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as "quedas do cabril...."

por aquimetem, em 29.11.08

Fisgas de Ermelo - Marão

          O rio Ôlo é um afluente do Tâmega que nasce na serra de Ordens,  um braço do Marão, a nascente  de Lamas de Ôlo (Vila Real),  e desagua junto a Fridão (Amarante). Ao longo do seu percurso ele é a veia arterial responsável pela irrigação de toda essa zona agrícola que tem o vale do Ôlo por espaço seu: Lamas de Ôlo, Ermelo, Pardelhas, Campanhó, Paradança e Fridão.

          Mas o rio Ôlo alem ser a veia arterial desse zona agrícola que se distende desde Lamas de Ôlo até Fridão é também um rio muito conhecido e  frequentado pelos adeptos da pesca desportiva, pois são famosas as trutas que nele se criam, sobretudo as que, nas Fisgas de Ermelo, são criadas e pescadas  nas "Piocas do Ôlo". Depois o desporto náutico é também, hoje em dia, uma forte mais valia no campo socioeconómico, aqui com realce para a canoagem que como vamos demonstrar tem neste rio, e na sua foz, excelentes condições para o aproveitamento dessa actividade. A juntar a tudo isto acresce destacar a importância que no cenário paisagístico da região de Basto representa como atractivo turístico o seu decantado e dantesco  fraguedo que como sabemos dá pelo nome de Fisgas de Ermelo ou "Quedas do cabril".

          No entanto apesar de toda essa importância, o rio Ôlo, segundo se consta, está na mira dos inimigos de tudo quanto seja património Natural, se não vejamos o que em artigo, publicado em A Voz de Trás-os-Montes de 13 do corrente,  nos relata o jornalista  José Manuel Cardoso: " As populações do vale do rio Olo estão preocupadas com o possível transvaze parcial deste curso de água para uma pequena barragem prevista no Programa Nacional de Barragens, referente ao Aproveitamento Hidroeléctrico de Gouvães da Serra. Se isto se concretizar, as Fisgas de Ermelo podem correr o risco de ficarem secas, em alturas de pouca precipitação".

          Nesse mesmo jornal,  é  Barroso da Fonte quem também, em artigo à volta do assunto, vem alertar: "Seja como for há que ter em atenção o interesse paisagístico e a preservação do meio ambiente. Não podem a ganância e a gula de certos políticos hipotecar o pouco de bom que as zonas periféricas herdaram da própria Natureza. Há que ter respeito pelas leis naturais e tratar a todos rurais ou urbanos, pobres ou ricos, empresários e obreiros com os mesmos critérios. Que as águias que sobrevoam as Fisgas de Ermelo  tenham, pelo menos, os mesmos direitos dos lobos da Samardã".  

          Em blog que alimentei até 4 de Maio do ano em curso, recordo que encerrei a sua laboração com um post à volta deste rio  que mereceu de Jofre de Lima Monteiro Alves o seguinte comentário, em 7 de Setembro pp : " Venho  lastimar o encerramento deste espaço bairrista e de dedicação ao torrão natal. Ficam os demais, felizmente".  

          Também a 22 do mês seguinte uma minha conterrânea, Mgraça, se manifestava,  assim: " Eu também quero protestar pelo encerramento de "Mestas".  É uma pena! - Valia só pelos fotos que tem, nem eram necessários comentários, o resto do País nem sequer faz ideia dos recantos do Ôlo, do Mestas, do Tâmega e do Cabril etc. Seria melhor repensar???..." - Agradeço as referências, mas o meu blog Mestas passou à história..., entretanto vou transcrever  o post com que encerrei o dito blog: "Não muito afastado das Mestas (Vilar de Ferreiros) passa o Ôlo, rio que descendo da serra de Ordens (Lamas  de Ôlo) tem nas "Fisgas de Ermelo" o seu mais espectacular cenário. Serra a baixo, num percurso relativamente curto, mas tormentoso, o Ôlo desagua  em rápido no Tâmega, mais precisamente junto a Fridão, freguesia do concelho de Amarante e que tem São Faustino por patrono.

          Vem este post na sequência duma noticia que li no CorreiodoMarão, onde o Professor Doutor Rui Cortes, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, garante que "se se avançar com a construção da barragem de Fridão, Amarante pode sofrer um desastre ambiental irreparável". Mais acrescenta que a concretizar-se a construção da barragem,  " a água a jusante resultaria apenas do caudal ecológico mínimo obrigatório, incapaz de sustentar a fauna e aflora existentes, pelo que Amarante, conforme a conhecemos desapareceria". 

          Deixem Fridão em paz, digo eu ! Já lhe basta a sua museológica Central Hidroeléctrica que sonhada em 1912 veio a fazer de Amarante, uma das primeiras localidades iluminadas por energia eléctrica, em 1917. Que em vez duma barragem que só vem profanar as margens do sagrado Tameobrigus (Tâmega) e produzir mosquitos em  águas estagnadas, antes se aproveitem todas as suas potencialidades turísticas à semelhança do Centro de Estágio de Canoagem de Fridão, cuja CM de Amarante apoia, e além disso ainda não há muito abriu um concurso para requalificação da Quinta das Fontainhas, também em Fridão, onde será construído um Centro para Stalon. É tempo dos medíocres de São Bento deixarem que nas vilas e aldeias de Portugal seja o povo ali residente a decidir sem influência de forças estranhas ao ambiente...".

          O que  então não sabia é que na mente destes políticos que temos estava também em agenda matar o Ôlo na sua origem. Um conselho, aos habitantes do vale do Ôlo: convidem todos os responsáveis por estes dois projectos que visão matar o rio na foz e na origem, a deslocarem-se em  visita às Fisgas, não pelo  lado do Fojo, mas antes por Varzigueto, e mandem-nos de olhos tapados ver  as quedas do cabril... 

Fisgas -o belo horrível!

