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Numa outra perspectiva

por aquimetem, em 15.08.17

Foi mais um dia de festa, o 4º dos 5 com que a Bajouca honra o seu padroeiro Santo Aleixo. Com Missa vespertina e solene, às 20h00, concelebrada pelo pároco, Sr. Padre Davide e o salesiano Sr. Padre Leal, presidiu o bajouquense Sr. Padre Melequiedes. Finda a celebração há  que procurar senha de entrada no restaurante da festa e esperar que chamem pelo número que contem. Os clientes vindos de perto e longe são às centenas e a ordem é rigorosamente respeitada no serviço e nas entradas.  Mas tive sorte, até no passar as quase 02h00 de espera para ser chamado. Como eu, também um casal amigo de bajouquenses de diáspora, conceituados dentistas em Lisboa, a Luz e Francisco, mais duas filhas ajudou a passar o tempo em amena cavaqueira. Fomos praticamente os últimos a ser servidos. Tanto assim que ao sair do restaurante já uma grande parte dos voluntários que generosamente formam a coluna vertical da festa rainha desta inigualável comunidade bajouquense estavam a servir-se à mesa depois de terem servido os outros. Grande pessoal

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O Sr. Padre Melquiades na homilia

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Um casal de velhos amigos

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Um aspecto do restaurante

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Pessoal de serviço

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 Numa outra perspectiva 

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publicado às 10:40


Ficou vazio e rendeu bem

por aquimetem, em 14.08.17

Reportagem fotográfica do andor do lugar da Bajouca Centro, nas festas de Santo Aleixo de 2017, desde o arranjo, ornamentação, enfeite com ofertas, na procissão e no leilão. Na garagem da Saudade "Rata" :

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Arranjo

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Ornamentação

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Enfeite com ofertas :

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Já pronto para sair e desfilar:

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 Agora muito bem conduzido ao ombro de  generosos bajouquenses do lugar lá desfilou em procissão, com outros seus similares dos diferentes lugares, no fim da Missa dominical e solene, que o pároco Sr. Padre Davide celebrou, às 14h30.  

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Após a procissão ficou despido graças a acção dos leiloeiros de ocasião os irmãos Sarradela, António e Arménio, e  colaboradores.  Ficou vazio e rendeu bem

 

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publicado às 13:02

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Por Barroso da Fonte:

Nasceu Miguel Torga em 12/8/1907 e faleceu em 17/01/1995. Já passaram 22 anos. Parece que ainda estou a vê-lo no meu Austin 1100, a caminho de Serraquinhos (Montalegre), onde fomos almoçor, a convite do seu amigo de caça, o popular Padre Joaquim Alves. De Chaves saimos três: o médico Mário Carneiro, o Padre Augusto Moura e eu proprio. O director das Termas de Chaves que tarda em ser homenageado como «pai» das renascidas instalações balneares, desde há duas décadas hospedava, na sua Casa da Rua Direita , o Dr. Adolfo Correia da Rocha. Este sempre vivera «da boleia», ora para o estrangeiro, ora no seu próprio reino Maravilho. Fora assim nas termas do Geres, nas Águas de Carvalhelhos e, naquela altura, nas Águas de  Chaves. Nada pagava nos tratamentos, tinha comida e dormida, de graça, na casa pessoal do então diretor Mário Carneiro.

 Foi este que mo apresentou em carne e osso para o «entreter», enquanto MC, tinha de cumprir o seu trabalho. O pequeno almoço era tomado, em grupo, no então Café Comercial. Pelas 15 h MC deixava-nos e era eu que, timidamente o «entretenha». Por essa altura apresentei-o ao Fernando de Magalhães Gonsalves que tinha ganho o 1º prémio nos  Jogos Florais de Chaves que eu passei a organizar, desde 1978. Foi esse estudo sobre o Telurismo na obra de M. Torga que os tornou amigos para o resto da vida. F.M. Gonsalves foi, segundo Torga, o ensaista Português que melhor interpretou a obra Torguiana. Só a morte de Magalhães (aos 43 anos) os separou. Mas a Mulher, em homenagem a essa Amizade, fundou a editora Tartaruga e, com essa marca vieram a publico cerca de dez livros, que Manuela Morais guarda entre cerca de 250 cartas ineditas e muitas dezenas de recortes e fotos, que a vida lhe reservou.

