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Por: Barroso da Fonte

A reversão marxista deste axioma foi introduzida na política portuguesa por Pimenta Machado,há duas décadas, quando dirigente do Vitória de Guimarães.
Quase parece que a vinda do Papa a Portugal trouxe consigo a doença da vergonha e a raíz de todos os males. Os meses de Junho e Julho que se seguiram a Maio puseram a nú as fragilidades da democracia. Não há memória de tantos e tão trágicos atropelos à normalidade do sistema. Pior do que o incêndio de Pedrogão, Góis e Castanheira de Pera e do assalto ao paiol de Tancos só o terramato maior do que o de 1755 ou uma Batalha de Aljubarrota.
Se ainda houvesse nos governantes uma réstia de vergonha, não seriam apenas os três secretários de estado, nem a ministra da administração interna e o ministro da defesa a demitir-se ou a ser demitido. Todo o governo deveria entregar o poder ao Presidente da República e demitir-se do comando dos destinos do país.
O jornalista Alberto Gonçalves, no Observador do último fim de semana foi claro: « é gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras. Dão abraços».
António Barreto no suplemento do Correio da manhã de 9 do corrente respondeu a uma pergunta sobre o estado da nação: quando morrem 47 pessoas queimadas numa estrada nacional e desaparecem armas de guerra de paióis do Exército não lhe lembra o país que recebeu quando foi para o governo?»
- a morte daquelas 47 pessoas inocentes é mais dramática do que o roubo de armamento perigoso. O passa-culpas é uma das piores características da governação atual e talvez anterior. Para qualquer ministro, secretário de estado ou diretor-geral e ainda mais para os primeiros ministros, qualquer problema grave e sério é culpa do governo anterior. Isso é uma mediocridade política, de uma falta de honradez e de honestidade; e é, sobretudo, uma covardia e um oportunismo moral. Muito chocante. Quanto às florestas, há duas teorias: a de que somos todos culpados, pelo menos, desde Viriato, ou antes e depois há a de que as coisas têm princípio, meio e fim»
Questionado sobre se os partidos que suportam o governo são democráticos ou conseguem viver em democracia, António Barreto declarou que a «demoracia não é sagrada, nem vem em nehuma biblia. Ela é um arranjo entre classes sociais e forças políticas. Não é sagrada.É um estado e também um método de viver em coletivo. Não deve ser transitória nem instrumentalizada».
Sobre as férias em tempo de tão grave crise do primeiro ministro, António Barreto que foi Ministro da Agricultura, quando criou o slogan «a terra é de quem a trabalha» confessou que «na semana a seguir aos incêndios, andou a dar abraços e quando há tanta coisa para investigar, revelar, apurar, discutir, debater, reformar, na semana dos roubos, em Tancos, não há férias que resistam a isto.Ele deveria estar em Portugal em dez minutos e não dez dias ou uma semana depois».
António Costa tem sido protegido pelo guarda-chuva de Marcelo. Abandonou o país na hora mais grave. Duas catástrofes das piores da História de Portugal, provocaram uma terceira: o vazio de poder. Em vez de imitar ou fazer imitar o exemplo de Jorge Coelho que mal soube da queda da ponte de Entre-os-Rios, imediatamente se demitiu. Não esteve ele à espera de culpar os governantes que o antecederam na mesma área da governação.Foi pioneiro na moralidade política que deve fazer escola. Seguiram-se outros que fizeram o mesmo como o contador de «estórias». A ministra da Administração Interna, mais o ministro da Defesa e também o do ambiente tinham obrigação moral de fazer o que fez Jorge Coelho.Tiveram mais culpas os de hoje do que os de ontem. O PS de Jorge Coelho, era muito mais coerente com a ética política do que este PS de Costa que chegou ao púlpito, perdendo as eleições e chegando a primeiro ministro, aos ziguezagues do radicalismo mais paradoxal.
Enquanto António Costa esteve de barriga ao Sol fora do País, Portugal perdeu respeito, credibilidade e coerência. Não se deu tanto pela sua falta, porque o Presidente da República supriu, com vantagem, aquela ausência. Mas internamente reviveu-se o ditado: «Patrão fora, dia santo na loja». Esse desnorte mexeu com as Forças Armadas. Feriu o prestígio das instituições mais necessárias à defesa da Ordem, da Justiça e da paz social. Nunca em 42 anos de democracia um qualquer governo esteve tão fragilizado, um povo tão confuso e um futuro tão sombrio.
Na entrevista que A. Barreto concedeu dia 9 ao caderno do CM, afirmou que Costa é muito hábil. Mas hábil, ao contrário de ser ágil e pragmático, «já é um qualificativo venenoso, pois quem tem muita habilidade é um habilidoso e quem é habilidoso, também é manhoso, também faz artimanhas e ele é capaz de ter isso. Por exemplo, não sei o que está ele a fazer, agora, em férias, fora de Portugal». Este primeiro ministro, com um PR que não o abrigasse e o substituísse, sobretudo nas horas azarentas, não teria hoje a popularidade que tem perante o eleitorado. Há por aí uma empresa de sondagens, cujo responsável é militante socialista que aparece regularmente a branquear as horas impopulares. Armando Palavras, no Blog Tempo caminhado de 9 do corrente, escreveu: «Em 2015, cerca de meio ano antes das eleições de Outubro, dava ao PS a maioria absoluta. Em meio ano essa maioria absoluta escorregou para uma derrota estrondosa. Se não fosse a incoerência dos partidos da esquerda radical, António Costa, estaria hoje fora da quadratura do circulo porque Seguro e os Seguristas já teriam «arrumado» esse habilidoso, manhoso e oportunista.
O debate sobre o Estado da Nação de quarta-feira, 12, no Parlamento foi a consagração da máxima marxista que Pimenta Machado retirou do Futebol e a introduziu na política Portuguesa:
«O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira». Toda a esquerda eriçou o pelo, abjurou os valores programáticos e beatificou António Costa e os seus muchachos, a começar pelo galarispo João Galamba, só comparável ao senhor José Manuel Coelho, da Madeira. Nem à pateada se cala!

