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Por: Barroso da Fonte

A imprensa do dia 7 do corrente, publicitou «o regresso, meio século depois» de um para-quedista morto em Angola em 1962. Chegou de avião e foi recebido  na sua terra natal, em Lobão da Beira, por ex-combatentes e alguns «Boinas Verdes» a que ele pertencera. O JN desse dia mostrou, em texto de Sandra Ferreira e foto expressiva de Tony Dias/Global imagens, um ambiente pesaroso e frio, sem oficialidades e sem um mínimo de respeito por parte das entidades civis e militares.

No relato do JN escreve-se: «chegaram ontem, ao fim de 55 anos, os restos mortais de António Silva, um soldado para-quedista português abatido a tiro em Angola, na Guerra do Ultramar, ao cemitério de Lobão da Beira. A urna entrou no cemitério com dezenas de para-quedistas a cantar o hino dos Boinas Verdes. O militar morreu em combate a 19 de Setembro de 1962, no Ucua, em serviço do Regimento de Caçadores Para-quedistas de Tancos e a trasladação foi tratada pela União de Pára-quedistas, em colaboração com a Força Aérea Portuguesa e o Regimento de Para-quedistas da Brigada de Reacção Rápida do Exército Português.

Quando o soldado morreu, a família não tinha posses para transladar o corpo, que acabou sepultado em Luanda». Nessa altura já o militar tinha uma filha que entretanto passou a residir nos Estados Unidos. Ernestina Silva, filha única, desde criança, pretendia transladar o corpo para Seixal  da Beira, do concelho de Oliveira do Hospital. O processo começou a ser tratado «há nove anos de luta». Lê-se nessa mesma fonte que a «União dos Pára-quedistas fez um peditório, juntando cinco mil euros. A filha contribuiu com mais 2.500 euros». Uma vergonha para o Estado Português!

Leu-se, ainda que «o Estado abandonou os soldados que lutaram pela Pátria, quando a sua obrigação era trazer para Portugal os restos mortais de todos os que tombassem no campo da batalha. Isidoro Esteves, da União de Pára-quedistas, disse que ainda existem quatro ou cinco soldados portugueses em Luanda. Mas as famílias não têm meios para conseguirem trazê-los. E a reportagem cita ainda António Silva que foi companheiro de Leonídio Melo, na recruta que ambos fizeram em Tancos. E também participou nesse velório, 55 anos depois, António Ferreira Mendes, que fora seu colega na Escola Primaria, garantindo que o mártir Português era o mais inteligente de todos. Esta noticia, a 55 anos de distância, vai passar despercebida à generalidade dos Portugueses que, ignoram tão amarga, cruel e injusta geração dos anos 60/70, do último século.

As gerações que se seguiram e sem culpa nenhuma, foram intoxicados com uma revolução mal explicada, intencionalmente dirigida contra os protagonistas dessas quase duas décadas de guerra, primeiro na India e a seguir em África e Timor. Está por explicar esse período negro da História de Portugal, mormente entre 1955 e 1974. Foram a inveja, a raiva e o medo de uma classe que saía das academias militares, para ostentar os peitos e os ombros, medalhados até  às orelhas e que viam perigar esse estatuto, pela quantidade de milicianos que regressavam e, em conformidade com uma legislação de recurso, optavam por ingressar nos quadros. Não para concorrerem, com os profissionais. Mas porque regressavam preparados, experimentados e conscientes de que as tais academias formadoras que lhes incutiam no espírito de classe, garbosa e elitista, não produziam quantidade suficiente para garantirem comandos suficientes nas diferentes frentes de combate.

Os milicianos pensavam, legitimamente no seu futuro e no futuro da integridade nacional. Eram convocados, forçados, intimidados a comparecer  às ordens do recrutamento. Obtinham uma formação intensiva, teórica e pratica. Deixavam tudo e todos. Nos anos de serviço obrigatório demonstravam que tinham perfil para prosseguiram, agora por vontade própria. Não o faziam com o espírito de deslealdade ou de competição com os profissionais. Haviam servido, em média, dois anos em teatro de operações. Aí não se discutia a competência, a hierarquia e a idoneidade. Nas academias já não se concluíam os cursos de formação. As fornadas eram intensivas porque faziam falta nos comandos de companhias. Para o comando de pelotão e de secções bastavam os milicianos. Estes eram «os piões das nicas» que durante esses anos de guerrilha, perderam a família, o emprego e os cursos universitários, para servirem, como burros de carga, os «capitães» que invocaram o descontentamento do povo, para, em nome da revindicação de classe e com a valentia das armas na mão, imporem as suas teorias revolucionarias.

Que um golpe de estado, ou ação consertada, entre o poder das armas e da sociedade civil era necessário e urgente ninguém o contesta. Mas que os «capitãens» ditos heróis de Abril, elegeram para vitimas maiores os milicianos também é verdade que nunca foi contada nas escolas, nas empresas, em jornais, rádios e televisões.

O que se viu é que essa geração de militares, enquanto tiveram armas, mandatos de prisão sem assinatura e poder nas mãos, espalharam medo em todas as classes. Prevaleceu o bom senso. Mas foram os oficiais superiores e generais da época que viram interrompidas as suas legitimas carreiras e os milicianos e soldados em geral, que sofreram e ainda sofrem as consequências dessas formadas  ideológicas. Houve honrosas exceções. Mas o desprezo oficial, a crueldade do esquecimento e o medo ás armas que ditaram este holocausto que leva 43 anos de injustiça social e política.

