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De Barroso da Fonte:

O Desportivo de Chaves nasceu em 1949 e só na época de 1972/3 subiu da III à II divisão nacional. Em 1974 completou 25 anos e a direcção dessa época convidou-me para escrever a letra e ao Carlos Emídio Pereira para escrever a música. Desde aí é sempre cantada quando há jogos no seu Estádio. No início deste século a Ágata, mãe do actual Presidente, Bruno de Carvalho, gravou-a em CD, através da Espacial. Mas em vez de pedir autorização aos autores e de escrever os nomes da letra e da música, omitiram os seus nomes e chamaram-lhe «populares» Na edição de 02-11-2007 o Jornal Notícias do Douro, deu essa notícias nos seguintes termos: «Discográfica que editou CD do Desportivo de Chaves «matou» os autores da letra e da música». O Grupo Desportivo de Chaves já esteve 13 anos na I divisão, já foi a uma Final da Taça de Portugal ao Jamor contra o Porto, em 2015 chegou a estar na I, mas no último segundo, subiu o Tondela que este ano vai descer. Já o Desportivo de Chaves está em 1ª lugar dos que sobem e torcemos por esse regresso. Mas já que a APEL não deu andamento ao processo, fica aqui desmistificado o «roubo». Há muitas formas de matar pessoas vivas. E a Espacial cometeu essa proeza, ao editar um CD, registado na SPA com o n° 3200637, em 2003, plagiando a letra e a música e registando-as com a palavra “popular”, quando o autor da letra está vivo, como se vê por estas palavras que assina, e o autor da música Carlos Emídio Pereira, faleceu há 14 anos, mas tem o filho, António Maria Pereira, a viver em Vila Real, pertencendo-lhe os direitos artísticos do Pai.
Como se sabe, as obras literárias e artísticas têm dono, tal como uma propriedade que se herda ou um automóvel que se compra. E, do mesmo modo, também os direitos desses bens se transmitem aos herdeiros, até 75 anos para além de morte dos seus criadores.
Quem tiver dúvidas sobre a legitimidade que aqui se reclama poderá consultar a imprensa da época, nomeadamente o Notícias de Chaves de 28/9/1974. Aí se podem ler, sob o distintivo do Clube: «letra da marcha do Grupo Desportivo de Chaves - Comemorativa das suas Bodas de Prata que ocorreram ontem, dia 27-9-1974. Música de Carlos Emídio Pereira, Letra de Barroso da Fonte, interpretação de Avelino Aurélio (Bio)». Na altura, o Álvaro Coutinho, um competente tipógrafo da Gutenberg, que, com o António Saldanha, viria a assinar um livro sobre o glorioso Desportivo de todos nós, fez e distribuiu centenas de folhas soltas com essa letra, devidamente identificada, para que todos os adeptos pudessem cantar o Hino, sempre que quisessem e/ou em dias de futebol no Estádio Municipal. Ele, felizmente, está vivo e pode comprová-lo. Há cerca de um ano, o Dr. Manuel António Pereira assinou neste jornal um texto em que falava da letra do Hino, cantada por Ágata, pertencendo essa letra a Barroso da Fonte. Ignorava eu essa edição. E, durante estas férias, procurei em Chaves um exemplar desse disco compacto que me confirmou duas realidades: a alegria de ver essa marcha cantada por uma artista de projecção nacional e com a qual já me cruzei na «Praça da Alegria» da RTP, a tristeza por verificar que, onde deveriam constar os nomes dos autores, estava escrita a palavra «popular», possivelmente para que a discográfica pudesse furtar-se aos direitos de autor. Pior ainda: nos 24 versos dessa melodia aparecem sete gralhas de palmatória, desvirtuando a canção, no espírito e na forma.
Logo no 2º verso, onde deveria estar «Saiba-o bem toda a gente», aparece: «Saibam bem toda a gente». No 3º verso, onde está «supera as maiores entraves», deveria estar: «os». No 7° verso, onde está: «A luta», deveria estar: «Na luta». No 13° verso, onde escreveram «Somos de Chaves Unidos», deveriam ter escrito «Somos de Chaves. Unidos,». No Coro (refrão), onde chaparam «O Desportivo de Chaves», deveriam ter respeitado: «Meu Desportivo de Chaves». E, no 3° verso dessa quadra, onde aparece «joga sempre como sabe», deveria aparecer «joga sempre como sabes» (para rimar e dar sentido ao poema). E grave, gravíssimo, é a troca da palavra «guiar» por «Guião» no 6° verso do Côro, para rimar com «verdadeiro campeão», última palavra do 8° verso. Também a música sofreu profundas modificações, o que não aconteceria se tivessem falado com a família do autor, que tem o original, devidamente transcrito, como nós temos.
Deste lamentável episódio foi dado conhecimento à editora Espacial, por fax, em 3/10, que nem sequer deu qualquer justificação. E, embora sabendo que a actual Direcção do Desportivo nada teve a ver com o sucedido, foi-lhe comunicada a anomalia, na mesma data, tendo respondido em 22, a mostrar-se surpreendida e a disponibilizar-se para «cooperar no sentido de esclarecer e repor a verdade e legalidade dos factos, sendo caso disso». Importará dizer que também no site da Internet do Grupo Desportivo aparece a letra, sem o nome do autor e com os erros atrás assinalados. Apela-se à sua actualização.
Quanto ao diferendo, foi já participado à Sociedade Portuguesa de Autores para reparar os danos morais e materiais, o que se teria evitado se, em tempo útil, quem tomou a decisão, tivesse consultado os legítimos proprietários. Pela nossa parte concederíamos ao Desportivo mais esse contributo (na conturbada época dos anos 70 já tínhamos sido o vice-presidente da Direcção que levou o GDC da III à II divisão). E, certamente, o fariam os herdeiros do saudoso Carlos Emídio Pereira. Face à «morte» que nos causaram, felizmente vivos, veremos o que os tribunais decidem, se o diálogo não prevalecer.
Trata-se de um ato lesivo dos mais elementares direitos artísticos e implicando pessoas e instituições de bem, assiste-nos o direito de publicamente reclamar aquilo que nos pertence, cumprindo o princípio: o seu a seu dono.

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publicado às 22:30



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