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publicado às 13:47


Trás-os-Montes marca o ritmo da cultura.

por aquimetem, em 14.06.17

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Por: Barroso da Fonte

Na semana em que rebentou o escândalo no Convento de Tomar que «Sexta às 9» da RTP, difundiu e que – se não fosse a geringonça - já teria exigido a demissão do ministro da Cultura, cá por cima, continuam as estruturas culturais a marcar o ritmo que se faz e que os urbanos não conseguem vislumbrar.
Cá por cima fazem-se coisas, coisas boas, bastando sacudir os teares, repor as campainhas das vacas, no dorso dos gericos ou das cabras e carneiros, por troca com as vacas, que já não há quem as toque. Desses guizos, dessoutros chocalhos que os Caretos usam nas festas do carnaval e desses cornos retorcidos, que se colocam atrás das portas da cozinha, para afastar as bruxas, faz-se melhor festa do que essoutra que enche os ouvidos das moças atordoadas, com os auscultadores, rua fora.
Se as televisões mostrassem o que por cá se faz, os alfacinhas não se distraíam com a feira do livro que é grande no espaço e tem papel a mais e livros a menos.
«Cá por riba», as feiras do livro, têm os livros do povo que não entram nas Fnac´s, na Leya, no Circulo do Leitores.
Há um fosso cada vez mais profundo, entre o norte e o sul, entre a cidade e o campo, entre os chinelos de pé raso e o salto alto de quem nunca andou descalço.
Desde o Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, à Biblioteca Adriano Moreira, em Bragança, que alberga a Academia de Letras de Trás-os-Montes; desde a Feira do livro, em Montalegre, ao Grémio Literário, de Vila Real, ao Centro Cultural Aquae Flaviae, ao Fórum Galaico- Transmontano, em Valpaços; desde o Festival Literário de Bragança, às Feiras do livro em Mirandela, tudo mexe e remexe, gerando solidariedade, por troca com os moinhos de centeio, de todos os rios de Trás-os-Montes que mataram tanta fome, a contrastar com tão ignóbil esquecimento dos dia de hoje. As gerações que formam, hoje, os quadros da vida ativa do País, morrerão sem nunca saberem o que foram os moinhos, que importância tiveram na vida das pessoas e como
é doloroso, não se fazerem levantamentos sobre aqueles que existiram, alguns dos quais, caem de pé, como as árvores. Foi um tipo de construção artesanal, que demonstra a capacidade humana daqueles que nos antecederam e envergonha os professores que não souberam, nem quiseram ensinar, os artesãos que não reivindicaram a sua continuidade e, sobretudo, os políticos locais. Quantos autarcas se deram ao cuidado de mandar fazer um levantamento e reconstituição de património?
Enquanto escrevo estas desconexadas ideias, obviamente breves, reparo na televisão que mostra as cerimónias do Dia de Portugal. Este ano com cenário é diferente. Do Porto veio o nome de Portugal. É simbólica esta escolha. Mas continua a ser mal ensinada a História nacional. É que Portugal não começou noutro sítio, que não fosse na Batalha de S. Mamede, em Guimarães. E essa «Primeira tarde Portuguesa» não aconteceu em 10, mas em 24 de Junho de 1128. Foi há 889 anos. Tudo o mais que se seguiu faz parte da odisseia Portuguesa. Em 1580 faleceu Luís de Camões. Foi há 437 anos. Mas o dia dos nossos anos, é aquele em que nascemos. A data de 10 de Junho menoriza a Pátria que já tinha 452 anos de idade, quando morreu Camões.
Muitos dos que nos têm governado nestes quase nove séculos de História, mamaram nela mais do que lhe deram. Muitos daqueles que levaram a vida a escrever história, mercantilizaram mais do que deviam. E, alguns desses usaram-na para nela se perpetuarem. Autofagia em plenitude.