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publicado às 11:56

 

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 Por: Barroso da Fonte

Foi em 6 de Dezembro de 1185 que morreu o Fundador de Portugal. Na FNAC de Guimarães, será apresentado às 18,30 h o livro sobre a Saga da Santidade de D. Afonso Henriques que pretende invocar essa data e esclarecer a comunidade cientifica de que, em Julho de 1728, foi defendida e editada, em Roma, uma tese doutoral onde se demonstra que o nosso primeiro Rei,foi «Pio, Beato e Santo». Essa tese foi investigada pelo Teólogo Vimaranense e Cavaleiro da Ordem de Cristo José Pinto Pereira que foi destacado durante 29 anos pela Cúria Romana.

Com base nas muitas lendas e indícios de santidade, entre o nascimento, em 25 de Julho, em Guimarães e a sua morte em Coimbra, em 6 de Dezembro de 1185, o nosso primeiro monarca, sob o signo da predestinação, tudo fez para autonomizar o novo Reino, tudo tendo feito, em ordem ao bem-estar do povo e à  expansão da religião católica.

 Foram dez os argumentos em que esse Teólogo se apoiou para concluir que Afonso Henriques não teve vida fácil, mas sempre agiu em conformidade com os princípios da sã convivência humana e divina.

Desde a Batalha de Ourique, em 25 de Julho de 1139 , em que venceu os cinco reis Mouros, até ao encontro, do seu Corpo, incorrupto, na Igreja de Coimbra, onde jaz, foram dois dos indícios de Santidade analisados.

A essa tese chamou o Teólogo José Pinto Pereira Lusitano: «Aparato Histórico». Foi escrito em Latim, o que terá contribuído para se manter inacessível à  comunidade cientifica, quer nacional quer estrangeira.  Durante 283 anos, embora publicada, em Roma, na Tipografia Rochi Berrnabò, em MDCCXXVIII (1728), a obra foi engavetada.

O autor esclarece que referiu «estes favores extraordinários, não só em vida, como depois da morte, referidos neste Aparato na mesma língua em que foram escritos, para que nem um só jota ou ápice faltasse na Versão; esta será talvez dada depois em idioma Latino em favor dos Estrangeiros para os quais o nosso e o Espanhol ou não são suficientemente conhecidos ou absolutamente estranhos».

 José Pinto Pereira explica por estas palavras as razões de escrever o livro em Latim, a pensar nos estrangeiros visto que por essa altura nem a língua espanhola nem a portuguesa, tinham a importância que têm hoje.

Fosse como fosse, já passaram 832 anos desde a morte do Rei Fundador de Portugal. E já passaram 878 desde que lhe apareceu, na véspera da Batalha de Ourique, a hierofania  da visão divina a garantir-lhe que iria vencer os cinco reis mouros, o que se concretizou. Desde essa altura brotaram os primeiros perfumes da santidade que até hoje se adensaram na opinião pública.

 José Pinto Pereira confrontou-se com essa dúvida que chegou até nós. Mas ele por ser Teólogo, por ser cavaleiro da Ordem de Cristo e, nessas circunstâncias privilegiadas, conhecer as regras, os métodos e as  formas de agir, investigou até à  exaustão, as lendas, os mitos e as tradições, para que, separando  as águas, pudesse chegar a conclusões.

Só motivações de força maior poderiam interromper aquilo que era fácil: iniciar o processo de beatificação, a exemplo de outros casos, como foi, entre nós, o do beato D. Nuno de Santa Maria.

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publicado às 11:01


24 de Junho, dia de Portugal

por aquimetem, em 23.10.17

 

 

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Por: Barroso da Fonte:

Em 1728 foi publicada tese que confirmou

Afonso Henriques: «Pio, Beato e Santo»

Em 24 de Junho de 2014 foi apresentado no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, o Aparato Histórico sobre a Santidade do nosso I Rei D. Afonso Henriques. Essa apresentação fez parte do programa comemorativo dos 886 anos da Batalha de S. Mamede. Tal obra chegou a ser mencionada pelos poucos Historiadores que dela souberam, como «a primeira História de Portugal». Foi escrita e defendida  em Roma, como tese de doutoramento de José Pinto Pereira, nascido em Guimarães (31/3/1659 -17/2/1733) e destacado para o Vaticano, onde permaneceu 29 anos, como Cavaleiro da Ordem de Cristo. Este padre Vimaranense, já nessa altura ouvia diferentes «estórias», acerca do primeiro Vimaranense. E por isso se dispôs a recontar a vida desse Português que fundou o País que fomos.

O júri aprovou a tese desse Teólogo, incluindo o Papa Bento XIII que deveria iniciar, em 1728, o processo de beatificação, perante a conclusão cientifica de que Afonso fora «Pio, Beato e Santo». A obra ficou conhecida como Apparatus Historicus. O livro fora escrito, em latim, como era comum, a esse tipo de obras relacionadas com a religião. O titulo, em versão latina, era usual nessa época e as palavras significam o mesmo em Português.

Coincidindo o aparecimento da obra com o corte de relações, entre Portugal e a Santa Sé o Aparato Histórico ficou impresso, mas silenciado durante os quase 300 anos que decorreram. Quando, em 2011, publicamos «Os novecentos anos de D. Afonso Henriques», o investigador Pinharanda Gomes elogiou o livro mas lamentou que nele não constasse esse titulo. Obtivemos um exemplar na Biblioteca Central da Catalunha e demos dele noticia na imprensa da época. Apelamos à  sua tradução. Apareceu um  leitor que nos pediu esse exemplar para confrontar com um outro que se encontrava no seu espolio. Confirmou-se essa hipótese. Ele próprio liderou um grupo com vista , à  tradução. Até aqui tudo decorreu bem, em grupo de cinco pessoas.

