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Artur Agostinho

por aquimetem, em 22.03.11

          Portugal ficou hoje mais pobre, com o desaparecimento físico de um dos seus mais brilhantes comunicadores sociais que na Rádio, Cinema, Teatro, TV e Jornalismo desportivo se notabilizou: Artur Agostinho! Natural de Lisboa, onde nasceu a 25 de Dezembro de 1920, este distinto homem da comunicação social é um exemplo para quem na vida quer progredir por mérito próprio e dedicação ao trabalho profissional. Com setenta anos de actividade muito variada nestas andanças da comunicação, do seu curriculum muito vasto sobressaiem a sua actividade  jornalística em várias  rádios, desde a Emissora Nacional de Radiodifusão, a Antena 1, a Rádio Renascença e o Rádio Clube Português, tendo sido também fundador da RTP.  

          De seu nome completo Artur Fernandes Agostinho, o saudoso radialista e locutor futebolístico inconfundível, embora natural de Lisboa herdou por parte da mãe, que era minhota, a fibra da gente nortenha que por regra ama e respeita as suas origens. Ainda conheci em meados da década de 60, um seu tio materno que viveu em Belém, e que me falava do sobrinho, muito ocupado e sempre sem tempo para receber visitas. Opinião idêntica ouvi da boca do meu saudoso amigo Dr. José Avelino Marques que com ele trabalhou na rádio e numa empresa de publicidade. Referências que se vão perdendo.

          Para evitar os efeitos provocados pela onda de excessos que nos primeiros dias após o  25 de Abril se verificaram em Portugal, com perseguições, calunias e atentados à integridade física de pessoas Artur Agostinho foi forçado a deixar o país rumo ao Brasil, onde durante dois anos trabalhou para a Globo. Regressado do curto cativeiro a que se tinha sujeitado voluntariamente, foi na Rádio Renascença que começou a sua reabilitação, ao lado de outro também consagrado jornalista desportivo, que é Ribeiro Cristóvão. A titulo de curiosidade recordo que foi precisamente na secretaria dos Amigos da Rádio Renascença, onde também hoje cerca das 11h00 tive conhecimento deste infausto desenlace, quando ali me encontrava a pagar a cota de associado   

        Com 90 anos feitos no passado dia de Natal, só por isso não recebeu nesse dia, das mãos do senhor Presidente da Republica, a Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada o que sucedeu três dias depois, a 28 de Dezembro de 2010. Merecida condecoração em peito de "leão", com alma lusitana e fiel aos seus ideais, que por isso também Deus o tenha nos seus eleitos. O saudoso comunicador faleceu no Hospital de Santa Maria, vitima de uma paragem cardíaca, e o seu funeral realiza-se amanhã, com missa de corpo presente às 14h15, da igreja de São João de Deus, na Praça de Londres (Lisboa) para o cemitério de Benfica. Deixa obra e deixa rasto.   

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publicado às 18:31


4 comentários

De g a 24.03.2011 às 16:06

Aqui está também um completo trabalho em homenagem a Artur Agostinho.

É sempre triste, deixarmos de ver as caras tão familiares, que nos fazem chegar noticias, filmes, novelas e tantas outras coisas...caras que, com o hábito, começam a completar-nos a vida, já quase como família ou amigos, tal é a assiduidade com que entram em nossas casas através dos meios de comunicação.
Realmente , mais um grande comunicador que se perde.

De aquimetem a 24.03.2011 às 18:04

Merecia mais, mas cada um só dá aquilo que pode, e foi o que fiz. Sempre fui seu admirador, e quando em jovem sofria muito da bola foi que me tornei seu admirador, pois ao ouvir os seus relatos nunca descobri a cor do seu clube , tal era sua imparcialidade no trabalho profissional. Como no comentário diz estas pessoas pela sua popularidade tornam-se de facto nossos familiares que embora virtuais nós estimamos como de familiares de sangue se tratasse. Artur Agostinho entrou e fica na memória das famílias portuguesas.

De Dylan a 25.03.2011 às 12:00

A voz que atravessou gerações, o homem dos sete ofícios, o verdadeiro desportista, competente, da paixão pelo arrebatador Sporting dos "cinco violinos". A suprema ironia: o comunicador nato incomunicável numa cela de Caxias, preso pelos revolucionários que cuspiram nos ideais de Abril a troco da imposição da sua democracia. Fazendo jus ao nome, o Artur, corajoso e autoconfiante, começou uma nova vida aos 50 anos no país irmão, porque o nosso, maldizente, fechou-lhe as portas. Voltaste, rejuvenescido e aclamado até chegar o descanso, nobre Leão, com a certeza e a consciência de que nunca te arrependeste de nada na tua exemplar vida.

De aquimetem a 25.03.2011 às 15:27

Já nem me lembrava desse triste episódio da prisão, mas agora recordei. Foi! O País naquela ocasião entrou em loucura, e só recentemente tomou consciência disso e anda à procura de médico para se curar. Mas estas doenças do foro psiquiátrico não se curam com receitas é com atitudes responsáveis que escasseiam. Obrigado pelo vosso comentário que reforça a admiração que sempre nutri pelo inesquecível Artur Agostinho. Bem haja.

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