 Falta na minha biblioteca apenas a «Ansiedade», da obra de Torga. Mas tenho, em compensacçao, sete cartões pessoais que recordam as nossas surtidas a Verin, a Serraquinhos, ao Santa Cruz, a Boticas. Numa dessas viagens a Barroso, passamos em Casa de meus Pais, em Codeçoso , onde se travou um diálogo entre os dois médicos e minha Mãe, enquanto ela nos serviu, de merenda umas chouriças, em expostas nos lareiros e um caldo de couves. Deste relacionamento, para mim inesquecível, editei um pequeno opúsculo de que me servi para papel de carta. Chamei-lhe Torga e eu. Os 5 mil exemplares foram-se. E preparo uma reedição aumentada para o mesmo efeito. Os sete cartões que me dirigiu afrontaram Mário Carneiro a quem Torga nunca concedeu um autografo.  Durante cerca de 30 anos nunca Torga lhe pagou, fosse o que fosse em troca da hospedagem. Contentava-se com um autografo que nunca chegou. Reparo - só agora - que no prefacio do opusculo «Bichos», saido em 10ª edição. No Plano Nacional de Leitura (2016): «não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correto». Os grandes também escorregam... 

 

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publicado às 16:06


Um Campeão de 61

por aquimetem, em 09.08.17

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Foi na Região de Leira, do passado dia 03 de Agosto, que dei conta da noticia anunciadora da proeza deste meu familiar que, no estádio de Viby, na Dinamarca, o Licínio Pereira, aos 61 anos se tinha consagrado vencedor do Campeonato da Europa de Atletismo de Veteranos, em pista. Licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, este meu sobrinho cedo se apaixonou pelo desporto pedestre que de perto testemunhei, mesmo quando estudante aplicado que sempre foi. Hoje conceituado industrial com estufas na zona de Santarem, nem por isso deixa de se dedicar a um desporto que gosta e com muita dedicação pratica. Natural e residente no Coimbrão (Leiria), o Eng. Licínio faz parte do grupo Industrial Desportivo Vieirense (Vieira de Leiria-Marinha Grande). Ainda lhe não dei os parabéns pessoalmente, mas não tardará. Para já dou-lhos aqui.

 

