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 Por: Barroso da Fonte

Foi em 6 de Dezembro de 1185 que morreu o Fundador de Portugal. Na FNAC de Guimarães, será apresentado às 18,30 h o livro sobre a Saga da Santidade de D. Afonso Henriques que pretende invocar essa data e esclarecer a comunidade cientifica de que, em Julho de 1728, foi defendida e editada, em Roma, uma tese doutoral onde se demonstra que o nosso primeiro Rei,foi «Pio, Beato e Santo». Essa tese foi investigada pelo Teólogo Vimaranense e Cavaleiro da Ordem de Cristo José Pinto Pereira que foi destacado durante 29 anos pela Cúria Romana.

Com base nas muitas lendas e indícios de santidade, entre o nascimento, em 25 de Julho, em Guimarães e a sua morte em Coimbra, em 6 de Dezembro de 1185, o nosso primeiro monarca, sob o signo da predestinação, tudo fez para autonomizar o novo Reino, tudo tendo feito, em ordem ao bem-estar do povo e à  expansão da religião católica.

 Foram dez os argumentos em que esse Teólogo se apoiou para concluir que Afonso Henriques não teve vida fácil, mas sempre agiu em conformidade com os princípios da sã convivência humana e divina.

Desde a Batalha de Ourique, em 25 de Julho de 1139 , em que venceu os cinco reis Mouros, até ao encontro, do seu Corpo, incorrupto, na Igreja de Coimbra, onde jaz, foram dois dos indícios de Santidade analisados.

A essa tese chamou o Teólogo José Pinto Pereira Lusitano: «Aparato Histórico». Foi escrito em Latim, o que terá contribuído para se manter inacessível à  comunidade cientifica, quer nacional quer estrangeira.  Durante 283 anos, embora publicada, em Roma, na Tipografia Rochi Berrnabò, em MDCCXXVIII (1728), a obra foi engavetada.

O autor esclarece que referiu «estes favores extraordinários, não só em vida, como depois da morte, referidos neste Aparato na mesma língua em que foram escritos, para que nem um só jota ou ápice faltasse na Versão; esta será talvez dada depois em idioma Latino em favor dos Estrangeiros para os quais o nosso e o Espanhol ou não são suficientemente conhecidos ou absolutamente estranhos».

 José Pinto Pereira explica por estas palavras as razões de escrever o livro em Latim, a pensar nos estrangeiros visto que por essa altura nem a língua espanhola nem a portuguesa, tinham a importância que têm hoje.

Fosse como fosse, já passaram 832 anos desde a morte do Rei Fundador de Portugal. E já passaram 878 desde que lhe apareceu, na véspera da Batalha de Ourique, a hierofania  da visão divina a garantir-lhe que iria vencer os cinco reis mouros, o que se concretizou. Desde essa altura brotaram os primeiros perfumes da santidade que até hoje se adensaram na opinião pública.

 José Pinto Pereira confrontou-se com essa dúvida que chegou até nós. Mas ele por ser Teólogo, por ser cavaleiro da Ordem de Cristo e, nessas circunstâncias privilegiadas, conhecer as regras, os métodos e as  formas de agir, investigou até à  exaustão, as lendas, os mitos e as tradições, para que, separando  as águas, pudesse chegar a conclusões.

Só motivações de força maior poderiam interromper aquilo que era fácil: iniciar o processo de beatificação, a exemplo de outros casos, como foi, entre nós, o do beato D. Nuno de Santa Maria.

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publicado às 11:01

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O paí­s vive sem rei nem roque. Tudo por causa da geringonça. António Costa deixou-se seduzir pelas sereias do BE. E, por cada decisão que toma, tem de violar o refrão que, jurou seguir: «palavra dada é palavra honrada».

 Sem tirar nem por. Foi vedeta na abertura da Web Summit. Tudo ia correr bem porque «ele era o primeiro ministro». Disse o que disse a brincar, mas saiu-se mal. Quando soube que o jantar de encerramento desse acontecimento iria ser realizado no Panteão Nacional, Costa arrepiou caminho e, antes que as manas Mortágua e a Catarina Martins lhe toldassem o discurso, surgiu ele a gritar contra a indignidade. Que era uma afronta aos mortos mais famosos do império português!

  Só aí­ se apercebeu de que o Web Summit fora realizado em Portugal por decisão do Governo de Passos Coelho. E que, indirectamente, os êxitos desse evento, seriam creditados na conta do seu adversário, mais temível como o demonstraram as últimas legislativas.

 Antes que aquelas sereias o admoestassem pela permissão do jantar à  luz das velas, em sítio tão propenso para os gritos satânicos, eis que A. Costa apontou logo os holofotes para ex-Secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier que produzira o Despacho para aquele e todos os museus, palácios e sítios públicos. Foi então que Costa retirou a indignidade satânica que propalara contra aquele governante de direita, sem coragem para demitir o Ministro de cultura ou a directora do Panteão. Pois se ele não teve coragem para demitir os ministros da defesa e da saúde como pode demitir aquela dirigente?

Pelos vistos A. Costa está muito mal assessorado. Porque nesse mesmo Panteão já ele jantara quando foi Presidente da Câmara de Lisboa. E a lei que foi feita pelo ex-Secretário de Estado, não foi contestada. Era extensiva a  todos os espaços públicos susceptíveis de terem interesse para gerar receita. E o primeiro ministro não pode, nem tem moral, para reprimir seja quem for por, desconhecer as regras do paí­s pelo qual é responsável.

Como cidadão tenho direito e força moral para deplorar mais esta peripécia política de A. Costa.

Explico-me e estou pronto a repeti-lo seja onde for.

 Em1990 fui nomeado director do Paço dos Duques de Bragança (em Guimarães). Encontrei uma gestão ruinosa da ordem dos 15/20 mil contos. Para que seis anos depois deixasse lucros  equivalentes aquele montante, tive que, pela primeira vez na Historia daquele Monumento, recorrer ao aluguer do átrio e salões do rés-do-chão. Sem prejuízo de qualquer espécie, transformei o Paço  na Casa de Cultura que Guimarães não tinha e no espaço mais nobre da cidade, para receções, casamentos, convívios e saraus musicais. Rendia tanto essa inédita valência, como os ingressos no Museu. Tal experiência quase me crucificou na imprensa e fora dela. António Costa estava ao lado de Jorge Sampaio, ao tempo secretário geral do seu partido, que distribuiu panfletos contra mim, através da secção local. Acusavam-de que eu vinha de pastor de vacas para dar cabo da Corte Real. Prova-se, agora, que o guardador de vacas, afinal andava, quase trinta anos,à frente do actual primeiro ministro que já jantara  no Panteão quando era Presidente da Câmara de Lisboa e que não teve sensibilidade bastante para perguntar que geringonça era aquela?

