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Contos de Natal

por aquimetem, em 25.11.16

Vários - Nem sempre os pinheiros são verdes

 Do poeta e prosador João de Deus Rodrigues recebi hoje um convite para assistir à apresentação de uma antologia de Contos de Natal intitulada: NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES, contendo oito contos, cada um de seu autor. Acompanha o convite esta amistosa mensagem : “Bom dia caro Amigo Costa Pereira.
Desejo que essa saúde vá bem! Quanto aos seus blogues, vou vê-los de vez em quando, e lá encontro, sempre, coisas novas o que é sinal de vitalidade, empenho e trabalho.
Amanhã, sábado, vou à apresentação de uma pequena Antologia de Contos de Natal, aqui em Lisboa. São oito autores, entre eles eu, e cada autor escreveu um conto. Ainda não vi o livro”. É forçosamente uma peça de leitura a não perder de ler e já nesta quadra natalícia que se aproxima. Também ainda a não vi, nem li, mas os autores dão essa garantia. E a poética edições,Produção Independente, Loja online, também.

 

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publicado às 15:23

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Por: Barroso da Fonte.

A sociedade exige clareza, respeito e rigor. Se esta trilogia não existir, a sociedade não funciona.
Soube-se que dois juízes do Tribunal Constitucional que vão avaliar os gestores da CGD, não cumpriram a mesma lei. Eticamente é um paradoxo, é reprovável e tem sido este vício um avolumar de situações anómalas.
Há 42 anos deu-se um golpe de Estado em Portugal sob a alegação de que desde há 48 anos era invivível o clima reinante. Tudo e todos se renderam a essa regra de ouro.
Nestes 42 anos apenas se trocou a pobreza cambial pelos fundos comunitários. Trocou-se a falta de liberdade pela libertinagem, a segurança pela instabilidade social, a agricultura pelo desemprego campesino, a terra arável pelas urzes e silvados, os produtos ecológicos pelos químicos enlatados e insípidos, as fábricas de têxteis em laboração plena, pelos prédios em ruínas, enfim, só a liberdade triunfou, dando para tudo até para enlamear classes essenciais como são as Forças Armadas.
Pretendo dar o meu testemunho de jornalista e de militar, embora de curta duração, porque fui miliciano. De ambas as condições me orgulho.
Como jornalista honro-me muito, pela insistência em dar voz às gentes da minha Terra e da minha geração. Fiz militância desta arma de combate permanente. Cedo me envolvi. E, sem obter proventos de qualquer natureza, repercuti a voz do meu Povo, sabendo que corria o risco de somar adversários e até alguns inimigos, não nesse povo, mas entre alguns bem instalados de todos os sítios, condições e idades.
Como militar não pude furtar-me, como alguns fizeram, porque não nasci em berço de ouro, nem tive pais influentes, como alguns que, antes e depois, serviram o regime, dele se valeram, e, ziguezagueando para a adaptação, vivem hoje como nababos, não merecendo o pão que comem.
Muitos milhares de jovens da minha geração, não fomos voluntários para a vida militar. Fomos todos convocados para servir a Pátria, sob o duro regime militar que era ministrado pelos profissionais das armas. Esses escolheram a profissão. E, enquanto a guerra do Ultramar durou, sempre tiveram, nos soldados e nos milicianos (sargentos e oficiais) os seus mais submissos colaboradores. Só quando esses profissionais já não bastavam para ocupar todos os comandos, o poder político, entendeu convidar alguns milicianos, voluntários, à medida em que regressavam da guerra, com experiência e saber, para ocuparem, nessas falhas, comandos profissionais. Estes deram conta de que os milicianos iriam estragar-lhes a carreira. E gizaram o golpe militar. Foi esse o motivo mais forte e o rastilho certeiro do 25 de Abril.
Apesar desta traição unilateral, quer os milicianos quer os profissionais da guerra, sempre foram solidários com a necessidade de haver forças armadas fortes, bem preparadas e solidárias para defenderem a Pátria. O elo mais forte, nessa altura, foram os capitães porque estavam organizados e detinham as armas e poder militar. Os milicianos estavam desarmados e desorganizados. Acabaram por sofrer injúrias, prejuízos profissionais e morais. Em função do superior interesse nacional não reagiram. Perdoaram mas não esquecem esse revivalismo de classe.
Hoje voltamos a estar solidários com eles porque as Forças Armadas fazem falta para qualquer imprevisto. Entretanto acabou o serviço militar obrigatório. Hoje apenas servem nas fileiras das FA os voluntários. Têm que sujeitar-se à disciplina, aos contratempos e à dureza da preparação física.
Quem escolhe as Operações Especiais (ranger's), Comandos, Fusos e Paraquedistas, sabe que a morte espreita em qualquer exercício, de noite ou de dia, ao domingo como à semana. Em Portugal não há temperaturas tão altas como houve, ao longo de 13 anos na Guiné, Cabo Verde, Angola, Moçambique ou Timor.
O preciosismo da forma como foi dada a notícia da prisão de sete militares, envergonhou a classe e todos aqueles que, mesmo contra a sua vontade, combateram na Ultramar. Nela morreram 9 mil militares. Nunca as carpideiras profissionais ficaram tão furiosas, nem a Justiça, alguma vez, deu tão ruidoso espetáculo como nestes dias de Novembro.
Pessoalmente tenho moral para erguer a voz. Fui Ranger no 3º curso, em Lamego. Fui obrigado, após o COM. Fizemos o percurso fantasma, da mata dos Remédios para a cidade. Furámos pelo saneamento urbano. As 72 horas de resistência, sem comer nem beber, sempre pelas serras do Poio, de Castro Daire, de Moimenta da Beira. Naufraguei, com mais sete, numa operação no Rio Douro (na noite de 21 para 22 de Novembro de 1964). O pneumático que era de 4 mas levava 8, afundou. Boiámos 5 km desde as Caldas de Aregos até Portuzelo. Ainda não existia a barragem que hoje é navegável. Faz agora 52 anos! O corpo do cabo miliciano Dutra, dos Açores, só 33 dias depois apareceu, irreconhecível. O Velez, o Lopes, o Neto e eu próprio, (meus pares de infortúnio), presos ao pneumático, naquela noite cerrada e gélida, desde as Caldas de Aregos até Portuzelo, nunca mais nos vimos. Nem televisões, nem rádios, nem justiça... e muito menos os dois oficiais instrutores: Alferes Morais e Fonseca (do quadro), insensíveis à nossa resistência, foram punidos. O comandante, afirmou no encerramento do curso que «foi pena aquele acidente mas que servia para dar mais realismo ao Curso». A algazarra que por aí se fez, contrasta com o desprezo a que votaram a minha geração. Só berra quem tem que se lhe diga. E até para morrer é preciso ter sorte!