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publicado às 16:20

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Por: Barroso da Fonte

A reversão marxista deste axioma foi introduzida na política portuguesa por Pimenta Machado,há duas décadas, quando dirigente do Vitória de Guimarães.
Quase parece que a vinda do Papa a Portugal trouxe consigo a doença da vergonha e a raíz de todos os males. Os meses de Junho e Julho que se seguiram a Maio puseram a nú as fragilidades da democracia. Não há memória de tantos e tão trágicos atropelos à normalidade do sistema. Pior do que o incêndio de Pedrogão, Góis e Castanheira de Pera e do assalto ao paiol de Tancos só o terramato maior do que o de 1755 ou uma Batalha de Aljubarrota.
Se ainda houvesse nos governantes uma réstia de vergonha, não seriam apenas os três secretários de estado, nem a ministra da administração interna e o ministro da defesa a demitir-se ou a ser demitido. Todo o governo deveria entregar o poder ao Presidente da República e demitir-se do comando dos destinos do país.
O jornalista Alberto Gonçalves, no Observador do último fim de semana foi claro: « é gente literalmente abjecta. Perante a tragédia, decretam o caso resolvido. Perante o desleixo, lembram desleixos maiores. Perante as dúvidas, confessam sentimentos. Perante as câmaras. Dão abraços».
António Barreto no suplemento do Correio da manhã de 9 do corrente respondeu a uma pergunta sobre o estado da nação: quando morrem 47 pessoas queimadas numa estrada nacional e desaparecem armas de guerra de paióis do Exército não lhe lembra o país que recebeu quando foi para o governo?»
- a morte daquelas 47 pessoas inocentes é mais dramática do que o roubo de armamento perigoso. O passa-culpas é uma das piores características da governação atual e talvez anterior. Para qualquer ministro, secretário de estado ou diretor-geral e ainda mais para os primeiros ministros, qualquer problema grave e sério é culpa do governo anterior. Isso é uma mediocridade política, de uma falta de honradez e de honestidade; e é, sobretudo, uma covardia e um oportunismo moral. Muito chocante. Quanto às florestas, há duas teorias: a de que somos todos culpados, pelo menos, desde Viriato, ou antes e depois há a de que as coisas têm princípio, meio e fim»
Questionado sobre se os partidos que suportam o governo são democráticos ou conseguem viver em democracia, António Barreto declarou que a «demoracia não é sagrada, nem vem em nehuma biblia. Ela é um arranjo entre classes sociais e forças políticas. Não é sagrada.É um estado e também um método de viver em coletivo. Não deve ser transitória nem instrumentalizada».
Sobre as férias em tempo de tão grave crise do primeiro ministro, António Barreto que foi Ministro da Agricultura, quando criou o slogan «a terra é de quem a trabalha» confessou que «na semana a seguir aos incêndios, andou a dar abraços e quando há tanta coisa para investigar, revelar, apurar, discutir, debater, reformar, na semana dos roubos, em Tancos, não há férias que resistam a isto.Ele deveria estar em Portugal em dez minutos e não dez dias ou uma semana depois».
António Costa tem sido protegido pelo guarda-chuva de Marcelo. Abandonou o país na hora mais grave. Duas catástrofes das piores da História de Portugal, provocaram uma terceira: o vazio de poder. Em vez de imitar ou fazer imitar o exemplo de Jorge Coelho que mal soube da queda da ponte de Entre-os-Rios, imediatamente se demitiu. Não esteve ele à espera de culpar os governantes que o antecederam na mesma área da governação.Foi pioneiro na moralidade política que deve fazer escola. Seguiram-se outros que fizeram o mesmo como o contador de «estórias». A ministra da Administração Interna, mais o ministro da Defesa e também o do ambiente tinham obrigação moral de fazer o que fez Jorge Coelho.Tiveram mais culpas os de hoje do que os de ontem. O PS de Jorge Coelho, era muito mais coerente com a ética política do que este PS de Costa que chegou ao púlpito, perdendo as eleições e chegando a primeiro ministro, aos ziguezagues do radicalismo mais paradoxal.
Enquanto António Costa esteve de barriga ao Sol fora do País, Portugal perdeu respeito, credibilidade e coerência. Não se deu tanto pela sua falta, porque o Presidente da República supriu, com vantagem, aquela ausência. Mas internamente reviveu-se o ditado: «Patrão fora, dia santo na loja». Esse desnorte mexeu com as Forças Armadas. Feriu o prestígio das instituições mais necessárias à defesa da Ordem, da Justiça e da paz social. Nunca em 42 anos de democracia um qualquer governo esteve tão fragilizado, um povo tão confuso e um futuro tão sombrio.
Na entrevista que A. Barreto concedeu dia 9 ao caderno do CM, afirmou que Costa é muito hábil. Mas hábil, ao contrário de ser ágil e pragmático, «já é um qualificativo venenoso, pois quem tem muita habilidade é um habilidoso e quem é habilidoso, também é manhoso, também faz artimanhas e ele é capaz de ter isso. Por exemplo, não sei o que está ele a fazer, agora, em férias, fora de Portugal». Este primeiro ministro, com um PR que não o abrigasse e o substituísse, sobretudo nas horas azarentas, não teria hoje a popularidade que tem perante o eleitorado. Há por aí uma empresa de sondagens, cujo responsável é militante socialista que aparece regularmente a branquear as horas impopulares. Armando Palavras, no Blog Tempo caminhado de 9 do corrente, escreveu: «Em 2015, cerca de meio ano antes das eleições de Outubro, dava ao PS a maioria absoluta. Em meio ano essa maioria absoluta escorregou para uma derrota estrondosa. Se não fosse a incoerência dos partidos da esquerda radical, António Costa, estaria hoje fora da quadratura do circulo porque Seguro e os Seguristas já teriam «arrumado» esse habilidoso, manhoso e oportunista.
O debate sobre o Estado da Nação de quarta-feira, 12, no Parlamento foi a consagração da máxima marxista que Pimenta Machado retirou do Futebol e a introduziu na política Portuguesa:
«O que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira». Toda a esquerda eriçou o pelo, abjurou os valores programáticos e beatificou António Costa e os seus muchachos, a começar pelo galarispo João Galamba, só comparável ao senhor José Manuel Coelho, da Madeira. Nem à pateada se cala!

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publicado às 13:47


Não se fiquem por aí.

por aquimetem, em 18.06.17

 

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Cercado por Castanheira de Pera, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Figueiró dos Vinhos, Pedrogão Grande é um município do distrito de Leiria, região Centro, da qual sou apreciador e tenho por todo esse espaço geográfico particular admiração. No meu trabalho “Nossa Senhora da Graça - Na Fé dos Mareantes” consagrei algumas páginas a esta região, onde neste fim de semana se deu uma tragédia com um fogo florestal que neste momento já deu conta de 62 mortos e 54 feridos graves.