Como pode continuar a reclamar que, para ele: «palavra dada é palavra honrada»? Pelo menos tenha a  hombridade de pedir desculpa aos portugueses pela indignidade que atribuiu aos organizadores do Web Summit.

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publicado às 20:50


  1. barroso_da_fonte.jpgNa edição do Diário de Noticias, de 7/10, mas com base na Lusa, escreve-se, em manchete, que «O ministério Publico já abriu um inquérito ao caso da suspeita e fraude eleitoral em Montalegre, onde, nas últimas eleições autárquicas, centenas de emigrantes foram recebidos por um autarca no aeroporto Sá Carneiro e transportados para as autarquias onde votaram», regressando, de imediato aos países de onde vieram com transporte e refeições pagas. Segundo se lê na mesma fonte «o caso foi revelado pelo programa "Sexta às 9" da RTP que indicava que esses emigrantes tinham à sua espera, no aeroporto, o presidente da junta de freguesia de Meixedo e Padornelos, Ricardo Moura, recandidato nas listas do PS, no concelho de Montalegre. O programa mostrava que a entrada dos emigrantes nos autocarros que os aguardavam, era coordenada pelo autarca» que viajava no "lugar do crime" pelo facto de enjoar». Continua a ler-se no DN  que «no domingo seguinte, dia da votação, logo à  abertura das urnas, os mesmos emigrantes foram encontrados, pelo "Sexta-Feira às 9", a votar na freguesia, onde o presidente de junta acabou por ser reeleito: a União de Freguesias de Meixedo e de Padornelos». Estes acontecimentos foram filmados, editados e tele-visionados por milhares de cidadãos, nesses dias. E ainda circulam, e vão perdurar, online, assim como vai acontecer, com o debate radiofónico pré-eleitoral, entre os três candidatos, emitido pela rádio Montalegre e coordenado por um locutor flaviense que, sendo um antigo radiologista e repórter, sediado em Vila Real, não teve tarefa fácil nessa noite infeliz para todos os intervenientes. Foi mau de mais para a região de Barroso, para quem o viu e ouviu e até para as futuras gerações que hão-de lembrá-lo, para além delas. Uma pobreza franciscana, a todos os níveis, quer na linguagem, quer nos gestos, quer na chusma de palavrões, de infâmias, de jaculatórias, mais próprias das sextas-feiras 13, do que de representantes do povo ordeiro, sensato, prudente e calmo. Foram feitas nesse fórum afirmações de quem devia dar exemplos de civismo, de tolerância, de respeito e de democracia, através de palavras e de gestos que ofenderam, mais do que reconfortaram, os destinatários. Algumas dessas afirmações foram graves, por falsas, maliciosas e descontextualizadas. E não só para os presentes, como para com os ausentes, como a seu tempo se verá.

  2. Depois dessa tragicomédia mais apropriada para a bruxaria da «Sexta-Feira 13», que esteve bem mas que não apagou a memória desse debate, da excursão eleitoral e das evidencias reveladas pela RTP, no dia 6 de Outubro, que já  estão a ser alvo de averiguação judicial, esperava-se que no ato de posse dos eleitos locais, os excessos linguísticos, as injuriarias, as mentiras e as dislexias mentais, dessem lugar a palavras apaziguadoras, toleráveis, civilizadas e coerentes, para uma convivência serena nos quatro anos seguintes. Aconteceu o pior. Um discurso escrito, lido e apresentado em tom que agradou, naturalmente, aos bem intencionados, que batem palmas de boa fé, mas que desagradou a muitos convidados, aos neutros e até as crianças que perguntaram pelo significado dos foguetes, em semana e dia de luto nacional, pelas vitimas dos incêndios. E desagradaram, sobretudo, aos vereadores e deputados municipais que deveriam ouvir uma mensagem serena, pacificadora e propicia a preparar um ambiente de fraternidade telúrica e convencional para os quatro anos de mandato. As tomadas de posse dos políticos deverão primar pela serenidade, pela prudência, pela sã convivência social. Não pode ser um ajuste de contas, pelo que se deveria ter dito e ficou por dizer, ora no debate a três, ora nas 48 horas de reflexão obrigatória. Foram seis paginas penosas, provocatórias e indiciarias de que o reeleito edil se robusteceu nesta segunda vitória para incentivar os adversários,para inviabilizar acordos e para unir os barrosões. Impossível e inédito! 3. Orlando Alves, mesmo que tente regenerar-se dos maus fígados que mostra perante quem não vai com ele à missa, dificilmente o conseguirá. Teve alguns mestres, mesmo no seu partido, que poderia seguir, depois das campanhas eleitorais. Um qualquer presidente da Câmara, de Assembleia Municipal, de Governo, pelo facto de ter garantidos os votos da sua bancada, deve saber que não está livre de precisar do apoio da oposição para obviar projectos comuns. O Alto Tâmega epicentro de seis outros concelhos que nas últimas duas décadas concretizaram empresas comuns que precisam, entre si, da oposição. Orlando Alves sabe disso melhor que ninguém, porque é um político profissional. Está enganado se há situações como este flagelo dos incêndios que obrigam a classe política a unir-se em nome do bem comum. Nas decisões municipais que se tomam nas reuniões mensais ou quinzenais e que são obrigatórias, tanto peso tem o voto da oposição como do grupo que gere a Câmara. Cada um dos sete vereadores teve o mesmo numero de eleitores. O PS teve cinco eleitos e a coligação apenas teve dois. Já antes fora o contrário. Mas todos foram eleitos. E, a partir da instalação da Câmara, até final desse mandato, são todos vereadores, merecendo o mesmo respeito democrático. Perante palavrões de «boca suja», «aldrabão», «cale-se seu reles», «seja educado seu reles», etc, qual será a predisposição do vereador Carvalho de Moura para manter em publico, como em privado, a decadência e cortesia que são atributos indispensáveis à  cidadania mais elementar?