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publicado às 16:29


69 comentários

De mgraça a 02.12.2008 às 14:02

Viva a Alma Transmontana!!!
-Qualquer Transmontano com verdadeiro amor ao Torrão Natal, sente como se fosse na sua pele, os atentados devastadores a este "Reino Maravilhoso"
que são as nossas montanhas e os rios da nossas terras .Pois se o Poder Central, ignora e esquece esta região, que por isso se encontra cada vez mais desertificada, mais pobre, devido ao encerramento de estruturas, das poucas e fracas que chegou a ter; desde o fecho de escolas primárias, de linhas férreas e até de centros de saúde e maternidades; então atenção!...Pelo menos não toquem na paisagem de Trás -os-Montes, ó Senhores do Poder!!!Não escondam as nossas fragas!!!-Deixem-nos ao menos estar ao pé do rio da nossa aldeia...!

De aquimetem a 03.12.2008 às 16:33

Grato pelo seu comentário, mas se bem reparou por parte dos nossos escrevinhadores conterrâneos não houve até ao momento grande reacção. E sabe o que isso me leva a pensar? Que há um compló por parte deles com as forças interessadas, e a ser assim a região está mesmo entregue aos bichos... Oxalá me engane.

De mgraça a 04.12.2008 às 00:04

Não diga isso Conterrâneo; um transmontano de origem não faz complô com ninguém, o lema é "Antes quebrar que torcer", e eu ainda acredito nisso.
Saudações transmontanodurienses.

De Anónimo a 09.02.2009 às 19:19

Trás-os-Montes e Alto-Douro
-duas vozes numa fala
Quando a terra fala assim,
ninguém pode amordaçá-la.

Tás-os-Montea e Alto Douro
coração que bate e canta,
primeiro,dentro do peito;
logo a seguir, na garganta.

Mondim-Senhora da Graça
é sempre, sempre a subir.
Um pouquinho mais de azul
custa muito a conseguir.

Das Fisgas de Ermêlo abaixo
atirasta o meu corpete.
Que sonsinho me saíste
tu que eras um diabrete!

Entre, amigo:um transmontano
não fecha a porta a ninguém,
pois sabe que em sua casa
só entra gente de bem

Das margens do rio Tâmega
trouxe uma verde caninha
onde enleei tua jura
que , em vez de crescer, definha

O Alvão esxporta granito.
Vá lá, não digo que não.
Mas que deixe de exportar
a sua população.

Por que foge a juventude
de tão agreste amplidão?
Por que sonha? Por que pensa?
Por que diz sempre que não?

Não cante de galo, ó chefe,
lá por eu ser transmontano,
que às tantas respingo mesmo
e mando-o pró S.Caetano.

Já dizia a minha avó
que para cá do Marão
os de lá calam o bico
e mandam os que cá estão


" HÁ EM CERTAS PALAVRAS
um bulir de folhas.
Não as abandonarás
como se fosses vento
ou ave e não tivesses
aí um ramo para cantar."


ANTÒNIO CABRAL---- «Entre quem é»



De Joaquim Luís Barros a 12.09.2016 às 10:25

Aqui, estão abaixo alistados os nomes de alguns membros da família que pude ver nos documentos que cá deixaram. como: Começando mesmo, pelo Amílcar Simões de Barros, Amadeu de Oliveira, João Simões de Barros, Abílio Simões de Barros e sua filha AnaPaula Pereira Paula Barros, Albano Simões de Barros e José Simões de Barros, etc.

De Marco Gomes a 04.12.2008 às 12:59

O que o "centralismo" quer fazer com a nossa região é algo que merece, no mínimo, contestação.

É necessário, é fundamental, ouvir a "voz" de quem vive na região abrangida pelas consequências de um projecto megalómano e que não tem em consideração o interesse e a qualidade de vida de quem vive nesta região. É interesse de alguns sobre o interesse de muitos, e isso não podemos permitir.

Aqui deixo dois links de contestação a este ignominioso projecto:

Movimento de contestação às barragens a construir:

http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com

e a petição contra este projecto:

http://www.petitiononline.com/PABA/petition.html

Cumprimentos.

De aquimetem a 04.12.2008 às 15:04

Muito obrigado pela visita, vou de proto visitar tais blogs. Um por todos, todos pou um : BASTO!

De Anónimo a 03.02.2009 às 19:50

Minhotos e Transmontanos
De mãos- dadas,frente à vida,
Na dança dos desenganos,
Levam tudo de vencida.

Do Larouco até ao Douro,
De Bragança a Vila Real
Toda a Terra é um tesouro:
Só Deus sabe quanto vale!

Deixámos além a serra,
À urbe viemos ter,
Sem negar a nossa Terra,
Sem nossa Terra esquecer!

Antes quebrar que torcer,
é lema da Nossa Gente,
que se esforça por manter
chama viva, permanente.

Viemos de Além -Marão,
Ficámos em Guimarães,
Presos num só coração
Que nos liga a duas Mães!

BARROSO DA FONTE-- GUIMARÂES
in Trinta Anos de Poeta

De aquimetem a 03.02.2009 às 21:58

Ao vir rever estas mensagens deixadas por visitantes amigos deste blog e deste post em particular, dei de caras com este poema onde Barroso da Fonte como verdadeiro transmontano que é sabe ser agradecido a quem sabe receber. Neste caso os nossos vizinhos Minhotos que no berço da Nacionalidade o têm como amigo e defensor acérrimo. Um grande abraço para esse insigne jornalista, poeta e escritor português cuja caneta não se rende ao suborno dos poderosos vendilhões deste Pais. E um muito bem haja a quem deixou neste post tão autêntico como harmonioso poema da lavra de um verdadeiro transmontano

De Anónimo a 20.02.2009 às 16:21

...! Mas se já deixaram o raio do Estado receber uma fatia dos 200 e tal milhões de euros, por o qual venderam o leito de Fridões, segundo informações, como é que vão ouvir a "voz" de quem vive na região?-Estão-se nas tintas para nós todos, é preciso érealizar uns cobres, para repor nestes buracos todos, que se lixe lá o Norte e os transmontanosecos...!

De aquimetem a 26.02.2009 às 19:23

Venderam...Meteram no bolso falso, naquele que os ingleses andam a procurar por cá, e Sócrates inocentezinho ! Esta malta precisa de ir tomar banho, por isso quer barragens . São porcos...

