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Portugal, minha terra.

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27.04.12

Um artista da palavra

aquimetem, Falar disto e daquilo

 

          O valor e prestigio de qualquer terra mede-se pela capacidade intelectual dos seus habitantes, que nem sempre são apenas aqueles lá nascidos, mas muitos dos que por motivos diversos um dia enjeitaram o berço para em espaço alheio às origens deixar que os seus talentos produzam frutos. Que me recorde, Mondim de Basto que só nestas ultimas 4 ou 5 décadas passou a figurar no mapa paisagístico de Portugal , se não avançou mais é porque lhe faltou ali o génio e generosidade dos seus e de mais figuras como: um Dr. Augusto Brito que feito “João Semana” vem de fora tratar da saúde aos mondinenses, como também de fora surge um Silvério Nobre que funda a empresa de transportes publicos Auto-Mondinense, e se quisermos ser agradecidos lembrar que foi o Dr. Primo Casal Pelayo, um saudoso vila-condense, quem da história remota do concelho de Mondim deu primeiro a saber aos estudiosos as fontes onde pesquisar. Antes disso, Mondim, que durante muitos anos vegetou no esquecimento, só do nome ouvia falar quando algum dos muitos fidalgos de Basto iam tomar banho ou pescar nas águas termais do sagrado Tâmega, das Mestas e do Olo; ou quando não, caçar nos montes do Toumilo e Farinha.

          O facto é que da década de 50 a esta parte, Mondim tornou-se uma referência no campo da industria de restauração e turismo, com três marcos bem salientes, que pela originalidade captam admiradores: o Monte Farinha, as Fisgas, e o Tâmega. O Monte Farinha ou Senhora da Graça, famoso pela sua forma cónica e trono de Nossa Senhora da Graça; as Fisgas, pela sua queda de água que creio ser a maior da Península Ibérica; e o Tâmega, pelo encanto das suas margens e magia das suas correntes. Tudo aliado a um despertar de vocações culturais que ultimamente de modo espontâneo se têm revelado na área das artes e das letras, em figuras como: um Domingos de Oliveira, na escultura nacional; um Marinho da Costa, no recrear dos jogos tradicionais; os Teixeiras da Silva - o José e Nelson, cada um no seu estilo -, no injectar energia na alma dos mondinenses; e de forma destacada e mais abrangente, o nosso Ginho(!) na peugada genial de Monsenhor Minhava. O Ginho ou Luís Jales de Oliveira que das “Rimas Parolas” até “Desta Maldição de Mim” se vem revelando merecedor do que dele recentemente disse Barroso da Fonte: “…não é só na poesia que este autor transmontano atinge o brilho do sol matinal, provindo do oriente, entre os cumes da serra que vigia Mondim e quem lá habita. Também na prosa assume momentos de fulgor estético que enobrece o contexto e adoça o apetite para a página seguinte”. Isto basta para me dispensar de fazer qualquer comentário meu a tão nobre e brilhante conterrâneo que sem enjeitar a terra serviu e continua a servir como muito bem acrescenta Barroso da Fonte: “desde jornalista, a dirigente associativo, desde poeta a pescador, desde técnico de acção social escolar a adjunto do carismático Presidente da Câmara, de várias legislaturas, Fernando Moura aí temos o Ginho que se tornou referencial por este apelido que vale ouro na terra de granito e de gastronomia da mais suculenta e apetitosa”.

          Meu caro Ginho, etnógrafo das tradições mondinenses e artista da palavra, do teu labor mais recente, que com “Desta Maldição de Mim” baptizaste, adorei o suculento conteúdo de contos,crónicas e poemas. Ficou-me no goto o “Professor”, que me trouxe à memória alguns dos trilhos que na minha infância conheci, bem como o “COMBATE” que surge a reforçar o que deixastes  expresso em Os Segredos da Pirâmide Verde e no Corre-me um Rio no peito. Como Luís Romano, também posso assegurar : “Mondim, terra mágica de paisagens e de histórias singulares, pode dormir descansado. A valiosa arca de memórias esta bem entregue neste seu mui zeloso guardião”. Parabéns, amigo Ginho!

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