  3. Para quem não ouviu, nem tem acesso ao site da Câmara, onde estão gravadas, em papel timbrado da autarquia, as seis paginas do discurso de Orlando Alves, vale a pena obte-lo e guarda-lo. Talvez esse estilo seja útil ao Ministério Publico quando elaborar o relatório acerca do tom, do ambiente linguístico e da riqueza verbal e ética do grande beneficiado da eventual fraude eleitoral que mereceu caixa alta no programa da televisão pública «Sexta as 9». Pelas piores razões Montalegre correu mundo, como exemplo a não seguir, numa democracia plena. Esta mensagem que deveria ser uma espécie de água-benta para purificar, mais lembra lixívia que se usa, por engano, nos esgotos ou em roupa manchada. Mas foi o contrário, como iremos ver em crónicas posteriores. E mais do que isso: talvez o reeleito Presidente da Câmara de Montalegre venha a ser vitima do grito de vitória, quando afirma que os «ajustes diretos são instrumentos legais de que dispomos para que o dinheiro fique na nossa terra». Assim tem feito e «assim iremos continuar». Pela boca morre o peixe. Talvez esta bicada pretenda justificar «o polvo» que o jornal Noticias de Barroso levantou na edição 523. A resposta a essa decisão, que propõe para ser pratica corrente, foi condenada no último «Sexta às 9» quando se soube que, através de um contrato desses, pagamos todos 1 milhão e 460 mil euros a uma empresa de aviões que nem chegaram a levantar voo por causa da chuva. Os ajustes directos apenas são legítimos em situações excepcionais e até montantes condicionados. As leis europeias existem para serem cumpridas como as nacionais. O uso dos ajustes directos apenas está previsto para casos raros e em situações muito especiais. Incitar a sua generalização, num concelho e numa cerimonia deste cariz, é estranho que o presidente reeleito fatigue os convidados com pormenores técnicos que só visam desviar as atenções  para eventuais casos de consciência política. Em dia de luto nacional deitar foguetes de artificio, para anunciar a festa da provocação, de que estas seis paginas são prova clara de insofismável revivalismo, é um ultraje e uma afronta à  maioria dos Barrosões: aqueles que não votaram e  aqueles que perderam. Logo no 4º paragrafo, Orlando Alves ofende essa maioria que não teve direito a defender-se. Eis o epitáfio do presunçoso Presidente: «Passada a hora dos festejos e manifestações de júbilo com que os barrosões tributaram os vencedores enquanto os vencidos afogavam a magoa na promoção de danças  eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade...» Este autarca Barrosão, nem depois desta prova anti-democrática a que terá de responder perante o Ministério Publico, teve a sensatez de evitar a calúnia que as palavras sublinhadas encerram, as tais «danças eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade». Ao que chegamos!

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publicado às 11:02


Montalegre: a Catalunha portuguesa (?)

por aquimetem, em 28.10.17

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O reeleito executivo da Câmara de Montalegre, por distracção, por sobranceria ou para demonstrar a sua força política, programou e cumpriu o ato de posse, em clima de euforia tal que, a meio da tarde, houve descargas de foguetes que se ouviram nas aldeias vizinhas, para além da vila, sede do concelho. É bizarro que num concelho onde 80% das povoações não têm saneamento básico e onde o despovoamento rural é incessante, se celebre uma vitória eleitoral autárquica com foguetes, tanto mais que nos quatro dias anteriores e seguintes a vaga de incêndios provocou 45 mortes. Pior: o governo decretou e o PR promulgou três dias de luto nacional dias 17, 18 e 19, tal como fizera em Junho, em idêntico holocausto, em Pedrogão Grande e Castanheira de Pera. Montalegre marimbou-se para esse luto nacional, festejando, no preciso dia 18, a vitória da ostentação, da vingança e da velhacaria.

A primeira reunião de Câmara deste novo mandato ficou marcada pela apresentação de queixa, pela infracção cometida, provavelmente, por gente do PS, que não conteve a sobranceria política. Manifestando-se través  dos foguetes, imediatamente a seguir ao opulento almoço festivo, pago, certamente, pelos dinheiros da autarquia para cerca de trezentas pessoas, incluindo convidados e simpatizantes do partido que há 28 anos administra a Câmara, cometeu viários erros.

Carvalho de Moura, líder da força derrotada, que já no debate radiofónico pré-eleitoral, fora fustigado com a arrogância que Orlando Alves, repetiu, em seis paginas do discurso de posse - um documento histórico pela negativa, numa ocasião em que deveria prevalecer a pacificação para os quatro anos de mandato - ouviu o chorrilho de palavrões do Presidente da Câmara. A democracia tem destas encruzilhadas. O vencedor nas urnas, por ser mais novo 13 anos, do que o vencido, nunca poupou o adversário dos anos oitenta, que estivera em situação inversa, como presidente. Fora o primeiro presidente eleito durante três mandatos. Era tempo de vacas magras, ao contrário de hoje, em que o dinheiro sobra e dá para gastar à  tripa forra, sabendo-se que a União Europeia não tem comissões fiscalizadoras para investigar o destino dos fundos comunitários. Basta o exemplo da Ponte da Vergonha, na qual se gastaram mais de 500 mil euros, entre duas margens de um rio que seca no verão e que nunca lá passou, nem passará, qualquer viatura. Daqui a um século, para as gerações vindouras, esse cancro estará entre silvas e arbustos silvestres. Um ou outro pastor de ovelhas, pensará que se trata de um achado arqueológico, de uma ponte romana ou de uma anta mourisca, onde se escondem as bruxas, cartomantes ou tarólogas endemoninhadas que endeusaram o Padre Fontes que as descobriu na clausura do deus Larouco.

 As terras de Barroso dão para tudo, até para palco de romances como o Terra Fria, para centro de congressos das ciências ocultas, onde o sagrado e o profano se entrelaçam, ou ainda para ensaiar o paganismo mais concorrido, graças aos dons satânicos do mais mediático clérigo que as Terras de Barroso pariram, como o demonstram «as sextas-feira 13» em cada mês de coincidência temporal.

Depois do tempo de S. Bartolomeu dos Mártires que por aqui andou, esta região serviu para consagrar criativos das artes que marcam os progressos do conhecimento. Aquilino chamou-lhes Terras do Demo, Ferreira de Castro baptizou-as como Terra Fria, Miguel Torga preferiu trata-las por «reino maravilhoso». A quem aqui nasce, custa-lhe a abrir os olhos. Mas logo que desperto, faz-se a vida; enfrenta-a com estoicismo, vai à  luta com lealdade, dá a camisa do corpo pela sua gente e pela  sua grei. Mas sempre há excepções que escapam à  selecção natural. Essas excepções, por vezes, atingem patamares alheios que acabam por ruir ao menor vento.