De touaqui42 a 05.12.2008 às 18:26

Meu amigo.
Já nada admira mesmo no respeitante á PROTECÇÃO do MEIO AMBIENTE.
E nada admira que não haja mão de um anjinho que tem um qualquer interesse TURISTICO na questão de arrassar uma BELEZA NATURAL.
Estão vendendo PORTUGAL aos bocadinhos e na certa que será mais uns quantos interessádos a vender um pouco do TORRÃO deste PORTUGAL.
Dirão que o interesse TURISTICO está para bem da ZONA, mas essa TRETA já é costume de o FAZER e não dar CAVACO a alguém.
TUDO em NOME TURISTICO.
Faz lembrar a FÁBRICA DE AVIÕES
Faz lembrar a celebre MINA DE OURO em MONTEMOR
Faz LEMBRAR as MINAS DE ALJUSTREL
FAZ FAZ FAZ lembrar os empregos e DESEMPREGOS desde á tres anos para cá.
Faz lembrar a fuga dos texteis para outras bandas.
E nada admira mesmo a questão de se quererem aproveitar da BELEZA EXISTENTE neste PORTUGAL.
Vamos esperar para ver
E conto consigo para o denunciar.

De aquimetem a 05.12.2008 às 19:59

Muito obrigado pelo encorajamento. E bo fim de semana. Um abraço

De Rui Madeira a 05.12.2008 às 23:45

Isto aqui, ha-de haver muita gente que pense que estas mudanças vão ser a salvação para o desemprego,convencendo-se que vai ser a sua indepêndencia ou pelo menos onde irão parar os que estão a trabalhar fora e que estão para regressar;mas que não se iludam,Quando foi das obras do porto de Sines, até foguetes o pessoal da terra , lançou, a seguir chorou.Tomaram que nunca acontecesse,foi uma ilusão.e uma grande revolta,só ganharam meia dúzia deles ,e as empresas de transportes, com pessoal para cima e para baixo.O povo da terra, ficou quase sem identidade, sem origens e sem história para contar.Nunca se melhora ,quando é alterado o microclima de onde fomos habituados a viver .Perdemos as raizes .
Espero que haja consciencia e não vão avante com as barragens.
Boas noites .Por Basto.

De ... a 08.04.2015 às 18:13

Toada de Trás-os-Montes - António Fortuna

Cantai penedos
Cantai ao vento
Tecei enredos
Livres no tempo.

Dançai ó nuvens
Dançai no ar
Águas vertigens
Vindas do mar.

Vindes de longe
P`ra Trás-os-Montes
Cela de monge
Terra de fontes.

Chorais a dor
Rides ao sol
Pintais de cor
Um girassol.

Encheis os rios
Fazeis fragor
Vindes com brios
Aprender amor.

Cantai penedos
Cantai ao vento
Tecei enredos
Livres no tempo.

De * * Grilinha * * a 08.12.2008 às 01:52

Parabéns pelo aniversário no dia 6

De Eduardo Daniel Cerqueira a 10.12.2008 às 16:16

Saudações desde o coração do Alto Minho: Paredes de Coura

De Crstina Cunha a 11.12.2008 às 19:02

O problema é que há sempre uma cambada de gananciosos a quem nem o Ôlo nem o Tâmega dizem nada; e que se estão nas tintas para os condicionalismos dos ecossistemas ribeirinhos.
Eles querem lá saber dos peixinhos do rio Ôlo ou que as Fisgas de Êrmelo sequem.Eles não estão nem aí para isso , como dizem os brasileiros,o que interessa é fazer barragens, até porque se usa e é o que está a dar!...

De aquimetem a 13.12.2008 às 18:26

Pois é! A culpa é de quem os põe no poleiro, e não os convida a visitar as "fisgas" do lado de Varzigueto, mas de olhos tapados....

De Maria da Graça a 16.12.2008 às 12:34

Convidá-los?-Vai dóoo!!!... Nã queles são "finos",como se diz lá na minha terra, ladinhos, matreiros,espertos; apesar de não terem inteligência; então essa mitra, ir visitar as Fisgas ,pelo lado de Varzigueto e com vendas nos olhos; só mesmo obrigados e de surpresa.

De aquimetem a 16.12.2008 às 14:07

Bem! A minha intenção não foi essa...eu apenas sugeri o convite, tendo já em conta que entretanto alguém, como a conterrânea, tivessem a piedade que eles parecem não ter pela gente do vale do Ôlo , nem do Tâmega, evitando-lhes assim o trambolhão. O susto já os alertava!!!

De mgraça a 16.12.2008 às 16:26

Correcção da palavra »ladinhos» para Ladinos.

De Joaquim Luís Barros a 12.09.2016 às 10:42

Bom dia! olá, chamo-me Joaquim Luis Simões de Barros filho de António Simões de Barros e de Joaquina Nguevela e neto de Amílcar Simões de Barros e de Rufina Chinossole. portanto, desde que o meu avô Amílcar regressou para a sua terra natal, e o resto do pessoal, já nunca mais tivemos informações sobre eles.
Venho assim, com muito respeito, pedir a vossa ajuda para que vós nos dêm informações destes, assim como do Amadeu de Oliveira, José Simões de Barroso, Abílio Simões de Barros, João Simões de Barros, Albano Simões de BarrosJoaquim Ferreira pereira Helder Mesquita, etc.

De AtoMo - Paulo Mota a 05.01.2009 às 18:01

Saudações transmontanas ao autor do texto. Mesmo correndo o risco de se perder o essencial, a informação oferecida é deveras interessante, mesmo para um mondinense de gema. Grato portanto!

Quanto à barragens e represas que recentemente nos ofereceram, gostava de contribuir com o seguinte:

A falta de movimentação por parte dos conterrâneos deve-se à ausência de informação. Não é novidade para ninguém, que no nosso concelho, as novas tecnologias não reinam. E aqui aparece o primeiro culpado. O Plano Nacional de Potencial Hidroeléctrico, foi divulgado essencialmente via net, e teve somente duas apresentações públicas no Porot e Lisboa.

Eu próprio considero-me um interessado na matéria, e desde cedo pesquisei tudo sobre Fridão, nunca me passou pela cabeça pesquisar Gouvães, onde se encontra o circuito hidráulico do Olo.

Entendo também, que Mondim tem quem nos represente institucionalmente, e aqui aparece o segundo responsável. Não se percebe porque motivo não houve desde o primeiro minuto interesse na clarificação destes assuntos.