 Extintos os obstáculos, o liderante com o processo em fase de edição contactou a Câmara de Guimarães que até aí nada sabia do processo. O vereador da cultura foi sensível á  publicação da obra. E não havia data mais propicia para a sua apresentação: o 24 de Junho, feriado municipal, por assinalar a Batalha de S. Mamede, «a primeira tarde portuguesa». O leitor que mandara procurar o exemplar para se certificar se era igual ao seu e que, em boa hora, «descobrira» o tradutor, teve o bom gosto de encontrar dois académicos que, em tempo recorde, elaboraram dois valiosos contributos, interpretativos desse texto latino, já vertido para Português escorreito. Acrescidos de um texto afirmativo do Presidente da Câmara e outro do vereador da cultura, com um prefacio de 4 paginas do promotor da proposta de parceria por parte do nosso leitor, mereceram a aprovação dessa parceria que José Bastos justificou por estas palavras: «a sua publicação configura um processo de decisão por parte da C.M.G. O mero esquecimento da sua evidencia material, por um lado e o seu não patrocínio, por outro, seriam actos de passiva negligencia ou até de preocupante intencionalidade consciente». Com este pressuposto político a parceria concretizou-se numa edição de 500 exemplares ao preço de 60 euros cada  exemplar a custear pela autarquia. Só que o livro não saiu do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. Soubemos que apenas se venderam seis exemplares. E, a confirmar-se esse facto não abona ninguém, a começar pelo desinteresse do publico, mesmo tratando-se da figura eloquente do nosso Rei fundador. Essa obra pelo que representa e pela importância de, pela primeira vez estar, em lingua portuguesa é factor decisivo para velhos e novos que não saibam lidar com o latim.

Para obviar esta evidencia a Fundação Lusíada que inspirou e corporiza os objectivos da Ordem de Ourique, convidou-nos a coordenador de um livro, mais acessível, mais pratico e plural, na medida em que reúne testemunhos de quatro autores, sistematizando tudo quanto, acerca deste tema da santidade, se tenha escrito e ensinado. Quase quatro anos depois não se realizou qualquer evento académico. A Academia Portuguesa de História que protagonizou, em 2009, uma pirueta mais ampla do que o actual mapa de Portugal, fez orelhas moucas. E os departamentos de História das Universidades Publicas e Privadas, ou não têm dinheiro para actualizar as bibliotecas, ou não têm docentes sensíveis aos progressos científicos.

 Talvez ainda não tenham tido acesso ao Aparato Histórico que, sendo uma tese de doutoramento, defendida em Roma, deveria encher de alegria, pelo menos, o departamento das Faculdades de letras e ciências que funcionam nalguns dos seus núcleos, dispersos pelo Continente e Ilhas. Para não alegarem que ainda não tiveram acesso ao volume do Aparato Histórico, que está disponível no Arquivo Alfredo Pimenta, aparece, neste outono soalheiro, um novo livro que nasce por causa dessa nova forma de censura. Nas suas quase 400 paginas, os quatro co-autores, explicam e fundamentam aquilo que escreveram em fontes impressas da Lusofonia acerca deste tema. Alem desses quatro textos o leitor encontra o extractos que foram saindo, aqui e ali, sobre a Saga da Santidade de D. Afonso. Citam-se em português os dez argumentos ou «indí­cios de santidade» que andam no ar, como lendas ou ditos, alguns dos quais, analisados à  luz da ciência e da fé, foram considerados, pelos teólogos, visões do divino.

Uma seleção  substancial de testemunhos registados ao longo dos três séculos decorridos, permitem ajuizar acerca do estado de espírito que tão delicada matéria sempre conflituou entre sagrado e o profano. Por último o leitor actualiza, mediante a leitura de textos polémicos, as divergências entre aqueles que amam a História e nela satisfazem esse orgulho; e aqueles que a mercantilizam, adicionando peripécias que induzem mais do que deduzem, informam mais do que afirmam e especulam mais do que o bom senso recomenda. A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques não é mais do que uma explicação dos dez argumentos ou indícios de santidade de D. Afonso Henriques que permitiram proclamar, em 1728, a conclusão a que os mais qualificados Teólogos ao Serviço do Vaticano chegaram, da leitura da tese de José Pinto Pereira: que ele fora «pio, beato e santo».

Em 2009, o Papa Bento XVI, perante idêntica situação, relativamente a D. Nuno de Santa Maria, não hesitou em canoniza-lo.

Bento XIII, negou-se a atribuir ao cardeal Vicente Bichi, a nunciatura de Lisboa. E D. João V negou-se a receber, em Lisboa, D. José Firrão, que fora imposto por Espanha. O papa não teve coragem de satisfazer a vontade a D. João V, mas sim, em contentar Filipe IV, de Espanha. Impunha que o rei Português se ajoelhasse perante o homologo de Madrid. Por outro lado o cardeal Polignac combatia o seu homologo, Vicente Bichi. Face a essa birra, o monarca Português que deu muito mais a Roma do que Roma merecia, para expiar os pecados com as freiras de Odivelas, abruptamente, cortou relações, perdendo-se a beatificação de D. Afonso Henriques.

 Urge retomar este processo. E daí a oportunidade deste livro.

