio, com um sol de inverno a aquecer o ambiente que a neve da Serra do Larouco parecia transtornar.
Paulo Alves conseguiu reunir naquele auditório, completamente cheio de alunos, professores e convidados, representantes das principais instituições publicas e privadas da capital de Barroso. Na feliz saudação que fez, Paulo Alves esclareceu que até 22 de Fevereiro de 2017, serão regulares, os eventos culturais a levar a efeito.

O livro IN MEMORIAM BENTO DA CRUZ
O encontro da partida para rememorar a vida e a obra de Bento da Cruz começou dia 22 de Fevereiro. Tendo falecido em 25 de Agosto de 2015, completaria 91 anos de vida no dia em que a Escola de que é Patrono o invocou, convocando os Barrosões (e não só) para um ano inteiro de atividades em sua homenagem. Dois dias antes a UTAD e o Grémio Literário de Vila Real tinham-se aliado à Câmara para o mesmo efeito. A ideia fora do compadre do extinto autor José Dias Baptista que sugeriu in memoriam Bento da Cruz. Nesse livro de 116 páginas editado, algures, pela NORPRINT, com a nota introdutória de três editores: Fernando Moreira, Joana Abreu e Orquídea Ribeiro e custeado pela autarquia, se condensam 37 testemunhos desde a Esposa Ilda Cruz ao Ricardo Moura, do Gabinete de Imprensa. Orlando Alves, Presidente da autarquia afirmou que esta ainda não era a homenagem da Câmara. Seu antecessor, Fernando Rodrigues foi claro ao afirmar que a ele e a Manuel Baptista se deveu a designação deste nome para a Escola. Que a Câmara já fez tudo o que tinha a fazer para eternizar o democrata, o socialista, o jornalista, o libertador e deputado e o mais que ele próprio não quis ser.
No site da Academia de Letras de Trás-os-Montes, podem ver-se e ouvir-se os convidados da Câmara Municipal, que no dia 20 de Fevereiro se concentraram em Montalegre para o tiro de partida para a maratona que só terminará em 22 de Fevereiro de 2017. Esse é o programa da Escola de que é patrono.

 

07.01.16

Quero «viver apaixonadamente e morrer a tempo »

aquimetem, Falar disto e daquilo

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 De Barroso da Fonte:

Convivi com Bento da Cruz na Barragem de Pisões na década de sessenta. Em 30 de Junho de 1962 abandonei o Seminário de Vila Real. E, nos primeiros dias de Julho seguinte, fui ali pedir emprego, recorrendo ao Senhor José Cruz que tinha sido primeiro sargento militar e que vivia maritalmente com minha prima, Maria do Carmo, professora do ensino primário. O seu Pai era conhecido pelo «Tio Vicente Terré», de Codeçoso que casara para Gralhós, onde a filha nasceu. Curiosamente veio a ser a professora que preparou para a quarta classe o atual Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, António Chaves, que curiosamente foi o maior confidente e biógrafo de Bento da Cruz.

O inspetor José Dias Baptista que foi meu condiscípulo de Seminário em Vila Real, desde o primeiro ano até que o abandonou para casar com a «Mingas», seu amor de sempre, desde cedo se iniciou nos trilhos da escrita e também do Jornalismo, tal como eu e o Bento da Cruz.

O Bento era mais velho (1925) e optou por Singeverga. Acabámos por reencontrar-nos os três, na Barragem de Pisões. A obra que alterou, radicalmente, o coração de Barroso, fez desse estreito da planura mais fecunda das margens do Rio Rabagão, palco do mais populoso acampamento que o amplo concelho de Montalegre teve. No auge da obra que se prolongou por toda a década de 1960/1970 terá sido habitado por cinco a seis mil pessoas, entre trabalhadores e familiares, para o que foi preparado o «bairro definitivo» e as habitações para os quadros superiores e operariado. Às habitações foram adicionadas estruturas essenciais: mercado, escolas, ginásios, piscinas, parques desportivos, albergaria, restaurantes, correios e gabinetes médicos. Após a inauguração os quadros acompanharam a HICA para outras obras; e os tarefeiros e indiferenciados desertaram para onde o destinos os levou: emigração, desemprego ou ocupações domésticas.

O lugar do Pisão foi promovido a aglomerado populacional. Aquele que foi o bairro dos trabalhadores e estruturas de apoio ficou abandonado. Alguns por ali ficaram, à míngua de melhor destino. E do pisão (engenho movido a água) de pisoar o burel das capuchas e mantas caseiras, ficou um sítio geográfico, com direito a paragem das carreiras regulares; o antigo escritório que lhe servia de apoio, virou café; e nas melhores habitações passaram a residir alguns técnicos e famílias que garantem o apoio logístico ao empreendimento.

Como disse atrás, quis o acaso que os três barrosões, fertilizados para as letras pelas águas do mesmo rio, ali nos encontrássemos. O Bento como médico dentista, ao serviço do pessoal da HICA; o Zé Baptista, como professor do ensino primário. Nascera ali perto, na Vila da Ponte, tal como a Mulher e dali nunca quis sair. Eu próprio, como Fiscal da Hica, ali me mantive, até 24 de Janeiro, dia em que ingressei na vida militar, em Mafra.

Inaugurada a albufeira, só o Zé Baptista por ali ficou. Fez-se à vida. Licenciou-se em História e optou por derivar. Cansado de dar aulas, concorreu à Inspeção e atingiu o topo da carreira. Nisso ganhou ao Bento e a mim, porque passou a vida inteira sem sair do berço do país Barrosão.

O Bento radicou-se no Porto, montou consultório e fez aquilo de que gostava. Eu, no regresso da guerra no Ultramar, fixei-me em Chaves e fiz-me à vida. A minhota que ao terceiro noivado me demonstrou as virtualidades míticas da água da mijareta, tendo ela nascido no Centro Histórico de Guimarães, foi colocada em Chaves. Por artes do mafarrico, a responsável pelos Serviços, destacou-a para Montalegre. Casando eu com ela cumpriu na perfeição as virtualidades míticas daquela água, reconfirmadas pelo Padre Fontes.

Acabei por fixar-me em Chaves, onde lecionei, e exerci as funções de chefe de Redação do Notícias de Chaves, semanário, onde colaborava desde 1962. Esta ligação ao mais influente jornal de Chaves, foi passaporte para muitas ramificações que estabeleci com a sociedade, com a cultura e com os amigos que me prenderam à vida e às ocupações que contraí pelos anos adiante. Uma dessas ocupações teve a ver com Barroso e com os Barrosões, nomeadamente com Bento da Cruz que por essa altura acabara de publicar, as Filhas de Lot.

     Depressa me integrei na comunidade Flaviense a ponto de, por concurso público, ser o primeiro funcionário do Centro de Emprego de Chaves que cobria os concelhos da região do Alto Tâmega. Mas foi através do Jornal que tinha como diretor o Prof. Soares Pinto, que pude envolver-me no mundo das artes e das letras. Verdadeiramente só a partir daí contextualizei a vida e a obra de Bento da Cruz que pela sua boca fui informado de que ainda éramos aparentados, por via de meu avô paterno que tinha nascido em Peireses e que cedo emigrou para os Estados Unidos, de onde nunca mais regressou. Infelizmente nunca cheguei a conhece-lo.

Odisseia com as «Filhas de Lot»

Se nos Pisões o meu contacto com o Bento da Cruz não passava do mero cumprimento de cortesia e do respeito mútuo, foi pelos jornais que fui sabendo da sua atividade literária. Ainda jovem adquiri Hemoptise, seu primeiro livro de versos que o autor renegou.

Em 17-2-1968, na rubrica «Tribuna» do Notícias de Chaves o próprio mencionou «o Planalto em Chamas» (1963), como a sua primeira obra. E nunca mais apareceu ao lado daqueles que se seguiram.