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publicado às 18:46

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 Por: Barroso da Fonte

«O 13 de maio ainda é o que era. Se calhar, nunca foi tão avassalador como este. O centenário das aparições em Fátima na presença do Papa? Benfica a caminho de um inédito tetra? Salvador Sobral na iminência de mais um brilharete no Festival da Eurovisão? Tudo a 13 de maio? Os três F (futebol, fado e Fátima) de outros tempos reganham força em 2017, só com uma pequena substituição musical. Os portugueses vão voltar a estar bem entretidos neste sábado, com vários tipos de emoções ao rubro, de manhã, ao final da tarde ou à noite. Assim não se perde pitada».
Esta questão foi colocada por Gonçalo Palma, ao meio dia de 12 do corrente, no seu blogue. Na noite do dia 13, tudo se tinha cumprido: Fátima foi o palco mundial, dignamente programado, os dois mais jovens Santos da Igreja Católica, foram canonizados na terra em que nasceram, o Papa regressou, sem qualquer incidente; e os dois feitos naturais que se seguiram nesse mesmo dia - : a vitória do «tetra» para o Benfica e o triunfo de Salvador Sobral, no festival da Eurovisão, foram tão surpreendentes que levaram muita gente a interrogar-se sobre se tão invulgares sucessos, na mesma data, ato contínuo à despedida do Papa Francisco, ainda naquele clima emocional do Santuário Mariano, não seriam sinais (ou hierofanias = manifestações) do divino.
Não sou teólogo, não sou exemplo para ninguém sobre a minha religiosidade, sou crente, a religião que professo dá resposta às minhas dúvidas e, depois de tantos fracassos pessoais e comunitários, sempre esperei que um dia fosse surpreendido por qualquer sinal, vindo do alto.
Mais me convenci deste sortilégio pela paz interior que as imagens de Fátima me tocaram: a felicidade de ver tanta gente, irmanada, vinda de tão longe e em condições tão adversas, que nenhum conselheiro humano, por mais convincente que fosse, seria capaz de exercer em mim ou noutros como eu, influências tão fortes e tão generosas. O fato de ver e ouvir o Bispo de Fátima, António Marto, anfitrião dessa moldura humana, sendo ele um Transmontano (de Tronco, Chaves), que foi meu condiscípulo seis anos (entre 1957 e 1962) reconfortou-me tanto, esse orgulho telúrico e humano que eu próprio partilhei essa gratidão interior que terá sido extensiva aos antigos alunos do Seminário de Vila Real.
Recordo aquilo que essa minha geração viveu. Por sermos oriundos de famílias numerosas e sem rendimentos, não podíamos optar pelos liceus e escolas públicas. A alternativa eram os seminários. Essa diferença social refletia-se pela vida fora. A classe livre e a classe pobre. Aquela refugiava-se na liberdade de nada lhe faltar para «cultivar» o sinal distintivo que os superiorizava no estatuto académico e profissional. Esta sujeitava-se à seleção natural: uns «marravam», eram zelosos e impunham-se pelo saber e pelo cumprimento rigoroso da disciplina interna. Outros transigiam e, aqui ou ali, davam sinais de insegurança pelo que iam abandonando.
Pertenci a este número. Mas nunca me arrependi, antes mantive pela Instituição, pelos professores e, sobretudo pelos meus condiscípulos, total solidariedade, admiração e respeito.
Gilberto Canavarro Reis,(1951), Amândio Tomás (1955) e António Marto (1957) prosseguiram estudos e ascenderam, por mérito próprio, a Bispos. Ainda estão todos vivos e, felizmente, com saúde. São o nosso orgulho, como tantos outros que ocuparam altos cargos na Jurisprudência, nas cátedras universitárias, na administração de empresas, no funcionalismo e até na política ativa. Nenhum de nós tem complexos de inferioridade. Antes prestigiaram sempre, a Instituição que nos preparou para a vida e à qual anualmente regressamos, no 3º Sábado de Maio. Sempre que um antigo aluno aparece em público e o localizamos, logo torcemos por ele, para o bem ou para o mal. Felizmente, como agora aconteceu, com o Doutor António Marto, ao vê-lo a abraçar o Papa Francisco e a falar para cerca de um milhão de presentes e a muitos milhões de católicos de todo mundo. Aquele sotaque e aquele sorriso que as televisões mostraram, é como se aquele fortíssimo abraço ao Papa e ao mundo também fosse nosso. Eles nos representam. Nós deles nos orgulhamos!
Mas não devemos confundir a religião com o clubismo. A festa do Benfica é trivial. Venceu, justamente, mais um campeonato. E ainda há-de vencer mais. Mas, embora as televisões tenham ofuscado a grandiosidade do 13 de Maio, com o Tetra do «Benfiquismo», nada de comparável com a universalidade de Fátima. E nem sequer com a Vitória, mais que merecida de Salvador Sobral, no Festival de Eurovisão. Este feito foi enorme, já tardava e tudo o que se possa confundir com mais um milagre de N. Senhora de Fátima é pura fantasia. Aceita-se enquanto modelo de grandeza e de pioneirismo. Entre 1956 e 2017 já houve 61 festivais da canção. Este que ocorreu dia 13 de Maio, foi pura coincidência. Mas para Portugal valeu – isso sim – por termos andado mais de meio século a brincar aos festivais da canção. Salvador Sobral e a irmã Luísa, venceram pela sua simplicidade, pela certeza de que fizeram o melhor que sabiam e, perante 18 países a atribuírem a classificação máxima a Portugal, foi feito que nunca qualquer outra canção ou outro qualquer país concorrente havia conseguido. E por isso valeu a pena.
Trago este tema à praça pública para glorificar as consciências que andam empedernidas, açaimadas e raivosas, na tentativa de branquearem o que foram, o que são e o que valem. Em qualquer parte do planeta como em Terras de Barroso.

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publicado às 22:48


Um soneto para a eternidade à Gete

por aquimetem, em 18.05.17

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Por: Barroso da Fonte: 

 

Um soneto para a eternidade
à Gete
Tu que eras nesta vida a minha vida,
O meu encanto, o meu primeiro amor,
Deixaste-me e partiste, excelsa flor,
Abandonado e triste, alma incontida.

Abraçaste-me à hora da partida
Sentindo no teu peito a minha dor.
Trocaste-me por Deus, Nosso Senhor,
Que te elevou à Terra Prometida.

Descansa em paz, na paz da Eternidade,
Enquanto permanece o desencontro,
Anseio ver-te, e breve, como então.

Eu aspiro, contigo, à Divindade,
Deixar este calvário em que me encontro
Longe de ti, tão longe e sem razão.
Cláudio Amílcar Carneiro

O autor deste belíssimo soneto – Cláudio Amílcar Carneiro - nasceu em Chacim, em 1931. Aí viveu os primeiros 30 anos, com uma única interrupção: o serviço militar na Índia( Goa), entre 1955 e 23 de Maio de 1957. Faz agora 60 anos. Só nessa altura desiste de guardar o gado, a meias com mais sete irmãos. Já homem feito, completa a 4ª classe, que lhe deu para colaborar em jornais, como: «Heraldo» e «Diário». Regressado à Pátria Lusa, arranja forma de retomar os estudos básicos e curso geral dos Liceus. Chega a frequentar o Curso Superior de Direito e retoma o gosto pelo Jornalismo e pela literatura. Passa a publicar, preferencialmente, poesia em jornais e revistas como: Poetas & Trovadores, Mosaico, Notícias Metrópole. Em 1966 estreia em livro. Desde aí não descansa. Mais tarde, entra na ficção e, ora em prosa ou em poesia, a sua obra soma e segue, a um ritmo qualitativo e quantitativo que faz deste vate um caso sério.
Em toda a sua produção, mormente na poética, deslumbra quem o conhece pelo seu repentismo, pela sua introspeção e apreensão caleidoscópica. Esta subtileza psíquica faz de Cláudio Carneiro um especialista da mais popular quão difícil modalidade poética que é o soneto. Mais parece uma das modernas tabletes, telemóveis e máquinas fotográficas que substituem em qualquer momento, os materiais específicos. A Cláudio Carneiro basta olhar o objeto que pretende fotografar e, instantes depois, surpreende-nos com um poema que retrata, fielmente, os dotes físicos, psíquicos, científicos, éticos e sociais de um ser humano, com o qual se cruze e entenda dissecar. São centenas e centenas de poemas, essencialmente sonetos, dedicados a pessoas que conhece e sobre as quais pretende exaltar os seus dotes intrínsecos.
Recentemente faleceu sua Mulher Georgete. Foi o seu anjo da guarda por toda a vida. E, inconformado com essa subtração, reproduz nestes catorze versos, um secreto desejo do reencontro na eternidade. A melhor prenda dos seus 86 anos completados dia 8 deste mês.

