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a cozinha portuguesa...

por aquimetem, em 06.11.09

          Se o meu principal objectivo era de facto participar na eucaristia dominical de 5 de Abril, as minhas madames além disso estavam também empenhadas em fazer uma visita ao "Mercado de Kissala" que nos arredores da cidade do Huambo aos sábados junta feirantes de todo o género e feitio. Os que mais me impressionam ali, foram os miúdos que com rosto de pobres, em país rico,  sobraçavam sacos de plástico, na expectativa de haver alguma alma caridosa que carecida de algum para levar as compras, em troca largasse o seu centimo de kuanza...

          Tomando  a direcção de São Pedro  para  daqui apanhar em género  de picada o trilho que quase intransitável conduz a Kissala lá se conseguiu chegar sem ficar atolado no lamaçal e terreno esburacado. Milagre de São Pedro ou da Virgem de Fátima que nos faziam companhia.

          A feira vende de tudo, de tudo que uma população desabituada de viver à farta e à portuguesa, precisa de gastar. Assim, em vez dos carrinhos "papa-moedas", dos nossos Hipermercados,  são os artesanais carretos em pau de madeira, tipo carreta,  que servem de apoio na condução das cargas, e que para ganhar a vida alguns angolanos se prestam conduzir a pulso.  

 

          Aqui temos um  desses exemplares, que a cima estão amontoados, à espera de clientes, assim como também o "taxe" que pintado à "dragão...", se vê a meio corpo.

 

           No género é o maior certame de comércio feirante que semanalmente no Huambo tem lugar, e por isso mesmo merecia outras condições que não tem: acessos, condignos; espaço, dotado com barracas e  instalações sanitárias  decentes, e um chão, em condições do feirante poder circular ali, com agrado, quer em tempo chuvoso, quer em época de cacimbo.

          Do vestir ao calçar, dos tecidos ao artesanato, dos aperelhos electrónicos  ao fogão a gás ou a carvão, da pedaleira  à  motorizada, do pescado ao talhante, das frutas e hortalices aos cereais, passando pelo comes e bebes  o Mercado de Kissala de tudo é abastecido.

          Aqui as motorizadas fazem lembrar antigamente os porcos nos "19" de Fermil de Basto, ou as vacas nos "27" do Bilhó, também expostas num espaço descampado a que chamavam e chamam feira

          Em fim, a hora do almoço já vai bastante esticada, demorar por aqui era uma hipótese, só que os olhos também comem!...  Se a ASAE calha de ser convidada pelo Governo angolano a fazer notar o seu olho clínico no espaço higiénico, já não digo no económico, dos comes e bebes, a maioria dos comerciantes está tramada, fecham-lhe o negócio, a porta não, porque muitos não a têm.

          Foi uma boa maneira de regressar mais cedo aos aposentos e depois de  limpar a lama dos sapatos e mudar de calças que no Mercado se sujaram procurar um restaurante que sirva bem e que no Huambo já existem vários.  E com a cozinha portuguesa a marcar pontos. 

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2 comentários

De mg a 07.11.2009 às 11:18

Cozinha portuguesa? E eu a pensar que estaria aqui un grande manjar!...
Esta mercado é de fugir, eu não conseguia ver nada para trazer nesta bagunça.Para além da falta de condições a mistura é de tal ordem, que não apetece distinguir as coisas que nos servirão para alimento, só de olhar.Coitados!
Agora gostei dos carrinhos de transportes e das motas amontoadas como os porcos na feira de Fermil.Vi alguns chegar a pé, de lá ,à porta da casa da minha avó, para a engorda e depois para salpicões , alheiras e moiras.Quem me dera nesse tempo!
Mas há aqui uma cisma qualquer com o Conterrâneo...talvez qualquer pecadito, pois há sempre uma igreja e uma missa em cada expedição,
serão remorsos por não votar PS ?...

De aquimetem a 07.11.2009 às 13:19

Enganasse! É por caridade para com os que votaram nele, e que teimam em ser enganados mesmo depois de ver quem descaradamente os trama e sobretudo às gerações futuras. Depois a imagem do que está hoje bem à vista em Angola é o que só ainda não aconteceu cá, porque somos um país pequeno e com boas praias, onde quem gosta e tem vagar, dinheiro arranjasse, vai aguentando os vícios e caprichos deste governo e dos muitos ricos pobres por ele alimentados. Na casa de Deus, rezo por mim e por todos. África é cá, mas encoberta !

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