Quando, em meados de Junho de 1967, regresso do Ultramar e assumo a coordenação do Semanário, onde eu tinha abertura privilegiada, apercebi-me de que Bento da Cruz e a Família Castro Lopo, proprietária da Gutenberg que já tinha a livraria do mesmo nome e que acabara de comprar o jornal e a tipografia, haviam acordado executar, graficamente, o seu terceiro livro a que chamou Filhas de Lot, com o compromisso do Jornal proceder à sua divulgação. Ao contrário dos dois livros anteriores e dos posteriores que foram confiados, quer na edição, quer na distribuição a empresas com experiência, este terceiro romance apareceu no mercado com edição do autor.

Na edição de 15 de Abril de 1967 aquele semanário dava uma notícia breve nos seguintes termos:

É posto à venda na próxima sexta-feira o novo livro de Bento da Cruz «Filhas de Lot». Esta obra é distribuída pela papelaria Gutenberg. Durante a manhã de Sábado o autor dará uma sessão de autógrafos.

Ora a qualidade gráfica dessa edição fora pouco cuidada. A Gutenberg funcionava bem como gráfica, mas não como distribuidora. E daí que esse terceiro livro não tivesse a difusão que se esperava. Os poucos exemplares que se distribuíram circularam na zona do Alto Tâmega, entre pessoas e classes sociais que quiseram certificar-se do seu conteúdo. Ou então expedidos por correio, na sequência de pedidos formais à Gutenberg. Era usual, à época, o autor enviar dois exemplares a jornais que costumassem noticiar a saída. Um exemplar destinava-se à biblioteca desse jornal e o outro ao crítico que o lesse para redigir uma nota, habitualmente breve.

Como trabalhei nessa tipografia até 1975, acompanhei esse processo e pude ver exemplares dessa edição, por ali acantonados, entre tintas e papéis velhos. Presumi que, pior do que o trabalho gráfico, terá sido a deficiente distribuição. Verdade é que foram dois recensores do Jornal de Notícias: José Viale Moutinho e Ramiro Teixeira que se incumbiram de recensear e promover esse autor e a sua obra. Coordenavam eles o sector das referências aos livros que chegavam à redação desse matutino. E já por essa altura o pendor ideológico influenciava o panorama cultural.

   Bento da Cruz que em Singeverga alicerçara a sua bagagem linguística e literária nos grandes clássicos latinos e que sempre estigmatizou o drama social das gentes de Barroso, em tudo o que produzia, fez dessa veia interior, o íman de toda a sua obra que dilatou, numa série de romances que o catapultaram para tronos que nem sempre foram consensuais.

Ao mérito do autor que arrastou consigo uma peculiar forma de narrar factos, de criar ambientes e de lhes adicionar tiques condizentes com os cenários bucólicos, num mundo original como são as Terras de Barroso, acresceu o fator político. Os seus parceiros de ambientes urbanos, viram nele predicados estilísticos que aos próprios faltavam. Deram-se bem nos secretos sínodos que sempre existiram nas sociedades em evolução apressada.

A revolução de Abril operou-se quando Bento da Cruz mais precisava de clarificação para o seu rumo editorial. Todos os fatores se conjugaram nele e na sua obra. Tinha ela pernas para andar. A temática social era propícia. Antropologicamente as terras de Barroso eram propícias à sementeira. O linguarejar prestativo. A etnografia apropriada. Enfim, à experiência rural só faltavam os meios: clima ajustado à fertilização, os adubos para o crescimento e o estendal para o sequeiro.

Nada disso faltou a Bento da Cruz. Foi deputado à Assembleia da República, a Editorial Notícias e a Âncora compensaram alguma ineficácia da Gutenberg. A crítica nacional correu de feição. A autarquia natal funcionou como a Santa Bárbara em dias de trovoada. Por acréscimo vieram os mimos sociais: a perpetuação do seu nome na maior Escola pública do concelho, uma avenida e respetiva travessa na sede de concelhia, um busto em bronze artístico e um anunciado centro cultural que ficará para a próxima revolução.

Ao mérito inegável de Bento da Cruz correspondeu a mais importante de duas vertentes: a sorte e o azar. Esta bidimensionalidade faz parte da vida de qualquer pessoa. E acontece todos os dias. Um avião cai e morrem todos os passageiros. Logo se vem a saber que mais um passageiro se destinava àquele voo. Mas perdeu o avião e não embarcou. Na praia do Meco: morreram 6 naquela praxe académica. Mas eram sete. Um salvou-se. Num sismo morrem centenas. Uma semana depois há uma criança, um velho que sobrevive. Logo se fala em «milagre».

Sejamos claros: para tudo na vida é preciso ter sorte. Bento da Cruz foi, inegavelmente, um bom contador de estórias. E por isso ficou na História de Barroso. Mas a sua maior sorte foi ser um ideólogo de esquerda, ter criado um jornal que foi a voz dessa esquerda, ter a seu lado a imprensa da esquerda e o apoio editorial para dar voz a esse ideário. Digamos que foi tão sortudo como bom romancista. Também no desporto não há campeões sem sorte.

Contraponto e Descoberta na obra de Bento da Cruz

A amizade pessoal que Bento da Cruz granjeou com a sua radicação no Porto e sobretudo, graças à sua ideologia política que nessa altura era fator decisivo, o autor de Filhas de Lot, viu compensado o erro de fazer uma edição de autor, ao ter o apoio incondicional de dois críticos influentes não só no JN, onde trabalhavam, mas também noutros órgãos de influência da mesma área. A esquerda ideológica estava organizada e era solidária, fosse na maçonaria, fosse na Seara Nova, na Sedes, na Opus Dei, fosse em tertúlias de cariz cultural, económico, religioso e, sobretudo, político.

Exemplo claro desse apoio literário foi a entrevista que José Viale Moutinho assinou no JN e que o Notícias de Chaves transcreveu ipisis verbis na edição de «Sábado, 22 de Abril de 1967».A essa entrevista chamou Viale Moutinho «Contraponto e Descoberta» Este diálogo com Bento da Cruz é ilustrado com uma foto do próprio, fumando cachimbo.

A dado passo afirma Viale Moutinho:

-Estamos em 1967, Bento da Cruz escreveu «Filhas de Lot». Outro romance que saiu da tipografia e está fresco, nas montras das livrarias.

-   A história de Lot e suas filhas vem no Génesis, capítulo 12, versículo 30 e seguintes. Outro conto: o de duas raparigas e um rapaz perdidos numa aldeia barrosã. Um rapaz culto, flagelado por todas as tentações da carne e algumas do espírito, ateu e profundamente religioso; uma professora fiel às crenças familiares, muito digna moral e uma enfermeira para a qual, em costumes e religião tudo está bem, desde que possa gozar a vida e fruir o amor – uma existencialista a seu modo e no seu meio. Para lá da «casa escola», ficam as amaldiçoadas terra de Sodoma e Gomorra, neste caso, as terras arcaicas do Barroso, particular Gostofrio, cujos habitantes passam e perpassam no olhar da professora debruçada à janela».

- Qual é o trajeto em «Planalto em Chamas» e «Filhas de Lot»?

- O trajeto, inevitável e ascendente da minha evolução de ficcionista. É natural que eu me tenha esforçado por corrigir em Filhas de Lot erros dados em Planalto em Chamas e em ao Longo da Fronteira. Talvez haja mesmo duas ou três personagens do «Planalto» reconhecíveis em Filhas de Lot, caso do pastor de ovelhas: primeiro pastor de ovelhas, depois pastor de almas.

 

     O meu herói é aquele que nunca pegou em armas

António Roque e José Luís Sarmento coordenaram ao longo de quase um ano, entre 1967 e 1968, na 2ª página do Notícias de Chaves uma rubrica a que chamavam Tribuna

Essa secção tinha 13 perguntas de algibeira: a resposta à primeira usei-a em título desta nota necrológica.

À quarta perguntava-se:

- diga-nos a sua opinião sobre o amor.

Bento de Cruz respondeu: - «...amor super omnia. Só per ipsum, et cum ipso, et in ipso, o homem vivit, regnat et inundat per omnia secula seculorum. Amén!»

À sétima pergunta:

- que mais detesta no homem ?

- a hipocrisia!

