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Angola e seus zeladores

por aquimetem, em 06.12.09

          Amanhã há que levantar cedo pois o adeus aos encantos angolanos acaba. Depois em Angola o dia faz-se cedo, mas também a tarde anoitece mais depressa. Além disso de noite todos os gatos são pardos, e não só mas também  porque sabendo que uma avaria na estrada e em locais isolados e sem  oficinas, nem comunicações não é caso para estar muito à vontade.  

           Dai que consumido o farnel e tomada uma "banhoca" há que deixar Cabo Ledo e por esta picada subir a barreira, até ao morro, de volta à estrada de Luanda a Lobito e Benguela.

          No sentido inverso deste táxi "candongueiro" que vai para Sul em direcção a Benguela, vamos nós retomar de novo o troço de 120km já nosso conhecido, mas agora sem fotografar a paisagem para com atenção ver se enxergo algum  exemplar dos muitos que habitam no Parque de Kissama. Se me viram a mim, devo dizer que não vi nenhum desses  animais selvagens... Em compensação, no percurso, se não visitei, vi uma placa a indicar para o famosa igreja de  NªSª da Muxima. Valeu a pena, o silêncio!

           Nem ao menos ao deixei a Província do Bengo para, atravessando a ponte da portagem, entrar na de Luanda, um  dos muitos jacarés que dizem haver na Foz do Kwanza se dignou mostrar-se-me. Foi para me não assustarem.

          Mas se não observei fauna selvagem, pude,  depois de passar pela zona do Miradouro da Lua, do  Mussulo, do Morro dos Veados e do Museu da Escravatura, ver perto e à volta de Benfica espectáculos como este, a envergonharem a lha do Mussulo que lá ao longe com a sua língua de areia com cerca de 40km  de comprimento vem a terra firme "tocar" a costa.   

           Entretanto faz-se noite e  com esta o fim de uma jornada inesquecível que em Sexta-feira Santa de 2009 tive a felicidade viver em terras africanas de Angola. Luanda  dista ainda uns 15 ou 20km, mas devido ao infernal transito da cidade e bairros periféricos o bastante para demorar 2 ou mais horas a chegar à baixa. 

          Com cerca de 260km percorridos (ida e volta) por terras a sul de Luanda, regressamos cerca das 19h00 aos aposentos que nesta passagem pela capital de Angola de volta a Portugal generosamente nos acolheu. Agora que a viagem foi directa, os cerca de120km que separam Cabo Ledo de  Luanda  até nem demoram muito a fazer apenas umas  de 2h30. Nada mau. E pronto! Há que descansar pois amanhã é outro dia, e para a frente é que é  Lisboa.

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           O adeus a Luanda, algures na antiga Av. Guilhermino Capelo.

          Sábado de Pascoa, dia 11, manhã cedo foi levantar e partir para o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro,  para depois de satisfeitas as demoradas formalidades de embarque apanhar o avião da TAP que por cima do Golfo da Guine e do deserto marroquino, atravessando o mar mediterrânico entrou em Portugal para na Portela aterrar por volta das 15h00. Foi o regresso, com saudades de uma maravilhosa Angola e seus zeladores.

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capital angolana

por aquimetem, em 28.11.09

 

 

          Depois de uma hora de voo, eis-me de novo no aeroporto de Luanda, onde quem ali chegar pela primeira vez e não tenha alguém de confiança  que o oriente ou transporte ao seu destino sujeita-se a ser ludibriado por algum dos muitos "profissionais" da caça à vítima desprevenida...Os inúmeros  e aborrecidos "ajudantes" que ao sair da gare rodeiam  o passageiro oferecendo-se  para transportar as malas, a falta de transportes urbanos com indicação dos pontos de partida e chegada ao centro da cidade ou arrabaldes são lacunas que se vêem a olho nú e dão da capital angolana uma imagem que não merece:desordem.     

          A mim valeu-me além da filha, ter lá amigos que se disponibilizaram não só a ir buscar-me  ao aeroporto como colocar um carro ao meu dispor para nessa tarde viajar pela cidade. Depois de almoço que mais uma vez foi num restaurante da Ilha do Cabo, seguiu-se uma visita pela baixa e bairros principais da cidade, como Miramar, Alvalade, Bairro Azul e outros.  