Posto isto, a informação ficou entregue a movimentos, aos quais é facilmente barrado o acesso à a essa mesma informação. Interessados, motivados, mas limitados portanto. Eu próprio liderei o primeiro debate sobre Fridão em Mondim de Basto.

É no meio desta (des)informação que os mondinenses se movimentam.

Fridão parece ser ponto assente. Há quem opte por contestar, há quem entenda que chegou altura de negociar, e há quem sempre viu com bons olhos a vinda da barragem. Sou claramente contra, até porque me insiro num grupo restrito de mondinenses que nunca largou o tâmega para usufruir de piscinas. Entendo que aqui o trabalho de contestação é mais difícil, até porque, muitos se recusam aceitar que mondim está maioritariamente a favor desta barragem. Seria necessário um trabalho de informação exaustivo para elucidar e alterar esta posição.

Já quanto ao Olo, a posição muda de figura. Não existe seguramente um único mondinense a favor desta construção. E aqui o problema coloca-se na falta de transparência e na quantidade de informação contraditória com que somos confrontados diariamente.
O programa assume a possibilidade da concessionária abdicar da derivação Olo. E se há dias em que se anuncia a construção, outros há em que se garante que ela foi abandonada. E o Zé Povinho fica no meio deste jogo, revolta-se ou acomoda-se.

Concordo com a luta até ao dia em que tenhamos a certeza que ela não vai ser executada. Entendo no entanto, que a luta deveria ser gerida de outra forma. Fridão e Olo são questões distintas, que geram consequentemente diferentes motivações. Não deveriam portanto, ser colocadas no mesmo saco.

De mgraça a 14.01.2009 às 00:04

Claro que o Amigo tem razão.Quem está dentro do assunto, e que tem as informações todas, é lógico que lhe interessará a barragem; e quanto menos esclarecer o Zé povinho melhor.Depois realmente percebe-se que há muita gente a favor e que tambem se assim o desejam, pois, têm esse direito,logo vivemos em democracia.Só espero é que o pessoal não consiga pelo menos, mexar no Ôlo, e tenho esperança que o tal Zé Povinho ou o Irmão Transmontano, como se diz, e que não é burro nenhum pelo contrário; comece a ver bem o que lhe interessa verdadeiramente, e sobretudo ame mais que tudo,as suas terras, os seus rios , as suas pedras etc.

De aquimetem a 14.01.2009 às 12:27

Não vou travar-me de luta com quem quer que seja acerca duma matéria que o bom senso à partida deixa ver claro. Portanto tudo quanto se diga sobre as vantagens da barragem de Fridão para o povo e terras de Basto, não passa de pura mentira e que serve apenas os "interesses" de uns tantos, como foi no caso da extinção da Linha do Tâmega, entre Amarante e Arco de Baúlhe Estão a perceber?....Daí que quem for contra a morte do nosso Rio Sagrado o defenda com unhas e dentes, e os "caladinhos" ou cobardes que por ignorância ou interesses secundários... defendem os mosquitos e a morte do Tâmega, eu os arrenego...do meu blog. Haja bom senso, mas consenso nesta matéria, não.

De mgraça a 14.01.2009 às 18:14

"TRANSMONTANO MEU IRMÂO"

Transmontano meu irmão
dá-me a tua mão
e vamos a Lisboa
pedir solução
para o teu ofício

no terreiro do paço
pedirás licença
e de bordão no braço
dirás em jeitos de comício
__ Que de honesto e honrado
és um desgraçado
e que o governo da nação
tem obrigação
de perfilhar-te

ouvirás respostas
e amostras
de promessas
mas tu confessas
que precisas de apoio
e decisão

contas o que sabes
de dívidas miséria emigração
e que tantos males
se devem à desprotecção

argumentarás
com o valor dos teus soldados
inocentemente massacrados
que na guerra
honram a terra
e a nação
e provarás
que nas eleições
como nos impostos e contribuições
és o mais submisso cidadão

vamos transmontano
vamos meu irmão
teu labor insano
vai ter solução

BARROSO DA FONTE
Guimarães




De aquimetem a 14.01.2009 às 18:53

Em Lisboa estou eu, mas é precisamente daqui que partem as decisões que estão a pôr Portugal num oito...E atenção, o "terreiro do paço" agora já não é centro de decisão, mas sim em São Bento, onde uns gajos bem falantes, nem todos, fazem leis à medida do seu corpo!... Convêm saber para os apanhar na toca.

De mgraça a 15.01.2009 às 11:47

Olá sr. Costa Pereira bom dia!
-Realmente o local das decisôes já não é no Terreiro do Paço; mas a lenga, lenga , das decisões pelos vistos continuam a ser como dantes:LIXAR O ZÈ POVINHO, é ou não é?
__Olhe que este poema , de BARROSO DA FONTE, grande escritor transmontano, sendo de 1973, encontra-se actualizadissimo, para o que se vai vendo por cá.Como ele diz neste livro :"É preciso amar as pedras"! Ora parece-me que vamos, para além dos rios , deixar de ver as nossas pedras, o tal Reino Maravilhoso de que tanto nos orgulhamos como transmontanos, caramba!...
Infelismente parece-me que até a respeito dos nossos sábios Poetas Transmontanos, nós passamos ao lado discretamente, sem fazer muito alarde, como se eles não fossem uma grande riqueza, para Trás-os-Montes para além de fazerem parte integrante desse Reino Maravilhoso.Não sei como não se esquecem do Vinho do Douro (do Porto)também ,já agora!...É assim ou não é?
Irmão Transmontano, não deixes tapar a nossa Ponte do Tâmega, não deixes tapar a Fraguinha onde aprendemos a nadar, não deixes tapar o moinho em ruínas, o Salta Carneiros, não deixes!!!

De aquimetem a 15.01.2009 às 19:45

Se nos políticos que temos perdi a confiança, e nos dirigentes desportivos nem se fala, queria entretanto salvaguardar um ou outro magistrado que na dita independência da Justiça não se mostre comprometido...Os do processo da Casa Pia por exemplo se vão na treta dos endinheirados lá terão que ordenar a indemnização aos pedófilos, e inclusive ao Paulo Pedroso. Mas não foi para falar da Miséria Nacional que quero responder ao seu comentário, mas sim lembrar que ainda há Juízes com eles no lugar...Veja o jornal A Voz de Trás- os Montes,desta 5ª-feira , onde consta esta noticia bonita em favor de causas como a nossa: " O Tribunal de Mirandela determinou e as obras da Barragem do Sabor tiveram mesmo que parar. A providência cautelar foi interposta pela Plantaforma Sabor Livre que, mais uma vez, recorda que os ganhos com a nova infra-estrutura de aproveitamento hidroeléctrico não compensa os impactes negativos a nível ambiental".
- Agora só falta que também no vale do Tâmega e do Ôlo hajam plataformas livres....

