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Padre Fontes, agora em 2ª edição

por aquimetem, em 04.03.10

          Não ficava de bem comigo próprio se entretanto não viesse a publico penitenciar-me do pouco relevo que dei a uma das figuras barrosãs que na jornada cultural ocorrida recentemente em Lisboa foi dos principais animadores. Refiro-me ao montalegrense  Hélder Alvar que  só conhecia de nome e da leitura de um  ou outro artigo de jornal. Isto para dizer que conversei com um transmontano que me falou da minha terra e de conterrâneos meus, como que de Barroso estivesse a dialogar. O que entretanto não foi o suficiente para eu identificar o personagem, e muito menos  me atrever a perguntar-lhe directamente pelos atributos culturais com que carrega. O gosto de satisfazer a curiosidade  é maior quando feito com trabalho de pesquisa. Foi o que fiz! 

 

          Hélder Fernando Vilamarim de Alvar, nasceu em Vilar de Perdizes, Montalegre, em 28-1-1955. Fez o liceu e o Magistério Primário em Chaves. Antes de emigrar leccionou em Sandim,Telhado, Fiães, Meixedo e Carriço (Montalegre). Radicou-se em França, como professor de Língua e Cultura Portuguesa no estrangeiro, onde também estudou na universidade de PAU e na universidade  de Paris VIII. Licenciado em Relações Internacionais, o Prof. Doutor Hélder Alvar fez DEUG  em Sociologia na universidade de Strasburgo e em Portugal tem trabalhado em diversos projectos culturais com figuras como: Pe. Mourinho, Pe. Fontes, Helder Pacheco, Jorge Alarcão e outros que na peugada do labor  incetado por um Leite de Vasconcelos e um Abade do Baçal no campo da cultura são exemplo.

          Na posse do esboço que na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa teceu à volta do Sr. Padre Fontes, entendi valer a pena divulga-lo, pois assim mais fácil se torna formar opinião à volta destes dois montalegrenses que se respeitam por um mesmo ideal : o amor à terra e à cultura popular barrosã. Eis a forma de sentir e dizer de um barrosão à volta de uma petição a dirigir ao Sr PR para condecorar o conhecido sacerdote de Vilar de Perdizes:

Um homem assim merece ficar na história

          " E aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando, cantando espalharei por toda a parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte"

Luis de Camões in "Os Lusíadas" canto I, II estrófe, versos V a VIII - Proposição. 

          " Ninguém é igual a ninguém. Na minha vida de cidadão e de padre , sempre procurei aprender a ser igual a mim mesmo, abrindo-me à luz venha ela donde vier, de dentro e de fora da Igreja" - ct: Padre Fontes in " Auto retrato".

          O meu melhor amigo de sempre depois do meu pai e dos meus filhos que ele baptizou, é o Padre Fontes. Na década de setenta a oitenta, tive o privilégio de com ele seguir no barco para muitas tarefas de preservação da cultura das nossas terras e das nossas gentes. Labutamos em comum por aberturas de escolas e telescolas, a fim de travar o castelhano que invadia Portugal por televisão. Criámos juntos  o posto da telescola de Vilar de Perdizes, subindo a telhados e montando antenas altíssimas para captar Portugal. Comemos caldo de pedra algumas vezes lado a lado, após dias inteiros da azáfama à procura dos vestígios megalíticos dos nossos primeiros habitantes e da cultura castreja, exploramos castros Bíbalos-povos que, com outros Tameganos, construiram a ponte romana de Chaves, descobrimos aras e vias romanas, fizemos estágios e formações em conjunto e criámos  com Carvalho de Moura, ex-presidente da Câmara, o primeiro Museu de Montalegre no Milenário de S.Rosendo. 

          Graças à sua incomparável força de combate, à sua perseverança, prosperou a ideia de colmatar a falta de médicos e criou ele e os seus mais directos colaboradores, usando a imprensa local e nacional do Algarve ao Minho, o Congresso das Medicinas Alternativas em nome daqueles que nunca têm a palavra. Deu visibilidade a Vilar de Perdizes, ao planalto do Barroso, a Trás-os-Montes em geral e a Portugal no Estrangeiro. Iniciativa essa, que visava abrir diálogo social entre populações carecidas, tirar os poderes públicos do marasmo e abrir os espíritos à interculturalidade.