Como se vê Bento da Cruz era parco e incisivo nas respostas. E demonstrava que sabia latim. Mesmo quando interrogado acerca de um tema universal e intemporal. O investigador desta vida e obra terá que rebuscar perto de casa, as minúcias que pouco representaram no processo de criação literária que após a sua morte, tiver de fazer-se, para o bem e para o mal.

Esta ideia do seu amigo e compadre Zé Baptista é a primeira e aparece por volta dos 91 anos do seu nascimento. A um ano de distância ainda está fresca a sua partida. Uma das suas bandeiras parou com a sua morte. O Jornal Correio do Planalto. Durante 40 anos foi sobrevivendo e alimentando o fogo de uma fação ideológica. Ajudou a muitos, contestou bastantes e silenciou-se naturalmente, como obra humana que é.

   Tendo sido vetado como colaborador, meses depois do seu aparecimento e zurzido uma vez por outra por razões ideológicas, nem por isso o hostilizei. Orgulho-me – isso sim - de ter encadernado em sete volumes, por ordem cronológica as quase setecentas edições que produziu ao longo dos seus 40 anos de vida. Entendi e continuo a entender que um jornal é uma privilegiada fonte da história local. Este e todos os demais que se publicaram em Montalegre, desde 1950 e também na região do Alto Tâmega, tive o cuidado de juntá-los à minha bagagem pessoal. Alguns foram para Angola, voltaram comigo, levei-os para Chaves e acompanharam-me para Guimarães. Aqui gastei muitas noites e muitos fins-de-semana a ordená-los por títulos, por datas e por anos. No meio de cerca de cerca de 700 edições faltaram poucos: ou porque se extraviaram no correio, ou porque foram confundidos entre outros papéis inúteis. Tive o cuidado de manuscrever no princípio de cada encadernação os números que faltam. O que digo do Correio do Planalto digo dos restantes Jornais que houve em Barroso nestes cerca de 75 anos de vida. Fiz entrega dessas coleções, tratadas com todo o carinho, durante a Última Feira do Livro em Montalegre. A sua responsável preparou-lhes uma estante e ali podem ser consultados em conformidade com as regras da Biblioteca.

Penso que será uma das valências mais utilitárias a quanto gostarão de saber o que de mais importante se passou em Terras de Barroso.

Os biógrafos de Bento da Cruz não poderão prescindir dessa consulta. A sua vida e obra, os altos e baixos da vida política, as alegrias e tristezas eleitorais, a vida comunitária passam, obviamente pela consulta dessas coleções.

Ainda agora para afirmar o que deixo dito recorri às coleções do Notícias de Chaves e à Voz de Chaves para encontrar a colaboração de Bento da Cruz. Não só em folhetins das Filhas de Lot, mas também artigos soltos sobre temas vários. Diversos, por exemplo, sobre o Mosteiro de Santa Maria de Pitões das Júnias.

São mais umas trinta coleções dos periódicos de Chaves, de Boticas, de Vila Pouca de Aguiar, de Valpaços, da Régua. Se a Câmara de Montalegre manifestar interesse, poderão reforçar aquele lote de 75 que já ofereci, em Junho de 2015. O que se oferece deve ser valorizado, desejado e franqueado aos utentes. Já que o restante espólio que ofereci em 9 de Junho de 2011 e que ficou registado em ata de câmara de O7/01/2013 e que foi referenciado, em edital nº 04/2013/DAGF, pago ao Correio do Planalto, como publicidade institucional, na edição 650, não deu entrada, por falta de verbas para o acolher nas condições que haviam sido acordadas pelo Executivo anterior.

 

O meu testemunho final

Para acalmar alguns leitores que, ao longo da minha vida ativa, acompanharam as minhas discordâncias em relação a Bento da Cruz deixo aqui identificado o artigo que assinei no Notícias de Chaves em 5 de Agosto de 1967, com o título: Bento da Cruz – apelida-se escritor do sétimo dia, mas ele é, para além da má vontade de muitos, um dos maiores romancistas do nosso tempo.

Imediatamente a seguir a esse título e subtítulo que proclamei, no distante ano de 1967, sobre Bento da Cruz e sua obra até aí produzida, afirmei o que pode ser lido naquele original, quando eu ainda não era coordenador redatorial. Disse mais o seguinte: nascido no coração de Barroso, é Barrosão dos pés à cabeça; e embora ameaçado, como ele confessa, por cartinhas de amigos que o aconselham a mudar de terra para não ser deslombado por causa das suas fábulas a respeito de Barroso, não muda mesmo de terra, nem se faz apátrida. Ele é o que é e, para além da má vontade de muitos, é Bento da Cruz um dos grandes romancistas da sua geração. Por que nascemos e somos partidários do mesmo sentimento bairrista; por que nos banhámos nas águas do mesmo rio e rasgámos as calças de pastor nos mesmos penedos; porque vemos a realidade implantada na mesma cozinha de Gostofrio – a Arca de Noé -; por que conhecemos a relação dos mesmos seres humanos, dos mesmos animais e do recheio da natureza rural... Por que vivemos os mesmos problemas, da fome, do frio, da batata, da emigração, da guerra e do abandono; e sobretudo por que nascemos com o destino marcado de repórteres da mesma realidade social, não condenamos, antes aplaudimos a denúncia que Bento da Cruz expõe nas Filhas de Lot.

Sabemos que o Povo de Barroso não gostou do livro. Melhor: o livro foi mal recebido porque põe em contraste duas classes sociais dominantes: o Padre e a Professora. E crente como é, o povo desta Terra para quem o Padre é uma espécie de ente super-humano, ofende-se com tudo o que for contra a sua dignidade.

A terminar esse testemunho em defesa de Bento da Cruz quando, a propósito das Filhas de Lot, houve reações violentas contra ele pelo descrédito em que envolvia o clero e as docentes da região, exarámos nesse artigo: sabemos ser com mágoa que Bento da Cruz afirmou perante as «cartinhas dos amigos que o aconselhavam a mudar de terra para não ser deslombado.» Fez saber o polémico autor que «deixaria os barrosões em paz, não por medo ao estadulho mas por se convencer de que não vale a pena gastar cera com fraco defunto».

Nós que acabáramos de chegar da guerra e que nos conheciam como referencial de defesa das gentes da Região Barrosã, poderíamos ter aproveitado o ensejo para incendiar a fogueira. Fizemos o contrário. Preparámos esse artigo que existe e comprova: «se os nossos conselhos de algo podem contar, pedimos a Bento da Cruz que não dê ouvidos a esses fracos defuntos, porque desistir é próprio dos fracos e dos fracos não reza a história». Volvidos 49 anos, apesar das altercações sociais, culturais e políticas que envolveram a sociedade, por motivo da mudança de regime que caluniou aqueles que não lhe bateram palmas, antes foram vítimas de algumas dessa euforias exacerbadas, como foi o meu caso, tendo razões para expressar as injustiças de que fui alvo, ontem e hoje, em vez de trazer aqui um desabafo de desforra, entendo ser mais coerente, reproduzindo parte daquilo que escrevi e afirmei, quando dispunha do Jornal que coordenei até 1975 e outros nos quais, colaborei nos 63 anos de militância jornalística a sério.