O lamiré deste ensaio quase burlesco remete-me para o tema da indignidade. A política é uma arte traiçoeira. Não pelo significado semântico mas pela simbologia do eco que, em termos militares, se chama ricochete. De tão repetido, sem conteúdo heurístico, cansa e enerva quem merece que o deixem em paz e sossego. São cassetes gastas e regastas, que acabam nas lixeiras nauseabundas.

«O luto nacional visa relembrar ou reflectir sobre a morte de alguém que em vida teve acção significativa para o país ou homenagear as vitimas de catástrofes que provocaram grande numero de vitimas. O luto nacional de três dias decretado pela ocorrência do evento de excepcional relevância como os incêndios de Pedrogão Grande, Oliveira do Hospital e até o histórico Pinhal de Leiria são disso exemplo».

«Compete ao Governo decretar o luto nacional sob a forma de Decreto, submetido a promulgação do presidente da Republica. Durante os dias de luto nacional a Bandeira deve ser içada a meia-haste, em todos os edifícios públicos e encontram-se impedidos todos os festejos organizados ou promovidos por entidades publicas, devendo os mesmos, consoante o caso, ser cancelados ou adiados. Ou seja, entidades políticas, incluindo partidos políticos, são obrigadas a cancelar iniciativas». In Noticias do Funchal, 18/6/2017.

O Governo de António Costa decretou. Marcelo Rebelo de Sousa promulgou. Muita gente chorou. Nos nos jogos de futebol guardou-se um minuto de silêncio. A dor falou mais alto.

 Montalegre, que mereceu um programa especial da RTP «Sexta às 9», dia 6 de Outubro, mostrando políticos  de Montalegre a arrebanhar emigrantes, como quem vai numa excursão a Fátima, talvez por isso, numa espécie de ricochete à RTP e a quem viu essas imagens, estando proibido, nesses três  dias de luto nacional, não só festejou o triunfo, como se preveniu com pirotecnia adversa aos incêndios, como gastou esses foguetes, ao ar livre e em tom provocatório.

O Ministério Publico deverá  agir na proporção  da gravidade. Deverá averiguar se os autores da proeza que facilmente serão identificareis obtiveram a licença que é obrigatória e, a mando de quem cometeram essa leviandade.

 

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publicado às 16:20


24 de Junho, dia de Portugal

por aquimetem, em 23.10.17

 

 

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Por: Barroso da Fonte:

Em 1728 foi publicada tese que confirmou

Afonso Henriques: «Pio, Beato e Santo»

Em 24 de Junho de 2014 foi apresentado no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, o Aparato Histórico sobre a Santidade do nosso I Rei D. Afonso Henriques. Essa apresentação fez parte do programa comemorativo dos 886 anos da Batalha de S. Mamede. Tal obra chegou a ser mencionada pelos poucos Historiadores que dela souberam, como «a primeira História de Portugal». Foi escrita e defendida  em Roma, como tese de doutoramento de José Pinto Pereira, nascido em Guimarães (31/3/1659 -17/2/1733) e destacado para o Vaticano, onde permaneceu 29 anos, como Cavaleiro da Ordem de Cristo. Este padre Vimaranense, já nessa altura ouvia diferentes «estórias», acerca do primeiro Vimaranense. E por isso se dispôs a recontar a vida desse Português que fundou o País que fomos.

O júri aprovou a tese desse Teólogo, incluindo o Papa Bento XIII que deveria iniciar, em 1728, o processo de beatificação, perante a conclusão cientifica de que Afonso fora «Pio, Beato e Santo». A obra ficou conhecida como Apparatus Historicus. O livro fora escrito, em latim, como era comum, a esse tipo de obras relacionadas com a religião. O titulo, em versão latina, era usual nessa época e as palavras significam o mesmo em Português.

Coincidindo o aparecimento da obra com o corte de relações, entre Portugal e a Santa Sé o Aparato Histórico ficou impresso, mas silenciado durante os quase 300 anos que decorreram. Quando, em 2011, publicamos «Os novecentos anos de D. Afonso Henriques», o investigador Pinharanda Gomes elogiou o livro mas lamentou que nele não constasse esse titulo. Obtivemos um exemplar na Biblioteca Central da Catalunha e demos dele noticia na imprensa da época. Apelamos à  sua tradução. Apareceu um  leitor que nos pediu esse exemplar para confrontar com um outro que se encontrava no seu espolio. Confirmou-se essa hipótese. Ele próprio liderou um grupo com vista , à  tradução. Até aqui tudo decorreu bem, em grupo de cinco pessoas.

 Extintos os obstáculos, o liderante com o processo em fase de edição contactou a Câmara de Guimarães que até aí nada sabia do processo. O vereador da cultura foi sensível á  publicação da obra. E não havia data mais propicia para a sua apresentação: o 24 de Junho, feriado municipal, por assinalar a Batalha de S. Mamede, «a primeira tarde portuguesa». O leitor que mandara procurar o exemplar para se certificar se era igual ao seu e que, em boa hora, «descobrira» o tradutor, teve o bom gosto de encontrar dois académicos que, em tempo recorde, elaboraram dois valiosos contributos, interpretativos desse texto latino, já vertido para Português escorreito. Acrescidos de um texto afirmativo do Presidente da Câmara e outro do vereador da cultura, com um prefacio de 4 paginas do promotor da proposta de parceria por parte do nosso leitor, mereceram a aprovação dessa parceria que José Bastos justificou por estas palavras: «a sua publicação configura um processo de decisão por parte da C.M.G. O mero esquecimento da sua evidencia material, por um lado e o seu não patrocínio, por outro, seriam actos de passiva negligencia ou até de preocupante intencionalidade consciente». Com este pressuposto político a parceria concretizou-se numa edição de 500 exemplares ao preço de 60 euros cada  exemplar a custear pela autarquia. Só que o livro não saiu do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. Soubemos que apenas se venderam seis exemplares. E, a confirmar-se esse facto não abona ninguém, a começar pelo desinteresse do publico, mesmo tratando-se da figura eloquente do nosso Rei fundador. Essa obra pelo que representa e pela importância de, pela primeira vez estar, em lingua portuguesa é factor decisivo para velhos e novos que não saibam lidar com o latim.

