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Cabecinho de Nisa

por aquimetem, em 29.11.11

          No domingo passado, dia 27, fui almoçar a Nisa, e assim satisfazer um convite para esse efeito que nas vésperas me foi proposto. Tinha saído de Lisboa na sexta-feira para passar por inteiro esse fim de semana na capital do barro leiriense, mas nestas coisas, como em todas, o homem põe e Deus dispõe. De forma que no domingo, uma vez comprometido com a palavra sim, após a missa das 09h, lá arranquei estrada fora com destino à terra que diz Leite de Vasconcelos tomou nome de mulher que  em tempos idos se notabilizou.

            Vila Velha do Ródão. - Às 10h30 deixei a terra do beirão Padre Jerónimo para directo a Pombal entrar na IC8 que por Ansião e Pedrógão Grande deixei em Proença a Nova, de modo a encontrar depois a IP2 e logo a seguir a EN 241 que por Vila Velha do Ródão conduz a Nisa.

 

          Portas do Ródão, espectacular geositio visto da  ponte sobre o Rio Tejo que separa aqui os distritos de Castelo Brando e Portalegre por Vila Velha do Ródão e Nisa, respectivamente. Ainda conheci este sedutor local antes da construção da barragem do Fratel que lhe veio roubar encanto e às águas qualidade.

          Com a freguesia e paroquia de Nossa Senhora da Graça por padroeira, a vila de Nisa é sede de um concelho constituído por 10 freguesias, a saber: Alpalhão, Amieira do Tejo, Arês, Espírito Santo, Montalvão, Nossa Senhora da Graça, Santana, São Matias, São Simão e Tolosa . Vila muito airosa e bem enquadrada na paisagem que envolve  esta região fronteiriça do Alto Tejo, lá fui nesse dia poisar no nº 14 da Estrada das Amoreiras e na Flor do Alentejo almoçar à boa maneira alentejana.

          Uma vez ali, a visita ao cabecinho de Nisa-a-Velha não podia escapar-se. E assim aconteceu. Afastado do centro da vila cerca de 4km para lá embiquei de modo a poder observar  in loco um santuário de devoção mariana similar ao que na freguesia de Vilar de Ferreiros (M. de Basto) se venera no alto do Monte Farinha: Nossa Senhora da Graça. Creio que a primeira vez que dei realce há existência deste culto Graciano em Nisa foi em Junho de 2006, quando iniciei um arrolamento à volta de todas as freguesias de Portugal  que têm por Padroeira Nossa Senhora da Graça, e que se bem contei no total (com Açores e Madeira) são 82.

          Nesse lugar que dizem teve origem a formação da Nisa que hoje conhecemos, ficou espaço livre para erguer no topo um santuário mariano a Nossa Senhora da Graça, e assim colocar o local sob protecção de Nossa Senhora a perpetuar no tempo o passado histórico da terra e da sua gente.

          Falando da ermida, dizem ser do séc. XVI, mas muito modificada, tudo parecendo indicar ter sido edificada sobre outra mais antiga, talvez do séc. XIV ou XV. O facto de ter/ou ter tido ermitão já por si atesta-lhe muita importância e antiguidade. E os aposentos, agora vazios, ao fundo do escadeiro são bem demonstrativos da recompensa atribuída ao cargo.

          O acesso ao templo faz-se por uma pequena escadaria directa à entrada do templo ou por ladeira muito suave e ampla que desemboca no adro.

           Se necessário quem quiser pode subir de carro até ao cimo do cabeço, mas a visita a pé dá outro prazer e sabor de romaria. 

          Pena tive foi encontrar um local com tando valor histórico e religioso na região, mas sobretudo na vila de Nisa, completamente deserto e com as portas fechadas mesmo aquela hora de domingo. Pesar ainda maior por ter deixado de ver in loco a imagem de Nossa Senhora da Graça que dizem ser do séc. XV, e que repintada recentemente ocupa no Altar-Mor o lugar de padroeira. 

  

          Curioso foi ir encontrar ali uma velinha acesa que, dentro de um garrafão de plastico para a proteger do vento, algum devoto de Nossa Senhora da Graça ali tinha ido há pouco colocar sob um azulejo com a imagem da Padroeira embutido no lado norte da ermida. 

 

           Topo da escadaria.

           Sedutor panorama recolhido do adro

 

           Topo do acesso ao adro pela ladeira.

