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Por: Barroso da Fonte:

“Já não é a primeira vez que António Costa põe o país em estado de alerta. Fê-lo quando destronou António José Seguro. Fê-lo quando, após as autárquicas e logo a seguir, na preparação das listas para as legislativas. E fê-lo quando «saneou» alguns dos melhores quadros parlamentares que tinham votado em Seguro. E, perante uma derrota humilhante e indicativa do abandono do cargo, aguentou a queda, retemperou energias, num estrebuchar, próprio de quem dá o último suspiro e aí o temos, a assumir as rédeas da formação do governo, como se fazia no Estado Novo.

É sabido que seu pai foi comunista. E, se nunca deixou transparecer essa homenagem paterna, espreitou, agora, essa vontade: aliar-se ao PC e ao BE que, bruscamente, esqueceram os ataques que fizeram, durante a campanha, tanto contra o PS, como contra a coligação. Os arquivos estão disponíveis para testemunhar essas acusações, ora à coligação, ora ao PS.

Nunca, António Costa, durante esta campanha, disse que governaria com a esquerda moderada ou com a radical, se perdesse as eleições. O que sempre pediu foi a maioria absoluta. E este apelo apenas veio agravar a derrota, humilhante, ridícula e, sobretudo, vergonhosa, para quem acusou o camarada Seguro de ter tido, no ato anterior, uma vitória por «poucochinho».

Em condições normais seria uma derrota normal, porque em democracia, deve prevalecer a vontade dos eleitores. Em qualquer ato que se dispute, através do voto, resultará uma vitória e uma ou várias derrotas, consoante o número de candidatos. Nunca se coloca em dúvida se é por muitos ou por poucos votos. O que se diz é que «por um voto se perde e por um voto se ganha». Era o que estava em causa nas últimas legislativas. Avaliar a força política, (partido ou coligação de partidos) que somava mais votos e mais mandatos. Ora essa vitória, embora não sendo absoluta, foi ganha, democraticamente, pela coligação, chamada de direita. Ficaram 107 contra 86 deputados.

Esta regra, norma ou tradição, serviu para dezenas de actos semelhantes. Porque há-de ser, desta vez, inventada uma nova teoria? Será que a democracia que presidiu às primeiras eleições, em Portugal, e desde essa altura, é diferente daquela que ocorreu em 4 de Outubro de 2015?

Ao longo dos 40 anos de vigência democrática houve diversos governos que poderiam ter maiorias absolutas se essa norma fosse praticável. Não o foi porque os partidos menores eram radicalistas e esse radicalismo não era compatível com os princípios ideológicos. Essa ideologia, do «a favor» ou do «contra» é o «sal», o «fermento» e o «paladar» dos partidos políticos. Então se para governar não se respeitam esses princípios, por que motivo geram tantas discussões, debates e polémicas, no parlamento, nas assembleias municipais, nas juntas de freguesia?

É evidente que o poder seduz. Mas para se merecer é imperioso que se lute por ideias e não pelo oportunismo do mando, do poder pelo poder e daquilo que é «arranjo» de tachos para os próprios e para os assessores, compadres e comadres.

António Costa é um político insaciável. Habituou-se a fazer profissão da política e, na idade em que está, torna-se incómodo perder o prestígio e a redução das mordomias. Por isso perdeu nas urnas e espreitou na perda de maioria por parte da coligação, a tal teoria «da vitória» da esquerda. Como se a esquerda ou a direita tivessem nascido com o último ato eleitoral.

Ora as eleições não se realizaram para ver se ganhava a «direita» ou a «esquerda». Muito eleitor, se tivesse ouvido nos debates, nos comícios ou lidos nos panfletos que o segundo partido mais votado governaria com os votos da esquerda, os resultados seriam outros. Muitos dos votos que foram cair no BE, no PCP, ou outros, teriam outro destino.

Manuela Ferreira Leite, que António Costa elogiou na pré-campanha, afirmou à TVI 24, que «estamos perante um país em estado de choque, uma grande parte em grande pânico, pela interpretação que está a ser dada aos resultados eleitorais... Do meu ponto de vista, absolutamente abusiva corresponde a um verdadeiro golpe de Estado». Disse mais: «é inadmissível que a procura de uma solução de governo seja feita através de uma fraude aos eleitores. Se António Costa tinha na sua mente aliar-se ao PCP e ao BE, só tinha legitimidade para fazer essa negociação se tivesse dito isso na campanha eleitoral. Nunca anunciou tal. 70% do povo português não quer essa solução». Como bem defende o também socialista Francisco Assis «os socialistas devem ficar na oposição».

António Costa revelou-se mal preparado para a campanha. Pode ser muito sério e muito competente para governar. Mas não para presidir a um governo; porque não tem carisma, nem a sua aparente bondade, vem do íntimo. Os políticos, como os poetas, os músicos e os pintores devem nascer com esse timbre. Falta-lhe, por exemplo, a simpatia e o carisma de A. Guterres e até de Mário Soares, para citar apenas membros da sua Família política. A. Costa simpatizou com o charme e o estilo da Catarina Martins. Talvez essa espécie de inveja o tenha inspirado a levá-la para o «seu» governo, para sua ministra dos Negócios Estrangeiros. Seria a primeira aproximação ao Siriza com o qual Catarina estagiou. Se ela fosse tão boa governante, como se mostrou na campanha eleitoral, até valeria a pena. Mas ela sabe mais de teatro e de ensinar. Quando fizer a universidade da vida talvez ela seja eleita. Foi um amor à primeira vista. É tão intenso que nesse mesmo dia, afirmou aos quatro ventos que «o governo da coligação caíra definitivamente». Olhe que não. Catarina irá animar o Parlamento que já é bem bom. Costa irá abster-se na aprovação do Orçamento para que a Coligação possa governar até que a Família socialista se reconcilie, para disputar as futuras eleições. Tem de mostrar que é um Partido essencial à democracia Portuguesa. Neste momento não o é, por causa de António Costa. Talvez o fosse se A.J. Seguro não tivesse sido afastado do lugar legítimo de que foi afastado tão desprezivelmente”.

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publicado às 14:36



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