 

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publicado às 22:30

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Por: Barroso da Fonte

A reversão marxista deste axioma foi introduzida na política portuguesa por Pimenta Machado,há duas décadas, quando dirigente do Vitória de Guimarães.
Quase parece que a vinda do Papa a Portugal trouxe consigo a doença da vergonha e a raíz de todos os males. Os meses de Junho e Julho que se seguiram a Maio puseram a nú as fragilidades da democracia. Não há memória de tantos e tão trágicos atropelos à normalidade do sistema. Pior do que o incêndio de Pedrogão, Góis e Castanheira de Pera e do assalto ao paiol de Tancos só o terramato maior do que o de 1755 ou uma Batalha de Aljubarrota.
Se ainda houvesse nos governantes uma réstia de vergonha, não seriam apenas os três secretários de estado, nem a ministra da administração interna e o ministro da defesa a demitir-se ou a ser demitido. Todo o governo deveria entregar o poder ao Presidente da República e demitir-se do comando dos destinos do país.
O jornalista Alberto Gonçalves, no Observador do último fim de semana foi claro: « é gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras. Dão abraços».
António Barreto no suplemento do Correio da manhã de 9 do corrente respondeu a uma pergunta sobre o estado da nação: quando morrem 47 pessoas queimadas numa estrada nacional e desaparecem armas de guerra de paióis do Exército não lhe lembra o país que recebeu quando foi para o governo?»
- a morte daquelas 47 pessoas inocentes é mais dramática do que o roubo de armamento perigoso. O passa-culpas é uma das piores características da governação atual e talvez anterior. Para qualquer ministro, secretário de estado ou diretor-geral e ainda mais para os primeiros ministros, qualquer problema grave e sério é culpa do governo anterior. Isso é uma mediocridade política, de uma falta de honradez e de honestidade; e é, sobretudo, uma covardia e um oportunismo moral. Muito chocante. Quanto às florestas, há duas teorias: a de que somos todos culpados, pelo menos, desde Viriato, ou antes e depois há a de que as coisas têm princípio, meio e fim»
Questionado sobre se os partidos que suportam o governo são democráticos ou conseguem viver em democracia, António Barreto declarou que a «demoracia não é sagrada, nem vem em nehuma biblia. Ela é um arranjo entre classes sociais e forças políticas. Não é sagrada.É um estado e também um método de viver em coletivo. Não deve ser transitória nem instrumentalizada».
Sobre as férias em tempo de tão grave crise do primeiro ministro, António Barreto que foi Ministro da Agricultura, quando criou o slogan «a terra é de quem a trabalha» confessou que «na semana a seguir aos incêndios, andou a dar abraços e quando há tanta coisa para investigar, revelar, apurar, discutir, debater, reformar, na semana dos roubos, em Tancos, não há férias que resistam a isto.Ele deveria estar em Portugal em dez minutos e não dez dias ou uma semana depois».
António Costa tem sido protegido pelo guarda-chuva de Marcelo. Abandonou o país na hora mais grave. Duas catástrofes das piores da História de Portugal, provocaram uma terceira: o vazio de poder. Em vez de imitar ou fazer imitar o exemplo de Jorge Coelho que mal soube da queda da ponte de Entre-os-Rios, imediatamente se demitiu. Não esteve ele à espera de culpar os governantes que o antecederam na mesma área da governação.Foi pioneiro na moralidade política que deve fazer escola. Seguiram-se outros que fizeram o mesmo como o contador de «estórias». A ministra da Administração Interna, mais o ministro da Defesa e também o do ambiente tinham obrigação moral de fazer o que fez Jorge Coelho.Tiveram mais culpas os de hoje do que os de ontem. O PS de Jorge Coelho, era muito mais coerente com a ética política do que este PS de Costa que chegou ao púlpito, perdendo as eleições e chegando a primeiro ministro, aos ziguezagues do radicalismo mais paradoxal.
Enquanto António Costa esteve de barriga ao Sol fora do País, Portugal perdeu respeito, credibilidade e coerência. Não se deu tanto pela sua falta, porque o Presidente da República supriu, com vantagem, aquela ausência. Mas internamente reviveu-se o ditado: «Patrão fora, dia santo na loja». Esse desnorte mexeu com as Forças Armadas. Feriu o prestígio das instituições mais necessárias à defesa da Ordem, da Justiça e da paz social. Nunca em 42 anos de democracia um qualquer governo esteve tão fragilizado, um povo tão confuso e um futuro tão sombrio.
Na entrevista que A. Barreto concedeu dia 9 ao caderno do CM, afirmou que Costa é muito hábil. Mas hábil, ao contrário de ser ágil e pragmático, «já é um qualificativo venenoso, pois quem tem muita habilidade é um habilidoso e quem é habilidoso, também é manhoso, também faz artimanhas e ele é capaz de ter isso. Por exemplo, não sei o que está ele a fazer, agora, em férias, fora de Portugal». Este primeiro ministro, com um PR que não o abrigasse e o substituísse, sobretudo nas horas azarentas, não teria hoje a popularidade que tem perante o eleitorado. Há por aí uma empresa de sondagens, cujo responsável é militante socialista que aparece regularmente a branquear as horas impopulares. Armando Palavras, no Blog Tempo caminhado de 9 do corrente, escreveu: «Em 2015, cerca de meio ano antes das eleições de Outubro, dava ao PS a maioria absoluta. Em meio ano essa maioria absoluta escorregou para uma derrota estrondosa. Se não fosse a incoerência dos partidos da esquerda radical, António Costa, estaria hoje fora da quadratura do circulo porque Seguro e os Seguristas já teriam «arrumado» esse habilidoso, manhoso e oportunista.
O debate sobre o Estado da Nação de quarta-feira, 12, no Parlamento foi a consagração da máxima marxista que Pimenta Machado retirou do Futebol e a introduziu na política Portuguesa:
«O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira». Toda a esquerda eriçou o pelo, abjurou os valores programáticos e beatificou António Costa e os seus muchachos, a começar pelo galarispo João Galamba, só comparável ao senhor José Manuel Coelho, da Madeira. Nem à pateada se cala!