De mgraça a 16.01.2009 às 00:07

Por isso mesmo, tenho cá uma fé que fique tudo embargado como é hábito , por qualquer impedimento.Além disso temos a Sra da Graça a zelar pelos nossos interesses, ou vocemecê não tem fé?-Pois eu cá, tenho.

De Anónimo a 04.02.2009 às 13:50

A MONTANHA-de ANTÓNIO CABRAL

Nesta montanha dependemos
do voo dos pássaros, do rio
E seu rumor, da solidão
Que acende o risco das estrelas,
Das tempestades e, por elas,
Do nosso próprio coração.

Montanha no sangue ,fluindo
Toda enlaçada de horas verdes.
Mas cada hora não tem mais
Sessenta portas bem contadas:
Sessenta são e mais sessenta
E todas elas invioladas.

Porque são todas invioladas?
onde começa a decisão?
Porque se passa e se não passa
Como se tudo fosse um passo?
Ai lucescente rio feito
De obliquidade sem espaço!


Nesta montanha dependemos
do voo dos pássaros, de tudo.
Em toda a parte nasce, e nasce
Imperceptível, o futuro.
Mostram as coisas uma face,
Mas espreitando-nos do muro

IN Livro FALO-VOS DA MONTANHA de 1956

De aquimetem a 04.02.2009 às 14:45

Mais um daqueles transmontanos que não morrem! Como Junqueiro , Trindade Coelho e Torga, para só falar nestes homens de Letras, António Cabral juntou-se a todos os consagrados como escritor, poeta e etnógrafo que Trás-os-Montes e Alto Douro criou e moldou admiravelmente.

De mgraça a 04.02.2009 às 19:09

É sim, temos escritores maravilhosos e todos eles de grande eloquência e frontalidade; mas ao mesmo tempo de extrema simplicidade e simpatia para com o próximo.Gente culta mas muito humana, qualidade rara nos dias que correm.Isto sim dá-nos muito gosto e grande orgulho.

De Anónimo a 04.02.2009 às 19:27

GÉNESE NELSON VILELA 1988

Minha Terra é outra, lá longe,
Onde, serra acima, ovelhas e neve
Bordam tudo de brancura...
Onde Deus, sem mar, imaginou
Mastros e Caravelas
E onde pedras e estrelas
Dormem à mesma altura.

Eu sou doutros mundos.
«Dum Reino Maravilhoso»?
Talvez...
Se é maravilha, mesmo esquecido,
Sempre orgulhoso
de ser português.

É de lá que sou
De entre serras que rios
cortam às tiras
E orgulho tenho de nascer assim
Podem rufar tambores, arraiais e viras
É de lá que sou...foi de lá que vim.

SEMPRE EM CAMINHO

De aquimetem a 04.02.2009 às 21:32

Aqui temos nós mais um dos tais grandes transmontanos que certamente lhe doe muito ver as "pedras que falam" sair da nossa Montanha, ou os rios e ribeiros de cristalinas águas que por cá correm ser condenados a lagoas para viveiros de mosquitos e túmulo da beleza paisagística de zonas como: vale do Tâmega, do Ôlo , do Sabor etc. Se não fosse tão modesto como é , a sua intervenção , em verso ou prosa, na luta contra os "coveiros" do Tâmega e das Fisgas de Ermelo, já se tinha feito notar. E é pena que não!

De mgraça a 05.02.2009 às 00:34

E o que andiantava?-Os próprios mondinenses, numa grande maioria, estão a favor das barragens; portanto aqui é uma questão de sabedoria e inteligência, o não dar opinião.Aliás o parecer dos nossos Poetas Transmontanos , ouve-se nítidamente no declamar dos seus belos poemas; não precisam dizer mais nada...
E digo eu , um calhau transmontano: para um bom entendedor, meia palavra basta.`

De aquimetem a 05.02.2009 às 14:26

Coitados! Depois da convivência durante tantos anos com estrumeiras e bosta uma represa, ainda que com água estagnada, é sempre uma sensação de alívio. Mas não lhes gabo o gosto, ganham uma banheira e perdem os banhos fluviais e encantos de um rio Sagrado. É o povo e autarcas que temos!!!!

De aquimetem a 05.02.2009 às 23:21

Olhe que não será bem assim! Creio que os verdadeiros Mondinenses, e confio sejam a maioria, são pessoas que sabem distinguir o trigo do joio. Por isso não trocam os encantos dum rio de águas cristalinas e correntes, por um lago estagnado que danificaria a paisagem natural e viria poluir um concelho e uma região cujo património paisagístico é valiosíssimo e quando devidamente aproveitado será uma fonte inesgotável de riqueza, em termos turísticos.

De mgraça a 06.02.2009 às 00:05

Só espero que Deus o ouça e faça com que esses Mondinenses se façam escutar junto das Entidades
Competentes.

De Anónimo a 06.02.2009 às 18:00

"BEBE COMIGO O SOL"

Detém-te a meu lado.O tempo
necessário dum olhar
sem ontem nem amanhã.
Só luz. Quem não percebe
as cascatas latentes
numa sombra, e não ouve
o crepitar duma urze,
que contas prestará
dos seus olhos? Bebe comigo
o sol na concha do silêncio.

ANTÒNIO CABRAL
OS HOMENS CANTAM A NORDESTE

De Anónimo a 06.02.2009 às 18:18

"T Â M E G A "

O espírito das águas, que pairava no vazio,
Cobriu as mulheres com a semente da eternidade.
E os filhos marcados daquele cio,
Foram condenados a sofrer eternamente
De saudades daquele rio.

