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Por: Barroso da Fonte

 Nascida em 1905, em Lisboa, nos últimos tempos da Monarquia, «tem-se portado como o movimento dos planetas, ora em processo de regressão, ora em processo de progressão», nas palavras do último presidente da Assembleia Geral Jorge Valadares.
Tem a idade que teria meu Pai se fosse vivo. E eu que já estou na idade com que ele morreu, significa que essa Instituição já prestou relevantes serviços à Comunidade que ela representa e ao mundo da Lusofonia. Ela fez com que o seu exemplo fecundasse outros projetos semelhantes quer no país, quer na Diáspora, onde os Transmontanos chegaram, em busca de novos mundos e da sua própria sobrevivência pessoal e familiar.
Em Portugal ainda hoje funcionam as Casas do Porto, Coimbra, Guimarães, Braga, Tomar, Algarve e Viana do Castelo. Umas estão em plenitude, com sede própria, como Lisboa, Porto e Braga. Outras pagam renda como Guimarães e Coimbra e outras têm espaços reservados, onde regularmente confraternizam e tomam decisões. Penso que é esse o caso de Tomar, Viana do Castelo e Algarve.
Em Luanda (Angola), funcionou em instalações próprias, o Clube Transmontano que foi o ponto de Encontro de muitos Transmontanos que iam do «puto» ou por lá andavam a precisar de apoio. No Brasil há diversas casas e núcleos, em S. Paulo e no Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos existe a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Newark. E também em França existem diversos núcleos, uns mais ativos do que outros, mas todos com fins solidários com as pessoas e com as terras de origem. Foi da Casa-Mãe de Lisboa que, em 1920 e em 1941, se realizaram os dois Primeiros Congressos de Trás-os-Montes, que tiveram por palco cidades dos dois distrito de Bragança e de Vila Real. Em 2002 voltou a realizar-se o III, mas já com a envolvência de todas as Casas Transmontanas do continente que, anos antes, fundaram a Federação das Casas Regionais. Ato que decorreu na congénere do Porto. Esse Congresso reuniu, cerca de 1.200 participantes, para o que também a Associação dos Municípios que tinha sede em Murça, delegou no Presidente da autarquia de Bragança, Engº Jorge Nunes que foi o grande obreiro desse acontecimento. Se no I congresso teve Óscar Carmona, Presidente da República, a presidir, também o III teve Jorge Sampaio, em idênticas funções. Neste Jornal e em toda a imprensa regional de Trás-os-Montes e Alto Douro, entre 1980 e 2002, pugnou-se porfiadamente por esse evento, cujas conclusões têm vindo a cumprir-se. Retomando a razão do título desta crónica cabe-me saudar a equipa dos 16 heróis que – finalmente - aceitaram prolongar a história desta centenária instituição regionalista, tomando posse dia 13 do corrente. Pelo que lemos na imprensa e nas redes sociais, foi muito, muito difícil encontrar Transmontanos com garra para reanimar a Casa-Mãe de Lisboa.
A sua sede já passou por vários espaços. Até que mudou para o Campo Pequeno, para um terceiro. Por alturas do centenário a Casa tentou construir um prédio de raiz e chegou a ter terreno próprio na zona de Belém, junto ao Tejo. Através do Jornal da Casa fez-se uma campanha de angariação de fundos para essa construção. Só que a morosidade e o desânimo de quem pensa dominar as situações, é mais forte do que os dominados. E o terreno de Belém acabou por regressar à Câmara de Lisboa, por troca com um edifício para reconstrução. O novo presidente incluiu no seu programa o IV congresso Transmontano. Foi um dos compromissos do III. Já passaram 15 anos.
O III Congresso Transmontano distanciou-se 61 anos do II. Quase tanto tempo como a média de vida de uma pessoa normal. Embora tenha sido, provavelmente, a maior manifestação conjunta de Transmontanos em torno da ligação ao berço daqueles que o tornaram possível, só decorreu com o sucesso que ninguém pode negar, graças às Casas Regionais e ao indesmentível entusiasmo de algumas Câmaras Municipais. Volvidos quinze anos quase ninguém mais falou ou escreveu sobre ele. Há uma honrosa exceção que não sendo, jornalista profissional, nem dispondo de muito tempo para aflorar este tema, foi o ex-autarca de Bragança, Jorge Nuno que no Jornal Nordeste, de Bragança, assinou numa sequência de quatro extensos relatos que foi pena não serem reeditados em livro próprio, com mais alguns elementos históricos que servissem de ponto de partida para os mais novos que nos anos, entretanto decorridos, já esqueceram.
Foi ele que deu a cara para que outros saíssem da sombra. Quase sempre é assim: uns têm ideias, arriscam com todas as capacidades pessoais e profissionais e lançam-se às feras. Os mirones espreitam e, quando notam que essa aventura vai dar mediatismo, atiram-se de pés e mãos e arrogam-se à liderança dessa fama. Em cima do acontecimento podem os observadores aperceber-se
de que houve aproveitadores dessa empreitada. Passados alguns meses, os obreiros que mereciam palmas voltam ao silêncio do quotidiano. Os espontâneos partem para outras empreitadas, em busca de mais sucesso alheio que faz deles os reizetes de todas as manifestações do povoado.
Ocorre-me mexer numa proposta que ficou de realizar-se alguns anos depois, numa quarta edição.
Já passaram quinze anos. A nova direção da Casa-mãe de Trás-os-Montes, com sede em Lisboa, desde 1905, relançou a ideia. Como fiz parte da comissão organizadora do III, gostaria muito de ver essa promessa cumprida durante o quadriénio em curso.

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publicado às 11:26


Um Conto de Natal

por aquimetem, em 21.12.16

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Do livro "NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES", transcrevo um conto de Natal da autoria do poeta e prosador João de Deus Rodrigues. Uma rica prenda de Natal  para ler nesta quadra:

(O Natal no Nordeste Transmontano e os rebuçados do céu…)
Na maioria das aldeias do Nordeste Transmontano, o mês de Dezembro era considerado um dos nove meses, ditos de Inverno. As noites eram monótonas, longas e frias, e os dias, rotineiros e gelados, com vento e com chuva.
As casas de habitação não tinham electricidade, nem água canalizada, nem qualquer tipo de aquecimento. Restava apenas a fogueira na cozinha, ao redor da qual as famílias passavam os serões à luz da candeia, a ouvirem o silvar do vento e a chuva e a neve a caírem nos telhados, enquanto os pais contavam “estórias” e lendas aos filhos, ou olhavam para os gatos, a ronronar a seus pés, quando não estavam nos palheiros a murar ratos, e as mães fiavam a lã e o linho ou faziam os meiotes e remendavam a roupa da família, habitualmente numerosa.
Outras vezes, rezavam todos junto à lareira por alma dos seus mortos, ou cantavam de alegria quando nascia mais uma criança que vinha aumentar o agregado familiar e a ser mais um lavrador ou pastor, ou uma esposa e dona de casa, dedicada.