          Sem o incentivo dessa personagem hoje tão mediática quão carismática, eu não teria provavelmente realizado os "sonhos" que realizei com ele e na diáspora que vivi. Aqui lhe fica a minha homenagem tomando a iniciativa neste movimento como forma de gratidão.

          Como eu, inumeros estudiosos estrangeiros por esse Mundo fora, muitos portugueses por este país, não menos amigos desta região, académicos de  todas as latitudes, não teriam enriquecido as suas teses, concluído os seus trabalhos de pesquisa, validado as suas hipóteses, elaborado os seus relatórios, as suas dissertações, criado os seus conteúdos, publicado as suas obras.

          Quantos jornalistas não se formaram, elaborando as suas crónicas ou relatando o quotidiano do Padre Fontes? Qual Universidade Europeia não tem nas bibliografias das suas bibliotecas citações, alusões ou paráfrases do nosso etnógrafo? Quantos não o citam como Alain Tranoy, Gilles Cervera, Gérard Fourel, Michel Giacometti, Anne Cauffrez, Mouette Barboff, Viegas Guerreiro, António Colmonero, Rui Mota, Geneviève, Coudé-Coussin, Julio Meirinhos, António Martinho, René Barbier, Ana Paula Guimarães, Baquero Moreno, Alexandre Parafita, Xerardo Dasiras Valsa, Viale Moutinho, Barroso da Fonte, Hélder Alvar, Gomes Sanchez, Bairão Oleiro, Irisalva Moita, Pais de Brito, Belarmino Afonso, António Moutinho, Reine Accoce e tantos outros para não enumerar os que por cá vão andarilhando? Que o diga a poetisa Natália Correia lá no alto do Olimpo, a quantos os seus cuidados paliativos foram atenuantes  na sua agonia final antes de patir para a longa viagem.    

          O Padre Fontes é um humanista! Um homem sóbrio, frugal! Um homem sábio. O expoente máximo do altruismo como ser humano. O santo vivo da região que defende. O etnógrafo que retrata com nitidez a imagem telúrica do seu concidadão quanto uma máquina fotográfica põe em exergue, as rugas que modelam a sua face - igual às rochas erodadas do clima da sua terra, que assim escavou os sulcos do seu  rosto. A cópia das escarpas serranas que um dia Kenyak, pintor japonês, retratou nas suas telas. 

          Os mais de mil testemunhos que me corroboram são a elequência da grandeza deste personagem único, a quem o cinema veio procurar desde as longas metragens de Philppe Constantinni a documentários etnográficos em que Manuel Oliveira se inspirou no "auto da Primavera" e para em "5 dias, cinco noites" consagrar a multifacetada existência ao serviço dos seus e das suas causas. Citando o Doutor João Sanches, o Padre Fontes, "escolheu dedicar a sua vida aos outros, elaborando assim , o seu próprio estilo de vida".

          O Padre Fontes merece reconhecimento. Um homem assim precisa de ficar na história, servir de paradigma  às gerações que neste país e na sua terra, rebuscam os caminhos da realização. O Padre  Fontes pela sua vida e sua obra, merece ser agradecido . Merece como os maiores, ser agradecido e condecorado. Creio que o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em 10 de Junho, seria o palco ideal para que o Sr. Presidente da Republica lhe consagre essa atenção. Já merece.

          Oxalá, pois, o meu desejo e o de quantos me acompanham nesta empresa que testemunharam em abono da verdade, se façam entender e atender por quem de direito.

Prof. Doutor Hélder Alvar>  

           Eugénio Mendes Pinto é natural do lugar de Formariz,  freguesia de  Bitarães, concelho de Paredes, onde nasceu a 14 de Julho de 1970. É jornalista  pela  Escola Superior de Jornalismo do Porto, onde se licenciou em 1994, escolhendo para tese Olhar Sobre o Tratamento da Imprensa nos Congressos de Medicina Popular. Em 2001 publicou a biografia do Padre Fontes, agora em 2ª edição.  

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publicado às 18:43


4 comentários

De mg a 05.03.2010 às 23:26

Um belo e completo trabalho de casa, a favor do próximo!
Muito interessante e útil, principalmente a pessoas como eu, que me encontrava a leste , sobre a vida em prole dos outros e a eloquência, destes grandes Senhores do Barroso.
Confesso que fiquei deslumbrada com a sabedoria, o humanismo ,a singelesa e ao mesmo tempo, a nobreza de sentimentos, que vi no Padre Lourenço Fontes.
Parabéns ao Conterrâneo que também dá um belo exemplo de solidariedade, com a divulgação deste trabalho aqui no blog.
Abraço.