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publicado às 13:47


E as crianças Senhor !

por aquimetem, em 01.06.17

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Do Poeta e Prosador João de Deus Rodrigues recebi este belo poema às Crianças dedicado:

“E as Crianças, Senhor!
Homens parem de gritar,
E ouçam o silêncio do vento.
E meditem nos segredos do mar,
E na imensidão do firmamento.

E contemplem, também,
A coisa mais preciosa que o mundo tem:
Uma criança.

Reparem na candura do sorriso dela, a brincar
No colo de sua mãe, no aconchego do doce lar.

Longe,
Bem longe, do alcance de déspotas avarentos,
Que passam momentos
A jurar que só querem o bem,
De todas as crianças que o mundo tem.
Porque elas, lindas e queridas,
São anjos inocentes, o melhor das suas vidas.

Mas, isso, é só ruído.
Palavras dolentes, sem sentido,
Dos que não querem ver
Tanta criança a sofrer,
Por esse mundo além,
Abraçadas ao peito da sua mãe,
Chupando peles gretadas,
Que a sede e a fome ressequiram,
E jazem sentadas, junto do seu amado Ser,
De olhos enxutos, sem lágrimas para verter.

Ó desumanidade!
Ó crueldade!
Ó Senhor meu Deus,
Dizei-me por favor,
Porque há tanta criança abandonada,
A perecer com sede e com fome,
Torturadas pela dor,
Com a complacência de parte da humanidade?

Enquanto ao som de trombetas,
Em salões forrados de veludo,
Há criaturas que fazem juras, e tudo,
Dizendo que só querem o bem
De todas as crianças,
Porque elas são o melhor que o mundo tem.

Ó desfaçatez!
Ó Ingratidão!
Porque não calam elas a sua usura,
E refreiam a sua ambição?

E não pensam, por uma vez,
Que as migalhas que sobram da sua mesa,
E o escorrer das suas taças de cristal,
Bastavam para não morrerem,
Com fome, com sede e com mal,
Tantas crianças que juram amar.

Sim, ó vós?
Que em verdade sabeis,
Que elas estão a padecer.
Enquanto assobiais,
Julgando-vos imortais.

Que mundo cruel,
O vosso, com tão amargo fel!

Guardai as vossas lágrimas,
De serpente rastejante.
Guardai os vossos lamentos e ais,
Mas não venham dizer, de ora avante,
Ou jamais,
Que não sabeis, de verdade,
Dessas crianças com tanta necessidade.

Ou será que o fazeis,
Para melhor adormecerdes
Sobre o peso da vossa consciência!
Que julgais ser leve,
E pesa mais que o bronze.
Enquanto, não longe,
Se fina, num contínuo permanente,
Tanta criança inocente.

Não. Não venham com a falsa bondade,
Nem com a vossa sacra fé.
Porque isso mais não é
Que a negação da caridade.

O que me leva a acreditar,
Que nem os dóceis vermes da terra
Hão de querer tragar,
Os vossos corpos fedorentos.
E as moscas, e as formigas,
E até os ratos, seguirão tais intentos.

Ide para os Infernos,
Criaturas com tais sentimentos.

Ah!, se eu pudesse lançar um raio
Aos vossos corações de besouro,
Que vos afogasse nos palácios de ouro,
Erguidos sobre o sofrimento de tanto inocente,
Eu o faria, num repente!

Sumam-se!
Porque até o doce mar profundo
Não vos há de querer sepultar.
Nem as flores silvestres,
Emprestar o seu perfume.

Evaporem-se,
Corja de malfeitores.
Para que haja um mundo melhor,
Mais generoso e fraterno,
No amor e na esperança,
Com o sorriso de uma criança!

Mas não vos esqueçais,
Que partis sem o perdão dos que cá ficam.
E sem a misericórdia e contemplação,
Dessas crianças que estão no Céu,
Enviadas pela vossa mão.

In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora”.

 