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publicado às 12:54

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Por: Barroso da Fonte

Como não tenho dinheiro para comprar a biografia de Jorge Sampaio, elaborada por José Pedro Castanheira, limito-me a ajuizar sobre o interesse da obra, pelas recensões que vou lendo nos mass media.
Nas 1062 páginas deste mais recente volume que tem a chancela da Porto Editora e da Edições Nelson de Matos, Sampaio «fala da crise política por si gerida no verão de 2004, quando Durão Barroso abandonou a chefia do Governo e Pedro Santana Lopes se posicionou na linha de sucessão, contrariando a posição do PS e dos partidos da esquerda, que pretendiam eleições antecipadas».
Sampaio reconhece que voltaria a dar posse a Santana Lopes, apesar de não ter o poder legitimado por uma vitória nas urnas, mas o seu, então, chefe da Casa Civil, João Serra, nota que foi exigida "continuidade nas políticas", designadamente nas Finanças e nos Negócios Estrangeiros, e vetado o nome de Paulo Portas para esta última pasta».
Lê-se na mesma fonte que se «conhecia a ambição de Paulo Portas em ser ministro daquela pasta, mas devido ao seu passado eurocético, o Presidente alertou para as dificuldades em o nomear", refere João Serra. Portas terá ficado "magoado" por não ter chegado aos Negócios Estrangeiros, o que viria a acontecer, anos mais tarde, durante o executivo liderado por Pedro Passos Coelho.
João Serra afirma também que foi Jorge Sampaio quem sugeriu o nome do embaixador António Monteiro, para chefiar a diplomacia e que Santana Lopes concordou de imediato».
O tom destes «episódios rocambolescos do consulado de Santana Lopes» continuam a ler-se nesta biografia, bem estruturada e redigida pelo biógrafo que se especializou neste género de obras referentes aos mais mediáticos personagens que ocuparam o alto cargo da Presidência da República.
Neste contexto se diz que Jorge Sampaio justifica a utilização da chamada «bomba atómica» com a alteração da situação política, no que é corroborado pelo seu conselheiro.
Ao ler, agora, o tom com que Sampaio fala de Santana Lopes faz-me recuar a 1990, quando ele era secretário geral do PS e eu tinha tomado posse de diretor do Paço dos Duques de Bragança. Guardo comigo a pasta dos 20 mil contos de prejuízo real que este Palácio e Museu Nacionais davam por ano ao Estado Português. O PS local fez saber ao Secretário Geral que eu pretendia corrigir essa situação ruinosa, depois de um estudo que gizei e que pus em marcha. Sabia eu que era possível abrir aquela unidade museológica, em todos os dias da semana e em todas as horas úteis do dia. Pedi autorização e fui autorizado, apesar de um quadro de pessoal reduzido a 50% do previsto no quadro. Recorri ao Centro de Emprego para destacar candidatos ao primeiro emprego, ou subsidiados com o perfil desejado. Com essa medida não gerei encargos, mas redobrei os lucros. Não havia um posto de vendas e destaquei dois guardas do museu que haviam sido carpinteiros a retirarem madeira da zona habitacional destinada a residência do diretor, transformando-a em balcão de vendas. Não existia qualquer roteiro, quer do Palácio, quer da cidade. E eu próprio os escrevi, com edição e tradução quadrilingue: português-francês- inglês e alemão. A Elo tinha essa autorização a nível de todos os palácios e museus. Ainda hoje esses roteiros são fornecidos, com 30% para receita do Museu.
Entretanto a Pousada de Santa Marinha da Costa fez-me uma proposta para explorar a zona presidencial, que desde 1959 até hoje, apenas em 39 ocasiões foi utilizada por alguns Presidentes, o último dos quais o Dr. Mário Soares. O PS local estava irritado com toda essa mudança. A minha proposta fora aprovada superiormente. A Enatur pagaria 100 mil escudos/noite, por cada uma das duas suites e 50 mil pelos 5 quartos intermédios. O Paço passaria a ter de lucro líquido mensal: 13.500 contos que nessa altura era muito dinheiro. Jorge Sampaio fez chegar um panfleto à cidade em que me censurava por estar a transformar a «Corte real» em cortes de bois, numa alusão metafórica aos meus tempos de pastor de vacas e da «vezeira».
Tão sórdida campanha levou-me ao desânimo. Apesar de chegar tarde, o despacho autorizou-me a por em prática esse projeto, em parceria com a delegação do Norte da Cultura. De qualquer modo quase dupliquei o número de visitas pagas, controladas por bilheteira. Os preços eram metade daqueles que se praticam hoje. O montante da dívida passou a montante do lucro, aquele espaço nobre passou a ser uma espécie da Casa de cultura. Entre a hora de encerramento e a hora matinal da abertura ao publico, o átrio e as antigas cozinhas, passaram a espaços alugados para convívios, cerimónias de casamentos, empresas e outras cerimónias.
Jorge Sampaio, cujo pai era natural do concelho de Guimarães, foi o primeiro a não utilizar a Residência Presidencial, no Paço e também o primeiro a não aceitar que o 24 de Junho fosse reivindicado como feriado nacional. Aqui mesmo disse que não mexeria nos símbolos nacionais. Mas o PS Vimaranense teve, mesmo assim, a coragem de colocar-lhe uma placa, junto à Estátua do I Rei. A democracia tem caras para todos os gostos.