Nas aldeias não havia rádios nem televisões, e quanto a livros só havia o Missal na igreja, e poucos mais. Mas também não eram necessários, a maioria das pessoas não conhecia uma letra do seu tamanho, como diziam com mágoa: “ eu nunca entrei numa escola e não conheço uma letra do meu tamanho!”.
Havia anos em que as pessoas passavam dias seguidos em casa, porque a bufarra (nevoeiro), o gelo e a chuva a isso as obrigava. Nessa altura, os rebanhos ficavam nas curriças, onde os pastores os iam alimentar com palha, e os lavradores ficavam em casa preocupados, a deitarem contas à vida: “com o tempo assim, vai ser outro ano de fome!”.
Também os nevões caíam com regularidade, e depois, a seguir a eles, o gelo e o cacimbo deixavam o carambelo pendente dos beirais dos telhados, onde os garotos o quebravam e comiam, como sendo o melhor “Gelado” do mundo, coisa que eles não conheciam…
Nas escolas não havia qualquer espécie de aquecimento e os alunos, muitos descalços e mal agasalhados, choravam com o frio e o professor mandava-os para casa para se aquecerem à lareira, se havia lenha para a acender.
À noite, das serras e dos montes desciam lobos esfomeados aos povoados, e nem cães nem gatos que vagueassem pelas ruas lhes escapavam. A fome é negra, comer era uma necessidade vital.
Contudo, no meio deste abandono e solidão o mês de Dezembro era o mês do ano mais esperado pelas populações das aldeias. Isto porque, para além de ser o mês do Natal e da matança do porco, também era quando chegavam os familiares ausentes, que vinham passar o Natal com a família e matar saudades da santa terrinha. Esses sentimentos que, desde a diáspora, sempre prenderam os transmontanos às origens...

Nesse ano, a Maria da Céu “andava de esperanças” (grávida) do terceiro filho. Filha de pais católicos e sobrinha de padre, em casa dos pais o Natal era passado em família e comemorado intensamente, sem, contudo, haver sapatinhos na chaminé. A lenda do pai natal, essa criação do “tio Sam”, ainda não era conhecida por aquelas bandas…
Porém, ao serão não faltavam cânticos ao Deus Menino, cantados com fervor e fé junto da lareira onde o fogo crepitava, e à mesa se sentavam pais, filhos e criados, sem distinção. Sendo que o rapaz mais novo, sentado à mesa, era o que dava graças a Deus (rezava) pela refeição servida, no início e no fim da ceia de Natal.

A Maria do Céu vinha dando à luz de três em três anos. A causa provável disso acontecer talvez fosse o facto de amamentar os filhos nos primeiros dois anos.
O primeiro filho nasceu no mês de Agosto e o segundo no mês de Julho. E este, o terceiro, esperava-o, segundo as suas contas, para finais de Dezembro. Por isso, pedia a Deus que nascesse na noite de Natal!
Que felicidade seria a minha, se depois da ceia fosse à Missa do Galo e quando chegasse a casa sentisse as águas e viesse a Dona Eugénia para o ajudar a nascer, são e escorreito, e depois de lhe dar banho mo pôr no colo para eu lhe dar de mamar…
Fazei isto, Senhor, se eu o merecer, rogava ela a Deus! E prometia-lhe: se for menina vai-se chamar Esperança, se for menino vai-se chamar João…
Mas Deus não lhe fez a vontade. Por isso, no dia de Natal, “mesmo de barriga à boca” (grávida), preparou a ceia. Acendeu a lareira e colocou junto dela dois potes de ferro. Dentro do mais pequeno cozeu o polvo, e dentro do maior cozeu o bacalhau, os tronchos de couve portuguesa, as batatas e os rábanos.
De seguida, amassou a farinha para as filhós e partiu o pão para as rabanadas. Filhós e rabanadas que, com o polvo, eram os acepipes principais da ceia de Natal, na casa dos lavradores, em Trás-os-Montes.
À tardinha, composta a mesa, a família sentou-se à sua volta e ceou. Depois, finda a refeição, cantaram todos ao Deus Menino as canções de Natal que passavam de geração em geração:
Já se ouvem os clarins,
Dos anjos e serafins,
Que Deus enviou à terra,
Cercados de paz e luz,
Para anunciarem ao mundo,
O nascimento do Seu Filho,
O Menino Jesus.

E junto à manjedoura,
Num estábulo em Belém,
Já se encontram pastorinhos,
E outra gente, também,
Em frente Dele,
E de Maria, sua mãe,
Cantando alegremente:

“Olá, meu Menino,
Como Tendes passado,
Só para Vos ver,
Deixei o meu gado.”

Isto prolongou-se até próximo da meia-noite, altura em que o sacristão tocou os sinos, ecoando na noite escura, para chamar a população da aldeia para a Missa do Galo.
E foi então que a Maria do Céu, o marido e os filhos se encaminharam para a igreja, para assistirem à Missa do Galo e beijarem o Menino Jesus, que o padre Francisco foi buscar ao Presépio para o dar a beijar aos presentes, que, em silêncio, o beijaram com tanta devoção como se fosse o Deus verdadeiro.
Findas as cerimónias religiosas regressaram a casa. A noite estava tão serena como a Maria do Céu a tinha imaginado, quando pediu a Deus que lhe desse o filho nessa noite de Natal.
O vento tinha amainado e a neve caía em silêncio nos telhados e nos campos, dando a impressão que os anjos tinham descido sobre eles e os tinham coberto com um imenso lençol branco, de linho, em homenagem ao nascimento de Jesus.
Na aldeia o silêncio era absoluto. Agora só de longe a longe se ouviam cantar os galos, porque eles sabem a música de cor. Pensava para si a Maria do Céu quando, já deitada, encostava a barriga ao marido para que ele sentisse o filho a dar-lhe um pontapé…
Filho que só viria a nascer três dias mais tarde, no dia 28, num sábado solarengo, para quem a Maria do Céu, cumprindo a promessa feita a Deus, pediu ao marido que lhe fosse dado o nome de João. O que veio a acontecer, quando o padre Francisco o baptizou a seguir, no domingo de Páscoa.