           Video que dá aqui do actual  cabecinho de Nisa uma melhor ideia.

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publicado às 12:09


6 comentários

De mg a 29.11.2011 às 13:00

Pois é...foi à igreja e não viu os santos, neste caso a Sra. da Graça...
Bonito cá de cima, sim senhor!
Por acaso , tinha lido esse post que fez , de alusão a esses cultos Gracianos em 2006. Mas pensava que a nossa Sra. da Graça seria a única...vaidades...

Pois Nisa é realmente bonita. Espero que tenha almoçado bem...

De aquimetem a 29.11.2011 às 18:57

Nisa é uma vila alentejana muito bonita de facto, nunca lá tinha almoçado ou jantado vez alguma mas fiquei avezado sempre que calhe já sei o cantinho. O que os olhos alcançam lá do cerro da Senhora da Graça é encantador quase faz lembrar o Monte Farinha. Também aqui a diferença é que Nossa Senhora da Graça deu o nome à freguesia onde a ermida está localizada, enquanto na nossa terra foi São Pedro de Vilar de Ferreiros o felizardo e por isso anfitrião de Nossa Senhora da Graça (Monte Farinha ) em terras de Basto.

De Costeira da Murta a 30.11.2011 às 13:35

Adeus ò feira de Castro
Tiro o chapéu ao estimado repórter que, ao condimentar os seus post's com um fiável detalhe histórico, se arrisca a competir com o já debilitado José Hermano Saraiva.
Nos lugares por onde passa, não descansa enquanto não for ao fundo da questão, da origem, da razão ou do porquê. Parabéns!
O IP2 , via que, pelo interior liga Faro a Bragança, passa à ilharga de Castro Verde no Alentejo.
Lá como nos locais por onde passou o estimado repórter , bonitas paisagens, templos e santuários, não faltam.
Pena é que poucos são os que estão abertos para neles se poder entrar. Sinais dos tempos.
Certo homem, alentejano de gema, lá dos lados de Ourique, apanhou a camioneta para ir à feira de Castro, que acontece todos os anos em Outubro.
Lá, em vez se apreciar o sempre excelente cartaz, pôs-se de cavaqueira bem regada com os compadres. Quando deu por si, já era noite e a camioneta para o regresso também já era.
Agora só de boleia ou a pé ao longo do IP2 até Ourique. Assim fêz. Pôs-se a caminho, mas rapidamente desanimou, porque poucos carros passavam e boleias muito menos.
Com o seu cajado a apoiar a marcha e a raspar no chão, acabou sentado à beira da estrada e como que arrependido de só se ter lembrado do vinho e esquecido dos tombos, lamentava-se:
Adeus à feira de Castro
Já me estou arrependendo
Tenho a ponta do pau gasto
e as bordas do cu ardendo.

Embora tenha sido pastor, o estimado repórter , não terá passado por provação semelhante, porque os seus passeios, que não serão baratos, são de certo isentos de pomada como a de Castro Verde e mesmo que o fossem não faltariam bons e confortáveis assentos anti assado para poder continuar com boa saúde a desfrutar das sua originais viagens.
Saudações

De aquimetem a 01.12.2011 às 19:31

Razão tem a minha conterrânea em lançar hipótese sobre quem será a figura que sob o pseudónimo de Costeira da Murta faz parte dos comentadores de aquimetem. Eu que já tentei averiguar por mais que vez, sempre falhei, e a partir da ultima pensei que o melhor era viver na ignorância; que é um estado em que muitos portugueses como , eu, vivem alegremente. E agora mais confuso me deixou com essa do "pau gasto", mas sobretudo com a das "bordas do cu ardendo". Que todos nós andamos hoje com o rabiosque arder é uma verdade, mas o cajado...só se gasta se não for usado.... Gostei , mas quanto à IP2 , se corresponder à antiga ENnº2 é a que liga Chaves a Faro. Ainda o hei-de descobrir, no Castro ou fora dele. Bem haja

De an a 30.11.2011 às 19:10

...Humm...O que é que se teria passado nesta peregrinação para vir cá o Sr. Costeira da Murta..."ventilar"...?? Ai Jasus...

De aquimetem a 01.12.2011 às 19:35

O que acabo de dizer ao Sr. Costeira da Murta. Atira a seta, mas esconde a harpa . Bom feriado

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