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publicado às 16:32


Quem as faz que as pague

por aquimetem, em 12.04.17

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 Em 2009, quando Guimarães soube que a ministra Isabel Pires de Lima, tinha promovido Guimarães a Capital Europeia da Cultura, aqueles que, desde 1990, esfregavam a barriga ao sol, graças ao poder totalitário que ali se instalara e que garantia tacho e penacho a alguns dos seus eleitores, redobraram, com a certeza de que, aqueloutros que não tinham tido esse privilégio sendo do mesmo clube político, iriam desforrar-se à mesa desse banquete, garantido até 2015, com os 111 milhões de euros provindos dos fundos comunitários e do orçamento geral do Estado, cinco anos de fartura. O «rei» da festa era o mesmo, acolitado por camaradas vips e alguns seus protegidos. Para encobrir essa festança foi congeminada a Fundação Cidade de Guimarães, para o que bastou encarregar um outro camarada da freguesia do Benfica, em Lisboa que se especializara no fornecimento de formulários para esse tipo «geringonças». Sendo Guimarães viveiro de muitos e bons juristas, logo esse ex-deputado que conhecera, anos antes na AR, o «rei» vimaranense, entregou 30 mil euros pelos estatutos da CEC. Estatutos feitos à medida do «dono disso tudo», O mesmo «reizete», por inerência de funções, passou a líder da CEC que convidou Cristina Azevedo, para diretora executiva, apenas dependente do dito cujo. Foi ele que estipulou os vencimentos e outras mordomias para todos os membros dos três órgãos, incluindo a senha de presença para ele próprio. Esses vencimentos vigoraram à volta de dois anos. E eram tão estapafúrdios que foram reprimidos e censurados no Parlamento. Baixaram 30% e, mesmo assim, ainda superiorizavam os do chefe de Estado. A dada altura Cristina Azevedo contratou o atual Presidente da Câmara de Braga, através de um contrato, a termo certo. Como ela não deu conhecimento ao «reizete», ele próprio, sem consultar os restantes membros do Órgão, despediu Cristina Azevedo. Este despedimento selvagem, enraiveceu o capataz e «dono disso tudo», apenas pelo facto de Ricardo Rio ser da oposição. Um tsunami nacional! Jorge Sampaio, que tinha sido convidado pelo «dono disso tudo», para Presidente do Conselho Geral, induziu Cristina Azevedo, a aceitar o despedimento, regressando à Neuronext. E que, posteriormente, seria ressarcida da diferença de vencimento. Ela aceitou mas pelo sim pelo não, pediu uma indemnização de 405.395,88 euros. E acaba de ser vencedora desse contencioso. O «saneamento político» que o «reizete» provocou, redundou em mais um «desemprego»: Carla Morais que fora contratada por Cristina Azevedo teve o mesmo desfecho. Carla Morais levou o processo até ao fim. Em Julho de 2016 o Tribunal dera-lhe razão, tendo de receber 206 mil euros que ainda estão por pagar. Do acordo conseguido após conversações, entre Jorge Sampaio e Cristina Azevedo, esta deveria receber 405.395,83 euros. Entretanto a CEC encerrou em 2013. As responsabilidades passaram para a Câmara. Mas o julgamento para ultimar os penduricalhos da CEC, só terminou em fins de Março de 2017. A Guimarães Digital confirmou a notícia do JN do dia 1 de Abril, informando que Cristina Azevedo reclamava uma indemnização de 422.544, 63 €, adiantando que a decisão ainda é passível de recurso, no período de 30 dias, a iniciar-se em dia 3 de Abril. Para já o Tribunal condenou a Câmara, a Direção Geral do Tesouro, mais o Gabinete de Estratégia Planeamento e Avaliações Culturais ao pagamento de 249 mil euros.
António Magalhães e Jorge Sampaio, deveriam ser responsabilizados por esses pagamentos. Quem as faz que as pague. É uma das obrigações da verdadeira democracia.