João que, nove anos depois, quando o professor mandou sair mais cedo os alunos para irem ajudar a fazer o Presépio, correu para casa e disse à mãe:
- Mãe, já começaram as férias do Natal! Dê-me de comer que quero ir buscar musgo para o levar à igreja, à minha madrinha, para fazermos o Presépio. Olhe que já faltam poucos dias para ser o Natal e para nascer o Menino Jesus…
A mãe, ao vê-lo com tanta ansiedade, disse-lhe:
- Então come alguma coisa antes de saíres, e agasalha-te bem porque está frio e podes constipar-te.
E respondeu-lhe ele, eufórico:
- Ó minha mãe, eu não tenho frio! A senhora não vê que o Menino Jesus está couracho (nu) no Presépio, junto de Nossa Senhora e de São José, e da vaca e da burrinha, e não tem frio?...
E diz-lhe a mãe:
- Isso é verdade, meu filho, mas tu não és o Menino Jesus…
- Pois não minha mãe, mas também não tenho frio…
O João saiu de casa a correr e foi procurar musgo ao tronco dos olmos, ao Ribeiro dos Inverniços, e levou-o à madrinha, que já se encontrava na igreja a ajudar o padre Francisco a fazer o presépio.

O João andava feliz e contente. Agora, apenas esperava que chegasse o dia e a noite de Natal. Primeiro, para comer as filhós, as rabanadas e o polvo. Segundo, para ir à Missa do Galo e beijar o Menino Jesus. E depois, quando chegasse a casa, ir-se deitar e ver entrar no seu quarto o Menino Jesus, quando lá fosse levar os rebuçados do céu. Mas este segredo nem à mãe o tinha revelado…
Nessa noite, depois da ceia e dos cânticos ao Deus Menino, o João foi com os pais à Missa do Galo e quando chegaram a casa foi para o quarto e deitou-se, mas não adormeceu logo…
O dia e a noite de Natal eram especiais para toda a gente. Porém, a noite tinha uma magia muito especial para as crianças, porque esperavam que o Menino Jesus fosse ao quarto deles levar os rebuçados do céu, por que isso era a prova de que não tinham mentido aos pais nem ao professor.
De manhã, quando acordavam, encontravam os rebuçados espalhados pelo chão e corriam para os pais, a dizer:
- Ó meus pais tomem lá um rebuçado do céu, que o Menino Jesus me deixou no meu quarto…
Os pais e os irmãos mais velhos, se os havia, não se desmanchavam e aceitavam o rebuçado, mantendo-se assim o segredo da tradição na aldeia.
Tradição essa, que passava de geração em geração até que os filhos descobriam que quem lá ia levar os rebuçados eram os pais e não o Menino Jesus. E, então, quando isso acontecia era uma desilusão enorme para eles. Primeiro, por que se sentiam enganados pelos pais. Segundo, por lhes roubarem esse sonho, tão lindo, de uma noite verem entrar o Menino Jesus no seu quarto, acabando assim a magia dos rebuçados do céu.

O João ainda acreditava nos rebuçados do céu. O pai, algum tempo depois de ele ter ido para o quarto, julgando que já dormia, pegou nos rebuçados que tinha comprado na vila, para serem diferentes dos que se vendiam na taberna da aldeia, e dirigiu-se ao quarto dele, com mil cuidados e abriu a porta e espalhou os rebuçados no chão. Mas quando já estava de saída, qual não foi o seu espanto quando vê o filho a saltar da cama e a dizer para ele:
- Então o pai é que é o Menino Jesus...
O pai, embaraçado, pediu-lhe desculpa e disse-lhe o mesmo que já tinha dito aos irmãos, em circunstâncias iguais:
- Desculpa, meu filho, por te ter enganado. De facto, quem tem cá vindo a deixar os rebuçados tenho sido eu, e não o Menino Jesus…
E para minimizar o choque do filho, quando o viu a chorar, acrescentou:
- Sabes, meu filho, o Menino Jesus não tem tempo para ir ao quarto de todas as crianças do mundo que se portam bem e não dizem mentiras. Pergunta aos teus irmãos se não foi também assim com eles… E olha que já o teu avô me fez a mim a mesma coisa…
O filho, triste, olhou para o pai mas não tocou nos rebuçados, correu para a mãe a chorar e disse-lhe:
- Mãe, o Pedro tinha razão quando me disse que eram os pais que deixavam os rebuçados no quarto dos filhos e que não era o Menino Jesus, mas eu não acreditei nele…
A mãe, abraçada a ele, deu-lhe um beijo e disse-lhe:
- Sabes, meu filho, todos os pais fazem isto aos filhos, até que eles descobrem, como tu, que não é o Menino Jesus que lhe traz os rebuçados. Mas deixa lá, não chores. Não é por isso que Ele não gosta de ti! Agora vai dormir e não penses mais nisso, o teu pai gosta de ti e não o fez por mal.
O João regressou ao quarto e adormeceu, mas o desgosto ficou com ele. A partir desse dia fez os trabalhos escolares, que o professor lhe tinha mandado fazer em casa, e no dia sete de Janeiro voltou para a escola, mas apareceu de semblante triste. Então o professor, ao vê-lo assim, perguntou-lhe:
- O que se passa contigo, João? Vens tão triste!... Não fizeste os trabalhos de casa, como te mandei, foi isso?
E ele respondeu-lhe:
- Não é por causa disso, senhor professor. Eu fiz os trabalhos todos, mas na noite de Natal quando estava no meu quarto à espera de ver entrar o Menino Jesus com os rebuçados do céu, quem lá foi pô-los foi o meu pai…
Dizia isto ao professor de olhos pregados no chão, prestes a chorar.
O professor conhecia a tradição e ficou embaraçado. Sem saber o que lhe dizer, pediu-lhe que lhe mostrasse os trabalhos de casa. Ele foi mostrar-lhos, e o professor passou os olhos por eles e deu-lhe um “B” grande e disse-lhe: parabéns João, estão muito bem!
Tu és bom aluno, vai-te sentar.
Ele viu escrito, a encarnado, o “B” grande no topo das páginas e foi-se sentar.
Os alunos mais velhos já sabiam que era assim que acontecia. Os mais novos, esses, continuaram a acreditar que era o Menino Jesus.
Definitivamente, para o João findou esse sonho, tão lindo, de uma noite de Natal ver entrar no seu quarto o Menino Jesus com os rebuçados do céu. Agora já sabia quem o fazia…
Apenas não sabia que, se um dia fosse pai, nas noites de Natal ia fazer aos filhos o mesmo que o pai lhe fez a ele, até que fosse apanhado com a boca na botija e um filho saltasse da cama a dizer: então, o Menino Jesus é o meu pai!…

Os anos foram passando. Em todos houve um dia e uma noite de Natal. A Maria do Céu teve mais quatro filhos, sete ao todo. Para ela, alguns dias de Natal foram alegres, outros foram tristes. Muito tristes! Longe eclodiram guerras e para uma delas foi enviado o seu filho João, onde viria a falecer no dia vinte e três de Dezembro.
No dia seguinte apareceu em casa um sargento do Exército a levar a notícia de que“ o soldado João Almeida tinha morrido numa emboscada, em Moçambique, e em nome do Exército apresentava condolências e informava que o seu corpo chegaria brevemente ao Continente, para ser entregue à família”.