Para obviar esta evidencia a Fundação Lusíada que inspirou e corporiza os objectivos da Ordem de Ourique, convidou-nos a coordenador de um livro, mais acessível, mais pratico e plural, na medida em que reúne testemunhos de quatro autores, sistematizando tudo quanto, acerca deste tema da santidade, se tenha escrito e ensinado. Quase quatro anos depois não se realizou qualquer evento académico. A Academia Portuguesa de História que protagonizou, em 2009, uma pirueta mais ampla do que o actual mapa de Portugal, fez orelhas moucas. E os departamentos de História das Universidades Publicas e Privadas, ou não têm dinheiro para actualizar as bibliotecas, ou não têm docentes sensíveis aos progressos científicos.

 Talvez ainda não tenham tido acesso ao Aparato Histórico que, sendo uma tese de doutoramento, defendida em Roma, deveria encher de alegria, pelo menos, o departamento das Faculdades de letras e ciências que funcionam nalguns dos seus núcleos, dispersos pelo Continente e Ilhas. Para não alegarem que ainda não tiveram acesso ao volume do Aparato Histórico, que está disponível no Arquivo Alfredo Pimenta, aparece, neste outono soalheiro, um novo livro que nasce por causa dessa nova forma de censura. Nas suas quase 400 paginas, os quatro co-autores, explicam e fundamentam aquilo que escreveram em fontes impressas da Lusofonia acerca deste tema. Alem desses quatro textos o leitor encontra o extractos que foram saindo, aqui e ali, sobre a Saga da Santidade de D. Afonso. Citam-se em português os dez argumentos ou «indí­cios de santidade» que andam no ar, como lendas ou ditos, alguns dos quais, analisados à  luz da ciência e da fé, foram considerados, pelos teólogos, visões do divino.

Uma seleção  substancial de testemunhos registados ao longo dos três séculos decorridos, permitem ajuizar acerca do estado de espírito que tão delicada matéria sempre conflituou entre sagrado e o profano. Por último o leitor actualiza, mediante a leitura de textos polémicos, as divergências entre aqueles que amam a História e nela satisfazem esse orgulho; e aqueles que a mercantilizam, adicionando peripécias que induzem mais do que deduzem, informam mais do que afirmam e especulam mais do que o bom senso recomenda. A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques não é mais do que uma explicação dos dez argumentos ou indícios de santidade de D. Afonso Henriques que permitiram proclamar, em 1728, a conclusão a que os mais qualificados Teólogos ao Serviço do Vaticano chegaram, da leitura da tese de José Pinto Pereira: que ele fora «pio, beato e santo».

Em 2009, o Papa Bento XVI, perante idêntica situação, relativamente a D. Nuno de Santa Maria, não hesitou em canoniza-lo.

Bento XIII, negou-se a atribuir ao cardeal Vicente Bichi, a nunciatura de Lisboa. E D. João V negou-se a receber, em Lisboa, D. José Firrão, que fora imposto por Espanha. O papa não teve coragem de satisfazer a vontade a D. João V, mas sim, em contentar Filipe IV, de Espanha. Impunha que o rei Português se ajoelhasse perante o homologo de Madrid. Por outro lado o cardeal Polignac combatia o seu homologo, Vicente Bichi. Face a essa birra, o monarca Português que deu muito mais a Roma do que Roma merecia, para expiar os pecados com as freiras de Odivelas, abruptamente, cortou relações, perdendo-se a beatificação de D. Afonso Henriques.

 Urge retomar este processo. E daí a oportunidade deste livro.

 

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publicado às 22:30

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Não é um plagio do belíssimo texto de Miguel Esteves Cardoso. é apenas  a confirmação de uma realidade introduzida na geringonça da toponímia linguística gerada pela léxico . Diz esse autor que um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada, do lugar onde se nasce, se vive ou se visita. E dá um exemplo: «um grande amigo que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu. Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia !

Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide».

 No corpo do artigo. Esteves Cardoso remete o trauma para a injustiça do endereço. E exemplifica:

«está-se numa festa e as pessoas perguntam, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos, Murtosa, Angeja ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola.
Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. Ao ler os nomes de alguns sítios como: Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para estar na Europa. Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente: "e a menina de onde é?", e a menina diz: - "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho).

para não falar em Picha, no concelho de Pedrogão Grande e de "Rata" em Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém Santiago do Cacem e Tondela. Ou -acrescento eu - “ Pica, de Fafe, onde o povo não sabe ler sem cedilha.
Temos, assim, em Portugal, uma "Picha" para 11 "Ratas". O que vale é que mesmo ao lado da "Picha", temos a "Venda da Gaita"... E ainda existe "Colhões", perto de Coimbra. 

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do "Garganta Funda". É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".
Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir. Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denuncia-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. Não há limites. HÃ até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!»

 Esteves Cardoso propõe que se proceda à  renomeação de todos estes apeadeiros. E «Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é Caseira, Vai Mais um Rissol. (Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um Percurso que vaí da Fome Aguda  à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Porico (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante), depois de ter parado para fazer um chichi em Alsaperna ".

 Leio este jocoso artigo de Miguel Esteves Cardoso no preciso dia em que uma mão cheia de amigos me questionam: - não tens vergonha de ser de Montalegre, onde votam 15 mil pessoas, num concelho que tem cerca de dez mil habitantes? Não deverá Montalegre seguir o exemplo da Catalunha?

Dia 6 do corrente a RTP, no programa Sexta Às 9, mostrou grande azafama no aeroporto Sá Carneiro, o presidente de Junta pelo PS  da Freguesia de Meixedo / Padornelos, a receber e a ciceronear meia centena de emigrantes que vieram de França para votar nele próprio. À RTP garantiu que já  faz assim desde  1972. Desde essa altura «nunca se mexeu uma pedra em Padornelos que não fosse eu  a mexe-la». O  presidente da Câmara que já leva 28 anos como autarca, corroborou esse hábito que já faz tradição, «porque os emigrantes lhe merecem esse afecto». A RTP mostrou que nas legislativas que, naquele concelho ganha sempre a direita (PSD/CDS) e com os votos reais. Ao invés, nas autarquias, desde  1990, quem ganha é sempre a esquerda (o PS). Mas nessa altura aparecem cerca de mais 1500 eleitores a votar. O Ministro Publico já está a investigar. Aquilino Ribeiro já lhe chamava as Terras do Demo. Mas as «bruxas» do Padre Fontes, desde 1983, tomaram conta dessas terras fronteiriças  que já conquistaram Chaves. Isto que se passa em Montalegre com as autárquicas é uma fraude democrática que nenhum poder judicial irá desvendar. O que a RTP mostrou no seu programa «Sexta Às 9», é  uma gota no oceano.