Era o apelo das bruxas das noites quentes,

Sublime tentação a trepar a serra.
Por açudes e correntes,
Por remansos, areais,
No culto de ritos ancestrais,
Perdiam-se os filhos desta terra.
Partiram, um dia, à conquista das cidades de cimento,
Por tenebrosos caminhos do nunca-mais.
Mas as lágrimas, teimosas, que saltavam a cada momento,
Eram ainda o Tâmega a explodir nos seus sacos lacrimais.

LUIS JALES DE OLIVEIRA (GINHO)
IN MONDIM DE OUTRORA
« Rimas Parolas »

De Anónimo a 06.02.2009 às 18:34



G E N T E

Um cibo de terra roubado,
A um mar de pinheiros sem fim,
Um monte e um rio ao lado,
E no meio- MONDIM

Fragas , Fragas e mais fragas,
Num tapete verde permanente,
Gente, muita gente, tanta gente,
Boa gente,
A NOSSA GENTE.

Aqui,
Nesta lonjura,
Neste remanso do mundo,
Nesta terra prometida,
Neste quinchote de duros,
Onde até a agricultura,
Está dividida,
Por muros...

Aqui ,
onde se comunga e come,
O sacrificio da fome,
Num caldinho de labrêstos...

Aqui ,
a minha gente,
sabe da vida e da morte:
Vai esperando a sorte,
Verticalmente!

LUIS JALES DE OLIVEIRA « Ginho»

Mondim de Outrora- Rimas Parolas

De aquimetem a 06.02.2009 às 21:56

Feliz ideia, esta de chamar à ribalta o nosso inconfundível mondinense Luis Jales de Oliveira, o "Ginho " ! O autor d' "OS SEGREDOS DA PIRÂMIDE VERDE" que em prosa fluente sintetiza a história global da região de Basto, mormente a do concelho que nos faz conhecidos por mondinenses. Grande Poeta e grande Prosador que muito admiro e tenho por dilecto Amigo. Parabéns a quem se lembrou de o incluir no número daqueles amigos e defensores da paisagem natural que caracteriza a nossa região, onde o vale do Tâmega, do Ôlo e do Cabril são uma mais valia.

De Anónimo a 16.02.2009 às 00:03

Olá!-Já viu no no blog dos amigos lá de Mondim,dizer que o Estado já recebeu uma fatia do valor pelo qual vendeu o leito de Fridão, e que este foi vendido por 200 milhões de euros?-Que me diz?Pindéricos , devem estar mesmo com a corda na garganta.Estamos feitos!
Boa noite .
mgraça

De aquimetem a 16.02.2009 às 23:58

Era para lhe responder afirmativamente no blog Vilar de Ferreiros, mas acabei por o fazer aqui. Sim, senhora! Este país esta a saque, com alguns dos nossos cabecilhas políticos a manobrar as golpadas. Por isso também não me admiro que no caso desta barragem, alguém esteja com necessidade de muita água junta para nela tentar lavar as mãos... e a riqueza suja feita à custa daquilo que é de todos nós, do povo português. Só têm futuro enquanto o povo deixar.
Veja post de hoje no blog Vilar de Ferreiros

De anónimo a 17.02.2009 às 18:58

O SAL E AS LÁGRIMAS

«Os deuses vendem tudo quando dão
Compra-se a glória com desgraça
Ai dos felizes, porque são
só o que passa» mensagem------

Os que mandam
É que vendem tudo quando dão...
Corações largos
E mão aberta,
Até das lágrimas dos de nada ter
Fazem questão de ser oferta.

Dão o que lhe deram
E não podia,por herdado.
Só que habituados a ter
Não souberam
Possuir o que com honra foi doado.

E o que no sacríficio de sangue
foi tido
Na desavença foi dado,
como se fosse devido
por presságio de mau fado...

NELSON VILELA

De aquimetem a 20.03.2009 às 19:01

Vim apenas para dizer aos defensores das Fisgas e do Tamega que estou com eles e daqui do Huuambo lhes mando um abraco, em particular para Mgraca. Ate ao meumregresso...

De mgraça a 20.03.2009 às 19:38

Isto sim que foi cair aqui em pára-quedas,seja bem aparecido! E eu a pensar que estava lá em Luanda a ver o Papa...Pois então no Huuambo!Espero que estejam a gostar dessas paisagens.Por cá ainda se trabalha a esta hora.Bom fim se semana.
Saúde , até sempre.

De jts a 27.03.2009 às 18:44

Oh minha grande amiga, " Maria da Graça", tenho andado ocupadíssimo com os trabalhos de secretaria nos Bombeiros e o pouco tempo que sobra, é para preparar os convites e programas do evento que aí vem, sob a égide mais uma vez, da Junta de Freguesia, "CONTAR, CANTAR E PINTAR MONDIM, - OS RIOS".
Acredita que foi para mim uma verdadeira surpresa, a viagem do nosso amigo COSTA PEREIRA, a Angola.
Ele a mim não me disse nada e só tive conhecimento por intermédio dos teus diálogos com ele, neste blog.
Enfim, aguardamos a sua chegada e que tudo corra bem para ele.
E quanto à nossa festa ao Dr. Nelson Vilela, está tudo a andar sobre rodas. Gostaria imenso, que estivesses cá nessa altura.
Faz um esforço e põe os pés ao caminho...
O têxto do nosso conterrâneo e amigo "COSTA PEREIRA", sobre o Cabril, é uma obra prima. Só o Pe. Minhavao o suplantará e também ele irá estar aqui connosco para falar dos nossos rios.
Um grande abraço, Maria da Graça. E espero que me desculpes o meu atrazo nas respostas aos teus sempre agradáveis comentários. Ah, já me estava a esquecer, obrigado pelas maravilhosas fotografias das cidades europeias, que colocaste no meu blog.

Teixeira da Silva


De mgraça a 31.03.2009 às 23:07

Olá sr-Teixeira da Silva!-Pois é, o Conterrâneo foi para a África ver a filha, diz ele que está no Sertão...
Faço realmente uma ideia do trabalho que dará a preparação da festa de Mondim; mas vai ser um êxito, vai ver.Mas se precisar de alguma coisa da minha parte, faça favor, ao seu dispor!
Um abraço ao amigo.

De an a 07.04.2015 às 12:57

TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

É belo o murmurar da Natureza,
Em todo o Trás-os-Montes e Alto Douro,
Granitos e socalcos são tesouro
E os cantos matinais sua riqueza.