Nesse ano, em casa da Maria do Céu já não houve ceia de Natal, nem se cantaram canções ao Deus Menino. E na mesa da cozinha ficou vazio o lugar que mais ninguém ocuparia.
A partir desse dia, em sua casa a harmonia e o sossego familiar alteraram-se, profundamente. Primeiro, com a morte do filho, na guerra do ultramar, depois, com a do marido, que não resistiu à morte do filho. E, finalmente, com a solidão.
Viúva, os desgostos da vida e os anos a pesarem levaram-lhe a felicidade e a paz de espírito, até ao fim dos seus dias. Embora os filhos, enquanto viveu, fossem todos os anos, com as famílias que constituíram, passar o Natal a casa dela.
Eles estiveram sempre ao seu lado, porque ela foi uma boa mãe. “Ai de quem toque nos meus filhos, nem que seja com uma flor”, dizia ela, quando se referia a eles.

João de Deus Rodrigues.

In: Livro “NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES” – Poética Edições

 

 

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publicado às 15:36

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Por: Barroso da Fonte
Um combatente que foi à guerra dos outros, mesmo que não tenha dado um tiro, nem saiba nadar, deve dizer que esteve lá, quando, com quem e para quê. Cabe esta missão ao repórter que esteve lá.Começo esta nota biobibliográfica sobre o Tenente General Alípio Tomé Pinto por onde devia acabar. Desde Maio tem sido este volume de 416 páginas o motivo que me prende à cama, antes de adormecer e depois de acordar. Exatamente porque é das obras que tenho na minha copiosa biblioteca daquelas que mais me reconcilia com os 3 anos e meio que prestei ao país que tão ingrato foi para com os burros de carga que foram os milicianos e filhos do verdadeiro povo. Na contracapa, ao cima da página, reproduziu este militar de carreira: «E lá fui eu para a guerra, um dos primeiros a chegar a ela, com a minha farda amarela e uma espingarda das antigas – uma Mauser». Nessa mesma página mostra-se uma paisagem rural com um aldeamento duriense. Legendado com esta lápide de Miguel Torga: «Trás-os-Montes: «Terra Quente e Terra Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas».
A biografia deste verdadeiro militar transmontano, veio reanimar-me em relação a centenas de outras, de camaradas seus que, em cerca de 40 anos, escreveram, editaram e difundiram, nuns casos como resposta pessoal, noutros casos por imperativo ideológico. Mas quase todas por necessidade de ocupar o tempo e de reivindicar para si, o mérito ou demérito que foi de todos.
Na p. 341 logo se descobre nas fotos de família e nas legendas que valem muito mais do que mil palavras, a desigualdade moral, profissional e cívica entre o General Tomé Pinto e outros que passavam pela Academia, como se passa pelo santuário de Fátima ou pelo Bairro Alto, numa excursão à capital. Com o eclodir da guerra do Ultramar, houve maior preocupação com a quantidade do que com a qualidade. A carreira das armas deixou de ser um deslumbramento de paradas festivas para ser uma preocupação pessoal, familiar ou social. A qualidade deu lugar à quantidade. Os cursos encurtaram, as promoções apressaram-se e os recrutamentos, nas escolas militares, como na sociedade civil, alargaram o campo de ação. Os treze anos de guerra mexeram com toda a sociedade civil. E, naturalmente, a pressa e a necessidade, geraram dificuldades para alguns, transtornos para outros e contratempos para muitos. Se houve «estragos» para os combatentes, os mais lesados foram os soldados em geral e para os milicianos. E também para muitos profissionais das armas que já haviam cumprido os seus deveres como oficiais subalternos e se encontravam na classe dos oficiais superiores, alguns a pensar na hierarquia de oficiais generais, outros em fase de aposentação nos postos a que haviam ganho direito.
Como, normalmente, acontece nem foram os soldados, nem os milicianos, nem sequer os militares mais antigos a reivindicar. Foram aqueles que haviam escolhido a carreira das armas e que viam perigar essa carreira que violaram o juramento e se revoltaram contra os milicianos que apenas serviram para burros de carga daqueles que os traíram.
Nos 40 anos que decorreram cada «capitão de Abril» já escreveu a sua história, raramente contando os factos, mas reivindicando sempre para si, os louros da revolução. É óbvio que alguma coisa teria de fazer-se no sentido de alterar o método de resistência. Mas nunca por nunca deveriam ter sido os milicianos os bodes expiatórios, já que eles foram os mais prejudicados, antes, durante e depois. Infelizmente nunca se deu voz às maiores vítimas do golpe militar: os milicianos.
Em maio deste ano chegou ao mercado um dos livros mais coerente, mais objetivo e mais recomendável acerca da guerra do Ultramar. Logo a seguir ao 25 de Abril começou o mercado livreiro a privilegiar os escaparates, com versões pessoais de heróis à pressa. O poder político, por um lado e esses testemunhos subjetivos, por outro, injetaram nas gerações mais novas a ideia de que tudo havia corrido mal e que uma geração iluminada, havia retirado do fundo do mar o País que somos. Há por aí resmas de papel editadas por gente que quis ficar na História e que interrompeu carreiras limpas, heroicas e exemplares.
As 416 páginas deste livro do Tenente General Tomé Pinto vêm repor alguma clarividência, rigor histórico e prudência ética na opinião pública. O editor Pedro Sousa afirmou na nota que assina (pp 12-23) que: O general Tomé Pinto é um dos mais prestigiados militares portugueses da sua geração. Promovido a esse posto aos 45 anos por razões de mérito, foi duas vezes ferido com gravidade em cenário de combate, primeiro em Angola e mais tarde na Guiné». E outro distinto general – Ramalho Eanes - afirma no prefácio que «contar a história de vida de Tomé Pinto é respeitar a autêntica tradição, a memória coletiva».
Ao lado de Salgueiro Maia, de Pires Veloso, de Santos e Castro e de Jaime Neves, Tomé Pinto deve perfilar-se como um dos militares mais distintos da sua geração.