  

30.11.15

Barroso da Fonte distinguido com Prémio Nacional de Poesia

aquimetem, Falar disto e daquilo

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Recebi a seu tempo um convite que aqui exibo,  dando conta de mais um reconhecimento publico por parte de quem nos meus culturais do país está atento ao labor intelectual do poeta, do escritor e do jornalista notável que e Barroso da Fonte. Como não pude estar presente nesse evento, aproveito para me me associar a essa honraria, com a transcrição do sobre o insigne transmontano recebi:

"Na tarde do último Sábado (28) decorreu no Ecomuseu- Espaço Padre Fontes, em Montalegre, a apresentação do novo livro de poemas de Barroso da Fonte, apresentado por António Chaves e com um numeroso e qualificado público. Ao livro chamou o autor Barrosão Poesia, amoras & presunto, tem 228 páginas e a chancela da Tartaruga editora, com sede no Porto. A escritora Manuela Morais, fundou esta Editora com o intuito de homenagear seu marido, Fernão de Magalhães Gonçalves, considerado o mais fiel intérprete da obra Torguiana, era Leitor de Português na Universidade de Seul, quando (em 1988), morreu subitamente, ao lado da Esposa. Tinha 45 anos de idade e, já nessa altura, era autor de dúzia e meia de livros, sobre alguns dos mais célebres autores Portugueses e europeus. Na sequência do desaparecimento desse talentoso poeta e ensaísta, Manuela Morais, também ela licenciada nessa área do conhecimento literário, além de editar e difundir a obra deste Autor Transmontano, teve o nobre propósito de laurear, anualmente um autor nacional com o «Prémio Nacional de Poesia, Fernão de Magalhães Gonçalves». Como Barroso da Fonte completou em 2015 meio século de autor, em Livro e 62 de jornalismo, regional e nacional, foi o escolhido para receber esse galardão que consiste em ver publicada uma obra da sua autoria e receber em ato público, na sede do seu concelho de origem, essa distinção.

A cerimónia ocorreu, simbolicamente, no Ecomuseu, cujo patrono é o Padre Lourenço Fontes, ex-colega e amigo pessoal do laureado que viu à sua volta cerca de uma centena de ex - condiscípulos, amigos e admiradores. Presidiu à cerimónia o Mestre David Teixeira, vice-Presidente da Câmara, por ausência comprometida antes de se conhecer a data do evento. Viveu-se ali uma tarde muito gratificante para quem pôde assistir. A mesa foi constituída pelo Representante da autarquia, da Directora da Tartaruga, pela Viúva de Nadir Afonso, pelo Presidente da Direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes que se deslocou, propositadamente, de Lisboa, para apresentar a obra e pelo autor da mesma. Todos usaram da palavra para justificarem a sua representação e o gosto que tinham em participar nessa cerimónia festiva, para quem ali nasceu há 76 anos e passou uma vida inteira, cheia de dificuldades e de valorização para ser um vencedor, como as várias homenagens que têm vindo a acontecer desde Lisboa, ao Porto, a Bragança, a Vila Real, Boticas e Montalegre revelam. Recorde-se que, já durante o ano em curso, juntamente com José Dias Baptista, a Câmara os havia distinguido,em 6 de Junho. Mas antes disso foi a Câmara Municipal de Vila Real, através do Grémio Literário, dia 25 de Abril e foi o Fórum galaico Transmontano, em Boticas, durante o Encontro de escritores luso-galaico que ali teve lugar.

Barroso da Fonte, no uso da palavra, agradeceu a todos os presentes e ausentes que lhe fizeram chegar mensagens de felicitações. Começando por agradecer à Tartaruga Editora e à Câmara Municipal, afirmou: quando a escritora Manuela Morais, me anunciou que em 2015, seria eu o autor distinguido com o prémio nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves, pelos meus 50 anos de vida literária, ocorreu-me a ideia de partilhar esse prémio com mais três figuras Transmontanas (já falecidas): Fernão de Magalhães Gonçalves, patrono do Prémio, Nadir Afonso e Miguel Torga, além de Artur Maria Afonso, pai de Nadir, nascido na Casa da Crujeira em Montalegre.

Gorete Afonso, Maria José Afonso e Fátima Rodrigues, leram poemas do livro que tem capa e contracapa ilustradas, a cores, com reproduções de Nadir Afonso: a primeira produzida em 1939 e a segunda em 1938. Aquela simboliza a serra do Larouco com a Portela de Urzeira (hoje Codeçoso) a seus pés. Esta reporta-se à ponte Romana sobre o Cávado. Ora BF nasceu em Codeçoso no preciso ano em que Nadir concebeu essa obra prima. Ambas confirmam a ligação umbilical desse genial Pintor às terras onde seu pai, Artur Maria Afonso nasceu e começou a trabalhar.

Diga-se ainda que o Padre Fontes leu do Correio do Planalto uma notícia de 1988, noticiando a morte de Fernão de Magalhães Gonçalves. O prefácio do livro tem a assinatura de Ernesto Rodrigues, da Universidade de Lisboa que na p. 9 diz: «Fernão de Magalhães e Barroso da Fonte triangularam, numa rara felicidade, com Torga, figura que perpassa em vários momentos daqueles, cristalizando essa tripla relação nas missivas e iconografia de Tora e Eu – Correspondência dele para mim (2007), de BF. Reúnem-se, assim, espíritos de eleição neste volume que honra um dos mais devotados cidadãos às causas pátrias e regionais, interventivo e livre. Esta edição – de Barroso da Fonte - dá a altura de um Poeta e a sua interioridade, como nenhuma crítica fará. Contra Tempo Infecundo, neste solo cresce um grão de humanidade».

Na cerimónia da entrega e apresentação da obra viam-se, entre outras personalidades: a deputada Manuela Tender, o Presidente da AM de Montalegre, os antigos presidentes das Câmara de Montalegre, e de Boticas, respectivamente: Carvalho de Moura e Sousa Fernandes, o Juiz Conselheiro Custódio Montes, Maria Isabel Viçoso, o médico Fernando Calvão, o inspector José Dias Baptista, o Padre Lourenço Fontes e Alípio Afonso, todos escritores; Margarida Canedo, Fundadora e Directora do Antigo Colégio de Montalegre; Natacha Fontes e Henrique Barroso, docentes universitários, da Universidade do Minho, a Vereadora da Educação, Fátima Fernandes, etc. Uma sessão cultural cheia de sol de Outono que mais parecia de pleno Verão.

                                                                                                                João Pedro Miranda

Nota: durante a sessão foi lido o seguinte soneto, dedicado ao homenageado pelo autor: Custódio Montes, Juiz Conselheiro":

"Homenagem

28.11.2015

Do nosso sonho vem a criação.

Inata à nascença nem se crê

Que quando formos homens à mercê

Das circunstâncias venha a inspiração

Às vezes tem-se força e coração

Força dentro de nós que não se vê

Um coração que ama e não lê

Mas para o sonho andar falta a razão

O Barroso da Fonte teve um sonho

De prosa e poesia bem risonho.

A pulso escalou vereda estreita

Subiu ao promontório e ali ficou

A obra engrandeceu e aumentou

Merece a homenagem aqui feita

Custódio Montes".

 

 

 

24.11.15

Poesia, amoras & presunto livro de poemas recebe Prémio Tartaruga

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À volta de Barroso da Fonte:

"No próximo dia 28, sábado, pelas 16 h decorrerá no Ecomuseu em Montalegre a apresentação do livro: Poesia, amoras & presunto, comemorativo das bodas de ouro do Poeta de Barroso da Fonte.

Em Junho passado este escritor e jornalista Barrosão foi homenageado pela Câmara, conjuntamente com o seu colega de Seminário de Vila Real, José Dias Baptista. Os mesmos autores já dia 25 de Abril deste ano haviam sido distinguidos pela Câmara Municipal de Vila Real. E em Boticas, durante o IV Encontro do Fórum Galaico- Transmontano e, em Vizela, pela Tertúlia dos Amigos da Rádio voltou Barroso da Fonte a ser publicamente a ser aplaudido em sessões muito participadas.

Desta vez voltará a ser homenageado pela Editora Tartaruga que lhe atribuiu «o prémio nacional de Poesia, Fernão de Magalhães Gonçalves». Esse prémio consiste em ser a Editora a editar uma obra do homenageado e a promover as apresentações que tiverem anuência, em cada sede de concelho ou instituição no ano de 2015. A Câmara de Montalegre, por ser Barrosão o celebrado, é a primeira a ter essa honra, já com a certeza de que ofertará um exemplar do livro a cada participante na sessão que terá lugar pelas 16 horas de Sábado, dia 28.

António Chaves, presidente da Direcção da Academia de Letras de Trás-Montes, apresenta o livro que foi chamado Poesia, amoras & presunto.