          Luanda - cidade

           Luanda - cidade

          Luanda -  cidade

          Luanda - Vendedeiras de fruta

           Ilha do Cabo ou Ilha de Luanda

 

 

          Na ilha do Cabo ou ilha de Luanda existe a igreja mais antiga de Angola, mandada construir em 1575 pelos portugueses que aquando do desembarque do  Capitão-mor Paulo Dias de Novais na ilha,  com homens de armas, padres, mercadores e servidores, ali se fixaram e consagrados a Nossa Senhora, deram ao templo a designação de  igreja de Nª.Sª. do Cabo. O Papa João Paulo II, numa sua visita a Angola entrou e rezou neste templo. Também  na minha primeira visita à ilha, no passado dia 14 de Março, foi na sua frontaria que vi o primeiro cartaz com a foto de Bento XVI, anunciando a sua visita pastoral a Luanda de 20 a 23 do preciso mês. Se houvesse bons e rápidos transportes e mais alojamentos disponíveis  em Luanda  por certo que muitos angolanos e turistas que nas minhas condições não puderam assistir ao histórico evento, o teriam feito nessa ocasião para agradecer e saudar Sua Santidade pela  sua  visita à capital angolana.

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publicado às 13:32


Planalto Central Angolano!

por aquimetem, em 26.11.09

 

           Com pena deixo por ver muito do que de belo e notável a cidade do Huambo e arredores tem para mostrar aos apreciadores das paisagens fortes do Continente Africano, o Morro do Moco que é o ponto mais alto de Angola, com 2.619m, e se encontra a sul do Londuimbale, está nessa conta. Também o Morro de Santo António do Bailundo, onde fica o Túmulo do rei Ekuikui, fiquei sem visitar; e o mesmo sucedeu em relação às Ruinas  da Embala  Grande; do Túnel subterrâneo, onde se abrigou o soba (chefe) Candumbo; a Ilha dos Amores, ou a Reserva Florestal  do Kavongue, com os seus 39km2 de área,  me passaram ao lado. É tudo muito grande, para se poder ver em tão pouco tempo.

          Do que vi, e só disso, dei conta em posts anteriores e, em homenagem à antiga Nova Lisboa, faço questão em  realçar que de facto o Huambo com seus jardins e viveiros, sua zona floestal e seus campos de cultura floridos mostram a diversidede da flora local, onde sobressai as dálias que dizem, destas, existir ali mais de 500 variedades.  

           A tarde do dia 8 foi para dar uma volta pela cidade e ir ao supermercado onde no primeiro dia que cheguei ao Planalto Central as minhas madames se foram aviar. Depois, jantar e cama, que no dia seguinte, por volta das 06h00 há que avançar para o aeroporto. 

           Aqui o "dragão" Miguel com um vermelho-cinzeto para tentar disfarçar, a deixar-se fotografar antes de se comprometer a nos ajudar a conduzir ao aeroporto na manhã cedinho da partida, dia 9. A porta é conhecida pois já por mais que uma vez a foquei.

         Em frente, a  residência de um graduado superior da Policia, parecendo que não, dá outra segurança aos vizinhos e habitantes de uma cidade em recuperação dos estragos de que uma guerra fraticida provocou. E claro,as consequências são a miséria e a desordem social! Todos conhecidos, os  moradores formam uma  família de vizinhos que se respeitam e protegem.

           Chegou a manhã do dia 9, às 05h30 há que levantar tomar  uma banhoca, um cafe caseiro e com a preciosa ajuda do Miguel arrancar  para o aeroporto Albano Machado, que  fica a cerca de uns 3,5km do centro da cidade, pertinho.

           No aeroporto deu tempo para subir ao primeiro andar, e no restaurante tomar um cafezinho de máquina  enquanto se aguadava que o avião da TAAG que vinha de Luanda chegasse e de regresso, por volta das 08h00 (07h00, portugusesas ), me transportasse à capital de Angola.

      Agora sim, foi o adeus definitivo a uma região cujo clima é muito semelhante ao do  território continental português e por isso se tivesse de  viver em Africa seria no  Planalto Central Angolano!  