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publicado às 22:34

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 Por: Barroso da Fonte


A autarquia Vimaranense, mais a Direção Geral do Tesouro e o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais, acabam de ser condenadas a indemnizar Cristina Azevedo, no valor de 43.320, 39 mil euros pelo despedimento que António Magalhães assumiu ao despedir do cargo de Presidente da Fundação Cidade de Guimarães do cargo para que o próprio a tinha convidado. O Presidente do Conselho Geral da Fundação, Jorge Sampaio, solidarizou-se com o autarca Vimaranense e anunciou que se iria pagar àquela economista a verba que resultasse da diferença entre o que auferia antes e o que ganhasse no seu regresso à Euronext. Só que o seu posto de trabalho na Euronext, foi extinto. Pela extinção desse cargo foi indemnizada. E a verba foi descontada ao montante de 422 mil euros a que Cristina Azevedo tinha direito.
Só que o despedimento feito por António Magalhães, arrastou mais uma técnica: Carla Morais que fora contratada para Administradora financeira da Capital Europeia da Cultura. A mesma Fundação foi condenada a pagar 206 mil euros, que ainda estavam por liquidar. As três entidades, agora condenadas, terão que pagar conjuntamente, às duas técnicas superiores o total de 249.320 euros
A Guimarães Digital confirma a notícia do JN do dia 1 de Abril, informando que Cristina Azevedo reclamava uma indemnização de 422.544, 63 € e, adianta que a decisão ainda é passível de recurso, no período de 30 dias, a iniciar-se em dia 3 de Abril.
Recorde-se que a Capital Europeia da Cultura decorreu em 2012 e, aquando do seu encerramento, as três entidades, agora condenadas, assumiram, com a Câmara, essa responsabilidade. Sabe-se, também pela imprensa que alguns dossieres ainda estão pendentes da decisão que agora vem a lume.
Os 111 milhões de euros deram para muita festa e muita farra. Mas ainda se ignora o desfecho do «tal grande sucesso» que as televisões mostraram, na abertura e no encerramento.
A abertura e o encerramento foram os dois únicos dias do ano de 2012 que deram àqueles que, apenas viram pelos diferentes canais televisivos, o primeiro e o último dias da Capital Europeia da Cultura, em Guimarães.
Neste caso a televisão serviu apenas para enganar papalvos. A realidade foi o inverso: um fiasco.
Quem vive nesta cidade e neste concelho e não estivesse fidelizado ao partido do poder local, aceitava os incómodos, com o desarrumo caótico que se viveu nos anos de 2009 até 2012. Obras por todos os becos, gruas e máquinas da construção civil, numa barulheira infernal e sistemática; estacionamento inimaginável, Largo do Toural e centro histórico, numa espécie de Vale dos Caídos, como no pós - restauro de um sismo de grau 7. Para qualquer reclamação, logo vinha a eterna desculpa: aguenta que são obras para a Capital da Cultura.
Até que o ano chegou. Os residentes apenas tinham suportado e vivido quase três anos de inferno. Num ou noutro restaurante, viam-se grupos engravatados, carregados de sacos ao tiracolo, como se fossem escoteiros a preparar-se para acampamento.
Meia dúzia de prédios em ruínas, fábricas abandonadas ou em vias disso, viam-se em obras misteriosas,incluindo o antigo mercado municipal.
Ouvia-se dizer, aqui e ali, que tudo estava em preparação, para uma espécie de comício do partido do poder local, para mostrar as capacidades operativas dos 111 milhões de euros, vindos da Europa na sua maior parte e do governo central o restante.
O cérebro daquilo tudo era, por inerência, o presidente da Câmara que já se aguentava no comando da cidade, há cinco mandatos consecutivos e que não havia oposição que o destronasse, nem processo jurídico que lhe metesse medo.
Os Vimaranense andavam todos iludidos com o milagre dos 111 milhões de euros. Mas tantas esperanças, tanto ilusionismo, tanta fanfarronice, cedo começou a dar sinais de que a criança nasceria deformada. E resultou num monstro, esse parto mal sucedido. A festança deu congestão.
Lemos na imprensa de época que o capataz da cidade, a levar por diante, o auto-convencimento de que era o dono disto tudo, iria fazer companhia, na cela 43 ou 45 da cadeia de Évora, onde se encontraria, tempos depois, o seu camarada Sócrates. A CEC foi o maior branqueamento de dinheiros comunitários e nacionais que se operou à vista de todos. A cidade ficou com onze elefantes, com dentes arreganhados, à espera de presa para a sua fome. Desde a Casa da Memória, à Plataforma das Artes, desde a residência da Rua da Rainha, ao enjeitado Jordão, desde o arqueológico aquário de Couros, ao centro de Experiências da Pisca, desde o centro da arquitetura da Caldeiroa, aos solavancos aquáticos das Hortas, tudo cheira a corrupção, a incompetência, a malfeitorias que a justiça não quis ou não tinha competência para reprimir. Nem vislumbres à vista.
Esse capataz que tentou ser «o dono disto tudo», que saneou técnicos da oposição, que apadrinhou camaradas para todos cargos da festança, que comprou fábricas falidas para perpetuar a memória da cidade, foi condecorado pelo Presidente da República, na Cidade da Guarda. Mais uma «cavacada». O laureado passeia-se hoje, por aí, como rafeiro que não tem coleira para seguir o caminho da normalidade. Barriga farta, consciência impura.
Os 249.320 mil euros que a Câmara de Guimarães terá de pagar a Cristina Azevedo e a Carla Morais, deveriam ser pagos pelos seus responsáveis: da Câmara e do Presidente do Conselho Geral da Fundação. Aquele por sanear e este por prometer o que não podia cumprir.

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publicado às 22:04


Não é jornalista quem quer

por aquimetem, em 19.02.17

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De Barroso da Fonte

 E o jornalismo é uma atividade que deve estar imunizada contra os vírus sociais, comerciais e políticos. Sem jornalismo sério, isento, oportuno e espevitado, a democracia não funciona na sua pureza original.
O conceito de Jornalista anda adulterado por razões políticas.
Na década de oitenta do século passado deram-se passos decisivos em Portugal para regulamentar o seu exercício, colocando-o no patamar que lhe compete. Tal tarefa não foi fácil mas foi meritória. Em consequência dela mudaram-se muitas atitudes sociais, extinguiram-se alguns vícios e desbloquearam-se meios tecnológicos e até mentais. Alguns órgãos de informação acabaram, outros os substituíram e o sector evoluiu, nuns casos para melhor, noutros casos para pior.
Passado um quarto de século olha-se para trás e nota-se que nem tudo foi bom. Sobretudo na proliferação do conceito de Jornalista e do seu exercício. Desprezou-se o primado do essencial, em relação ao supérfluo. O que não tem interesse de maior para a felicidade dos cidadãos, sobrepôs-se aos valores absolutos que não devem, nem podem, perturbar o primado da democracia.
Os órgãos de informação deixaram de ser, veículos de uso permanente ao serviço de todos, para serem armas de arremesso dos poderosos contra os indefesos. E para que essa tramoia vingasse,onde deviam colocar-se jornalistas colocaram-se jornaleiros,em vez de técnicos da escrita,escolheram demagogos, panfletários de palavras ocas, talhadinhas ao gosto dos mandantes.
Resultado: o papel que cabe aos jornalistas e ao jornalismo, retirou-se do léxico da profissão e da sua serventia,para se entregar a comissários políticos que povoam as televisões, as rádios e os jornais do jetset.
As Universidades passaram a formar jornalistas, ensinando o abc da profissão. Mas os mercados estão pejados de comentadores residentes,que faturam por processos ínvios,os serviços prestados à margem de leis que alguns deles ajudaram a fazer.
A opinião pública vive intoxicada com debates grotescos,pífios e rafeiros. De manhã à noite, de todos os dias, em todos os canais que justificam a sua existência com informação pura, nada de novo, porque se repetem as caras, se ouvem as mesmas vozes, se multiplicam os insultos.
A Comissão da Carteira Profissional,de dois em dois anos, informa os seus legítimos detentores com esta assertiva linguagem:
«a CCPJ lembra que o exercício da atividade jornalística sem título profissional válido constitui contra-ordenação punível com coima de 1.000 a 7.500 euros». E avisa mais: «A admissão ou manutenção de pessoas, por parte das empresas, para o exercício da atividade jornalística, sem que, para tanto, estejam legalmente habilitadas, constitui uma contra-ordenação, punível com coima de 2.500 até 15.000».
Todos os dias lemos, sobretudo nos Jornais diários, deputados que se dão ao luxo de aporem junto à foto, para impressionar: nome, acrescido de: «deputado e professor universitário». Nas televisões chegam a constar nas fichas técnicas. Nos casos de comentadores «residentes»,auferem verbas regulares pela sua presença. Em todos os casos há um atropelo ao Estatuto jurídico da Comunicação Social. Se não houvesse jornalistas capazes, ainda se tolerava. Mas com tantos profissionais no desemprego, por que não acabar com acumulações esdrúxulas,injustas, antidemocráticas e,sobretudo, a com cheiro a esturro.
Vivo numa cidade que na última década do século passado tinha sete jornais. Hoje tem três. E um desses apareceu há um ano para ser a voz do partido do poder. Mas o poder nesta cidade está tão enraizado, tão entranhado, tão viciado que mais parece o partido único de outros tempos. Pois esta cidade e este partido único acabam de ser confrontados com um novo jornal, cujo estatuto editorial é assinado por Armindo Costa e Silva, acrescido de Presidente da Comissão Política Concelhia do PS. Este senhor é, nem mais nem o menos, o administrador do SMAS que se traduz por Serviço Municipal de Águas Saneamento.
Tem o título de «Guimarães merece – Jornal do Partido Socialista de Guimarães – Janeiro de 2017» Tem 16 páginas, todo a cores e em tudo é um órgão que só peca por não ter ficha técnica.
É,pois um jornal sem registo, sem depósito legal, sem domicílio e, certamente, vem poluir a cidade, já de si muito poluída a todos os títulos.
Saberá a ERC- Entidade Reguladora da Comunicação da existência deste novo periódico que se presume mensal?
Se a moda pega e não há organismos que controlem esta bandalheira, qualquer dia há charlatanice em vez de informação, há ofensas onde deverá existir civismo e há desordem onde apenas deve haver disciplina.

