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Por: Barroso da Fonte

«A História de Portugal constitui uma faceta gratificante para quem se orgulha de ser Português e também para os povos da Lusofonia. Todos gostamos de conhecer as nossas raízes. Mas o país que somos não nasceu de qualquer traçado , maqueta geográfica, combinação administrativa e nem sequer desabrochou, ao mesmo tempo, como uma flor, de norte a sul ou de nascente a ponte.

Em 1096 foi ofertado, como dote de casamento, a D. Teresa e ao conde D. Henrique, mas apenas o Condado Portucalense que se reduzia ao espaço geográfico, entre os Rios Minho e Douro. Entre 1096 e 1128 foi-se alongando para sul e para nascente, mas só em 24 de Junho de 1128, com a Batalha de S. Mamede se alterou o direito de propriedade, deixando de pertencer ao Reino da Galiza para se assumir como reino independente, o que apenas aconteceria em 1143 numa primeira fase e, em 1179, o reconhecimento internacional. Nunca foi pacífica a fronteira entre o Tui e Vila Real de Santo António. Os marcos algumas vezes afastados para um lado e para outro em batalhas que se foram travando e das quais a História, nem sempre bem contada, nos ensinou.

Nessa mesma História há chavões que nem sempre foram explicados e que, de longe a longe, se recordam a pretexto de vários factores.

A cidade de Olivença, por exemplo, sempre teve uma fortaleça fronteiriça de grande importância. Aí se celebrou, em 1279, o Tratado de Alcanizes, entre D. Dinis e D. Fernando IV de Castela. Era nessa altura território Português. Em 1668 assinou-se o tratado de Paz, pondo fim às guerras da Restauração e mantendo-se as fronteiras definidas pelo Tratado de Alcanizes. Em1801 Portugal cede Olivença à Espanha. Desde aí, com as invasões francesas volta a mexer-se no Tratado das Fronteiras. Ora cá, ora lá, quer a norte, quer a sul, outros episódios semelhantes.

O castelo da Piconha, catalogado por Duarte de Armas, como sendo Português, foi vítima do Tratado dos Limites (1864) e gera «Os Povos Promíscuos» de Rubiás a norte, e mantém Olivença na Espanha, por razões idênticas. Em 1944 é criado em Lisboa o Grupo dos Amigos de Olivença (GAO). Fizeram-se diligências e, em 1974, um jurisconsulto espanhol reconhece os direitos que Portugal tem para reclamar Olivença que, à Luz do Direito Internacional e da História é Portuguesa.

Desde 19 de Fevereiro de 2005 ganhou espírito de corpo associativo, no âmbito da História o Grupo da Piconha, constituído por onze casais, todos de ligação às Terras de Barroso. Elegeram para plataforma funcional o «Alcaidado da Piconha» que foi quartel-general do Couto Misto de Rubiás, tipo «Principado de Andorra» que teve autonomia e direitos próprios.

O Grupo dos Amigos da Piconha e Rubiás, nos dez anos de existência, com actividade anualmente programada e assumida, tal como consta do I volume da Alcaidaria do «Castelo da Piconha – 10 anos» editado em 240 páginas a cores, programou para 23 a 25 de Setembro último, uma visita «aos Dragões de Olivença». O grupo foi recebido pelo Comando do Regimento de Cavalaria 3, sediado em Estremoz. Seguiu-se uma visita guiada às várias áreas da unidade militar, nomeadamente aos claustros do Convento de S. Francisco, a Biblioteca, o Salão Nobre, a Parada de Olivença, as cavalariças e o Palácio Reynolds (Messe de Oficiais) e assistiu-se à cerimónia de homenagem aos mortos, junto ao respetivo monumento.

Em 1742 foi extinto o Regimento de Cavalaria de Olivença, passando a designar-se por Regimento de Dragões de Olivença. Ainda hoje existe uma ligação formal entre a unidade militar de Estremoz e os Dragões de Olivença. Esta visita de 22 cidadãos nascidos ou ligados ao extremo norte de Portugal, tem um simbolismo nacionalista, tão genuíno como aquele que os levou a unirem-se e a manter esta chama da Portugalidade. Cá e lá e lá e cá respira-se o mesmo ar, os mesmos usos e costumes, sentem-se as mesmas nuvens, o mesmo vento, a mesma chuva e até os mesmos pássaros se abastecem de materiais e de alimentação para fazerem os ninhos e dar vida aos filhotes.

Ir de Montalegre ao Alentejo profundo para um encontro com a História dos quase nove séculos da fundação de Portugal e dos 600 anos da existência da Casa de Bragança (1401) que nasceu do casamento da Barrosã, D. Leonor de Alvim, com D. Nuno Álvares Pereira, através da Filha D. Brites com D. Afonso (seu I Duque) representa uma incursão historiográfica à idade média. Já nessa altura, seus devotados obreiros, encurtaram nas infindas cavalgadas e tiveram de empreender, entre a sede, em Chaves (1401) e Vila Viçosa, e Veiros e a todos os teatros, onde o dever os chamava. Uma nota gratificante nesta visita de estudo.

Herdade de Torre de Palma

Quis o acaso que esta embaixada de Barrosões, fizesse quartel-general, nos arredores de Monforte, mais propriamente, na freguesia de Vaiamonte, perto de Estremoz e de Olivença, objectivo primeiro. Aquela que foi a Herdade de Torre de Palma tem história identificada, desde 1338 e também a data em que foi tomada de assalto pelos trabalhadores, logo após o 25 de Abril de 1974.

Deixando de lado o calvário que fez dessa herdade uma unidade hoteleira de recomendável eleição, direi que quem ali chega entra no paraíso. O bom gosto, a capacidade empreendedora e a fé em melhores dias, levaram a administração da referida herdade a concretizar um sonho que muitos gostariam de ter. Espaço quanto se queira, dentro e fora dos quartos; decoração para todos os gostos; equipamento técnico disponível: conforto, silêncio, horizontes diurnos e nocturnos de encher o peito; gastronomia para todos os paladares. Um ambiente onde a piscina e a sombra apetecem, em qualquer época do ano, mesmo que o visitante opte por escavar ruínas que nos transportam, de regresso, ao séc. VII d. C. Grande visão turística tiveram a Drª Ana Isabel e o Dr. Paulo Barradas Rebelo»

 

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