A Câmara estará representada pelo vice-presidente, Dr. David Teixeira e Drª Fátima Fernandes, vereadora da Educação.

De recordar que o homenageado nasceu em Montalegre, em 1939. Frequentou o Seminário diocesano de Vila Real, entre 1952 e 1962. De 1962 a 1964 foi funcionário da Hica na Barragem de Pisões. Seguiu-se o cumprimento do serviço militar em Angola (1965-1967), como oficial Ranger.

No regresso fixou-se em Chaves, como professor Eventual do antigo Liceu. Fundou e dirigiu o Centro de Emprego dessa cidade (1968-1975). Por transferência fixou-se em Guimarães, terra onde constitui família. Licenciou-se em Filosofia na UC entre 1977-1982, ano em que foi requisitado ao IEFP (Instituto de Emprego), para assumir a direcção da Delegação do Norte da Direcção-Geral da Comunicação Social. Em 1985 regressou a Guimarães e, no ano seguinte, foi convidado a integrar o executivo da Câmara, como vereador. O Partido pelo qual se candidatou venceu, pela primeira vez as eleições, pelo que cumpriu esse mandato de 4 anos, com os pelouros do: pessoal, serviços administrativos, cultura, desporto e, desde 1988, também o Turismo.

Em Fevereiro de 1990 regressa ao Centro de Emprego como técnico superior principal. Mas em Setembro seguinte é nomeado director do Paço dos Duques de Bragança e do Castelo da Fundação, até que em Agosto de 1995, a seu pedido, se aposentou. Ainda voltou à Universidade do Minho onde fez o mestrado e preparou durante os cinco anos curriculares a tese de doutoramento sobre Alfredo Pimenta que foi editada em 2005 sobre a « Alfredo Pimenta – da práxis libertária à doutrinação nacionalista». Entre 1998 e 2005 leccionou no Instituto de Estudos Superiores de Fafe, a disciplina de «animação no contexto educativo». Simultaneamente fundou e dirigiu o jornal a Voz de Guimarães que chegou a ter a maior tiragem de entre os sete que no concelho se publicavam. E para apoio a esta e a outras valências, fundou a Editora Cidade Berço.

OBRA EDITADA

Em prosa e verso publicou nos 50 anos de vida literária que este ano tem vindo a comemorar, cerca de 60 livros, nove dos quais em poesia. Em prosa, privilegiou a etnografia, a antropologia, a monografia e a história. O Pensamento e a obra de Alberto Sampaio resultou do Mestrado. E Alfredo Pimenta: da práxis libertária à doutrinação nacionalista, foi trabalho dos cinco anos de investigação para doutoramento. Já teve duas edições. Entre 1990 e 2011 liderou a polémica entre A. de Almeida Fernandes e a tradição que defende ter Afonso Henriques nascido em Guimarães, em 25 de Julho de 1111. Esse medievalista sempre defendeu essa tradição, até que, no declarado intuito de puxar esse nascimento para Viseu, «minha pátria distrital», urdiu a teoria de que, afinal, o Rei Fundador teria nascido em Viseu, em 5 ou 6 de Agosto de 1109. Para que essa sua teoria pudesse bater certo com os seus intuitos, negou a existência do Condado Portucalense, alegando que D. Teresa sempre viveu em Viseu, com base numa escritura que ali teria ocorrida em 5 de Agosto de 1109. Para seu desgosto essa escritura havia ocorrido em Coimbra em 29 de Julho desse ano.

Nessa polémica nacional entrou (mal) a Academia Portuguesa de História, cuja presidente chegou a anunciar aos canais televisivos, em Setembro de 2009, que iria providenciar para mudar os manuais escolares. E a própria, com a chancela daquela Instituição Histórica, coordenou a edição de 34 pequenos volumes comerciais, referentes aos 32 reis e 2 rainhas, impingindo essa nova teoria que num debate público, em Dezembro seguinte, levou José Mattoso a demarcar-se dessa e de qualquer alteração ao que até ali se defendera, porque nenhuma prova consistente foi encontrada.

Barroso da Fonte refutou esse cisma histórico, em 2009, com o livro Afonso Henriques – Rei Polémico e (re)confirmou essa refutação em 2011, com os 900 anos do nascimento de Afonso Henriques: 1111 – 2011.

João Pedro Miranda – in: Noticias do Barroso”.

 

12.09.15

Carlos Alexandre ex-camarada de Sócrates e de Soares

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Por: Barroso da Fonte:

"É sábado e acabo de ler as revistas da semana: VISÃO e Nova Gente. Ambas falam do super-juiz Carlos Alexandre que há 20 anos foi colega de curso de António Costa, na Universidade Nova de Lisboa. Ambos tiveram por camarada Eduardo Cabrita, actual Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local. Nova Gente escreve na p. 86 que «tal como mostram os documentos oficiais da Câmara de Mação, em 1982 fez parte da lista do PS para as eleições da Assembleia municipal da vila onde nasceu há 53 anos». Essa vila do distrito de Santarém tem cerca de 800 habitantes e, ainda no penúltimo Domingo lá foi, integrando-se discretamente numa procissão que a «Sábado» edita na página 4. Nesta publicação se pronunciam velhos amigos e companheiros de Escola dizendo que Carlos Alexandre era muito estudioso, muito humilde, reservado, corajoso e capaz de dar o corpo às balas». Jaime Conde, técnico de farmácia, seu colega de escola, brincou com ele ao pião e ao berlinde e afirma que «nem pensem sequer corrompe-lo: ele espuma. Será um castigo para quem tentar». Eugénia Agudo, sua colega da Telescola afirma que andou sempre em despique com ele. Era muito bom a História, Português e Línguas. Quando tirava melhores notas do que ele, ficava moído. A meio do texto vem várias caixas que rezam: «Era admirador de Mário Soares até este o ter atacado por «conselheiro de Estado Lopes Serra»; e «tem segurança pessoal mas recusa-a em assuntos de natureza particular»; «José Sócrates terá sido uma das personalidades mais complexas com quem teve de lidar»; «Fui eu (Octávio Mendes) que tratei dos funerais dos pais e da sogra, de quem ele gostava como uma segunda mãe. Também já fui levar-lhe móveis a Lisboa. Carlos deposita confiança nas pessoas, não as desilude. Tem palavra. Os pais já eram assim. Ele é um maçanico verdadeiro e muito bairrista. Podem tentar fazer-lhe de tudo, mas a terra guarda-o sempre».

Seis itens menciona a revista da biografia deste mediático: « filho de um carteiro e de uma tecelã; foi servente de pedreiro, vigia de floresta e ajudou o pai a entregar o correio; em criança já queria ser juiz e inspector policial; o seu salário mensal é de 4 mil euros. Teve ou ainda tem entre mãos os seguintes processos: Furacão, Portucale, Monte Branco, Operação Marquês, Operação Labirinto, Caso Álvaro Sobrinho, Face oculta, Apito dourado, BPN, Caso Swaps, caso Universidade Independente, caso CTT, contrapartidas submarinos e caso Duarte Lima».

Praticando a pedagogia que manda dar «à justiça o que é da justiça e à política o que é da política».

Até há poucos anos este chavão era o reverso: falava-se mas não se cumpria. O momento qual impõe que este princípio democrático pegue nos maus exemplos do passado e com eles faça cumprir o futuro.

Trago esta nota de leitura à reflexão com os meus leitores para que fiquem informados do carácter deste alto magistrado. Anda por aí muito syriza a chamar nomes feios a Carlos Alexandre. Por esta amostra se fica a saber que é um cidadão de esquerda, com um perfil biográfico intocável. Pelo facto de aplicar as leis com rigor e objectividade não se pense que é um homem de direita ou com ela comprometido.