 

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publicado às 16:40

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 De Barroso da Fonte:

É usual dizer, em tom jocoso, que os homens se querem feios e que elas (as mulheres) gostam mais dos carecas. Como anda tudo trocado, a opinião desse faroleiro que «guincha» mais do que canta, nem merecia que a imprensa lhe desse troco. Os guinchos desse batráquio ouviram-se em 2010. Mas só agora, pelo que leio, tiveram eco em Alfândega da Fé. E a simpática comprovinciana Berta Nunes, Presidente da Câmara local, fez aquilo que qualquer autarca transmontano, poderia ter feito: «rua com ele porque nós apenas gostamos de quem goste de nós. Dos mal agradecidos está o inferno cheio», dir-lhe-ía minha Mãe, se fosse viva! Grande receita para quem é médica e sabe aplicar o remédio na hora certa.
As palavras que passaram na entrevista conduzida por Nuno Marki no Canal Q, com esse insensato foram as seguintes: «Essas pessoas do Portugal Profundo já deviam ter evoluído. Pessoas que nunca viram o mar vão para o Pavilhão Atlântico, pessoas medonhas, feias, desdentadas».
Esse «olho de vidro e cara de mau», desajeitado e retorcido, como corno de carneiro, não tem moral para ofender um Povo hospitaleiro, franco e generoso. Ainda bem que essas atoardas vieram a público e tiveram eco em quase toda a imprensa, antes que os dois espectáculos previstos para Alfândega da Fé e Ribeira de Pena se tenham realizado. Se ele tiver vergonha na cara e nojo das parvoíces que disse, será melhor não aparecer por lá, hoje ou no futuro, mesmo que mude de cabeleira, de placa dentária e de óculos a cores. Só complexados como José Cid, a quem a natureza marcou de raiz, poderia manchar a ruralidade, a simplicidade e a grandeza social das Gentes Transmontanas.
Leio na mesma fonte que a Câmara de Ribeira de Pena, também transmontana, aplicou a esse ingrato cantor, a receita, de Alfandega da Fé: «vá cantar a outra freguesia, seu palerma»!
Aqui há uns anos o director do Sol, teve um gesto semelhante ao apelidar de «parolos» três transmontanos que chegaram a Lisboa e meteram as mãos no saco da massa. Esse jornalista generalizou e partiu para uma ofensiva, completamente errónea, ao tratar por «parolos» todos os Transmontanos. Logo lhe volvi o troco e ele não replicou. Mesmo que pretendesse atingir alguns políticos da nossa praça que ainda estão a contas com a justiça, o editorialista (que por sinal, continuo a ler semanalmente), não deveria ter generalizado. Mas ao globalizar nesse adjectivo todos os «Transmontanos» foi de uma infelicidade atroz. Não me contive e respondi-lhe à letra, como agora faço ao José Cid. Este não é exemplo para ninguém, porque – declaradamente - lho digo na cara: é tão feio como eu, torto com as silvas que dão amoras, vesgo quanto baste e desarranjado que irrita quem o vê aos ziguezagues. Não gostando de Tony Carreira e pensando que ele era Transmontano, Cid desencadeou uma chusma de raiva que veio parar ao reino maravilhoso que se chama Trás-os-Montes. Se pretendia ofender Tony Carreira enganou-se no número da porta.
Não era minha intenção abordar este tema. Mas não ficaria bem comigo mesmo se deixasse passar este palerma sem um puxão de orelhas. É «sexta às 9» e habituei-me a ver este programa da Sandra Felgueiras. Mais dois temas escaldantes: a desumanidade de alguns dirigentes que obrigaram uma funcionária pública, de 57 anos, a continuar ao serviço, quando qualquer cego bastaria ouvi-la para a dispensar desse barbaridade.
Depois a saga incorrigível do governo de António Costa em sanear a torto e a direito, mesmo aqueles titulares que haviam entrado através de concurso público, por um júri plural que leva meses e consome balúrdios de dinheiro para encontrar candidatos pelo critério do mérito. Esses candidatos seleccionados pela CREZAP têm garantia legal para cumprirem determinado tempo. Qualquer «saneamento» político que ocorra durante esse tempo legal, o erário público, ipso facto, tem de pagá-lo, custe o que custar, como se tivesse cumprido o seu mandato integral. Pelo que diz a imprensa os «saneados» estão a recorrer à sua substituição por socialistas que nunca trabalharam, não se sujeitaram a qualquer tipo de avaliação e entram com a fúria descabelada de endireitar o mundo que vão gerir sem qualquer experiência.
Esta (in) governabilidade já se arrasta desde há cerca de 40 anos. E repete-se com todos os partidos que têm formado executivos ao centro, à esquerda e à direita. Com este tipo de «rendição da guarda», não há orçamentos que resistam a cada nova mudança.
O que espanta e nos deixa apreensivos é que, até agora, a esquerda radical, barafustava por tudo e por nada. Irritavam-se no Parlamento e logo tinham as televisões, as rádios e os jornais, a jeito para acusarem o centro e a direita de todos os pecados e pecadilhos. Agora, apoiam-se no partido que os acolheu, lhes faz vénias e lhes vai aprovando algumas propostas, para que possam reanimar a esquerda e esfregar ao sol da sua irreverência congénita, o futuro da sua incomensurável ambição.

 

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publicado às 14:12

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IRMANDADE CULTURAL ENTRE
GALEGOS E TRANSMONTANOS


       O Fórum Galaico Transmontano, em parceria com a Câmara Municipal de Montalegre e
com o Centro Social de Vilar de Perdizes, organiza mais uma edição do Encontro com
Jornalistas e Escritores, desta vez nas instalações do Centro Social de Vilar de Perdizes e no Ecomuseu de Montalegre, ao longo do fim-de-semana de 29 e 30 de Abril de 2016.
       Depois de Valpaços, Montalegre, Chaves, Verin e Boticas, a sexta edição desta iniciativa divide-se entre Montalegre e Vilar de Perdizes, com o padre António Lourenço Fontes como anfitrião. Para além dos habituais debates e palestras com escritores, das visitas, dos espectáculos e das exibições, neste encontro será igualmente apresentado o quinto número da revista Fórum

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publicado às 12:55

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De Barroso da Fonte:

O Desportivo de Chaves nasceu em 1949 e só na época de 1972/3 subiu da III à II divisão nacional. Em 1974 completou 25 anos e a direcção dessa época convidou-me para escrever a letra e ao Carlos Emídio Pereira para escrever a música. Desde aí é sempre cantada quando há jogos no seu Estádio. No início deste século a Ágata, mãe do actual Presidente, Bruno de Carvalho, gravou-a em CD, através da Espacial. Mas em vez de pedir autorização aos autores e de escrever os nomes da letra e da música, omitiram os seus nomes e chamaram-lhe «populares» Na edição de 02-11-2007 o Jornal Notícias do Douro, deu essa notícias nos seguintes termos: «Discográfica que editou CD do Desportivo de Chaves «matou» os autores da letra e da música». O Grupo Desportivo de Chaves já esteve 13 anos na I divisão, já foi a uma Final da Taça de Portugal ao Jamor contra o Porto, em 2015 chegou a estar na I, mas no último segundo, subiu o Tondela que este ano vai descer. Já o Desportivo de Chaves está em 1ª lugar dos que sobem e torcemos por esse regresso. Mas já que a APEL não deu andamento ao processo, fica aqui desmistificado o «roubo». Há muitas formas de matar pessoas vivas. E a Espacial cometeu essa proeza, ao editar um CD, registado na SPA com o n° 3200637, em 2003, plagiando a letra e a música e registando-as com a palavra “popular”, quando o autor da letra está vivo, como se vê por estas palavras que assina, e o autor da música Carlos Emídio Pereira, faleceu há 14 anos, mas tem o filho, António Maria Pereira, a viver em Vila Real, pertencendo-lhe os direitos artísticos do Pai.
Como se sabe, as obras literárias e artísticas têm dono, tal como uma propriedade que se herda ou um automóvel que se compra. E, do mesmo modo, também os direitos desses bens se transmitem aos herdeiros, até 75 anos para além de morte dos seus criadores.
Quem tiver dúvidas sobre a legitimidade que aqui se reclama poderá consultar a imprensa da época, nomeadamente o Notícias de Chaves de 28/9/1974. Aí se podem ler, sob o distintivo do Clube: «letra da marcha do Grupo Desportivo de Chaves - Comemorativa das suas Bodas de Prata que ocorreram ontem, dia 27-9-1974. Música de Carlos Emídio Pereira, Letra de Barroso da Fonte, interpretação de Avelino Aurélio (Bio)». Na altura, o Álvaro Coutinho, um competente tipógrafo da Gutenberg, que, com o António Saldanha, viria a assinar um livro sobre o glorioso Desportivo de todos nós, fez e distribuiu centenas de folhas soltas com essa letra, devidamente identificada, para que todos os adeptos pudessem cantar o Hino, sempre que quisessem e/ou em dias de futebol no Estádio Municipal. Ele, felizmente, está vivo e pode comprová-lo. Há cerca de um ano, o Dr. Manuel António Pereira assinou neste jornal um texto em que falava da letra do Hino, cantada por Ágata, pertencendo essa letra a Barroso da Fonte. Ignorava eu essa edição. E, durante estas férias, procurei em Chaves um exemplar desse disco compacto que me confirmou duas realidades: a alegria de ver essa marcha cantada por uma artista de projecção nacional e com a qual já me cruzei na «Praça da Alegria» da RTP, a tristeza por verificar que, onde deveriam constar os nomes dos autores, estava escrita a palavra «popular», possivelmente para que a discográfica pudesse furtar-se aos direitos de autor. Pior ainda: nos 24 versos dessa melodia aparecem sete gralhas de palmatória, desvirtuando a canção, no espírito e na forma.
Logo no 2º verso, onde deveria estar «Saiba-o bem toda a gente», aparece: «Saibam bem toda a gente». No 3º verso, onde está «supera as maiores entraves», deveria estar: «os». No 7° verso, onde está: «A luta», deveria estar: «Na luta». No 13° verso, onde escreveram «Somos de Chaves Unidos», deveriam ter escrito «Somos de Chaves. Unidos,». No Coro (refrão), onde chaparam «O Desportivo de Chaves», deveriam ter respeitado: «Meu Desportivo de Chaves». E, no 3° verso dessa quadra, onde aparece «joga sempre como sabe», deveria aparecer «joga sempre como sabes» (para rimar e dar sentido ao poema). E grave, gravíssimo, é a troca da palavra «guiar» por «Guião» no 6° verso do Côro, para rimar com «verdadeiro campeão», última palavra do 8° verso. Também a música sofreu profundas modificações, o que não aconteceria se tivessem falado com a família do autor, que tem o original, devidamente transcrito, como nós temos.
Deste lamentável episódio foi dado conhecimento à editora Espacial, por fax, em 3/10, que nem sequer deu qualquer justificação. E, embora sabendo que a actual Direcção do Desportivo nada teve a ver com o sucedido, foi-lhe comunicada a anomalia, na mesma data, tendo respondido em 22, a mostrar-se surpreendida e a disponibilizar-se para «cooperar no sentido de esclarecer e repor a verdade e legalidade dos factos, sendo caso disso». Importará dizer que também no site da Internet do Grupo Desportivo aparece a letra, sem o nome do autor e com os erros atrás assinalados. Apela-se à sua actualização.
Quanto ao diferendo, foi já participado à Sociedade Portuguesa de Autores para reparar os danos morais e materiais, o que se teria evitado se, em tempo útil, quem tomou a decisão, tivesse consultado os legítimos proprietários. Pela nossa parte concederíamos ao Desportivo mais esse contributo (na conturbada época dos anos 70 já tínhamos sido o vice-presidente da Direcção que levou o GDC da III à II divisão). E, certamente, o fariam os herdeiros do saudoso Carlos Emídio Pereira. Face à «morte» que nos causaram, felizmente vivos, veremos o que os tribunais decidem, se o diálogo não prevalecer.
Trata-se de um ato lesivo dos mais elementares direitos artísticos e implicando pessoas e instituições de bem, assiste-nos o direito de publicamente reclamar aquilo que nos pertence, cumprindo o princípio: o seu a seu dono.