Bem hajas sol que doiras de pureza
Os montes onde searas valem ouro,
As vinhas constituem mira Douro
Pró rio fecundado de beleza.

Bragança tem a chave do Nordeste;
Miranda o Menino da Cartolinha,
E a porta?...Está na Serra que é rainha!

Abençoado Povo que nos deste
O teu suor, o trigo e a farinha,
O amor com que dizemos...Terra minha.

(Cantos matinais)
António Fortuna-Sonata ao Douro

De jts a 23.12.2009 às 19:46

Toda esta colectânea de comentários ( 48 ) já os tinha lido noutras paragens, ainda que não muito dispersas. A questão das barragens, é um problema de todos obviamente; mas, gostaria de perguntar,se aí pela capital, são tão veementes os protestos contra o poder, quando as asneiras são transformadas em obras de interesse particular?
Bom. Eu lembro-me de há muitos anos ter ouvido uma história, contada por um Mondinense que vivia a alguns anos fora daqui, que era mais ou menos assim:
Mondim, já não é a terra que me viu nascer. Que saudades que tenho do chilrear dos passarinhos que ouvia pelos campos...; que saudades que eu tenho de ver os carros de bois com as dornas carregadas de uvas para os lagares...; que saudades que eu tenho de ver e ouvir cantar os homens e as mulheres no campo, na apanha da azeitona e no desfolhar do milho...!!! Hoje a minha terra, já tem barulho a mais e quase já se não conhece ninguém. E quando as pessoas passam umas pelas outras, até já nem se cumprimentam.
Foi mais ou menos assim, a história que ouvi, já lá vão muitos anos.
Então aquele Mondinense que saiu da sua terra para conseguir uma vida melhor, queria que o berço onde nasceu estivesse sempre igual, isto é: atrasado, empobrecido, despovoado, silenciado, morto.
Não meus caros amigos: vivo em Mondim de Basto, que é uma terra de progresso, hospitaleira, moderna e airosa, onde dá gosto viver.
Os direitos dos Lisboetas não são maiores que os nossos,são iguais.
Agora, que tem mais possibilidade de dar solução aos seus problemas, obviamente que sim. O mesmo se passa entre a sede do nosso concelho e as nossas aldeias. Quem é pequeno e pobre, pequeno e pobre fica e não hã volta a dar a isto.
Ficaria mais contente, se moderassem um
poucochinho os cerrados ataques ao actual poder.No passado recente, em que os "mandões" eram outros, nunca li um comentário a exigir, o que se exige a estes coitados. Eu, ainda sou do tempo, em que quando falava um pouco mais alto, tinho logo a GNR à porta. Graças a Deus, que a liberdade de expressão que ajudei acriar não foi só para mim. Usufruo dela, mas também até aqueles que sempre foram contra ela, dela usufruem.
Um abraço
TeixeiradaSilva

De aquimetem a 20.01.2010 às 17:07

Boa tarde, amigo Teixeira da Silva! Tenho estado sem computador desde o inicio do ano e só no passado sábado me foi entregue, e com cerca de 500 mensagens para ler. Confesso que parte delas foram directamente para o lixo sem ser lidas. Salvou-se uma que a nossa conterrânea Mg . me dirigiu com votos de Boas Festas e a noticia que havia um comentário seu num dos meus blogs, não me disse em qual, daí me ter demorado a encontra-lo, dado o post remontar a Novembro do ano passado. Encontrado que foi cumpre-me agora agradecer a sua visita e tecer um breve comentário à volta de seu conteúdo. Sem duvida a questão das barragens é um problema, mas creia que é um problema que afecta sobretudo as terras e populações onde as barragens são implantadas . Os beneficiados são sempre os habitantes dos grandes centros urbanos e não os carneiros que a troco de meia dúzia de euros se vendem em prejuízo do património histórico e paisagístico das regiões a degradar. Manter as terras como no tempo da pedra lascada não, mas a troco de mais uma ponte ou via rápida fazer das terras e dos leitos dos rios lagoas para produção de mosquitos e alterações ecológicas com resultados imprevistos jamais podem ter o apoio dos verdadeiros amigos da nossa terra e do ambiente. Não concordando com os Velhos do Restelo, mas também não posso levar a sério aqueles que se mostram favoráveis à barragem de Fridão e às pedreiras que continuam a descaracterizar a nossa montanha. Meu caro que não seja o complexo da democracia a arrastar-nos para aquilo que é menos realista, eu por mim nunca temi dizer o que penso, mesmo no tempo em que muitos se acobardavam a fazê-lo. Se as mudanças que se fizeram sentir foi para servir interesses partidários, em vez da comunidade, então mais vale regressar ao inicio e trabalhar com a prata da casa....Um grande abraço e o sempre: por bem sem olhar a quem. É o lema dos Josés.

De mg a 21.01.2010 às 18:05

Caramba! Como eu gostava de saber dizer isso tudo, dessa maneira... De certeza que se trata aqui, de dois transmontanos!
Só pode...

De aquimetem a 21.01.2010 às 19:54

E verdade, de dois transmontanos e também duma transmontana!!! Sim, mas ao que parece divergem no que respeita à defesa do património histórico e paisagístico da região, que sabemos sairá profundamente abalada com a criminosa construção da projectada barragem de Fridão , no rio Tâmega. Como já não bastasse o poder e arrogância com que a EDP actua neste país, que faz lembra os tempos da outra senhora, tem ainda pelo seu lado o apoio ou aceitação de uns tantos adormecidos que sonhando com milhões abrem a porta ao inimigo. E quando acordarem já e tarde. Eu sei que lutar contra a força do "Tem que ser" é muito difícil , mas era muito mais honroso para os verdadeiros amigos da região, e neste caso para todos os transmontanos de Basto, dizer ao governo e à EDP : não e não, à barragem de Fridão ! Não se enganem, nem enganem o nosso povo, levem-no a ver e a conversar com os naturais das terras com barragens: Pisões , Venda Nova, Salamonde, Caniçada, Ponte de Sor, Avis, Aguieira, Alqueive, na certeza que ali ouvirão dizer o que todos sabemos: "se alguém beneficia do empreendimento não são os que disponibilizaram a área ocupada". Mas não quero estar aqui a pregar sermões aos peixinhos, até porque pois nem Tonho sou. Um abraço e bfs.