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publicado às 14:15

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 Por: Barroso da Fonte

«O 13 de maio ainda é o que era. Se calhar, nunca foi tão avassalador como este. O centenário das aparições em Fátima na presença do Papa? Benfica a caminho de um inédito tetra? Salvador Sobral na iminência de mais um brilharete no Festival da Eurovisão? Tudo a 13 de maio? Os três F (futebol, fado e Fátima) de outros tempos reganham força em 2017, só com uma pequena substituição musical. Os portugueses vão voltar a estar bem entretidos neste sábado, com vários tipos de emoções ao rubro, de manhã, ao final da tarde ou à noite. Assim não se perde pitada».
Esta questão foi colocada por Gonçalo Palma, ao meio dia de 12 do corrente, no seu blogue. Na noite do dia 13, tudo se tinha cumprido: Fátima foi o palco mundial, dignamente programado, os dois mais jovens Santos da Igreja Católica, foram canonizados na terra em que nasceram, o Papa regressou, sem qualquer incidente; e os dois feitos naturais que se seguiram nesse mesmo dia - : a vitória do «tetra» para o Benfica e o triunfo de Salvador Sobral, no festival da Eurovisão, foram tão surpreendentes que levaram muita gente a interrogar-se sobre se tão invulgares sucessos, na mesma data, ato contínuo à despedida do Papa Francisco, ainda naquele clima emocional do Santuário Mariano, não seriam sinais (ou hierofanias = manifestações) do divino.
Não sou teólogo, não sou exemplo para ninguém sobre a minha religiosidade, sou crente, a religião que professo dá resposta às minhas dúvidas e, depois de tantos fracassos pessoais e comunitários, sempre esperei que um dia fosse surpreendido por qualquer sinal, vindo do alto.
Mais me convenci deste sortilégio pela paz interior que as imagens de Fátima me tocaram: a felicidade de ver tanta gente, irmanada, vinda de tão longe e em condições tão adversas, que nenhum conselheiro humano, por mais convincente que fosse, seria capaz de exercer em mim ou noutros como eu, influências tão fortes e tão generosas. O fato de ver e ouvir o Bispo de Fátima, António Marto, anfitrião dessa moldura humana, sendo ele um Transmontano (de Tronco, Chaves), que foi meu condiscípulo seis anos (entre 1957 e 1962) reconfortou-me tanto, esse orgulho telúrico e humano que eu próprio partilhei essa gratidão interior que terá sido extensiva aos antigos alunos do Seminário de Vila Real.
Recordo aquilo que essa minha geração viveu. Por sermos oriundos de famílias numerosas e sem rendimentos, não podíamos optar pelos liceus e escolas públicas. A alternativa eram os seminários. Essa diferença social refletia-se pela vida fora. A classe livre e a classe pobre. Aquela refugiava-se na liberdade de nada lhe faltar para «cultivar» o sinal distintivo que os superiorizava no estatuto académico e profissional. Esta sujeitava-se à seleção natural: uns «marravam», eram zelosos e impunham-se pelo saber e pelo cumprimento rigoroso da disciplina interna. Outros transigiam e, aqui ou ali, davam sinais de insegurança pelo que iam abandonando.
Pertenci a este número. Mas nunca me arrependi, antes mantive pela Instituição, pelos professores e, sobretudo pelos meus condiscípulos, total solidariedade, admiração e respeito.
Gilberto Canavarro Reis,(1951), Amândio Tomás (1955) e António Marto (1957) prosseguiram estudos e ascenderam, por mérito próprio, a Bispos. Ainda estão todos vivos e, felizmente, com saúde. São o nosso orgulho, como tantos outros que ocuparam altos cargos na Jurisprudência, nas cátedras universitárias, na administração de empresas, no funcionalismo e até na política ativa. Nenhum de nós tem complexos de inferioridade. Antes prestigiaram sempre, a Instituição que nos preparou para a vida e à qual anualmente regressamos, no 3º Sábado de Maio. Sempre que um antigo aluno aparece em público e o localizamos, logo torcemos por ele, para o bem ou para o mal. Felizmente, como agora aconteceu, com o Doutor António Marto, ao vê-lo a abraçar o Papa Francisco e a falar para cerca de um milhão de presentes e a muitos milhões de católicos de todo mundo. Aquele sotaque e aquele sorriso que as televisões mostraram, é como se aquele fortíssimo abraço ao Papa e ao mundo também fosse nosso. Eles nos representam. Nós deles nos orgulhamos!
Mas não devemos confundir a religião com o clubismo. A festa do Benfica é trivial. Venceu, justamente, mais um campeonato. E ainda há-de vencer mais. Mas, embora as televisões tenham ofuscado a grandiosidade do 13 de Maio, com o Tetra do «Benfiquismo», nada de comparável com a universalidade de Fátima. E nem sequer com a Vitória, mais que merecida de Salvador Sobral, no Festival de Eurovisão. Este feito foi enorme, já tardava e tudo o que se possa confundir com mais um milagre de N. Senhora de Fátima é pura fantasia. Aceita-se enquanto modelo de grandeza e de pioneirismo. Entre 1956 e 2017 já houve 61 festivais da canção. Este que ocorreu dia 13 de Maio, foi pura coincidência. Mas para Portugal valeu – isso sim – por termos andado mais de meio século a brincar aos festivais da canção. Salvador Sobral e a irmã Luísa, venceram pela sua simplicidade, pela certeza de que fizeram o melhor que sabiam e, perante 18 países a atribuírem a classificação máxima a Portugal, foi feito que nunca qualquer outra canção ou outro qualquer país concorrente havia conseguido. E por isso valeu a pena.
Trago este tema à praça pública para glorificar as consciências que andam empedernidas, açaimadas e raivosas, na tentativa de branquearem o que foram, o que são e o que valem. Em qualquer parte do planeta como em Terras de Barroso.

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publicado às 22:48


Vale por todo o resto.

por aquimetem, em 01.05.17

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 Só o 1º de Maio de 1974 foi espontâneo, sentido e calorosamente vivido, a partir daí, nem hoje com a desconchavada gerigonça, os representantes dos trabalhadores se juntam e se entendem para servir a classe operária e o país. As organizações sindicais mais ao serviço dos partidos que das classes que representam, quando chega esta data vai de testar forças e como pavões emproados exibir a roupagem que mais agrade ao pagode…

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 Em Portugal, com o Estado Novo, não se festejava a data, só a partir de Maio de 1974 é que livremente passou a ser festejado e a feriado nacional. Nem o facto da Igreja consagrar a data a São José Operário, demovia o poder político da proibição de celebrar o significativo evento. Com a designação de Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional dos Trabalhadores é uma data anualmente celebrada no dia 1º de Maio, em muitos países, sendo feriado em Portugal, e noutros países de expressão portuguesa como Brasil, Angola e Moçambique. Mas ainda quanto à forma varia consoante o gosto dos operantes, desta vez em Portugal temos a CGTP a promover “festivais” em cerca de 40 localidades. E em Lisboa, com vários eventos e durante a tarde com desfile entre o Martim Moniz e a Alameda  D. Afonso Henriques.

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Já a UGT decidiu festejar a data em Viana do Castelo, com o tema: “Crescimento, Emprego, Mais Justiça Social”. E como faz parte do sistema... a intervenção politico-sindical do secretário-geral da organização Carlos Silva, e da presidente do Centro Cultural da cidade, Lucinda Dâmaso. 