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publicado às 22:30


Uma mondinense de respeito.

por aquimetem, em 12.01.16

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Já uma vez, em Março de 2010, escrevi acerca desta minha distinta conterrânea, da diáspora, como eu, o que repito e teimo divulgar: "Não vai gostar, mas como a sei mulher que a quem como ela amar e defender a terra onde ambos nascemos é capaz de perdoar este meu atrevimento, eis-me a revelar o nome daquela "minha conterrânea  Mg que para ver e conhecer gente transmontana que em verso ou prosa honre as letras lusas não há igual!", como noticiei no blog Ao sabor do tempo, em post, de 26 de Fevereiro de 2010, intitulado "encontro cultural".  Trata-se da minha conterrânea Maria da Graça Borges de Matos, natural de Mondim de Basto, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1956, filha de José Teixeira de Matos e de Maria Alzira Teixeira Borges". Como já divulguei, nada de novo até aqui. De novo, apenas que fez anos no passado dia 04, e que nem uma mensagem de parabéns lhe mandei. Nesse dia, infelizmente fui chamado, pela amizade que tinha ao saudoso Padre Guedes, à terra, onde eu e a Maria da Graça nascemos, para dar um ultimo adeus a esse amigo que Deus chamou a Si. A esta generosa senhora, amante da boa leitura e dos poetas e escritores transmontanos promotora, devo o lançamento que fez do meu nome junto de notáveis da nossa região, como Barroso da Fonte, Jorge Lage, Fernando Vilela e outros que se não fora o seu empenho e intervenção ficaria para eles no anonimato. Por isso e porque "o seu a seu dono", aqui deixo o meu publico reconhecimento à distinta conterrânea de quem também já disse:  "....  a fazer de tudo, numa pequena empresa familiar, de motores e máquinas industriais, com o tempo bem contado e ocupado no desempenho do seu trabalho profissional, acrescido da missão de esposa e dona de casa, os curtos momentos de descanso e lazer costuma aproveitá-los a ler e pela leitura e novas tecnologias manter-se a par das noticias e ocorrências que lhe despertam interesse. O manifesto orgulho que nutre por tudo quanto seja ou fale de Trás-os-Montes é motivo de sedução para esta mondinense que tem  particular admiração pelos conterrâneos e transmontanos que nas letras e artes se têm notabilizado".

          "Os nobres sentimentos de generosidade e gratidão com que por regra se adorna a alma transmontana fazem-se evidenciar e reflectir  nos actos e atitudes da Maria da Graça, como testemunhei no meu primeiro contacto (via internet) com esta senhora que me pediu para que  divulgasse  os nossos poetas e  escritores menos conhecidos do grande publico". Na ocasião o seu objectivo principal era ver divulgado o nome e a obra do já saudoso Dr. Nelson Vilela, que foi seu professor e benfeitor, após ficar órfã de pai. Uma mondinense de respeito.

 

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publicado às 10:30


Deputado Transmontano mostra o que vale

por aquimetem, em 30.12.15

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De Barroso da Fonte, com votos de bom 2016:

"Sempre tive por Ascenso Simões uma simpatia que me foi passada pelo Padre António Maria Cardoso que o casou. Tinha por este sacerdote Duriense uma certa veneração que levarei para a cova. Já eu era seminarista. Mas quando em 1954 Nossa Senhora de Fátima percorreu a Diocese, ouvi-lhe tão inflamados sermões sobre Maria que eu sonhava imitar, um dia, se eu viesse a ser padre. Não consegui ser padre por causa de uns versos que fiz a uma miúda. Na altura o correio das moças era, primeiramente, lido pela mãe. E, quando eu pensava que os versinhos que puseram termo à minha vocação, haviam sido recebidos pela mãe e entregues ao então prefeito do seminário, este exemplificou a homilia matinal com a reprimenda de que o menino que escreveu aqueles versos, no final do ano deveria ficar em casa. Enfiei a carapuça, não fiquei com cópia dessas estrofes e, presumo que a musa, também não chegou a ler os inofensivos versos.

Quer o Padre António Cardoso quer aqueloutro que interrompeu os meus dez anos de seminarista, ainda são vivos. Do primeiro tenho saudades, admiração e muito respeito porque sempre me respeitou e me incentivou quer no caminho do jornalismo, quer no associativismo da guerra, na escrita e no convívio social. Sei que está internado e apenas peço a Deus, a Quem serviu que se encarregue de o levar para junto dos seus eleitos. Do outro nada direi porque se limitou a cumprir as regras da Comunidade.

Abro com esta confissão porque estou com os pés na cova e gosto de, enquanto me reconheço com alguma lucidez mental, exteriorizar pecadilhos que assumo e que apenas servem para me prender à fragilidade que sempre tive como humano.

Volto ao relacionamento que tive com o Padre Cardoso para dizer que muitas vezes me confidenciou ter ele pelo Dr. Ascenso Simões uma simpatia muito especial. Daí que também eu, mesmo como jornalista, nunca a ele me tivesse referido. Primeiro porque nunca tive nada que me induzisse a qualquer reparo. Segundo porque sempre acompanhei com apreço a sua postura social, cultural e cívica. E ainda, durante o último Congresso de medicina popular em Vilar de Perdizes, me deu um caloroso abraço, próprio de quem se estima e se respeita.

Ora no JN de 27 de Dezembro último li e gostei muito, mesmo muito, de uma notícia assinada por Helena Teixeira da Silva, que em caixa alta escreve: Deputado do PS vigia programa de Costa – Ascenso Simões promete fazer balanço das medidas prometidas pelo governo a cada um dos cem dias. Lê-se no texto que Ascenso Simões, 52 anos, transmontano, eleito pelo círculo de Vila Real, quer iniciar «uma nova forma de desempenhar a função na Assembleia da República: alienando privilégios, prestando contas semanalmente, fiscalizando o programa socialista e estabelecendo uma relação de maior proximidade com os eleitores».

     António Barreto que é de uma geração anterior à de Ascenso Simões e que, por isso pisou os caminhos escolares de Vila Real, anos depois, assinou no Diário de Notícias de 8 de Novembro findo, um libelo acusatório ao tentar demonstrar que «O Parlamento não existe». Chega a afirmar que «a situação actual da Assembleia da República não é totalmente inédita e não data apenas deste último mês. É ponto de chegada de um processo gradual de subalternização e decadência de que há numerosos indícios. Vários foram os sinais dados. Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se geropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados! Este Parlamento mete dó!»

No meio deste marasmo parlamentar parece ter sido excepção à regra. «Fui até hoje, o único deputado que fez o que estou a fazer», disse Ascenso Simões. A grande novidade que anuncia através desta voz pública é pretender «a cada cem dias, fazer o ponto da situação de 150 medidas fundamentais do programa do PS. Estabeleci três cores: vermelha para as medidas que não saíram do sítio; amarelo para as que já avançaram; e verde para as que estão concluídas». Esta será a forma de respeitar os compromissos éticos que assumiu quando foi eleito». Além disso vai passar a fazer um vídeo semanal no qual explica o que esteve em discussão durante a semana. «Depois envio o vídeo por e-mail para seis mil endereços do meu círculo. Disponibilizo-o à comunicação social e coloco-o nas redes sociais».

É preciso dizer não, quando a turba-multa quer que se diga sim. Ora os deputados não devem ser autómatos, paus mandados, papagaios que se limitam a dizer aquilo que o dono lhe incutiu a troco de uma ração reforçada.