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publicado às 21:18


Dar folga às mulheres...

por aquimetem, em 19.11.09

NªSª das Vitórias ( Kuando - Huambo)

          Nesse domingo, 5 de Abril, após o almoço e dumas voltas pelos cantos já conhecidos da cidade do Huambo foi o regresso ao Bongo; e não minto se disser que também já a pensar na minha despedida  da terra e rostos que vim conhecer no Planalto Central Angolano, que não tarda. Vou levar saudades! Mas levo também na retina imagens que jamais esquecerei, como esta que recolhi no interior da igreja da Missão Católica do Kuando, e me faz recordar a cena que a imagem não mostra, mas eu conto:  a Missão está num estado desolador, mesmo assim são muitos os visitantes, devotos ou não de Nª.Sª. das Vitórias, a passar por ali, eu fui um deles e ao entrar no templo vi um jovem nativo que sem dizer palavra ao ver-me encaminhar de objectiva apontada para a imagem da Virgem, correu para junto dEla e ficou na posição que se vê na foto, achei curioso. Gotava eu, saber quem é e poder enviar-lhe esta recordação. Nunca se sabe, tudo pode acontecer!       

Bongo (Missão Adventista do 7º Dia)

Bongo

Bongo ( parecem bananas, mas são fungos hospedeiros) 

Bongo

          De volta ao bucólico e solitário Bongo, de mato e de mata cercado, se não fosse em breve deixar o sítio ainda ia aprender a falar chines. Vou eu, vêm eles, para recuperar um ou dois pequenos pavilhões que fazem falta.  

          Num destes pavilhões viram à dias alujarem-se em grupo vários desses operários  que não parecem estar em melhores lenções que os pobres nativos angolanos, apenas  são mais arrojados e sem complexos  se misturam com qualquer pessoa tentando por gestos fazerem-se entender. Mas não deixam de ser escravos duma sociedade desumana e injusta.

          Que este bébé  que na eira  observa o labor tradicional da mulher africana, um dia mais tarde saiba dar a volta ao texto e em vez da mãe, irmã, esposa ou filha seja ele e os demais homens da terra, neste caso do Bongo, a pegar... no pisoeiro e pisoarem o grão. Para dar folga às mulheres...

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publicado às 22:51


a lei do mais forte!

por aquimetem, em 11.11.09

 

          Como disse, se aproveitei o domingo, dia 5, para vir aqui a este santuário de Nossa Senhora de Fátima assistir à Missa, também ontem, sábado, dia 4, não descorei em  fazer uma ronda  que vou hoje continuar pelos recantos desta cidade que daqui a pouco tempo deixarei de poder fazer. 

          E quando se é agradecido, nunca é demais recordar as coisas boas que nos tocam, neste caso, o terraço que junto da igreja e  com  palanque fixo montado, me serviu de abrigo e eu olvidei  no post  "chuva africana"  

 

          O presente vídeo dá com o anterior uma melhor percepção do local e ocorrências em texto.

          Terreno que  já deve ter sido quintal bem cuidado e produtivo, hoje faz parte com o património urbano e social  do rosto de uma cidade desfigurada e que nada tem a ver com a antiga Nova Lisboa, que Norton de Matos tanto enobreceu.

          A cidade das grandes avenidas vai demorar a reconstruir-se e a curar as feridas da guerra civil, mas se os políticos quiserem é terra com pernas para  voltar a ser uma verdadeira rainha do planalto central angolano, à altura do rei Ekuikui. Que não demore.

          Não sei o que pensam fazer com a maioria dos edifícios neste estado, mas recuperar os que tem estruturas seguras para o fazer não só dava um outro aspecto a cidade, como trabalho e emprego a quem precisa, além de produzir riqueza e desenvolvimento comercial e industrial.

 

           E meus amigos, quer gostem, quer não esta é uma das casas que depois de reconstruída com o mesmo formato original merecem ser preservada, porque também gostem ou não, Jonas Savimbi há-de ser sempre uma referência na história de Angola, como angolano vertical que foi e  herói que tombou rendido, mas não vencido.  