De aquimetem a 07.03.2010 às 23:47

E eu é que tinha jeito para falar do púlpito !!! Não há duvida. Lá que gabe os nossos ilustres comprovincianos de Barroso, tudo bem, mas dar-lhes toda a "sabedoria, humanismo e singeleza " alto lá! E então os nossos conterrâneos mondinenses e o resto das figuras transmontanas que como a Mg estão no que fazem e fazem o que deve? Mas o seu a seu dono, realmente tanto o padre Fontes, como o Barroso da Fonte e Bento da Cruz são figuras que não só honram Montalegre como Trás-os-Montes, e Portugal inteiro. Também a si um obrigado pela carinho com que acompanha os eventos ligados à cultura e vida social dos transmontanos. Os meus parabéns que deixo em véspera do Dia Internacional da Mulher, amanhã, 8 de Março! Tenha um bom dia.

De an a 22.02.2016 às 13:42

PADRE FONTES- 22 DE FEVEREIRO DE 1940 - CAMBEZES DO RIO-BARROSO

In Romance de Uma Vida - Eugenio Mendes Pinto

(...) ...
Sigo para Randim.
Esquecia-me de dizer que criei uma escola de adultos em Tourém. Serviam para o ensino revistas e jornais. Muitos dos que a frequentaram fizeram o segundo ano. Também, quando vim para a aldeia, quis comprar um carro. Um padre deve ter um automóvel para poder facilmente deslocar-se de um lado para o outro. Encomendei um Citroen dois cavalos. Custava quarenta contos. E se não ganhas dinheiro para a gasolina?, perguntou o padre que estivera em Tourém. Depois dessa questão decidi cancelar a encomenda, pois não sabia o que ganharia. Fiquei com o cavalo do padre. Talvez me tenha colocado o problema do dinheiro para se desfazer do bicho de quatro patas. Mas, em cima do cavalo, as horas tornavam-se intermináveis. Apanhava frio, demorava tempo infinito a chegar às outras localidades, a fome apertava pela demora da viagem, no Inverno a neve não deixava passar em muitos locais. Como os caminhos eram melhorados progressivamente, decidi comprar a motorizada. Com ela andava por tudo o que era canto. Durante dois anos o meu transporte foi esse belo veículo de duas rodas, só uma motriz, a de trás. Para não ter frio, comprei um fato alentejano, luvas, um capacete, guarda-lamas para as pernas.
Vinha para Randim, terra galega junto a Tourém, por um carreiro de cabras onde o cavalo dificilmente passava. A motorizada avançava sempre e o dinheiro que ganhava chegava para a manter.
Na motorizada podia transportar mais duas pessoas, apesar de ser um pouco apertado e arriscado, o que me levou a pensar mudar o meio de deslocação.
Vendo que ganhava para a gasolina, ainda sobrava algum, e pensando no Inverno que se aproximava - sentia o vento a cortar, água até aos ossos - resolvi comprar um carro. Mas, depois de quatro anos em Tourém, dois com transporte quadrúpede e mais dois com veículo motriz de duas rodas, cheguei à infeliz conclusão que não tinha conseguido juntar vinte contos. Sem dinheiro não havia carro para ninguém, pois não existiam esses sistemas de créditos actuais. Resolvi pedir a um tio e pagar-lhe calmamente o empréstimo. Ele, homem de massa, aceitou o que lhe pedi. Ó António, é uma vergonha um padre não ter carro. Quanto precisas? Achas que chega? Está à vontade. Se precisares de mais basta dizer.Tenho muito gosto em poder-te ajudar.Não te preocupes com isso. Pagas quando puderes.E se não puderes não penses que vou ficar mais pobre.Não. Juros não há. É um empréstimo de um tio a um sobrinho padre. Não há juros. E, mais palavra menos palavra, comprei o carro, meio de transporte ideal, apesar das estradas se limitarem a uns poucos traçados alcatroados comidos pela terra. No interior do carro não chovia, tinha aquecimento, era mais rápido, mais seguro. Enfim, um padre deve ter um automóvel que sirva para tudo. Para transportar doentes, levar pessoas que me pedissem a algum local, buscar alguma coisa que fosse necessária como, por exemplo, medicamentos ou alimentos para satisfazer desejos de mulher grávida. Enfim, era o carro do povo de Tourém, um veículo que tratava com cuidado, pois sabia que tão cedo não teria dinheiro para outro. Paguei o empréstimo, apesar do meu tio não querer aceitar esse dinheiro.
Servia o carro, também, para transporte de contrabandistas. O padre era transporte seguro. Na prática, não tinha nada a ver com o assunto, mas dava-lhes boleia para onde precisassem, geralmente para Ourense. Depois, ajudava-os e indicava-lhes o caminho. Não podia ficar de braços cruzados ver o mundo a acontecer. ...
(...)