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Uma série de amigos tenho muito afectos à região, o saudoso Evaristo que foi do restaurante Isaura, na Av. de Paris, em Lisboa, proprietário e era natural de Figueiró dos Vinhos. O saudoso guarda florestal do Parque de Monsanto, também em Lisboa, que da freguesia da Graça ( Pedrogão Grande) era natural ; bem como entre os vivos o meu comprovinciano João de Deus Rodrigues, poeta e prosador que ali foi por casamento encontrar a companheira e veio da continuidade por onde a gesta transmontana deixa rasto. 

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Aos familiares das vítimas que ficam em dor profunda, e não se consolam com palavras ocasionais…Faço votos que os abraços e palmadinhas…dos nossos políticos não se fiquem por aí…

 

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publicado às 15:34


Trás-os-Montes marca o ritmo da cultura.

por aquimetem, em 14.06.17

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Por: Barroso da Fonte

Na semana em que rebentou o escândalo no Convento de Tomar que «Sexta às 9» da RTP, difundiu e que – se não fosse a geringonça - já teria exigido a demissão do ministro da Cultura, cá por cima, continuam as estruturas culturais a marcar o ritmo que se faz e que os urbanos não conseguem vislumbrar.
Cá por cima fazem-se coisas, coisas boas, bastando sacudir os teares, repor as campainhas das vacas, no dorso dos gericos ou das cabras e carneiros, por troca com as vacas, que já não há quem as toque. Desses guizos, dessoutros chocalhos que os Caretos usam nas festas do carnaval e desses cornos retorcidos, que se colocam atrás das portas da cozinha, para afastar as bruxas, faz-se melhor festa do que essoutra que enche os ouvidos das moças atordoadas, com os auscultadores, rua fora.
Se as televisões mostrassem o que por cá se faz, os alfacinhas não se distraíam com a feira do livro que é grande no espaço e tem papel a mais e livros a menos.
«Cá por riba», as feiras do livro, têm os livros do povo que não entram nas Fnac´s, na Leya, no Circulo do Leitores.
Há um fosso cada vez mais profundo, entre o norte e o sul, entre a cidade e o campo, entre os chinelos de pé raso e o salto alto de quem nunca andou descalço.
Desde o Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, à Biblioteca Adriano Moreira, em Bragança, que alberga a Academia de Letras de Trás-os-Montes; desde a Feira do livro, em Montalegre, ao Grémio Literário, de Vila Real, ao Centro Cultural Aquae Flaviae, ao Fórum Galaico- Transmontano, em Valpaços; desde o Festival Literário de Bragança, às Feiras do livro em Mirandela, tudo mexe e remexe, gerando solidariedade, por troca com os moinhos de centeio, de todos os rios de Trás-os-Montes que mataram tanta fome, a contrastar com tão ignóbil esquecimento dos dia de hoje. As gerações que formam, hoje, os quadros da vida ativa do País, morrerão sem nunca saberem o que foram os moinhos, que importância tiveram na vida das pessoas e como
é doloroso, não se fazerem levantamentos sobre aqueles que existiram, alguns dos quais, caem de pé, como as árvores. Foi um tipo de construção artesanal, que demonstra a capacidade humana daqueles que nos antecederam e envergonha os professores que não souberam, nem quiseram ensinar, os artesãos que não reivindicaram a sua continuidade e, sobretudo, os políticos locais. Quantos autarcas se deram ao cuidado de mandar fazer um levantamento e reconstituição de património?
Enquanto escrevo estas desconexadas ideias, obviamente breves, reparo na televisão que mostra as cerimónias do Dia de Portugal. Este ano com cenário é diferente. Do Porto veio o nome de Portugal. É simbólica esta escolha. Mas continua a ser mal ensinada a História nacional. É que Portugal não começou noutro sítio, que não fosse na Batalha de S. Mamede, em Guimarães. E essa «Primeira tarde Portuguesa» não aconteceu em 10, mas em 24 de Junho de 1128. Foi há 889 anos. Tudo o mais que se seguiu faz parte da odisseia Portuguesa. Em 1580 faleceu Luís de Camões. Foi há 437 anos. Mas o dia dos nossos anos, é aquele em que nascemos. A data de 10 de Junho menoriza a Pátria que já tinha 452 anos de idade, quando morreu Camões.
Muitos dos que nos têm governado nestes quase nove séculos de História, mamaram nela mais do que lhe deram. Muitos daqueles que levaram a vida a escrever história, mercantilizaram mais do que deviam. E, alguns desses usaram-na para nela se perpetuarem. Autofagia em plenitude.

