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Portugal, minha terra.

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08.10.16

Revisitando as Terras do Demo

aquimetem, Falar disto e daquilo

CCE19042011_00001 FOTO e ASSINATURA.jpg

 Por: Barroso da Fonte

No penúltimo dia de Setembro, tórrido, mas propício ao vislumbre paradisíaco duriense, revisitei com António Xavier e Vitorino Costa um roteiro geográfico de soberba grandeza: Guimarães, Régia, Trevões, Anta, Penedono e Prova. O dia foi pequeno para alongar a visita a Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Aguiar da Beira. Havia lido uma expressão feliz: «Terras do Demo, esquecidas por Deus, eternizadas por Aquilino». Mas li nessa mesma fonte, online, que «chegar às Terras do Demo já não é tão difícil como nos tempos de Aquilino Ribeiro», quando se fazia essa viagem por «lanços perigosos e ziguezagues mortais»
Quando li o roteiro das Terras do Demo localizado no Lifecoolor, «largava-se de Viseu pela tardinha e ia-se para o cabo do mundo. Mas agora basta meia hora para chegar da capital a Vila Nova de Paiva, uma das portas deste território, por onde nem Cristo, nem el-rei, passaram».
O trio que partiu com «vontade de ir à «Prova», fazer a prova da vinha e dos vinhos, do «companheiro de luta», Prof. José Mário Lemos Damião, adiou o programa para um novo dia.
Em Trevões visitámos o Museu de Arte Sacra, que nos comoveu pela eficiente disposição e pelo empenho com que se fez dessa vila um centro de cultura e de atracção turística. Também a lindíssima e histórica igreja de Santa Marinha, com o túmulo do vice-Rei da Índia Francisco de Almeida, em 1625. E toda a zona envolvente ao centro histórico. Uma lição de civismo, de bom gosto e de respeito pelos visitantes que não podem deixar de render-se a esse museu que é todo esse agregado populacional. Esta freguesia pertence a uma zona de Planalto. Faz parte do concelho de S. João da Pesqueira e da zona demarcada do Douro. Nesse limpíssimo centro histórico existe uma tradicional habitação adquirida pelo conhecido político Eurico de Figueiredo. Bons gostos. É um primeiro espaço do feio-belo que essa encosta sul do Douro proporciona ao viandante.
António Xavier que foi em dois mandatos Presidente da Câmara de Guimarães,e que fez sua zona histórica, o primeiro Centro Histórico do país, repetiu aos dois vereadores e deputados que compunham o grupo, esse pioneirismo da Cidade Berço. Recorde-se que esse estatuto de pioneiro dos Centros Históricos (1975-1012), viria a transformar Guimarães em Património Cultural da Humanidade e em capital Europeia da Cultura (2012). Em Trevões não deixámos de anotar o centro de interpretação histórico-religioso, a que estiveram ligados vários sacerdotes, de entre os quais o Padre Amadeu da Costa e Castro. São figuras como estas e obras como aquela que ali se pode ver que tornam grandes as pequenas vilas ou cidades.
Aí nos esperava o Dr. Lemos Damião que nasceu na freguesia de Prova (Mêda) e, foi mestre de milhares de outros professores, do Ensino Primário e Secundário, na qualidade de fundador e de Presidente da Associação Nacional de Professores (ANPEB). Terá sido o cidadão mais mediático da sua geração. O seu espírito revolucionário, no sentido positivo do termo, fez com que colocasse a sua irreverência, o seu estro criativo, a sua ânsia de mais e de melhor, para bem-estar da sociedade. Nasceu na Prova e fez o Magistério Primário,em Vila Real, deslocando-se, como docente para Guimarães, onde gerou trabalho, dando largas à aventura de criar sete novas empresas e de chamar amigos e profissionais sérios para celebrar parcerias. Com sucesso numas e desaires noutras, criou postos de trabalho, gerou riqueza e, sem esquecer as origens, formou família, nunca virando a cara à luta. A freguesia de Prova (nome da freguesia) tem hoje estruturas suas e comunitárias que bastam para o proclamar cidadão do mundo.
Conheci, pessoalmente, este grande Senhor, quando, em 1967 casei em Guimarães. Tornámo-nos amigos e párias da mesma causa ideológica. Ele mais político do que eu. E eu mais fadado para dar testemunho, como jornalista, das causas alheias. Lemos Damião chegou a ser nos seus 19 anos de Deputado da AR, a terceira figura do Estado, como Secretário da Assembleia da República. Fez parte de muitas e nobres causas nacionais, sobretudo na área da Educação, criando a ANPEB. Foi uma espécie de anjo protetor dos docentes do ensino básico e Educadoras de Infância. E foi meu colega no executivo da Câmara de Guimarães, (1986-1990), feudo socialista, onde António Xavier foi Presidente, em 2 mandatos. Lemos Damião, Fernando Roriz e o signatário, pela primeira e única vez ganhámos, por 118 votos a Câmara da então autarquia mais populosa a norte do Rio Douro
A convite desse pedagogo, viajámos, pelas terras do Demo, em busca da vinha e dos vinhos, deste político de raiz, conduzidos por outro deputado do ex-PRD, doutorado pela Universidade de Santiago de Compostela: Vitorino Costa. Ambos foram coautores da ANPEB, coetâneos no Parlamento e na Assembleia Municipal de Guimarães. Estes e outros amigos, vivemos o nosso entardecer social, visitando terras, sítios de cultura e espaços de liberdade que reforçámos na freguesia da Prova, numa espécie de ante-câmara do paraíso.

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