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Do Huambo a Caimbambo

por aquimetem, em 10.07.09

          Agora que já se ficou com uma imagem da actual configuração que a cidade do Huambo apresenta, vamos deixar a urbe pelo também já nosso conhecido trajecto em direcção ao Bongo, mas desta vez prosseguindo a caminho de Caimbambo

           Tomando a estrada de Benguela depois de passar São Pedro e mais adiante o rio  Lufefena, com o aproximar do município de Caála deparamos com o rio Kunhongamua,  linha de água que à região presta relevante préstimo. Para os de cá... e os de lá... poderem comparar a situação económica e social da ex- vila Robert Willams, vou transcrever do Anuário Comercial de 1971 o que consta sobre Caála: " Concelho com uma área de cerca de 4890 km. quadrados e altitude que varia entre 1410 e 2000 metros. Excelente clima. Está situada entre os municípios de  do Huambo, Ganguelas, Caconda, Luiambale, Longongo e Vila Flor. Tem muito comercio, bastantes industrias, entre as quais a melhor fábrica de cerâmica da Província e também desenvolvida agricultura, quer de europeus ,quer de nativos. Além de possuir uma rede de esplêndidas estradas, cuja  extensão atinge 846 km, é o concelho atravessado pelo Caminho de Ferro de Benguela num percurso de 99km. Tem a sua sede na vila Robert Wiliams, a uma altitude de 1744 metros, servida pelo referido caminho de ferro ao km 397".   

          Calenga, a ex-Vila Verde de que já falei, é uma das actuais comunas de Caála. A sua feira junto à estrada realiza-se todos os dias e é muito farta e concorrida.

        As pedras enormes que caracterizam a paisagem angolana, também como cá estão a ser vandalizadas. Os martelos também já por lá andam e as autoridades até autorizam a "ENTRADA E SAIDA...." . Isto é em Lepi, comuna a seguir a Calenga, mas  que já pertence ao município de  Longonjo.  

 centro de Longonjo

 centro de Longonjo

 Ucuma sede de Município

 centro de Ucuma

 Ucuma(Um ribeiro que atravessa a estrada).

           O município de Tchindjenje (Huambo) delimita com o da Ganda (Benguela) no Alto Catumbela, mais precisamente na aldeia de Baboera.

           Ali uma modesta placa assinala a entrada na Provincia de Benguela

           Ao longo da estrada ainda se vêem muitos destes avisos a quem passa.

 

          Rio Catumbela, que tem a sua foz entre Benguela e o Lobito, e dá também ali o nome a uma localidade do litoral. 

         A Ganda, ex-vila Mariano Machado, é a sede do município que tem o seu nome. Desta terra vale a pena transcrever da fonte acima referida o que consta: " Bela e sudável região sobreplanáltica a 1200 metros de altitude, atravessada pelos CFB desde o km 170 ao km 310, e servida pelas estações de Ganda, Babaera e Quingenge e os apeadeiros de Chimboa e Alto Catumbela. Uma boa rede de concelho.Excelentes terrenos para explorações agricolas e pecuárias, devido à fertilidade do seu solo e às suas imensas linhas de água. Grande centro comercial, industrial e  agrícola. Rica região florestal onde abundam as espécies: Giraçonde, Tacula, Pau Oleo e Lumba. Magnifica região para café, onde ele produz admiravelmente nas qualidades Arábia, Libéria e Robusta. Grandiosas plantações de Agave se encontram na região, havendo 72 fábricas de desfibra".

          Outro município importante é  o Cubal que devido aos trabalhos de beneficiação da estrada, um desvio me impediu de passar pelo centro da vila. Do Cubal diz a mesma fonte de 1971: " Região pecuária e  florestal. Industria principal: Desfibra de sisal, havendo 74 fábricas de desfibra e preparação no concelho que produzem cerca de 30.000 toneladas por ano. Situada no km 177 da linha do Caminho de Ferro de Benguela. No Cubal está instalado um depósito de maquinas do Caminho de Ferro. Tem um campo de aviação, à distância de 2km, possuindo uma boa pista de aterragem com 1600 metros de comprido por 20 metros de largo. Altitude 900 metros".

           Como se percebe esta descrição foi-me despertada pelo que vi durante o percurso duma viagem de 4 horas que fiz do Huambo a Caimbambo, e que contrasta pela negativa com a descrição de que me servi para encorpar este post, e recordar que as guerras não favorecem ninguém, muitas vezes, nem mesmo os vencedores.... 

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publicado às 21:47


13 comentários

De mg a 10.07.2009 às 23:49

Muito bem!Continua com novidades de África.Só dei atenção às paisagens que achei acolhedoras, têm luz, apesar das nuvens; parece que tinha acabado de cair imensa chuva, mas as fotos são lindas.Eu vi logo que estava muito ocupado...
Amanhã venho ler com atenção; pois hoje foi um dia mau.Parabéns por mais esta reportagem.