           E porque hoje é domingo, e ontem se poupou nos gastos, há que também ser rico pelo menos um dia e na hora de almoçar. No fim da missa, e mal a chuva me deixou chegar a casa, deu-se meia volta em busca do Largo Wassanjunca, na Cidade Alta, e vai de no Snack-Bar Restaurante Nelce, fidalgamente abancar  e mandar vir: 1 Cozido à Portuguesa, 2000.00 Kz; 2 Peit. Frang. Ass., 2600.00 Kz; 1 Mvelho 375Ml, 1000 kz ; Àgua 1,5Lt, 250.00 Kz; 2 Coca Lata, 200.00 Kz; 1 Couvert simples, 150.00 Kz; 3 cafés, 299.00 Kz; 1 Mousse, 300.00 Kz, e 1 Macieira, 300.00 Kz. Total a largar do bolso: 7099. 98 Kz.  É uma fortuna, num país e numa cidade onde a maioria dos nativos não tên cinco centimos para gastar. Manda,  a lei do mais forte!  

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a cozinha portuguesa...

por aquimetem, em 06.11.09

          Se o meu principal objectivo era de facto participar na eucaristia dominical de 5 de Abril, as minhas madames além disso estavam também empenhadas em fazer uma visita ao "Mercado de Kissala" que nos arredores da cidade do Huambo aos sábados junta feirantes de todo o género e feitio. Os que mais me impressionam ali, foram os miúdos que com rosto de pobres, em país rico,  sobraçavam sacos de plástico, na expectativa de haver alguma alma caridosa que carecida de algum para levar as compras, em troca largasse o seu centimo de kuanza...

          Tomando  a direcção de São Pedro  para  daqui apanhar em género  de picada o trilho que quase intransitável conduz a Kissala lá se conseguiu chegar sem ficar atolado no lamaçal e terreno esburacado. Milagre de São Pedro ou da Virgem de Fátima que nos faziam companhia.

          A feira vende de tudo, de tudo que uma população desabituada de viver à farta e à portuguesa, precisa de gastar. Assim, em vez dos carrinhos "papa-moedas", dos nossos Hipermercados,  são os artesanais carretos em pau de madeira, tipo carreta,  que servem de apoio na condução das cargas, e que para ganhar a vida alguns angolanos se prestam conduzir a pulso.  

 

          Aqui temos um  desses exemplares, que a cima estão amontoados, à espera de clientes, assim como também o "taxe" que pintado à "dragão...", se vê a meio corpo.

 

           No género é o maior certame de comércio feirante que semanalmente no Huambo tem lugar, e por isso mesmo merecia outras condições que não tem: acessos, condignos; espaço, dotado com barracas e  instalações sanitárias  decentes, e um chão, em condições do feirante poder circular ali, com agrado, quer em tempo chuvoso, quer em época de cacimbo.

          Do vestir ao calçar, dos tecidos ao artesanato, dos aperelhos electrónicos  ao fogão a gás ou a carvão, da pedaleira  à  motorizada, do pescado ao talhante, das frutas e hortalices aos cereais, passando pelo comes e bebes  o Mercado de Kissala de tudo é abastecido.

          Aqui as motorizadas fazem lembrar antigamente os porcos nos "19" de Fermil de Basto, ou as vacas nos "27" do Bilhó, também expostas num espaço descampado a que chamavam e chamam feira

          Em fim, a hora do almoço já vai bastante esticada, demorar por aqui era uma hipótese, só que os olhos também comem!...  Se a ASAE calha de ser convidada pelo Governo angolano a fazer notar o seu olho clínico no espaço higiénico, já não digo no económico, dos comes e bebes, a maioria dos comerciantes está tramada, fecham-lhe o negócio, a porta não, porque muitos não a têm.

          Foi uma boa maneira de regressar mais cedo aos aposentos e depois de  limpar a lama dos sapatos e mudar de calças que no Mercado se sujaram procurar um restaurante que sirva bem e que no Huambo já existem vários.  E com a cozinha portuguesa a marcar pontos. 

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chuva africana

por aquimetem, em 18.10.09

 

          Esta semana, 1ª de Abril, a minha estadia no Bongo  foi muito curta, apenas durou de 4ª a 6ª-feira. Pesou aqui além das indispensáveis comodidades sociais que ali não existem, também o facto de qualquer cristão coerente com a sua fé ser obrigado a procurar fora dali o serviço religioso que a Igreja Católica, no lugar, nem aos domingos raramente garante.

           Daí que já afreguesado em percorrer a distância que separa o Bongo do Huambo e sobretudo este troço  que entre o  Bongo e o desvio  entronca com a estrada do Huambo/ Benguela, uma vez mais subisse até à capital da província para no lugar  habitual  me acomodar.