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publicado às 20:55

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Por: Barroso da Fonte

A reversão marxista deste axioma foi introduzida na política portuguesa por Pimenta Machado,há duas décadas, quando dirigente do Vitória de Guimarães.
Quase parece que a vinda do Papa a Portugal trouxe consigo a doença da vergonha e a raíz de todos os males. Os meses de Junho e Julho que se seguiram a Maio puseram a nú as fragilidades da democracia. Não há memória de tantos e tão trágicos atropelos à normalidade do sistema. Pior do que o incêndio de Pedrogão, Góis e Castanheira de Pera e do assalto ao paiol de Tancos só o terramato maior do que o de 1755 ou uma Batalha de Aljubarrota.
Se ainda houvesse nos governantes uma réstia de vergonha, não seriam apenas os três secretários de estado, nem a ministra da administração interna e o ministro da defesa a demitir-se ou a ser demitido. Todo o governo deveria entregar o poder ao Presidente da República e demitir-se do comando dos destinos do país.
O jornalista Alberto Gonçalves, no Observador do último fim de semana foi claro: « é gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras. Dão abraços».
António Barreto no suplemento do Correio da manhã de 9 do corrente respondeu a uma pergunta sobre o estado da nação: quando morrem 47 pessoas queimadas numa estrada nacional e desaparecem armas de guerra de paióis do Exército não lhe lembra o país que recebeu quando foi para o governo?»
- a morte daquelas 47 pessoas inocentes é mais dramática do que o roubo de armamento perigoso. O passa-culpas é uma das piores características da governação atual e talvez anterior. Para qualquer ministro, secretário de estado ou diretor-geral e ainda mais para os primeiros ministros, qualquer problema grave e sério é culpa do governo anterior. Isso é uma mediocridade política, de uma falta de honradez e de honestidade; e é, sobretudo, uma covardia e um oportunismo moral. Muito chocante. Quanto às florestas, há duas teorias: a de que somos todos culpados, pelo menos, desde Viriato, ou antes e depois há a de que as coisas têm princípio, meio e fim»
Questionado sobre se os partidos que suportam o governo são democráticos ou conseguem viver em democracia, António Barreto declarou que a «demoracia não é sagrada, nem vem em nehuma biblia. Ela é um arranjo entre classes sociais e forças políticas. Não é sagrada.É um estado e também um método de viver em coletivo. Não deve ser transitória nem instrumentalizada».
Sobre as férias em tempo de tão grave crise do primeiro ministro, António Barreto que foi Ministro da Agricultura, quando criou o slogan «a terra é de quem a trabalha» confessou que «na semana a seguir aos incêndios, andou a dar abraços e quando há tanta coisa para investigar, revelar, apurar, discutir, debater, reformar, na semana dos roubos, em Tancos, não há férias que resistam a isto.Ele deveria estar em Portugal em dez minutos e não dez dias ou uma semana depois».
António Costa tem sido protegido pelo guarda-chuva de Marcelo. Abandonou o país na hora mais grave. Duas catástrofes das piores da História de Portugal, provocaram uma terceira: o vazio de poder. Em vez de imitar ou fazer imitar o exemplo de Jorge Coelho que mal soube da queda da ponte de Entre-os-Rios, imediatamente se demitiu. Não esteve ele à espera de culpar os governantes que o antecederam na mesma área da governação.Foi pioneiro na moralidade política que deve fazer escola. Seguiram-se outros que fizeram o mesmo como o contador de «estórias». A ministra da Administração Interna, mais o ministro da Defesa e também o do ambiente tinham obrigação moral de fazer o que fez Jorge Coelho.Tiveram mais culpas os de hoje do que os de ontem. O PS de Jorge Coelho, era muito mais coerente com a ética política do que este PS de Costa que chegou ao púlpito, perdendo as eleições e chegando a primeiro ministro, aos ziguezagues do radicalismo mais paradoxal.
Enquanto António Costa esteve de barriga ao Sol fora do País, Portugal perdeu respeito, credibilidade e coerência. Não se deu tanto pela sua falta, porque o Presidente da República supriu, com vantagem, aquela ausência. Mas internamente reviveu-se o ditado: «Patrão fora, dia santo na loja». Esse desnorte mexeu com as Forças Armadas. Feriu o prestígio das instituições mais necessárias à defesa da Ordem, da Justiça e da paz social. Nunca em 42 anos de democracia um qualquer governo esteve tão fragilizado, um povo tão confuso e um futuro tão sombrio.
Na entrevista que A. Barreto concedeu dia 9 ao caderno do CM, afirmou que Costa é muito hábil. Mas hábil, ao contrário de ser ágil e pragmático, «já é um qualificativo venenoso, pois quem tem muita habilidade é um habilidoso e quem é habilidoso, também é manhoso, também faz artimanhas e ele é capaz de ter isso. Por exemplo, não sei o que está ele a fazer, agora, em férias, fora de Portugal». Este primeiro ministro, com um PR que não o abrigasse e o substituísse, sobretudo nas horas azarentas, não teria hoje a popularidade que tem perante o eleitorado. Há por aí uma empresa de sondagens, cujo responsável é militante socialista que aparece regularmente a branquear as horas impopulares. Armando Palavras, no Blog Tempo caminhado de 9 do corrente, escreveu: «Em 2015, cerca de meio ano antes das eleições de Outubro, dava ao PS a maioria absoluta. Em meio ano essa maioria absoluta escorregou para uma derrota estrondosa. Se não fosse a incoerência dos partidos da esquerda radical, António Costa, estaria hoje fora da quadratura do circulo porque Seguro e os Seguristas já teriam «arrumado» esse habilidoso, manhoso e oportunista.
O debate sobre o Estado da Nação de quarta-feira, 12, no Parlamento foi a consagração da máxima marxista que Pimenta Machado retirou do Futebol e a introduziu na política Portuguesa:
«O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira». Toda a esquerda eriçou o pelo, abjurou os valores programáticos e beatificou António Costa e os seus muchachos, a começar pelo galarispo João Galamba, só comparável ao senhor José Manuel Coelho, da Madeira. Nem à pateada se cala!