Bem mais importante para quem festeja a Vida e a defende é a MANIFESTAÇÃO CONTRA A EUTANÁSIA /SUICÍDIO ASSISTIDO que às 15h00 deste 1º de Maio vai ter lugar no Largo de São Bento-Lisboa, com momento de oração na Basilica da Estrela, às 15h30. Vale por todo o resto.

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publicado às 14:30


PÁSCOA FELIZ

por aquimetem, em 12.04.17

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 A todos os amigos/as leitores deste blog desejo uma festa pascal com muita alegria, paz e amor. Fraternais saudações.

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publicado às 14:34


Não é jornalista quem quer

por aquimetem, em 19.02.17

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De Barroso da Fonte

 E o jornalismo é uma atividade que deve estar imunizada contra os vírus sociais, comerciais e políticos. Sem jornalismo sério, isento, oportuno e espevitado, a democracia não funciona na sua pureza original.
O conceito de Jornalista anda adulterado por razões políticas.
Na década de oitenta do século passado deram-se passos decisivos em Portugal para regulamentar o seu exercício, colocando-o no patamar que lhe compete. Tal tarefa não foi fácil mas foi meritória. Em consequência dela mudaram-se muitas atitudes sociais, extinguiram-se alguns vícios e desbloquearam-se meios tecnológicos e até mentais. Alguns órgãos de informação acabaram, outros os substituíram e o sector evoluiu, nuns casos para melhor, noutros casos para pior.
Passado um quarto de século olha-se para trás e nota-se que nem tudo foi bom. Sobretudo na proliferação do conceito de Jornalista e do seu exercício. Desprezou-se o primado do essencial, em relação ao supérfluo. O que não tem interesse de maior para a felicidade dos cidadãos, sobrepôs-se aos valores absolutos que não devem, nem podem, perturbar o primado da democracia.
Os órgãos de informação deixaram de ser, veículos de uso permanente ao serviço de todos, para serem armas de arremesso dos poderosos contra os indefesos. E para que essa tramoia vingasse,onde deviam colocar-se jornalistas colocaram-se jornaleiros,em vez de técnicos da escrita,escolheram demagogos, panfletários de palavras ocas, talhadinhas ao gosto dos mandantes.
Resultado: o papel que cabe aos jornalistas e ao jornalismo, retirou-se do léxico da profissão e da sua serventia,para se entregar a comissários políticos que povoam as televisões, as rádios e os jornais do jetset.
As Universidades passaram a formar jornalistas, ensinando o abc da profissão. Mas os mercados estão pejados de comentadores residentes,que faturam por processos ínvios,os serviços prestados à margem de leis que alguns deles ajudaram a fazer.
A opinião pública vive intoxicada com debates grotescos,pífios e rafeiros. De manhã à noite, de todos os dias, em todos os canais que justificam a sua existência com informação pura, nada de novo, porque se repetem as caras, se ouvem as mesmas vozes, se multiplicam os insultos.
A Comissão da Carteira Profissional,de dois em dois anos, informa os seus legítimos detentores com esta assertiva linguagem:
«a CCPJ lembra que o exercício da atividade jornalística sem título profissional válido constitui contra-ordenação punível com coima de 1.000 a 7.500 euros». E avisa mais: «A admissão ou manutenção de pessoas, por parte das empresas, para o exercício da atividade jornalística, sem que, para tanto, estejam legalmente habilitadas, constitui uma contra-ordenação, punível com coima de 2.500 até 15.000».
Todos os dias lemos, sobretudo nos Jornais diários, deputados que se dão ao luxo de aporem junto à foto, para impressionar: nome, acrescido de: «deputado e professor universitário». Nas televisões chegam a constar nas fichas técnicas. Nos casos de comentadores «residentes»,auferem verbas regulares pela sua presença. Em todos os casos há um atropelo ao Estatuto jurídico da Comunicação Social. Se não houvesse jornalistas capazes, ainda se tolerava. Mas com tantos profissionais no desemprego, por que não acabar com acumulações esdrúxulas,injustas, antidemocráticas e,sobretudo, a com cheiro a esturro.
Vivo numa cidade que na última década do século passado tinha sete jornais. Hoje tem três. E um desses apareceu há um ano para ser a voz do partido do poder. Mas o poder nesta cidade está tão enraizado, tão entranhado, tão viciado que mais parece o partido único de outros tempos. Pois esta cidade e este partido único acabam de ser confrontados com um novo jornal, cujo estatuto editorial é assinado por Armindo Costa e Silva, acrescido de Presidente da Comissão Política Concelhia do PS. Este senhor é, nem mais nem o menos, o administrador do SMAS que se traduz por Serviço Municipal de Águas Saneamento.
Tem o título de «Guimarães merece – Jornal do Partido Socialista de Guimarães – Janeiro de 2017» Tem 16 páginas, todo a cores e em tudo é um órgão que só peca por não ter ficha técnica.
É,pois um jornal sem registo, sem depósito legal, sem domicílio e, certamente, vem poluir a cidade, já de si muito poluída a todos os títulos.
Saberá a ERC- Entidade Reguladora da Comunicação da existência deste novo periódico que se presume mensal?
Se a moda pega e não há organismos que controlem esta bandalheira, qualquer dia há charlatanice em vez de informação, há ofensas onde deverá existir civismo e há desordem onde apenas deve haver disciplina.