De an a 25.02.2016 às 18:40

Padre Fontes-In Romance de uma vida

... ...
Não posso perder tempo com acontecimentos da terra. Sem que exista motivo para parar a minha vida, continuarei a minha existência como me propus narrar, ou alguém se propôs, nesta forma livre e ficcionada dos meus momentos. Estou no seminário. Ou antes, não estou. Vou a caminho de Tourém de carro. E até aldeia, até esse tempo, há o seminário. Uma educação severa que proibia ler romances. A capela era o lugar ideal para os ler por ser lugar pouco vigiado. O local de oração sempre foi refúgio de sossego. Talvez tivessem medo, os superiores, da presença de Deus que ali estava mais perto da Terra. Naquele recinto não incomodavam ninguém. Mesmo durante as eucaristias, quando os chinelos voavam de um lado para o outro.
Era proibido vir de chinelos mas, à noite, depois do banho, ninguém cumpria essa regra. E como a Eucaristia era celebrada sempre nessa monotonia bafienta, tínhamos de encontrar formas de passar o tempo. Uma era arrastar bancos, obrigando alguém a ficar de pé. Outra, a mais perigosa e arrojada, era fazer dos chinelos discos voadores quando os conseguíamos arrancar dos pés de algum moço distraído. Nunca participei nessas aventuras. Para mim, bastava olhar e ver. Os sorrisos silenciosos esqueciam o tempo. Todavia, tudo parou por alguns meses quando um chinelo desgovernado, atirado pelo Chico, um rapaz robusto de Chaves, foi parar ao altar no momento da consagração do pão e do vinho. Virou o vinho. Não foi expulso porque o pai, um fabricante de móveis, dava quantias avultadas para o seminário. O assunto foi silenciado e os chinelos deixaram de voar. Somente se moviam os bancos.
Depois das férias, quando voltava para a severidade, levava sempre presunto e chouriços. A primeira vez, ainda não habituado aos costumes da casa, fui confiscado. Ficaram-me com todos os fumados. Deviam rir de nós ao comê-los. Desejei-lhes silenciosamente que se entalassem até ao rabo com aqueles alimentos. Da segunda vez, e sabendo o que acontecia, guardei os produtos debaixo da capa e nas mangas do capote. Podia cheirar um pouco, mas nunca descobriram onde estavam. Sabíamos que nessa noite teríamos revista ao quarto. Pegava nos odores de porco divinais e escondia-os no penico. Nunca o utilizava a não ser para esse fim. Vinham, revistavam tudo, e partiam desolados. Com os produtos bem guardados e em nosso poder, marcávamos uma noite, eu mais seis,para nos juntarmos e fazermos uma pequena e silenciosa festa. A preparação era cuidadosa. Levávamos vários anos de casa e, mesmo assim, sabíamos que todos os cuidados eram poucos. Tínhamos de tapar todas as possíveis passagens de luz de um dos quartos. O mais retirado do local onde dormiam os padres era o do Fernando. Tudo preparado, deixávamos a noite adormecer o seminário. E saíamos silenciosamente das nossas celas. Só o ruído das madeiras velhas, os sons que a noite produzia no edifício antigo, tornavam a operação temida por alguns do grupo. O Joaquim era sempre o último a chegar. Todos no quarto do Fernando, luz coberta com um pano, decidíamos quem iria buscar o vinho. A decisão era difícil naquela penumbra silenciosa. Não queríamos que fosse o Joaquim. Com receio de ser apanhado, andava sempre acagaçado, poderia estragar tudo. Era eu e o Fernando que procedíamos à operação. Saíamos do quarto e dirigíamo-nos à cozinha onde, habitualmente, dormia o senhor Barros, cozinheiro e guarda-noturno, homem idoso que de noite não conseguia cumprir o seu papel. ...
(...)

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