                                                           $$$$

Na mesma revista (VISÃO), p. 24 aparece outro político Transmontano, com foto a cores e título: «Candidato «passa fome», em casa». Chama-se Eurico Figueiredo, é docente universitário de psiquiatria, filho do também médico Vila-realense, Otílio de Figueiredo e foi deputado pelo PS, pelo círculo do Porto. Aí se diz que «é cabeça de lista do Partido da Terra, pelo mesmo círculo e que fará uma greve de fome no resguardo do lar, em Nevogilde, verdejante subúrbio da Invicta. «Aos 76 anos não quer fazê-la na praça pública, mas convocou uma conferência de imprensa para a anunciar. Em causa está uma dívida da Segurança Social, que lhe penhorou a reforma, há três anos. E que, depois de se verificar a ilegitimidade dessa penhora, ainda não lhe restituiu três mil euros». A terminar relata a revista que «o histórico socialista António Campos levou a causa a peito e comentou no Facebook: «Ó Eurico, isto não é um Estado de Direito é um estado de ladrões e maus comerciantes... Ajuda a corrê-los».

Talvez ficasse bem a este político que já foi governante, mencionar esse estado de «ladrões e maus comerciantes» para que ele, eu e outros possamos aceitar o repto. Pela parte que me toca devolvo-lhe a calúnia. Como Transmontano, coetâneo e Amigo que fui do Pai e do Doutor Eurico Figueiredo, solidarizo-me com o cidadão lesado e, se for aberta uma subscrição pública, para apoio ao ilustre psiquiatra, peço a António Campos que me avise, uma vez que serviu esse «estado» de maus comerciantes. Deve conhecer melhor do que eu e muitos, esse submundo".

 

12.09.15

Último Congresso de Medicina Popular teve nota máxima

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Por: Barroso da Fonte:

"De 4 a 6 do corrente, decorreu em Vilar de Perdizes, do concelho de Montalegre, mais um Congresso de Medicina Popular. Deolinda Silva, presidente da Associação de Defesa do Património, faz um «balanço positivo». Ciente de que a «perfeição não existe», acredita que «é com os erros que se aprende e que, «para o ano, este evento vai ser ainda melhor». Ao longo de três dias, foram muitos os motivos para visitar um evento que caminha para três décadas de intensos debates em volta do misticismo e que continua a girar em torno da figura do padre Fontes. Na nota que a Câmara local distribuiu à imprensa, afirma que este XXIX congresso «teve contornos diferentes e coisas muito melhores, como foi o caso da caminhada nocturna e da exposição de plantas». Consciente de que «a perfeição não existe», afirmou que «houve coisas que poderiam ter sido evitadas» e que «os erros cometidos este ano não se vão repetir no próximo». Por sua vez, padre Fontes, mentor do Congresso de Medicina Popular, mostrou-se «satisfeito» e referiu que «os oradores foram de muita qualidade. Houve muita participação e animação variada». Significa que o resumo do que fica dito é o parecer oficioso da autarquia Barrosã que tardiamente aceitou como bom, este evento cultural, dando-lhe cobertura e fazendo dele o epicentro da cultura municipal. Para tanto teve a visão salvífica de municipalizar, à mesa do orçamento, durante vários anos, o pai desse Congresso, na condição de secretario-geral da cultura. Boa aposta porque, nunca ele aceitou entregar ao município a organização do evento que revolucionou a região. O signatário deste aditamento esteve presente,como moderador numa sessão de altíssimo interesse para o numeroso auditório. Posso reafirmar que em matéria de organização foi, de facto, das melhores nos 29 eventos que ali decorreram, entre 1983 e 2015. E em que melhorou o congresso? Na selecção dos temas, na escolha dos palestrantes, na ausência de figuras menos credíveis, na separação dos produtos naturais, com as tendas bizarras que sempre deixavam desconfiados os observadores e até na moderação dos painéis que, algumas vezes, permitiam escaramuças verbais, mal se sabendo onde começa a verdade e onde acaba a charlatanice.

Já em 2014 o Padre Fontes, fundador e alma viva deste evento que pôs Montalegre no mapa, a organização fora confiada à Associação para defesa do Património de Vilar de Perdizes à qual preside a escritora Deolinda Silva. Também o padre Fontes que foi substituído na Paróquia pelo Padre (e capitão capelão militar) Toquim foi convidado pelo antecessor, para reforçar a Organização do Congresso. Tais ajudas, sempre vigiadas pelo clérigo mais famoso do norte de Portugal já deram efeito. E também a Câmara reforçou os contributos para que, em 2016, na altura em que completa 30 edições, todos os Barrosões colaborem no sentido de reavivar uma iniciativa que deu brado e que se ressentiu das «Sextas-Feiras, 13», de cada mês, em que estes dias coincidam. Recorde-se que este congresso nasceu na sequência do livro Usos e Costumes de Barroso, da nossa autoria, em parceria com Lourenço Fontes e Alberto Machado (Gutemberg 1972). Onze anos depois, o reitor de Vilar de Perdizes, contra a vontade do Bispo da Diocese, D. Joaquim Gonçalves, deu início a uma romaria de práticas, rezas e benzeduras, a raiar os domínios do sagrado e do profano. Contra ventos e marés o «S. Bartolomeu dos Mártires» dos nossos dias, com 75 anos de vida, com doenças próprias da sua idade e já sem funções paroquiais, continua a liderar o Congresso mais exótico do país.

Na Igreja Paroquial de Vilar de Perdizes, integrada no programa popular e celebrada em memória do paroquiano João Sanches e outros congressistas falecidos decorreu uma Missa dominical. Lourenço Fontes, concelebrante com o actual pároco, declarou que a partir da 30ª edição será o Padre António Joaquim Dias, mais conhecido por Tóquim, a liderar a Organização, juntamente com a A Associação de Defesa do Património de Vilar   de Perdizes. Aguardava-se, com ansiedade, esta predisposição do mediático Padre Fontes, porque não basta ter nobres ideias e realizações modelares. É também muito importante, ler na cartilha dos cartomantes, exorcistas e curandeiros, o ciclo das estações e das mudanças de calendário. O seringador foi muito útil aos lavradores da região e, ainda hoje, tem vantagens sobre o Boletim meteorológico".

26.08.15

NADIR AFONSO – Eros no Centro de Artes de Boticas

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Por: Barroso da Fonte

Na primeira Sexta-feira de Agosto em curso foi inaugurada no Centro de Artes em Boticas a terceira exposição de pintura deste artista Transmontano que faleceu em 2014 e que tem em Boticas um Centro de Artes com o seu nome.

Laura Afonso, deusa das paixões de Artista e diretora da Fundação Nadir Afonso com sede em Chaves, foi, ao longo de mais de 40 anos, a fonte de inspiração deste Arquiteto de Formação, mas pintor de vocação e de atividade quase exclusiva. Dia 7 de Agosto o Centro de Artes de Boticas recebeu uma embaixada de amigos da arte e do artista. Formou-se, repentinamente, a multidão. Vila pequena mas grande na urbanização e na decoração paisagística. Em menos de meia, concentraram-se admiradores de Nadir Afonso, amigos da Mulher e dos Filhos. E, aberta a exposição, ouviram-se palavras de agradecimento, de louvor e de aplauso. Em 2013 aquele Centro de Artes, construído e formatado ao gosto do Artista, seu Patrono, abriu com uma mostra representativa das diversas fases da longa carreira de Nadir que em 2014 nos deixou. Por essa altura edificava Chaves aquele que será o palácio da consagração. Um edifício da autoria do arquiteto Siza Vieira, o super-sumo da arquitetura do século que custou muitos milhões que não foram pacíficos num tempo e num meio pouco propício para este tipo de estruturas. Mas se foi pretexto para discórdias em tempo de crise, vai ser motivo de júbilo e de regozijo em termos de futuro.