          Atravessando toda a vasta área  rural que depois de  Lépi,  por Caála, tem nos vales do Kunhingamua e do Lufefena a principal fonte de energia vital,  o destino é alcançado.

          E a  paisagem  entre Caála e Huambo é âmpla e sedutora. Mas hoje pessimamente aproveitada, como se vê.

          Desta vez o meu objectivo central era participar na eucaristia dominical, e  na melhor das hipóteses calhando no Santuário de NS de Fátima por já me ser familiar  e o mais perto do sítio de acolhimento.

          Nesse domingo, 5 de Abril, no fim da missa das 09h00, que muito participada e animada com cânticos  tradicionais  acabou por volta das 10h30, a chuva veio de mansinho dar os bons dias aos fieis, e eu, fugindo-lhe a caminho de casa,  tive ainda tempo de no trajecto, a pé,  tirar mais esta foto ao colégio de São José de Cluny. Mas a chuva em Angola tem a particularidade de molhar e passado momentos deixar os corpos secos. É chuva africana.

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A magia do sertão

por aquimetem, em 15.10.09

          A visita que fiz a terras africanas de Angola está a chegar ao fim. Mais uns dias para aqui no planalto central ocidental apreciar a paz e sossego que a aldeia do Bongo oferece a quem tem o privilégio de poder ali demorar-se a viver  e sentir a magia do sertão, e acabou-se!

          Coincidi-o a minha estadia com a estação das Chuvas, que como se sabe ocorre entre Setembro e Abril, e à qual em posts anteriores já dei conta de alguns dos efeitos que a sua acção provoca quando em fortes e assustadoras trovoadas se manifesta. Até o céu fica escuro e as aves em pavorosa!

           Mas a terra agradece por ver nas torrentes o sangue que as enriquece e faz germinar as sementes e as plantas que são a riqueza desta angolana região do Huambo.

          Se esta cabrita soubesse Português ou percebesse Umbundo  aqui a tínhamos a louvar os efeitos benéficos da chuva sobre uma lavoura que quando à antiga portuguesa era explorada dava pão à farta para brancos e negros, e hoje pelo que se vê..,nem para  fatos à medida das necessidades da casa dá. Neste aspecto, mete dó.

           No entanto a terra é fértil e continua a produzir, como disso esta viçosa papaia, no meio do milheiral, deixa ver.  

          E esta árvore florida, na cerca  do antigo hospital, que só com a água das chuvas se enfeita desta forma! É a magia africana.

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regresso ao Bongo

por aquimetem, em 28.09.09

 

           Depois de uma semana afastado do planalto central angolano (de 26 de Março a 1 de Abril), regressar a Huambo para na Rua dos Ministros encontrar  uma  casa com o indispensável conforto que a maioria do angolano não tem, era desejo que já vinha no meu pensamento, na viagem.

          Assim, mal o jipe chegou à porta do escritório da AAA, foi  só ajudar a tirar a trouxa que era para deixar ali, e sem perder tempo subir ao 1º andar para tomar um regalado banho de chuveiro, também para a maioria dos angolanos coisa rara  de ver e sentir...

           Com o corpo limpo e refrescado pelo banho, agora há que procurar satisfazer o estômago que com os solavancos da viagem desfez tudo quanto no Caimbambo ao pequeno-almoço havia ingerido. Cumprida essa obrigação física o regresso ao Bongo estava nas prioridades, pois os deveres profissionais da minha anfitriã em terras de Angola assim obrigavam. A meio duma tarde chuvosa e depois de cerca de uma hora de viagem estava o jipe que nos transportava a passar por esta ponte que o programa da AAA mandou restaurar e assim beneficiar o acesso ao Bongo e terras circunvizinhas.  

          Como sabemos o Bongo que hoje mais parece uma aldeia fantasma foi ainda não há muitos anos das terras mais famosas e prósperas de Angola, ali funcionou um dos melhores hospitais de terras africanas sob tutela da igreja Adventista do Sétimo Dia, sinal também de que a liberdade de opção e o sentimento ecuménico que se vivia antes da independência existiam.