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publicado às 12:34

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Por: Barroso da Fonte

O atual governo tinha prometido reverter, praticamente, tudo aquilo que o governo anterior fizera.
Um governo que faz promessas desse estilo revela mais ódio do que bom senso. Porque mexe com pessoas, com serviços, com estruturas que custam balúrdios ao erário público e, para desfazer o que foi mal feito, destrói trabalho, esbanja o que estraga e consome, com vinganças, novas somas de dinheiro que seria muito mais útil em serviços inexistentes. Esse hábito de desfazer quem chega, o que o anterior deixou feito, é, declaradamente, um grave erro. É um erro pior do que aquele que pretende corrigir.
Recentemente a Câmara de Lisboa resolveu inutilizar a ampla Avenida da República e introduzir um novo figurino que, a avaliar pelos testemunhos que os media repercutiram, não facilita a circulação de pessoas e de viaturas. A centenas de milhões que ali foram investidos dariam melhores frutos se investidos na construção de casas para os sem-abrigos. Só que as eleições na apetecida Câmara de Lisboa não se ganham com a resolução de situações sociais, mas materiais. Têm que ser espaços de fachada opulenta e com um centro propício à colocação de uma placa vistosa para esculpir o nome do político que ordenou esse seu desejo.
O exemplo de Lisboa simboliza o que se passa em qualquer vila ou cidade de outras zonas do País.
Em Guimarães, onde vivo, com os 111 milhões destinados à realização da Capital Europeia da Cultura, deu-se um reboliço que mexeu com todos. Cometeram-se dezenas de erros urbanísticos de toda a ordem. Esse programa europeu ficou na retina de quem viu e gostou de dois espetáculos primorosos: a inauguração e o encerramento. Tudo o mais foi fachada, maquilhagem, confusão urbanística e um amontoado de ideias e de projetos, dos quais resultaram frustrações, falências, logros, numa palavra: um fiasco.
Em 2009, quando foi feito o anúncio da CEC, Guimarães vibrou de euforia. Quando se soube que viriam 111 milhões, anunciados pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, todos os comensais da área do poder, esfregaram as mãos de contentes porque tanto dinheiro nunca mais acabaria. A cidade acordou como se tivesse acontecido algo de fantástico. Tal desarrumação durou até 2012. E para qualquer reclamação vinha a desculpa: tenham paciência,isto é por causa da CEC.
Ora da CEC ficaram na retina apenas dois momentos: a inauguração e o encerramento. Dois espetáculos de excelência que iludiram milhões de tele-espetadores. No meio desses programas e programinhos houve quem vendesse prédios urbanos, devolutos, condenados a ruínas de longo curso, para museus, casa de estudantes, laboratórios da paisagem, albergue de arquitetura, casa da memória...
De Lisboa, Porto e arredores chegaram técnicos, formaram-se orquestras, editaram-se mais de uma centena de livros e publicações cor-de-rosa.
Seis anos depois ainda há processos de indemnização para resolver. Só um desses reclama 400 mil euros- A viatura do Presidente da CEC, apodrece num parque da Oficina. Foi o JN que a mostrou.
Meia dúzia de mamarrachos às moscas. A Casa da (triste ) Memória, já tem montões de queixas.
O gabinete de imprensa para liderar essa opulenta comandita funcionava em Lisboa. Constituiu-de uma Fundação para gerir essa panóplia de intenções. O partido do poder que já tinha poderes a mais, reforçou essas lideranças. Toda a gente ganhava dinheiro pelas vindas à cidade para a qual traziam ideias e levavam prémios. Dizia-se à boca cheia que a CEC publicou mais de uma centena de livros. Esses livros terão vindo e voltado com quem os coordenou. Nós que somos pessoa de livros quisemos comprar uma coleção dessa centena. Nunca soubemos onde encontrá-los.
Soubemos que uma boa parte desses livros estiveram armazenados, ao longo de anos. Publicava-se um ou outro. Mas ninguém tinha acesso a eles. Só para os amigos.
João Serra que foi o chefe da Casa Civil do Dr. Jorge Sampaio, quando este foi PR, terá ficado desempregado. E o chefe, por solidariedade, deve tê-lo convidado a acompanhá-lo. Como A. Magalhães, ao seu estilo ditatorial, saneou Cristina Azevedo, da Presidência da CEC, por esta ter admitido o Dr. Ricardo Rio por um contrato de seis meses, ela deixou o lugar para o Prof. João Serra. Sempre a família política a gozar com o dinheiro de todos. Volvidos seis anos esse processo do saneamento, na altura mediado pelo Dr. Jorge Sampaio, com a sua capa partidária, diluiu a gravidade do despedimento selvagem. Cristina voltaria para a CCRN e a CEC pagaria a diferença de salário. Só que como disse ao JN o vereador da Cultura, de Guimarães, o dinheiro da CEC (ou da Câmara), guardado para essa indemnização, entretanto, foi gasto noutros fins. E Cristina Azevedo, é, desde aí, colunista residente do JN. Exige ela 400 mil euros para que Magalhães e o Conselho de Opinião durmam sossegados. O diferendo prossegue, na exata dimensão da CEC que tem meia dúzia de mamarrachos às moscas nos quais gastou muitos milhares de Euros.
Apesar destas cumplicidades de muitos implicados, José Serra, no flash do JN de 21 de Janeiro veio elogiar a CEC e o Vereador da Cultura da Câmara de Guimarães. Num corajoso gesto de agradecimento político, não se coibiu de defender o passado cultural de Guimarães ao afirmar que «foi (a CEC) uma excelente aposta, bem como a Casa da Memória». Disse mais: «Penso que a CEC foi um momento que potenciou, pelo menos, duas décadas de política cultural consistente».
O 2º Presidente da CEC, nos cerca de 3 anos que esteve em Guimarães, não investigou a verdade. Investigou apenas aquilo que lhe interessou dizer pelo emprego que lhe entregaram por causa do saneamento da sua antecessora. Irei demonstrar isso em livro em preparação.