Sabe-se que Ascenso Simões esteve ao lado de António José Seguro. Costa não é aquele bonacheirão que o seu vermelhusco nariz faz crer. Já se vingou excessivamente de Trás-os-Montes e dos socialistas Transmontanos ao chamar para o governo apenas um secretário de Estado de Bragança. Esse mesmo cargo já Ascenso Simões o havia desempenhado. Os distritos de Vila Real e de Bragança mereciam maior e melhor representação governativa".

 

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publicado às 21:43


Chaves e a grande Guerra (1914-1918)

por aquimetem, em 19.11.15

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 De Barroso da Fonte:

"Entre 1914 e 1918 decorreu o primeiro conflito mundial em que Portugal entrou com participação ativa desde Março de 1916 a Novembro de 1918. De Julho de 1914 a Março de 1916 o país discutiu internamente a opção sobre se deveria manter-se neutro ou deveria entrar no conflito. Em Março de 1916 já tinha optado pelo sim e acabou por ter de preparar um Corpo Expedicionário para prestar serviço na Flandres. E no âmbito da velha aliança com a Inglaterra, em 18 de Agosto de 1914 o Exercito Português passou a mobilizar tropas para Angola e Moçambique, sem que tal facto redundasse em beligerância por parte da Alemanha.

Um século depois, por todo o país, os investigadores e os políticos procuraram assinalar a memória dos seus combatentes. Os cemitérios e lugares públicos, das cidades, vilas e algumas freguesias, assinalaram esses Combatentes, cujos filhos, avós e a consciência cívica tiveram o bom gosto de perpetuar.

Chaves, sede dos concelhos da região do Alto Tâmega, viu partir do seu Regimento de Infantaria nº 19 para os três territórios: Angola, Moçambique e Flandres, nesse período bélico, vários batalhões e companhias militares. Para dar aos descendentes ainda vivos, a certeza de que ainda os não esqueceram, o Grupo Cultural Aquae Flaviae, conjugou forças (militares, académicas, civis e políticas), para editarem uma obra que materialize aquela homenagem. Tarefa árdua por ampla, dispersa e materialmente cara. Somente seria possível por iniciativa de espíritos com força interior, capacidade de resistência física e mental do ímpeto daqueles valentes guerreiros que deram tudo o que podiam dar, para honrarem a missão que os chamou e para salvação dos próprios que partiram e por lá andaram, protagonizando «as passas do Algarve». Cada história daria uma «estória». Mas a História de Portugal deste quadriénio está por fazer, o que não honra tantos milhares de historiadores profissionais que anualmente saem, ou pelo menos vivem da e para as Universidades pagas pelo erário público, sem que produzam para o erário público que lhes paga, as contrapartidas que deveriam ser os registos dos principais factos que a História de Portugal merece que sejam registados para memória pública. Um século depois os Historiadores profissionais ainda não cumpriram os deveres da cidadania. E é por isso que nos empobrece e nos obriga a saudar esforços de toda a ordem de Instituições como o Grupo Cultural Aquae Flaviae, do Comando do RI 19 e do cidadão Dr. António de Sousa e Silva.

De facto, o Grupo Cultural e a revista Aquae Flaviae que dele emana, através da sua responsável Drª Maria Isabel Viçoso, foram além daquilo que lhes seria exigível: sobrepuseram-se a serviços e a investigadores a quem o erário público concede meios técnicos e financeiros que foram insensíveis a estudos parcelares e globais de um período nevrálgico para o verdadeiro, profundo e urgente interesse nacional já exigiam há décadas. Um século depois é muito tarde para gente que nasceu, viveu e morreu sem conhecer o drama humano, social e político da História do seu país. Meio século depois aconteceu outro drama social e político: a descolonização. Mas em nome deste gastou o erário público pipas de dinheiro, para realizar filmes falaciosos, para criar museus, arquivos e bibliotecas, com todo o tipo de argumentos sem nexo, falsificados ou narrados por escribas, alguns deles para vanglória pessoal ou de grupo.

A Revista Flaviense de que, - com vaidade o digo sou sócio fundador nº 5 – surpreendeu tudo e todos, ao editar a edição número 50, da revista do mesmo nome, com 632 páginas, mais seis tomos com as fichas de todos os militares dos concelhos periféricos. E um sétimo com os nomes dos mobilizados pelo RI 19, mas naturais de outros concelhos. Foi um trabalho insano, em tempo recorde e com a metodologia científica que nenhuma regra académica poderá reprovar. Para que possa ter-se legitimidade para censurar algo que se faça, acerca da vida de um país, apenas terá legitimidade quem tenha feito algo melhor ou parecido, antes que outros o fizessem, acerca dos mesmos factos e nas mesmas circunstâncias.

A revista semestral, é distribuída gratuitamente aos sócios. O GCAF. Foi fundado em Abril de 1986 e com esta edição completa o ano de 2015. O valor da quota associativa é igual ao preço gráfico de um dos vários volumes, ora editados. O Grupo Cultural, os autores desta magnífica colaboração a os concelhos do Alto Tâmega e a cultura Portuguesa prestam um relevante serviço aos Transmontanos, ao País e à Sociedade internacional pelo trabalho que produziu e colocou aos dispor dos apaixonados pela História de Portugal. Não cabe nesta nota de leitura a dissecação de cada volume. O volume principal ocupa integralmente a história da «Grande Guerra e a participação

dos militares do RI 19 e do Alto Tâmega no conflito». Estas 632 páginas são da autoria do Dr. António de Souza e Silva. Quer o índice quer a estrutura e exposição mais parecem uma investigação científica para a obtenção do grau doutoral. Um trabalho exaustivo que faz deste Flaviense um verdadeiro historiador. Igualmente lhe pertenceu a organização do volume dedicado a Montalegre. Já o mais volumoso tomo dedicado aos participantes na G. Guerra nele inseridos (que é dedicado aos participantes do Concelho Flaviense) se ficou a dever ao Coronel Armando dos Santos Ramos, comandante do RI 19. Uma parceria social e cultural que honra e proclama as três entidades que assinam esta portentosa obra cuja que fica a dever-se, antes de mais e acima de tudo, pela postura cultural, cívica e humana da Drª Isabel Viçoso. A sua perspicácia, sua competência, honestidade e propensão para o diálogo são motivos fortes para distinguir esta Barrosã que merece o seu nome na toponímia Flaviense. A qualidade das suas obras, o mérito pedagógico do seu saber, o apego às causas e a disponibilidade permanente para assumir o interesse público, são virtudes que exornam esta talentosa Barrosã que escolheu Chaves para viver".

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publicado às 21:10


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