De Anónimo a 04.05.2015 às 17:26

C O N B A T E - LUÍS JALES DE OLIVEIRA

CONtra a Barragem que destruirá o Rio e as linhas de muito Alta TEnsão
que destruirão o Monte.


Levantarás a tua espada até ao céu,
Para decapitar os monstros malfadados,
Rasgarás, com a tua espada, o negro véu,
Que esmaga Monte e Rio, condenados.

Ceifarás, com tua espada, dragões de lume,
Que profanarão o Monte, até ao cume,
Quando rufarem tambores na madrugada;
Derrubarás, com fogo, as torres infernais,
Com mil bombas de dinamite siderais,
Que hão-de ofuscar a luz que nos foi roubada.

O teu grito de guerra há-de ser o clamor,
Pelo nome dos entes, o nome guardado,
Para se cobrir de glória e de esplendor,
Este chão antigo, este chão sagrado.

Em ti reside a força, tu serás o fio,
Desta nossa espada de luz e de paixão,
Que há-de salvar o Monte e salvar o Rio,
Quando tu cortares a cabeça do dragão!

Levantarás a tua espada até ao céu...


In Desta Maldição de Mim

De an a 15.06.2015 às 12:57

TAMÓBRIGO

Ó divindade celta, deus dos romanos, deus fluvial e deus do Rio, ó génio do Tâmega, ó espírito das águas, fantasma das névoas e das neblinas, senhor do mistério e da pujança, senhor das ninfas, dos druidas e das feiticeiras, tu que baptizaste e que ungiste cada um de nós, que nos enlaçaste e que nos condenaste a esta eterna e dolorosa paixão, tu que pairas, que moras e que respiras no choro do Rio, nas carícias da neblina, nos espasmos dos açudes, nas gargalhadas das bruxas, nos fantasmas de nevoeiro, no silvo do pica-peixe, na silhueta das garças, na quietude dos mexilhões, na ondulação das cobras, no riso das lontras, no deslizar das areias, no giro dos remoinhos, no silêncio dos poços, na espuma das correntes, no troar dos sapos, na babugem dos remansos, no arfar das cachoeiras, no arrufo dos salgueiros, no pestanejar das libelinhas, no pulsar dos alfaiates, no coaxar das rãs, nas piruetas dos escalos, no guincho dos gilros, nas rodinhas dos insectos, na lodice dos calhaus, nas contracções do bicho da pedra, nos filtrados raios de luz,no bailarico dos limos, no intimismo dos vaus, na ascenção dos saltões, no alvo sussurro das névoas, no ascetismo das poldras, nas ondas arredondadas, nos esplendores do orvalho, no desenhado percurso dos ratos, na pujança das nascentes, no trinar dos rouxinóis, na realeza das trutas, no sincronismo do moinho, no pipilar das lavandiscas, no bucolismo das ilhas, na suave ondulação dos juncos, no toque dos seixos, na estridência dos gaios, no opérculismo dos barbos, nos beijinhos das abletes, na transfiguração dos cabeçudos, na claridade das cascalheiras, nas serenatas dos grilos, no arrulhar dos pombos bravos, no argentismo das micas, no lacrimejar dos relvados, nas covinhas dos calhaus, na ebulição dos cachões, na láctea emanação das brumas, nos rubores do entardecer e no pasmo das manhãs primordiais, eu te evoco e te suplico:
__ NÃO DEIXES MORRER O RIO!!!

GINHO - In Corre-me um Rio no Peito

De an a 15.06.2015 às 13:08

COM AS LÁGRIMAS SALGADAS
DA ÁGUA DOCE DO RIO
(fado)

Traga as retinas molhadas,
De saudades, do vazio,
Com as lágrimas salgadas,
Da água doce do Rio.

Com água doce do Rio,
Chorei o pranto do fado,
Chorei saudades a fio,
Deste Rio tão salgado.

Deste Rio tão salgado,
Tão doce de perdição,
Como se um fogo afogado,
Me queimasse o coração.

Me queimasse o coração,
Um Rio doce onde moro,
Com lágrimas de emoção,
Neste fado que eu choro.

Trago as retinas molhadas,
De saudades, do vazio,
Com as lágrimas salgadas,
Da água doce do Rio.

In Corre-me um Rio no Peito

Luís Jales de Oliveira

De an a 11.05.2016 às 12:33

OS CEIFEIROS

TU DISSESTE MUITA COISA, AMIGO, MAS ESQUECESTE
O INDIZÍVEL CANTO DOS CEIFEIROS,
DOLORIDO E ROUCO, DILUÍDO A CUSTO
NO SILÊNCIO ADUSTO DO OUTEIRO.
GARGANTAS SECAS, O SEU CANTO É UM GRITO
DE REVOLTA, UM LONGÍNQUO PROTESTO,
VINDO - QUEM SABE - DOS PRIMÓRDIOS DA RAÇA.
É QUANDO O SOL, DARDEJANTE E PLENO,
PÕES FOGO NAS FLORES E NAS FORMIGAS,
E OS CEIFEIROS, CURVADOS SOBRE O SOLO,
VÃO TECENDO A SUA COROA DE ESPINHOS
E DE ESPIGAS -,
ATÉ QUE O SUOR QUENTE E ESPESSO
AFOGA COMO UM PRANTO OS DESEJOS PRIMITIVOS.

NO ENTANTO SÃO HOMENS E CANTAM ROUCAMENTE,
ENTRE ESQUECIDOS DE QUEM PODIAM SER ALTIVOS
COMO CAPATAZES OU ATÉ COMO PATRÕES,
OU SIMPLESMENTE HUMANOS COMO GENTE,
E CONVENCIDOS DE QUE DE NADA SÃO CAPAZES,
SENÃO TALVEZ CANTAR.

(É VERDADE: E DESFAZER-SE EM SUOR AOS BORBOTÕES,
PARA QUE ALGUÉM, QUE NÃO ELES, TENHA PÃO.)

ESQUECESTE-TE DELES, MEU IRMÃO?


A.M.PIRES CABRAL

IN AQUI E AGORA ASSUMIR O NORDESTE

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