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publicado às 18:46


E as crianças Senhor !

por aquimetem, em 01.06.17

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Do Poeta e Prosador João de Deus Rodrigues recebi este belo poema às Crianças dedicado:

“E as Crianças, Senhor!
Homens parem de gritar,
E ouçam o silêncio do vento.
E meditem nos segredos do mar,
E na imensidão do firmamento.

E contemplem, também,
A coisa mais preciosa que o mundo tem:
Uma criança.

Reparem na candura do sorriso dela, a brincar
No colo de sua mãe, no aconchego do doce lar.

Longe,
Bem longe, do alcance de déspotas avarentos,
Que passam momentos
A jurar que só querem o bem,
De todas as crianças que o mundo tem.
Porque elas, lindas e queridas,
São anjos inocentes, o melhor das suas vidas.

Mas, isso, é só ruído.
Palavras dolentes, sem sentido,
Dos que não querem ver
Tanta criança a sofrer,
Por esse mundo além,
Abraçadas ao peito da sua mãe,
Chupando peles gretadas,
Que a sede e a fome ressequiram,
E jazem sentadas, junto do seu amado Ser,
De olhos enxutos, sem lágrimas para verter.

Ó desumanidade!
Ó crueldade!
Ó Senhor meu Deus,
Dizei-me por favor,
Porque há tanta criança abandonada,
A perecer com sede e com fome,
Torturadas pela dor,
Com a complacência de parte da humanidade?

Enquanto ao som de trombetas,
Em salões forrados de veludo,
Há criaturas que fazem juras, e tudo,
Dizendo que só querem o bem
De todas as crianças,
Porque elas são o melhor que o mundo tem.

Ó desfaçatez!
Ó Ingratidão!
Porque não calam elas a sua usura,
E refreiam a sua ambição?

E não pensam, por uma vez,
Que as migalhas que sobram da sua mesa,
E o escorrer das suas taças de cristal,
Bastavam para não morrerem,
Com fome, com sede e com mal,
Tantas crianças que juram amar.

Sim, ó vós?
Que em verdade sabeis,
Que elas estão a padecer.
Enquanto assobiais,
Julgando-vos imortais.

Que mundo cruel,
O vosso, com tão amargo fel!

Guardai as vossas lágrimas,
De serpente rastejante.
Guardai os vossos lamentos e ais,
Mas não venham dizer, de ora avante,
Ou jamais,
Que não sabeis, de verdade,
Dessas crianças com tanta necessidade.

Ou será que o fazeis,
Para melhor adormecerdes
Sobre o peso da vossa consciência!
Que julgais ser leve,
E pesa mais que o bronze.
Enquanto, não longe,
Se fina, num contínuo permanente,
Tanta criança inocente.

Não. Não venham com a falsa bondade,
Nem com a vossa sacra fé.
Porque isso mais não é
Que a negação da caridade.

O que me leva a acreditar,
Que nem os dóceis vermes da terra
Hão de querer tragar,
Os vossos corpos fedorentos.
E as moscas, e as formigas,
E até os ratos, seguirão tais intentos.

Ide para os Infernos,
Criaturas com tais sentimentos.

Ah!, se eu pudesse lançar um raio
Aos vossos corações de besouro,
Que vos afogasse nos palácios de ouro,
Erguidos sobre o sofrimento de tanto inocente,
Eu o faria, num repente!

Sumam-se!
Porque até o doce mar profundo
Não vos há de querer sepultar.
Nem as flores silvestres,
Emprestar o seu perfume.

Evaporem-se,
Corja de malfeitores.
Para que haja um mundo melhor,
Mais generoso e fraterno,
No amor e na esperança,
Com o sorriso de uma criança!

Mas não vos esqueçais,
Que partis sem o perdão dos que cá ficam.
E sem a misericórdia e contemplação,
Dessas crianças que estão no Céu,
Enviadas pela vossa mão.

In Livro “O acordar das emoções” – Tartaruga Editora”.