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publicado às 13:47


Trás-os-Montes marca o ritmo da cultura.

por aquimetem, em 14.06.17

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Por: Barroso da Fonte

Na semana em que rebentou o escândalo no Convento de Tomar que «Sexta às 9» da RTP, difundiu e que – se não fosse a geringonça - já teria exigido a demissão do ministro da Cultura, cá por cima, continuam as estruturas culturais a marcar o ritmo que se faz e que os urbanos não conseguem vislumbrar.
Cá por cima fazem-se coisas, coisas boas, bastando sacudir os teares, repor as campainhas das vacas, no dorso dos gericos ou das cabras e carneiros, por troca com as vacas, que já não há quem as toque. Desses guizos, dessoutros chocalhos que os Caretos usam nas festas do carnaval e desses cornos retorcidos, que se colocam atrás das portas da cozinha, para afastar as bruxas, faz-se melhor festa do que essoutra que enche os ouvidos das moças atordoadas, com os auscultadores, rua fora.
Se as televisões mostrassem o que por cá se faz, os alfacinhas não se distraíam com a feira do livro que é grande no espaço e tem papel a mais e livros a menos.
«Cá por riba», as feiras do livro, têm os livros do povo que não entram nas Fnac´s, na Leya, no Circulo do Leitores.
Há um fosso cada vez mais profundo, entre o norte e o sul, entre a cidade e o campo, entre os chinelos de pé raso e o salto alto de quem nunca andou descalço.
Desde o Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, à Biblioteca Adriano Moreira, em Bragança, que alberga a Academia de Letras de Trás-os-Montes; desde a Feira do livro, em Montalegre, ao Grémio Literário, de Vila Real, ao Centro Cultural Aquae Flaviae, ao Fórum Galaico- Transmontano, em Valpaços; desde o Festival Literário de Bragança, às Feiras do livro em Mirandela, tudo mexe e remexe, gerando solidariedade, por troca com os moinhos de centeio, de todos os rios de Trás-os-Montes que mataram tanta fome, a contrastar com tão ignóbil esquecimento dos dia de hoje. As gerações que formam, hoje, os quadros da vida ativa do País, morrerão sem nunca saberem o que foram os moinhos, que importância tiveram na vida das pessoas e como
é doloroso, não se fazerem levantamentos sobre aqueles que existiram, alguns dos quais, caem de pé, como as árvores. Foi um tipo de construção artesanal, que demonstra a capacidade humana daqueles que nos antecederam e envergonha os professores que não souberam, nem quiseram ensinar, os artesãos que não reivindicaram a sua continuidade e, sobretudo, os políticos locais. Quantos autarcas se deram ao cuidado de mandar fazer um levantamento e reconstituição de património?
Enquanto escrevo estas desconexadas ideias, obviamente breves, reparo na televisão que mostra as cerimónias do Dia de Portugal. Este ano com cenário é diferente. Do Porto veio o nome de Portugal. É simbólica esta escolha. Mas continua a ser mal ensinada a História nacional. É que Portugal não começou noutro sítio, que não fosse na Batalha de S. Mamede, em Guimarães. E essa «Primeira tarde Portuguesa» não aconteceu em 10, mas em 24 de Junho de 1128. Foi há 889 anos. Tudo o mais que se seguiu faz parte da odisseia Portuguesa. Em 1580 faleceu Luís de Camões. Foi há 437 anos. Mas o dia dos nossos anos, é aquele em que nascemos. A data de 10 de Junho menoriza a Pátria que já tinha 452 anos de idade, quando morreu Camões.
Muitos dos que nos têm governado nestes quase nove séculos de História, mamaram nela mais do que lhe deram. Muitos daqueles que levaram a vida a escrever história, mercantilizaram mais do que deviam. E, alguns desses usaram-na para nela se perpetuarem. Autofagia em plenitude.