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publicado às 12:34

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Por: Barroso da Fonte

O atual governo tinha prometido reverter, praticamente, tudo aquilo que o governo anterior fizera.
Um governo que faz promessas desse estilo revela mais ódio do que bom senso. Porque mexe com pessoas, com serviços, com estruturas que custam balúrdios ao erário público e, para desfazer o que foi mal feito, destrói trabalho, esbanja o que estraga e consome, com vinganças, novas somas de dinheiro que seria muito mais útil em serviços inexistentes. Esse hábito de desfazer quem chega, o que o anterior deixou feito, é, declaradamente, um grave erro. É um erro pior do que aquele que pretende corrigir.
Recentemente a Câmara de Lisboa resolveu inutilizar a ampla Avenida da República e introduzir um novo figurino que, a avaliar pelos testemunhos que os media repercutiram, não facilita a circulação de pessoas e de viaturas. A centenas de milhões que ali foram investidos dariam melhores frutos se investidos na construção de casas para os sem-abrigos. Só que as eleições na apetecida Câmara de Lisboa não se ganham com a resolução de situações sociais, mas materiais. Têm que ser espaços de fachada opulenta e com um centro propício à colocação de uma placa vistosa para esculpir o nome do político que ordenou esse seu desejo.
O exemplo de Lisboa simboliza o que se passa em qualquer vila ou cidade de outras zonas do País.
Em Guimarães, onde vivo, com os 111 milhões destinados à realização da Capital Europeia da Cultura, deu-se um reboliço que mexeu com todos. Cometeram-se dezenas de erros urbanísticos de toda a ordem. Esse programa europeu ficou na retina de quem viu e gostou de dois espetáculos primorosos: a inauguração e o encerramento. Tudo o mais foi fachada, maquilhagem, confusão urbanística e um amontoado de ideias e de projetos, dos quais resultaram frustrações, falências, logros, numa palavra: um fiasco.
Em 2009, quando foi feito o anúncio da CEC, Guimarães vibrou de euforia. Quando se soube que viriam 111 milhões, anunciados pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, todos os comensais da área do poder, esfregaram as mãos de contentes porque tanto dinheiro nunca mais acabaria. A cidade acordou como se tivesse acontecido algo de fantástico. Tal desarrumação durou até 2012. E para qualquer reclamação vinha a desculpa: tenham paciência,isto é por causa da CEC.
Ora da CEC ficaram na retina apenas dois momentos: a inauguração e o encerramento. Dois espetáculos de excelência que iludiram milhões de tele-espetadores. No meio desses programas e programinhos houve quem vendesse prédios urbanos, devolutos, condenados a ruínas de longo curso, para museus, casa de estudantes, laboratórios da paisagem, albergue de arquitetura, casa da memória...
De Lisboa, Porto e arredores chegaram técnicos, formaram-se orquestras, editaram-se mais de uma centena de livros e publicações cor-de-rosa.
Seis anos depois ainda há processos de indemnização para resolver. Só um desses reclama 400 mil euros- A viatura do Presidente da CEC, apodrece num parque da Oficina. Foi o JN que a mostrou.
Meia dúzia de mamarrachos às moscas. A Casa da (triste ) Memória, já tem montões de queixas.
O gabinete de imprensa para liderar essa opulenta comandita funcionava em Lisboa. Constituiu-de uma Fundação para gerir essa panóplia de intenções. O partido do poder que já tinha poderes a mais, reforçou essas lideranças. Toda a gente ganhava dinheiro pelas vindas à cidade para a qual traziam ideias e levavam prémios. Dizia-se à boca cheia que a CEC publicou mais de uma centena de livros. Esses livros terão vindo e voltado com quem os coordenou. Nós que somos pessoa de livros quisemos comprar uma coleção dessa centena. Nunca soubemos onde encontrá-los.
Soubemos que uma boa parte desses livros estiveram armazenados, ao longo de anos. Publicava-se um ou outro. Mas ninguém tinha acesso a eles. Só para os amigos.
João Serra que foi o chefe da Casa Civil do Dr. Jorge Sampaio, quando este foi PR, terá ficado desempregado. E o chefe, por solidariedade, deve tê-lo convidado a acompanhá-lo. Como A. Magalhães, ao seu estilo ditatorial, saneou Cristina Azevedo, da Presidência da CEC, por esta ter admitido o Dr. Ricardo Rio por um contrato de seis meses, ela deixou o lugar para o Prof. João Serra. Sempre a família política a gozar com o dinheiro de todos. Volvidos seis anos esse processo do saneamento, na altura mediado pelo Dr. Jorge Sampaio, com a sua capa partidária, diluiu a gravidade do despedimento selvagem. Cristina voltaria para a CCRN e a CEC pagaria a diferença de salário. Só que como disse ao JN o vereador da Cultura, de Guimarães, o dinheiro da CEC (ou da Câmara), guardado para essa indemnização, entretanto, foi gasto noutros fins. E Cristina Azevedo, é, desde aí, colunista residente do JN. Exige ela 400 mil euros para que Magalhães e o Conselho de Opinião durmam sossegados. O diferendo prossegue, na exata dimensão da CEC que tem meia dúzia de mamarrachos às moscas nos quais gastou muitos milhares de Euros.
Apesar destas cumplicidades de muitos implicados, José Serra, no flash do JN de 21 de Janeiro veio elogiar a CEC e o Vereador da Cultura da Câmara de Guimarães. Num corajoso gesto de agradecimento político, não se coibiu de defender o passado cultural de Guimarães ao afirmar que «foi (a CEC) uma excelente aposta, bem como a Casa da Memória». Disse mais: «Penso que a CEC foi um momento que potenciou, pelo menos, duas décadas de política cultural consistente».
O 2º Presidente da CEC, nos cerca de 3 anos que esteve em Guimarães, não investigou a verdade. Investigou apenas aquilo que lhe interessou dizer pelo emprego que lhe entregaram por causa do saneamento da sua antecessora. Irei demonstrar isso em livro em preparação.

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publicado às 18:41


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