Nadir Afonso nasceu em Chaves, onde estudou e onde regressou, já depois de formado e de criar nome, em contacto com os grandes ora na Europa Central, ora no Brasil. A formação em arquitetura foi-lhe muito útil, porque com ela aprendeu técnicas e princípios consensuais com a pintura matemática que Nadir sempre cultivou. No regresso às origens, elegeu a Mãe de seus dois filhos, Laura Afonso. De novo em Chaves aí se firmou e afirmou, como pintor de formas e de fórmulas universais que caracterizam o seu traço. Mudou-se, já depois da revolução de Abril, para Lisboa, onde não esmoreceu, antes se devotou à produção de um número significativo de obras que ofertou, ora a Chaves, ora a Boticas. Três anos depois da inauguração do Centro de Artes, em Boticas, numa justa homenagem à Mãe, Palmira Afonso que nasceu no lugar de Sapelos deste concelho, Laura Afonso, já viúva do imortal Pintor Barrosão, entretanto designada diretora da Fundação em fase de abertura na sede o Alto Cávado e também diretora do Centro de Arte de Boticas, empenhou-se em reunir nesta terceira mostra todos os trabalhos das diferentes fases artísticas de Nadir.

São muitas centenas de trabalhos de todos os tamanhos, desde os primeiros ensaios e temas, a dimensões de formatos maiores, uns em tela, outros em materiais em madeira, ou em suportes exóticos que sempre entram no percurso dos grandes artistas. Como suporte a esta terceira mostra a Fundação Nadir Afonso editou o terceiro Catálogo a que deu o título EROS Nadir Afonso. A Coordenação editorial traz a assinatura de Laura Afonso e de Marta Mira, com textos da Nadir, da Mulher e do Artista Doutor Bernardo Pinto de Almeida, um duriense que representou Portugal na Euroarte /1989- Guimarães, quando o autor desta nota foi vereador da Cultura, em Guimarães. Mais tarde foi nosso professor no Mestrado na Universidade do Minho. Este nome é hoje, uma personalidade cimeira no mundo das artes sem fronteiras. Pois é este mesmo especialista universitário que afirma na p. 25: «O nome de Nadir Afonso ascende ao mais alto cume, e a passagem do tempo apenas o vem confirmando».

Já na primeira exposição e nos mesmos moldes tinha sido editado «Nadir Afonso Sequenzas», com 300 páginas, da autoria de diversos colaboradores.

Até meados de Setembro o Centro de Artes de Boticas, sede desta estrutura urbana, construída numa vila rural do Baixo Barroso, está aberta ao público e com a presença dos Familiares directos deste autor Barrosão que qualquer cidade gostaria ter como seu.

Não é hoje plausível que aos apaixonados pela Região Transmontana não seja recomendada a visita a este santuário de artes. Entre os Rios Cávado, Rabagão e Tâmega há um roteiro obrigatório para qualquer estudioso da arte pictórica. Nadir Afonso nasceu em Chaves, mas o pai nascera em Montalegre «na casa da Crujeira». E a Mãe veio ao mundo em Sapelos. Um triângulo que se percorre numa tarde em busca da identidade telúrica de Nadir Afonso, cujos restos mortais repousam no cemitério Municipal de Chaves, em jazo de Família. Esse jazigo, vê-se da via Pública. E não deve deixar de fazer parte de uma visita guiada, seja de escolas secundárias, seja de Belas Artes ou outras do ensino Superior. Artistas como Nadir Afonso nascem de século a século. E alguns que tenham nascido em Portugal não puderam ser conhecidos. Daí os aplausos a esta boa coordenação entre as Câmaras do Alto Tâmega que souberam concretizar este sonho cultural.

Resta a Montalegre recuperar o atraso na partilha desta homenagem a um filho seu dos mais ilustres do país.

 

 

14.08.15

Fernando Rodrigues condecorado por Cavaco Silva

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  Barroso da Fonte, o jornalista esclarecido e esclarecedor:

"Depois da vulgarização que os sucessivos Presidentes da República têm vindo a fazer das medalhas honoríficas, seria de esperar que uma dessas distinções democráticas viesse parar às mãos de um Barrosão. O sortudo foi Fernando Rodrigues, que liderou a Câmara de Montalegre entre 1997 e 2013. Foi membro da Comissão de honra de Mário Soares e de Jorge Sampaio. Mas acabou por ser Cavaco a promovê-lo a Comendador, com a medalha da Ordem de Mérito, grau ouro.

Por mais vulgarizada que ande a porção de ouro que reveste as medalhas douradas e por mais enxovalhos com que a esquerda tente afundar o actual Presidente da República, a verdade é que Fernando Rodrigues foi, durante 16 anos o Presidente da Câmara de Montalegre e apenas saiu por força da lei e da nobre decisão do então Secretário-Geral (António Seguro), em ordenar aos candidatos do PS para não se recandidatarem em segundo lugar. Essa decisão foi corajosa e, também por isso, António Seguro, marcou pontos que o enobrecem.                        

Cavaco Silva não teve a coragem de atribuir idêntica distinção ao Padre Fontes, aquando das bodas de ouro de sacerdote. Sobretudo por ter sido, com ideias inovadoras, o maior obreiro do salto qualitativo, no mediatismo cultural e turístico das Terras de Barroso. Nem as centenas de assinaturas que Hélder do Alvar recolheu, em abono da sua proposta e daquilo que a imprensa argumentou nesse sentido, valeram para medalhar o Barrosão que mais e melhores projectos teve para colocar Montalegre no mapa. Embora polémica por razões puramente partidárias, Fernando Rodrigues, face à distribuição selvagem, cega, surda e muda, como têm sido atribuídas insígnias tão honrosas, aquela que coube ao anterior Presidente da Câmara de Montalegre foi bem atribuída. Como não teria sido censurável se o PR dos anos oitenta, Ramalho Eanes, seguisse os critérios do actual Chefe de Estado. Carvalho de Moura só não terá feito tanto, porque também não dispunha de meios legais e muito menos financeiros, pelo facto de não existirem os fundos comunitários.

Ramalho Eanes, na minha perspectiva, foi o melhor, o mais prudente e justo dos três seguintes chefes de Estado. Iniciou o hábito de medalhar alguns cidadãos. Desde aí foi um forrobodó! Mário Soares, talvez pelas suas incontáveis voltas ao mundo, medalhou a torto e a direito. A Jorge Sampaio chamaram o «rei das medalhas». Medalhou primos, mandatários, padeiros, leiteiras, ardinas. Cavaco não quis ficar atrás. E até medalhou o costureiro da 1ª dama. Esse abuso terá esgotado o baú das maiores hipocrisias nacionais. No último dia 10 de Junho, por exemplo, já elegera alguns autarcas. Um dos medalhados deveria, já nessa altura, ocupar a cela 43 ou 45 da cadeia de Évora, se a justiça funcionasse em pleno. Agora, já não terá tempo para medalhar a raia miúda, os técnicos da classe média, os que resistem à crise, os que apagam incêndios, socorrendo os feridos, atenuando a fome, aos voluntários de todas as causas nobres, aos desempregados que seriam tão úteis ao país carenciado de gente séria, aos criativos, aos agentes da informação que correm todos os riscos.

Como jornalista com 62 anos de combate porfiado, frontal e pertinaz, prevejo que os próximos peitos a dourar vão ser os gays, as lésbicas, as abortadeiras, os homossexuais, os «ricardos salgado», «os oliveira costa», «os incendiários», os proxenetas e os chulos de todas as vias norte O índice de podridão moral, política, cultural e cívica, ganha foros de erosão planetária. O vitupério, a mentira, a depravação, a ganância, trepam a todo o terreno. Os valores que alicerçavam a sociedade dos tempos, em que a palavra valia tanto como uma escritura; em que podia andar-se na rua como se estivesse em casa; da honestidade à prova de bala, perderam-se. Urge, por cobro a esta correria apressada para o abismo.                                                                                                                    

A terminar este paradoxo: Manuel Martins que liderou a Câmara de Vila Real, tantos anos como Fernando Rodrigues liderou a de Montalegre, faleceu, subitamente, dia 10 do corrente. O JN de 13, numa quadrícula quase invisível, escreveu que o autarca teve «algumas dezenas» de presenças no funeral... Assim morrem alguns políticos venerados na vida e apupados na morte. Mesmo que com silêncio sepulcral".