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publicado às 18:46

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 Por: Barroso da Fonte

«O 13 de maio ainda é o que era. Se calhar, nunca foi tão avassalador como este. O centenário das aparições em Fátima na presença do Papa? Benfica a caminho de um inédito tetra? Salvador Sobral na iminência de mais um brilharete no Festival da Eurovisão? Tudo a 13 de maio? Os três F (futebol, fado e Fátima) de outros tempos reganham força em 2017, só com uma pequena substituição musical. Os portugueses vão voltar a estar bem entretidos neste sábado, com vários tipos de emoções ao rubro, de manhã, ao final da tarde ou à noite. Assim não se perde pitada».
Esta questão foi colocada por Gonçalo Palma, ao meio dia de 12 do corrente, no seu blogue. Na noite do dia 13, tudo se tinha cumprido: Fátima foi o palco mundial, dignamente programado, os dois mais jovens Santos da Igreja Católica, foram canonizados na terra em que nasceram, o Papa regressou, sem qualquer incidente; e os dois feitos naturais que se seguiram nesse mesmo dia - : a vitória do «tetra» para o Benfica e o triunfo de Salvador Sobral, no festival da Eurovisão, foram tão surpreendentes que levaram muita gente a interrogar-se sobre se tão invulgares sucessos, na mesma data, ato contínuo à despedida do Papa Francisco, ainda naquele clima emocional do Santuário Mariano, não seriam sinais (ou hierofanias = manifestações) do divino.
Não sou teólogo, não sou exemplo para ninguém sobre a minha religiosidade, sou crente, a religião que professo dá resposta às minhas dúvidas e, depois de tantos fracassos pessoais e comunitários, sempre esperei que um dia fosse surpreendido por qualquer sinal, vindo do alto.
Mais me convenci deste sortilégio pela paz interior que as imagens de Fátima me tocaram: a felicidade de ver tanta gente, irmanada, vinda de tão longe e em condições tão adversas, que nenhum conselheiro humano, por mais convincente que fosse, seria capaz de exercer em mim ou noutros como eu, influências tão fortes e tão generosas. O fato de ver e ouvir o Bispo de Fátima, António Marto, anfitrião dessa moldura humana, sendo ele um Transmontano (de Tronco, Chaves), que foi meu condiscípulo seis anos (entre 1957 e 1962) reconfortou-me tanto, esse orgulho telúrico e humano que eu próprio partilhei essa gratidão interior que terá sido extensiva aos antigos alunos do Seminário de Vila Real.
Recordo aquilo que essa minha geração viveu. Por sermos oriundos de famílias numerosas e sem rendimentos, não podíamos optar pelos liceus e escolas públicas. A alternativa eram os seminários. Essa diferença social refletia-se pela vida fora. A classe livre e a classe pobre. Aquela refugiava-se na liberdade de nada lhe faltar para «cultivar» o sinal distintivo que os superiorizava no estatuto académico e profissional. Esta sujeitava-se à seleção natural: uns «marravam», eram zelosos e impunham-se pelo saber e pelo cumprimento rigoroso da disciplina interna. Outros transigiam e, aqui ou ali, davam sinais de insegurança pelo que iam abandonando.
Pertenci a este número. Mas nunca me arrependi, antes mantive pela Instituição, pelos professores e, sobretudo pelos meus condiscípulos, total solidariedade, admiração e respeito.
Gilberto Canavarro Reis,(1951), Amândio Tomás (1955) e António Marto (1957) prosseguiram estudos e ascenderam, por mérito próprio, a Bispos. Ainda estão todos vivos e, felizmente, com saúde. São o nosso orgulho, como tantos outros que ocuparam altos cargos na Jurisprudência, nas cátedras universitárias, na administração de empresas, no funcionalismo e até na política ativa. Nenhum de nós tem complexos de inferioridade. Antes prestigiaram sempre, a Instituição que nos preparou para a vida e à qual anualmente regressamos, no 3º Sábado de Maio. Sempre que um antigo aluno aparece em público e o localizamos, logo torcemos por ele, para o bem ou para o mal. Felizmente, como agora aconteceu, com o Doutor António Marto, ao vê-lo a abraçar o Papa Francisco e a falar para cerca de um milhão de presentes e a muitos milhões de católicos de todo mundo. Aquele sotaque e aquele sorriso que as televisões mostraram, é como se aquele fortíssimo abraço ao Papa e ao mundo também fosse nosso. Eles nos representam. Nós deles nos orgulhamos!
Mas não devemos confundir a religião com o clubismo. A festa do Benfica é trivial. Venceu, justamente, mais um campeonato. E ainda há-de vencer mais. Mas, embora as televisões tenham ofuscado a grandiosidade do 13 de Maio, com o Tetra do «Benfiquismo», nada de comparável com a universalidade de Fátima. E nem sequer com a Vitória, mais que merecida de Salvador Sobral, no Festival de Eurovisão. Este feito foi enorme, já tardava e tudo o que se possa confundir com mais um milagre de N. Senhora de Fátima é pura fantasia. Aceita-se enquanto modelo de grandeza e de pioneirismo. Entre 1956 e 2017 já houve 61 festivais da canção. Este que ocorreu dia 13 de Maio, foi pura coincidência. Mas para Portugal valeu – isso sim – por termos andado mais de meio século a brincar aos festivais da canção. Salvador Sobral e a irmã Luísa, venceram pela sua simplicidade, pela certeza de que fizeram o melhor que sabiam e, perante 18 países a atribuírem a classificação máxima a Portugal, foi feito que nunca qualquer outra canção ou outro qualquer país concorrente havia conseguido. E por isso valeu a pena.
Trago este tema à praça pública para glorificar as consciências que andam empedernidas, açaimadas e raivosas, na tentativa de branquearem o que foram, o que são e o que valem. Em qualquer parte do planeta como em Terras de Barroso.

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publicado às 22:48


Um soneto para a eternidade à Gete

por aquimetem, em 18.05.17

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Por: Barroso da Fonte: 

 

Um soneto para a eternidade
à Gete
Tu que eras nesta vida a minha vida,
O meu encanto, o meu primeiro amor,
Deixaste-me e partiste, excelsa flor,
Abandonado e triste, alma incontida.

Abraçaste-me à hora da partida
Sentindo no teu peito a minha dor.
Trocaste-me por Deus, Nosso Senhor,
Que te elevou à Terra Prometida.

Descansa em paz, na paz da Eternidade,
Enquanto permanece o desencontro,
Anseio ver-te, e breve, como então.

Eu aspiro, contigo, à Divindade,
Deixar este calvário em que me encontro
Longe de ti, tão longe e sem razão.
Cláudio Amílcar Carneiro

O autor deste belíssimo soneto – Cláudio Amílcar Carneiro - nasceu em Chacim, em 1931. Aí viveu os primeiros 30 anos, com uma única interrupção: o serviço militar na Índia( Goa), entre 1955 e 23 de Maio de 1957. Faz agora 60 anos. Só nessa altura desiste de guardar o gado, a meias com mais sete irmãos. Já homem feito, completa a 4ª classe, que lhe deu para colaborar em jornais, como: «Heraldo» e «Diário». Regressado à Pátria Lusa, arranja forma de retomar os estudos básicos e curso geral dos Liceus. Chega a frequentar o Curso Superior de Direito e retoma o gosto pelo Jornalismo e pela literatura. Passa a publicar, preferencialmente, poesia em jornais e revistas como: Poetas & Trovadores, Mosaico, Notícias Metrópole. Em 1966 estreia em livro. Desde aí não descansa. Mais tarde, entra na ficção e, ora em prosa ou em poesia, a sua obra soma e segue, a um ritmo qualitativo e quantitativo que faz deste vate um caso sério.
Em toda a sua produção, mormente na poética, deslumbra quem o conhece pelo seu repentismo, pela sua introspeção e apreensão caleidoscópica. Esta subtileza psíquica faz de Cláudio Carneiro um especialista da mais popular quão difícil modalidade poética que é o soneto. Mais parece uma das modernas tabletes, telemóveis e máquinas fotográficas que substituem em qualquer momento, os materiais específicos. A Cláudio Carneiro basta olhar o objeto que pretende fotografar e, instantes depois, surpreende-nos com um poema que retrata, fielmente, os dotes físicos, psíquicos, científicos, éticos e sociais de um ser humano, com o qual se cruze e entenda dissecar. São centenas e centenas de poemas, essencialmente sonetos, dedicados a pessoas que conhece e sobre as quais pretende exaltar os seus dotes intrínsecos.
Recentemente faleceu sua Mulher Georgete. Foi o seu anjo da guarda por toda a vida. E, inconformado com essa subtração, reproduz nestes catorze versos, um secreto desejo do reencontro na eternidade. A melhor prenda dos seus 86 anos completados dia 8 deste mês.

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publicado às 12:54


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