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Por: Barroso da Fonte:

 

"Chegaram a ser anunciados 14 candidatos ao alto cargo de Presidente da República. A erosão política já reduziu aquele número. Nos tempos que passam ser político é uma aventura e um risco. Não pela falta de candidatos, mas pela ambição de quem não se contenta com aquilo que é, ou que representa.

No JN de 1 do corrente deparei com uma entrevista de página e meia com Maria de Belém Roseira, onde faz afirmações narcisistas. A caixa alta puxaram os editores com esta tirada: «Marcelo é criador de factos políticos e pode induzir instabilidade». No mesmo contexto confessa: «não cheguei agora à política. Não começo o exercício da política com uma candidatura à Presidência da República». E mais esta: «não posso ser considerada candidata de facção porque não pertenço a nenhuma facção do PS». Já numa toada a alta velocidade foi alegando que considera ser seu dever por a sua experiência e o seu conhecimento ao serviço do país. «Tenho mais de 40 anos de vida pública, em sítios muito variados que me deram profundo conhecimento da Administração Pública, das instituições e dos problemas reais dos portugueses. Tenho grande experiência internacional e também governativa. Tenho um perfil de grande experiência política. Não cheguei agora à política. Fui ministra, deputada, representei o país em múltiplas situações, desempenhei em inúmeros cargos...Tenho um perfil que me permite arbitrar conflitos e resolvê-los».

   Em relação a Marcelo «considero que tenho características que passam, não só pela minha experiência em cargos públicos, mas também pela minha maturidade e serenidade».

Maria de Belém mostrou nesta entrevista que gosta de ser elogiada. E que como esses elogios não aparecem, é ela própria a reclamá-los, colocando-se acima de Sampaio da Nóvoa que «só agora chega à política» e de Marcelo Rebelo de Sousa que tem a sua idade, é Professor catedrático, tal como Sampaio da Nóvoa, mas não têm eles a sua «experiência, os seus conhecimentos e a sua serenidade».

   Nunca entendi qual a diferença entre «ética, o civismo e a urbanidade» que os manuais escolares preconizam para o comum dos cidadãos e que não se aplica aos políticos. Sempre aprendi e ensinei que devem ser os noutros a reconhecer as nossos méritos, a elogiar eventuais qualidades e a aceitar eventuais homenagens. Mas nunca reclamar essas homenagens, esses elogios e a proclamação de eventuais contributos. Devem ser as boas obras a falar por nós.

     Em relação aos políticos profissionais a postura é inversa: são eles próprios que mandam colocar cartazes, que redigem e mandam distribuir panfletos, pedem apoios monetários, pedem votos e palmas, mesmo que ainda não tenham dado provas.

Acusar um candidato que ascendeu ao topo da sua carreira profissional, que foi reitor de uma prestigiada universidade nacional e que, sentido-se em idade ideal para entrar na política, ainda sem vícios, sem manhas e sem telhados de vidro, seja rejeitado só por esse facto, é impróprio de quem se reclama superior e com melhores atributos. É o caso de Sampaio da Nóvoa, candidato impoluto.

   Ou de outro candidato, Henrique Neto, empresário de sucesso que gerou riqueza, promoveu empregos e, sendo militante activo, da área política do referida candidata, poderia, eventualmente, acusá-la de ter gasto em benefício próprio, 2.500 contos em flores, quando foi Ministra da Saúde; de ter sido «foco de polémica por acumular as funções com a consultoria para o Grupo Espírito Santo» e, sobretudo por «outra polémica em que se viu envolvida por causa da construção da sua casa, alegadamente contra directrizes municipais, junto a uma das praias da Linha de Sintra». Por tudo isto lhe entregou o seu camarada Jorge Sampaio, quando PR, em 2005, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo». Não terá saldado essa condecoração pública qualquer pontinha de merecimento que os vencimentos públicos de 40 anos de trabalho não tenham contemplado?

Ao contrário do que Maria de Belém aduziu nesta entrevista ao JN, a seu favor, e em detrimento dos opositores: Sampaio da Nóvoa e de Marcelo Rebelo de Sousa, pessoalmente sou apologista da renovação política e não de quem já mostrou, ao longo de 40 anos, que deve dar lugar a alguém, que noutras funções, já deu provas sobejas, das suas potencialidades. Sejam: Sampaio da Nóvoa, Marcelo, Henrique Neto ou Paulo Morais, longe de terem menos «maturidade, experiência e serenidade», gozam de mais independência, de mais capacidade de diálogo e de maior margem de manobra. Possivelmente eles e os restantes candidatos menos mediáticos – não gostarão de mostrar desinteresse, irresponsabilidade ou falta de apreço pela função presidencial. Sobretudo numa conjuntura como esta que a Europa Comunitária atravessa, deve eleger-se, para tão importante cargo, uma personalidade que reúna todos os predicados intelectuais, morais, cívicos, físicos e psíquicos que se imponham a nível Europeu".

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publicado às 13:15



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