                                                                  

 

04.03.10

Padre Fontes, agora em 2ª edição

aquimetem, Falar disto e daquilo

          Não ficava de bem comigo próprio se entretanto não viesse a publico penitenciar-me do pouco relevo que dei a uma das figuras barrosãs que na jornada cultural ocorrida recentemente em Lisboa foi dos principais animadores. Refiro-me ao montalegrense  Hélder Alvar que  só conhecia de nome e da leitura de um  ou outro artigo de jornal. Isto para dizer que conversei com um transmontano que me falou da minha terra e de conterrâneos meus, como que de Barroso estivesse a dialogar. O que entretanto não foi o suficiente para eu identificar o personagem, e muito menos  me atrever a perguntar-lhe directamente pelos atributos culturais com que carrega. O gosto de satisfazer a curiosidade  é maior quando feito com trabalho de pesquisa. Foi o que fiz! 

 

          Hélder Fernando Vilamarim de Alvar, nasceu em Vilar de Perdizes, Montalegre, em 28-1-1955. Fez o liceu e o Magistério Primário em Chaves. Antes de emigrar leccionou em Sandim,Telhado, Fiães, Meixedo e Carriço (Montalegre). Radicou-se em França, como professor de Língua e Cultura Portuguesa no estrangeiro, onde também estudou na universidade de PAU e na universidade  de Paris VIII. Licenciado em Relações Internacionais, o Prof. Doutor Hélder Alvar fez DEUG  em Sociologia na universidade de Strasburgo e em Portugal tem trabalhado em diversos projectos culturais com figuras como: Pe. Mourinho, Pe. Fontes, Helder Pacheco, Jorge Alarcão e outros que na peugada do labor  incetado por um Leite de Vasconcelos e um Abade do Baçal no campo da cultura são exemplo.

          Na posse do esboço que na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa teceu à volta do Sr. Padre Fontes, entendi valer a pena divulga-lo, pois assim mais fácil se torna formar opinião à volta destes dois montalegrenses que se respeitam por um mesmo ideal : o amor à terra e à cultura popular barrosã. Eis a forma de sentir e dizer de um barrosão à volta de uma petição a dirigir ao Sr PR para condecorar o conhecido sacerdote de Vilar de Perdizes:

Um homem assim merece ficar na história

          " E aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando, cantando espalharei por toda a parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte"

Luis de Camões in "Os Lusíadas" canto I, II estrófe, versos V a VIII - Proposição. 

          " Ninguém é igual a ninguém. Na minha vida de cidadão e de padre , sempre procurei aprender a ser igual a mim mesmo, abrindo-me à luz venha ela donde vier, de dentro e de fora da Igreja" - ct: Padre Fontes in " Auto retrato".

          O meu melhor amigo de sempre depois do meu pai e dos meus filhos que ele baptizou, é o Padre Fontes. Na década de setenta a oitenta, tive o privilégio de com ele seguir no barco para muitas tarefas de preservação da cultura das nossas terras e das nossas gentes. Labutamos em comum por aberturas de escolas e telescolas, a fim de travar o castelhano que invadia Portugal por televisão. Criámos juntos  o posto da telescola de Vilar de Perdizes, subindo a telhados e montando antenas altíssimas para captar Portugal. Comemos caldo de pedra algumas vezes lado a lado, após dias inteiros da azáfama à procura dos vestígios megalíticos dos nossos primeiros habitantes e da cultura castreja, exploramos castros Bíbalos-povos que, com outros Tameganos, construiram a ponte romana de Chaves, descobrimos aras e vias romanas, fizemos estágios e formações em conjunto e criámos  com Carvalho de Moura, ex-presidente da Câmara, o primeiro Museu de Montalegre no Milenário de S.Rosendo. 

          Graças à sua incomparável força de combate, à sua perseverança, prosperou a ideia de colmatar a falta de médicos e criou ele e os seus mais directos colaboradores, usando a imprensa local e nacional do Algarve ao Minho, o Congresso das Medicinas Alternativas em nome daqueles que nunca têm a palavra. Deu visibilidade a Vilar de Perdizes, ao planalto do Barroso, a Trás-os-Montes em geral e a Portugal no Estrangeiro. Iniciativa essa, que visava abrir diálogo social entre populações carecidas, tirar os poderes públicos do marasmo e abrir os espíritos à interculturalidade.

          Sem o incentivo dessa personagem hoje tão mediática quão carismática, eu não teria provavelmente realizado os "sonhos" que realizei com ele e na diáspora que vivi. Aqui lhe fica a minha homenagem tomando a iniciativa neste movimento como forma de gratidão.

          Como eu, inumeros estudiosos estrangeiros por esse Mundo fora, muitos portugueses por este país, não menos amigos desta região, académicos de  todas as latitudes, não teriam enriquecido as suas teses, concluído os seus trabalhos de pesquisa, validado as suas hipóteses, elaborado os seus relatórios, as suas dissertações, criado os seus conteúdos, publicado as suas obras.

          Quantos jornalistas não se formaram, elaborando as suas crónicas ou relatando o quotidiano do Padre Fontes? Qual Universidade Europeia não tem nas bibliografias das suas bibliotecas citações, alusões ou paráfrases do nosso etnógrafo? Quantos não o citam como Alain Tranoy, Gilles Cervera, Gérard Fourel, Michel Giacometti, Anne Cauffrez, Mouette Barboff, Viegas Guerreiro, António Colmonero, Rui Mota, Geneviève, Coudé-Coussin, Julio Meirinhos, António Martinho, René Barbier, Ana Paula Guimarães, Baquero Moreno, Alexandre Parafita, Xerardo Dasiras Valsa, Viale Moutinho, Barroso da Fonte, Hélder Alvar, Gomes Sanchez, Bairão Oleiro, Irisalva Moita, Pais de Brito, Belarmino Afonso, António Moutinho, Reine Accoce e tantos outros para não enumerar os que por cá vão andarilhando? Que o diga a poetisa Natália Correia lá no alto do Olimpo, a quantos os seus cuidados paliativos foram atenuantes  na sua agonia final antes de patir para a longa viagem.    

          O Padre Fontes é um humanista! Um homem sóbrio, frugal! Um homem sábio. O expoente máximo do altruismo como ser humano. O santo vivo da região que defende. O etnógrafo que retrata com nitidez a imagem telúrica do seu concidadão quanto uma máquina fotográfica põe em exergue, as rugas que modelam a sua face - igual às rochas erodadas do clima da sua terra, que assim escavou os sulcos do seu  rosto. A cópia das escarpas serranas que um dia Kenyak, pintor japonês, retratou nas suas telas. 

          Os mais de mil testemunhos que me corroboram são a elequência da grandeza deste personagem único, a quem o cinema veio procurar desde as longas metragens de Philppe Constantinni a documentários etnográficos em que Manuel Oliveira se inspirou no "auto da Primavera" e para em "5 dias, cinco noites" consagrar a multifacetada existência ao serviço dos seus e das suas causas. Citando o Doutor João Sanches, o Padre Fontes, "escolheu dedicar a sua vida aos outros, elaborando assim , o seu próprio estilo de vida".

          O Padre Fontes merece reconhecimento. Um homem assim precisa de ficar na história, servir de paradigma  às gerações que neste país e na sua terra, rebuscam os caminhos da realização. O Padre  Fontes pela sua vida e sua obra, merece ser agradecido . Merece como os maiores, ser agradecido e condecorado. Creio que o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em 10 de Junho, seria o palco ideal para que o Sr. Presidente da Republica lhe consagre essa atenção. Já merece.

          Oxalá, pois, o meu desejo e o de quantos me acompanham nesta empresa que testemunharam em abono da verdade, se façam entender e atender por quem de direito.

Prof. Doutor Hélder Alvar>  

           Eugénio Mendes Pinto é natural do lugar de Formariz,  freguesia de  Bitarães, concelho de Paredes, onde nasceu a 14 de Julho de 1970. É jornalista  pela  Escola Superior de Jornalismo do Porto, onde se licenciou em 1994, escolhendo para tese Olhar Sobre o Tratamento da Imprensa nos Congressos de Medicina Popular. Em 2001 publicou a biografia do Padre Fontes, agora em 2ª edição.  

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