           O que dantes era um espaço urbano e limpo está transformado em matagal para o pouco gado pastar e as carraceiras a par encher o papo. Valeu entretanto surgir o projecto da Acção Agrária Alemã no combate à doença Newcastle, pois ao aproveitar o espaço da Missão para  instalar os seus escritórios e aposentos  dos seus funcionários  veio dar vida à aldeia e alguma esperança de dias melhores aos nativos da zona.

           Neste pavilhão restaurado mora a directora-técnica do citado projecto, e durante cerca de um mês ali hospedou os seus progenitores. Aqui onde falta quase tudo que a ciência e a civilização do século XXI disponibilizam, a roupa continua a ser lavada à antiga portuguesa: à mão, e no resguardo da varanda pendurada! Com receio de também ser pendurado, o gato da casa retira-se e vai à caça...

           Como disse no post anterior estava ansioso por ver a sementeira que no dia 24 de Março o Noé mais a minha cara-metade fizeram nas traseiras da casa, por isso logo no dia seguinte ao meu regresso ( 2 de Abril) apressei-me a ver e fotografar a horta. E pensei para comigo: como é possível que haja fome em Angola, se as sementes lançadas à terra passado uma semana estão como a foto mostra?!

          É tempo da tecnologia voltar a estar ao serviço desta aldeia angolana,  de trocar a zorra pelo tractor, de convencer os africanos que a mulher nasceu para ser mãe e governar a casa, pois doutro modo a miséria continua.  

           Também na eira os homens não aparecem, e lá tem de ser as mulheres a pisoar o grão  e a peneirar a farinha.

          São imagens do Bongo, duma aldeia cuja noite e o luar desta  Primavera de 2009 me fez roubar à cama algumas horas do meu  sono. Mas bem perdidas, como disso o presente vídeo deixa perceber:

 

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publicado às 16:10


Huambo

por aquimetem, em 23.06.09

          Se tivesse de escolher uma terra angolana para viver era a cidade do Huambo ou então qualquer aldeia à sua volta num raio de uns 30 km. O seu clima tropical de altitude, com uma estação seca e fria e uma estação chuvosa, onde o calor mal se faz sentir, assemelha-se a um  inicio da nossa estação outonal. Não admira por isso que a agricultura aqui  seja o principal factor económico da região. 

          Quem pela  estrada de Caála se aproxima da cidade do Huambo, mal atravessa o leito e as margens férteis do Lufefena, depara de imediato com um triste cenário de habitações clandestinas que não são apenas mostra do que se passa em terras africanas, como Angola, mas próprio das grandes  urbes onde a pobreza se concentra  em busca de dias melhores...

           Logo a seguir aparecem as tradicionais feiras ou mercados  que ao longo da via nos conduz até  São Pedro, cuja  igreja  é  ponto de referência para quem entra na cidade, indo dos lados de Caála.

          Aqui os chineses estão a trabalhar na restauração da linha do CFB que se tudo correr bem há-de voltar a ligar o Huambo a Benguela, e lá que a ligação faz falta, faz  Pois é sabido que os produtos hortícolas, pecuários e avícolas de que a região é abundante carecem de meios de escoamento e comercialização.  

 

          Vamos acreditar na boa fé dos srs.governantes, que num primeiro passo já começaram  por pôr  os seus aposentos em ordem. E tolos eram, se começavam pela palhota do modesto segurança.  

 

          Mal a cidade recupere o seu passado, e o Huambo volte a ganhar o aspecto encantador que perdeu nas suas  amplas avenidas, belos jardins e viveiros vai de novo  voltar a ser a 2ª cidade mais importante  de Angola. 

 

          É verdade que a guerra deixou marcas e  agora apaga-las vai demorar tempo, mas que não se adormeça...

           Claro que para isso é necessário que ao viajar pelo cento da cidade se deixe de ver imóveis que foram referência do burgo, e agora em deplorável estado de conservação, como por exemplo o cinema Ruacanà, e entre outros a casa do Dr.Jonas Savimbi que merecia ser reconstruída e transformada em museu.

 Cinema Ruacaná, o prédio  cor de telha

 

A que foi a residência do Dr. Jonas Savimbi.

          Nesta rua bem policiada, não há ladrão que  pare, mas em frente parei eu quando nos fins-de-semana vinha ao Huambo

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publicado às 17:57


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