De jts a 11.07.2009 às 08:22

Amigo Costa Pereira, tudo o que nos tem mostrado sobre África é extraordinário. Todavia, dá para perceber que as terras do interior de Angola estão muito danificadas pela guerra. Para onde vai o dinheiro do petróleo e dos diamantes?
Um país tão rico como Angola, não devia florescer só em Luanda não lhe parece?
Com o material que conseguiu trazer das suas férias africanas, um conselho: escreva essas memórias e tente um subsídio na Embaixada de Angola em Lisboa, estou certo que seria uma obra de grande aceitação nacional.
Um abraço,
Teixeira da Silva

De aquimetem a 11.07.2009 às 16:31

Olá conterrâneo ilustre! Lá como cá, a maioria dos políticos com receio dos vírus contagiosos só mediante o uso de luvas....fazem alguma coisa. Lá como cá os políticos só se sentem vocacionados para os grandes "empreendimentos" que por norma recaem nos também grandes centros urbanos. O interior tem fama de dar pouca importância aos conselhos do pessoal técnico de saúde , e os políticos que só mediante o uso de luvas...costumam fazer qualquer coisa, não arriscam gastar cera com defuntos..., em terras onde até as luvas são de lã. Quanto às recordações de Angola, se pedisse apoio estava condenado a escrever o que me fosse imposto, assim digo o que vi e registo uma realidade histórica e actual. Mas não pense que Luanda está melhor do que o resto. O pandemónio é geral. Certo que está em reconstrução, mas falta muito ainda para ficar pelo menos no estado em que os portugueses deixaram aquele país. Obrigado pelo seu apoio.

De aquimetem a 11.07.2009 às 15:34

Só agora abri e vi que tenho Mondim a torcer por mim. Nem o Cristiano Ronaldo! É verdade. Como estive uns dias no Caimbambo e à volta dessa estadia pensei fazer uns posts , achei oportuno incluir a presente introdução...E no que respeita a comercialização de máquinas agrícolas uma prospecção no terreno é capaz de resultar daqui a uns tempos. Mas por enquanto trabalhar a terra parece-me não ser apetência prioritária dos angolanos. Um bom fim de semana.

De mg a 14.07.2009 às 00:25

Mas pelo que me apercebo do seu atento e pormenorisado relato, esta zona está enm franco desenvolvimento. Fábrica de Cerâmica,plantações de café, desfibra de sisal, agro-pecuária e agricultura ; parece-me que está tudo a andar, não é isso que lhe parece?Pensei que estivesse tudo mais à deriva,Até esse campo de aviação , que até não é tão pequeno assim...Fora o comércio de que fala no princio!
Da maneira que estão as coisas por todo o mundo, estas reconstruções dão uma esperança de que pode realmente o caos levantar a nível geral, e já é positivo, mesmo começando em África.Ou estarei a ver ao de leve?
Mas , bela reportagem, sim senhor, parabens ao nosso Conterrâneo.

De aquimetem a 14.07.2009 às 10:30

"Leste?- Li.
Percebestes? - Não.
Então não lestes".
Estou reinando. Não minha amiga! Todo esse progresso de que falo, era antes de 1971, e colhi as informações no Anuário Comercial desse ano. Foi para fazer o contraste do ontem e do hoje. Um abraço.

De Anónimo a 14.07.2009 às 17:33

...E Vomecê reparou a que horas eu cheguei aqui ?E farta já de fixar coisas, fora as lides de casa?
E a precisar de férias ? Então realmente não percebi que tudo era no passado; mas que li , li.Peço desculpa só agora é que vi que nomeava um anuário e que datava de 1971.Não é meu hábito fazer estas gafes.É assim que verifico que tenho mesmo de me arredar pró lado.
Também já estava a achar fartura demais estes avanços todos.As minhas desculpas mais uma vez.

De aquimetem a 16.07.2009 às 10:16

Eu quis reinar, pois gafes como este seu é pratica corrente de quem trabalha muito, só quem não faz nada, ou pouco, consegue fazer tudo certinho, mas a passo...de caracol. Um abraço e parabéns à mulher de armas.

De mg a 16.07.2009 às 11:00

...Mas também isto ainda não vai ficar assim, sr.Costa Pereira; tudo bem que eu estava cansada; mas também quem é que iria estar a contar, que o conterrâneo de Vilar de Ferreiros, acabadinho de chegar à África, iria logo ter acesso a Anuários Comerciais, e de 1971??...Ora responda se faz favor:Tem pacto com o Eduardo dos Santos?
Ora valha-me a nossa Senhora...

De aquimetem a 16.07.2009 às 13:06

"Guarda o que não presta, acharás o que queres", aprendi no meio dos calhaus da nossa santa terrinha, que escondem muita sabedoria popular em risco de se perder por culpa dos nossos vigentes progressistas. Foi graças a esse meu habito que sem pensar alguma vez ir a África conservei este volume que agora me serviu de apoio no blog. Um abraço.

De mg a 16.07.2009 às 18:43

Ora toma lá que já almoçaste, Maria!
O Conterrâneo é único...!

De mg a 21.07.2009 às 12:15

Mas o que realmente dá pena em tudo isto, é ver então o que foi , e o que é agora.Tem muito potencial, podia-se reconstruir muita coisa ; mas o pessoal que se desloca para Angola, só quer estabelecer-se nos grandes centros e com a vida o mais facilitada possível.O interior , onde teriam que começar de raiz, nem pensar, e fica tudo abandonado ao Deus dará.
Mesma assim é uma esperança, esta organização onde a sua filha é directora a A.Agrária Alemã ,estas
elucidações e palestras, o cuidado das vacinas aos animais, tido isto nos diz , que há desenvolvimento e renovação, sinal de que vão chegar melhores dias.


De aquimetem a 21.07.2009 às 12:56

Bom dia! Cheguei agora e afinal sempre tive outro lauto almoço, digo jantar, na capital do barro leiriense. Estava a decorrer lá a Feiriarte e eu como não sou expositor de nada, fui ao menos jantar ao restaurante do certame para ajudar a organizarão .
Quanto a Angola, claro que aquilo está em desenvolvimento só que é muito lento e as carências são muitas. Depois uma grande parte destas intervenções cientificas que lá actuam são internacionais e temporárias. Um abraço

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