 

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publicado às 14:15

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 Por: Barroso da Fonte

«O 13 de maio ainda é o que era. Se calhar, nunca foi tão avassalador como este. O centenário das aparições em Fátima na presença do Papa? Benfica a caminho de um inédito tetra? Salvador Sobral na iminência de mais um brilharete no Festival da Eurovisão? Tudo a 13 de maio? Os três F (futebol, fado e Fátima) de outros tempos reganham força em 2017, só com uma pequena substituição musical. Os portugueses vão voltar a estar bem entretidos neste sábado, com vários tipos de emoções ao rubro, de manhã, ao final da tarde ou à noite. Assim não se perde pitada».
Esta questão foi colocada por Gonçalo Palma, ao meio dia de 12 do corrente, no seu blogue. Na noite do dia 13, tudo se tinha cumprido: Fátima foi o palco mundial, dignamente programado, os dois mais jovens Santos da Igreja Católica, foram canonizados na terra em que nasceram, o Papa regressou, sem qualquer incidente; e os dois feitos naturais que se seguiram nesse mesmo dia - : a vitória do «tetra» para o Benfica e o triunfo de Salvador Sobral, no festival da Eurovisão, foram tão surpreendentes que levaram muita gente a interrogar-se sobre se tão invulgares sucessos, na mesma data, ato contínuo à despedida do Papa Francisco, ainda naquele clima emocional do Santuário Mariano, não seriam sinais (ou hierofanias = manifestações) do divino.
Não sou teólogo, não sou exemplo para ninguém sobre a minha religiosidade, sou crente, a religião que professo dá resposta às minhas dúvidas e, depois de tantos fracassos pessoais e comunitários, sempre esperei que um dia fosse surpreendido por qualquer sinal, vindo do alto.
Mais me convenci deste sortilégio pela paz interior que as imagens de Fátima me tocaram: a felicidade de ver tanta gente, irmanada, vinda de tão longe e em condições tão adversas, que nenhum conselheiro humano, por mais convincente que fosse, seria capaz de exercer em mim ou noutros como eu, influências tão fortes e tão generosas. O fato de ver e ouvir o Bispo de Fátima, António Marto, anfitrião dessa moldura humana, sendo ele um Transmontano (de Tronco, Chaves), que foi meu condiscípulo seis anos (entre 1957 e 1962) reconfortou-me tanto, esse orgulho telúrico e humano que eu próprio partilhei essa gratidão interior que terá sido extensiva aos antigos alunos do Seminário de Vila Real.
Recordo aquilo que essa minha geração viveu. Por sermos oriundos de famílias numerosas e sem rendimentos, não podíamos optar pelos liceus e escolas públicas. A alternativa eram os seminários. Essa diferença social refletia-se pela vida fora. A classe livre e a classe pobre. Aquela refugiava-se na liberdade de nada lhe faltar para «cultivar» o sinal distintivo que os superiorizava no estatuto académico e profissional. Esta sujeitava-se à seleção natural: uns «marravam», eram zelosos e impunham-se pelo saber e pelo cumprimento rigoroso da disciplina interna. Outros transigiam e, aqui ou ali, davam sinais de insegurança pelo que iam abandonando.
Pertenci a este número. Mas nunca me arrependi, antes mantive pela Instituição, pelos professores e, sobretudo pelos meus condiscípulos, total solidariedade, admiração e respeito.
Gilberto Canavarro Reis,(1951), Amândio Tomás (1955) e António Marto (1957) prosseguiram estudos e ascenderam, por mérito próprio, a Bispos. Ainda estão todos vivos e, felizmente, com saúde. São o nosso orgulho, como tantos outros que ocuparam altos cargos na Jurisprudência, nas cátedras universitárias, na administração de empresas, no funcionalismo e até na política ativa. Nenhum de nós tem complexos de inferioridade. Antes prestigiaram sempre, a Instituição que nos preparou para a vida e à qual anualmente regressamos, no 3º Sábado de Maio. Sempre que um antigo aluno aparece em público e o localizamos, logo torcemos por ele, para o bem ou para o mal. Felizmente, como agora aconteceu, com o Doutor António Marto, ao vê-lo a abraçar o Papa Francisco e a falar para cerca de um milhão de presentes e a muitos milhões de católicos de todo mundo. Aquele sotaque e aquele sorriso que as televisões mostraram, é como se aquele fortíssimo abraço ao Papa e ao mundo também fosse nosso. Eles nos representam. Nós deles nos orgulhamos!
Mas não devemos confundir a religião com o clubismo. A festa do Benfica é trivial. Venceu, justamente, mais um campeonato. E ainda há-de vencer mais. Mas, embora as televisões tenham ofuscado a grandiosidade do 13 de Maio, com o Tetra do «Benfiquismo», nada de comparável com a universalidade de Fátima. E nem sequer com a Vitória, mais que merecida de Salvador Sobral, no Festival de Eurovisão. Este feito foi enorme, já tardava e tudo o que se possa confundir com mais um milagre de N. Senhora de Fátima é pura fantasia. Aceita-se enquanto modelo de grandeza e de pioneirismo. Entre 1956 e 2017 já houve 61 festivais da canção. Este que ocorreu dia 13 de Maio, foi pura coincidência. Mas para Portugal valeu – isso sim – por termos andado mais de meio século a brincar aos festivais da canção. Salvador Sobral e a irmã Luísa, venceram pela sua simplicidade, pela certeza de que fizeram o melhor que sabiam e, perante 18 países a atribuírem a classificação máxima a Portugal, foi feito que nunca qualquer outra canção ou outro qualquer país concorrente havia conseguido. E por isso valeu a pena.
Trago este tema à praça pública para glorificar as consciências que andam empedernidas, açaimadas e raivosas, na tentativa de branquearem o que foram, o que são e o que valem. Em qualquer parte do planeta como em Terras de Barroso.