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publicado às 18:41


António Costa tem mau perder

por aquimetem, em 25.01.17

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 Por: Barroso da Fonte

Quem acompanhou o último debate parlamentar, dia 17 de Janeiro, deve ter-se rido a valer, com o cinismo com que o primeiro ministro liderou essa tarde de sol de inverno. Tinha chegado da Índia, feliz com o regresso desses pedaços de Portugalidade, que guardam, a sete chaves, expressões linguísticas que são o nosso orgulho. Gostámos das imagens de Goa que deixámos nos meados do século passado. Presumo que terá valido a pena essa romagem de saudade e de orgulho quinhentista. O futuro o dirá. Ainda com esses sabores orientais nos lábios, falou pelos cotovelos no primeiro debate parlamentar do ano. A dado passo acusou o líder parlamentar de que «tinha mau perder». Passos Coelho gostou dessa afronta porque Costa estava a ver-se ao espelho.
-Então não foi o Senhor que afrontou, com esse mau perder, a anormalidade democrática, ao celebrar um acordo contra nature, com toda a esquerda, rejeitando quaisquer conversações com a direita? Não foi por essa via que chegou a primeiro ministro, cargo a que nunca ascenderia, porque perdeu as eleições que eu ganhei? Quem acusa quem? Nem com essa farsa picaresca, fruto do mau perder, António Costa moderou o tom da sua vozearia. Assunção Cristas chamou-lhe mentiroso com todas as letras. A primeira inverdade ficou no ouvido dos ouvintes: - que o acordo com Concertação Social entrava em vigor no dia seguinte, quando apenas deverá vigorar a partir de 1 de Fevereiro. Se vigorar! Em segundo lugar ao garantir que esse acordo estava assinado por todos os intervenientes, quando, pelo menos três deles, ainda não tinham assinado. Tinha António Costa a intenção. Mas ele sabe, como jurista, que uma coisa é o facto e outra é a intenção. Para saber isso nem é preciso ir a Coimbra. Como as mentiras dos políticos valem mais do que as verdades de muitos que os elegem, como é o exemplo dos deputados, António Costa prosseguirá o seu passeio, de braço dado, com a esquerda e com o guarda-chuva Presidencial. Quando o guarda-chuva lhe fugir com o vento, Costa ainda vai ter que engolir: - Volta José Seguro que estás perdoado...
O deputado Europeu Nuno Melo, no JN de 19 seguinte, clarificou a geringonça em que António Costa se enrolou e nos enrola todos os dias, como acaba de acontecer com a retirada daquilo que é nosso: o dinheiro sagrado dos reformados e dos funcionários públicos no ativo.
Voltando às Geringoncices de Nuno Melo: «mandaria a prudência que, pretendendo o PS uma solução com a Concertação Social, que violava necessariamente as garantias dadas ao BE e ao PEV, António Costa, ao menos, chamasse Passos Coelho e Assunção Cristas às conversações. Mas não. Em outubro de 2015, quando o PSD e o CDS queriam formar Governo, por terem vencido as eleições, Carlos César dizia que, na falta de maioria, Passos Coelho era obrigado a "dialogar com o PS", não podendo "tratar o PS como se fosse o CDS". Perceba então o PS que o CDS e o PSD também não são o PCP, o BE ou o PEV. Felizmente. Se têm a maioria, governem-se. E já agora, governem». Aquilo que os Portugueses querem é que o país viva em paz social. Nada tem faltado a essa paz social, graças, sobretudo, ao Presidente da República. Parece ser inata essa bonomia Marcelista. Mas com outro PR que se remetesse ao silêncio, não fosse tão beijoqueiro e, sobretudo, não se vestisse de Pai natal e de bombeiro voluntário em cada percalço que se adivinha, António Costa não teria a paz social que a providência presidencial antecipa, como se de «milagres» se tratasse.
Desta vez esse providencialismo terá dificuldades em sobrepor-se ao anúncio que o PSD já tornou público. O CDS fica-se pela abstenção. Se António Costa não tivesse criado a geringonça, a oposição deveria viabilizar o acordo da Concertação Social. Como, para chegar a primeiro ministro, rastejou até consumar o «casamento», tem o dever de entender-se com a pareceria a quem se entregou para quatro anos. O povo tem princípios filosóficos para este tipo de litígios: «quem lhe comeu a carne que lhe coma os ossos».

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publicado às 12:48


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