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publicado às 22:48


Um soneto para a eternidade à Gete

por aquimetem, em 18.05.17

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Por: Barroso da Fonte: 

 

Um soneto para a eternidade
à Gete
Tu que eras nesta vida a minha vida,
O meu encanto, o meu primeiro amor,
Deixaste-me e partiste, excelsa flor,
Abandonado e triste, alma incontida.

Abraçaste-me à hora da partida
Sentindo no teu peito a minha dor.
Trocaste-me por Deus, Nosso Senhor,
Que te elevou à Terra Prometida.

Descansa em paz, na paz da Eternidade,
Enquanto permanece o desencontro,
Anseio ver-te, e breve, como então.

Eu aspiro, contigo, à Divindade,
Deixar este calvário em que me encontro
Longe de ti, tão longe e sem razão.
Cláudio Amílcar Carneiro

O autor deste belíssimo soneto – Cláudio Amílcar Carneiro - nasceu em Chacim, em 1931. Aí viveu os primeiros 30 anos, com uma única interrupção: o serviço militar na Índia( Goa), entre 1955 e 23 de Maio de 1957. Faz agora 60 anos. Só nessa altura desiste de guardar o gado, a meias com mais sete irmãos. Já homem feito, completa a 4ª classe, que lhe deu para colaborar em jornais, como: «Heraldo» e «Diário». Regressado à Pátria Lusa, arranja forma de retomar os estudos básicos e curso geral dos Liceus. Chega a frequentar o Curso Superior de Direito e retoma o gosto pelo Jornalismo e pela literatura. Passa a publicar, preferencialmente, poesia em jornais e revistas como: Poetas & Trovadores, Mosaico, Notícias Metrópole. Em 1966 estreia em livro. Desde aí não descansa. Mais tarde, entra na ficção e, ora em prosa ou em poesia, a sua obra soma e segue, a um ritmo qualitativo e quantitativo que faz deste vate um caso sério.
Em toda a sua produção, mormente na poética, deslumbra quem o conhece pelo seu repentismo, pela sua introspeção e apreensão caleidoscópica. Esta subtileza psíquica faz de Cláudio Carneiro um especialista da mais popular quão difícil modalidade poética que é o soneto. Mais parece uma das modernas tabletes, telemóveis e máquinas fotográficas que substituem em qualquer momento, os materiais específicos. A Cláudio Carneiro basta olhar o objeto que pretende fotografar e, instantes depois, surpreende-nos com um poema que retrata, fielmente, os dotes físicos, psíquicos, científicos, éticos e sociais de um ser humano, com o qual se cruze e entenda dissecar. São centenas e centenas de poemas, essencialmente sonetos, dedicados a pessoas que conhece e sobre as quais pretende exaltar os seus dotes intrínsecos.
Recentemente faleceu sua Mulher Georgete. Foi o seu anjo da guarda por toda a vida. E, inconformado com essa subtração, reproduz nestes catorze versos, um secreto desejo do reencontro na eternidade. A melhor prenda dos seus 86 anos completados dia 8 deste mês.

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