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publicado às 13:30


Dá Deus as nozes a quem não tem dentes

por aquimetem, em 21.11.16

 

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Por: Barroso da Fonte
A realidade de uma comunidade como a nossa, merece as maiores preocupações das gentes locais. Quem ali nasce, vive e morre desconhece quanto se passa para além do seu horizonte visual. O seu mundo começa e termina onde os seus olhos deixam de ver. Vêm apenas aquilo que a vista alcança. E, aquilo que alcançam, limita-se aos sítios de onde se colocam para alongar a sua própria visão. Se alguma vez subiram ao Larouco esse mundo cresceu até aos píncaros da Sanábria, quase sempre com neve. Se não houver nevoeiro, talvez alcancem o Vale do Lima, com a sua opulência telúrica, por onde corre, rumo ao Atlântico, o majestoso rio Minho. Voltando-se para sul vislumbram os «Cornos das Alturas de Barroso, a Padrela, os montes de Curral de Vacas e o Brunheiro que abriga Chaves, a nascente. A Poente fixam o descarnado Gerês e a Mourela que abrem alas aos Rios Cávado e Rabagão. Este foi o cenário de minha infância e de tantos como eu. E foi o mundo de muitos, homens e mulheres que passaram vidas inteiras a repetir as mesmas coisas, a ver as mesmas pessoas, a ouvir as mesmas desgraças. Para alguns desses somente mudaram as palavras, as caras e alguns cenários desde que vieram as escolas, os automóveis e as alfaias agrícolas.
Há menos de um século chegaram as escolas, vieram os professores e fez-se luz. Para alguns mudaram os cenários. Alguns partiram para sempre. Outros foram e voltaram. E esses que voltaram trouxeram provas de uma vida diferente: os automóveis, as roupagens e alguns vinténs. Foram esses que convenceram aqueles que nunca saíram, de que, afinal, existiam outros mundos, outras serras e até o mar imenso.
Em menos de um século a vida mudou os horizontes e as mentalidades. Mas o que é bom acaba depressa. As escolas primárias ficaram desertas, os cantoneiros não mais se viram, os campos que produziam de tudo aquilo que se alimenta, depressa se encheram de tojos, silvas e ervas daninhas.
Os cemitérios que estavam cheios de campas, encheram-se de lugares vazios, porque muitos nunca mais voltaram.
Hoje a vida é vivida de outra forma. As escolas, envelhecidas e decrépitas, servem de disputas políticas para alguns, dos locais de lazer para outros e de romagem de saudade para poucos que regressam, por instantes, para mostrar aos filhos e aos netos os lugares da sua infância.
O republicanismo substituiu a monarquia. Foram anos dolorosos, inseguros, paupérrimos.
Portugal tremeu e abalou as estruturas de uma nação, que se fez aos mares e foi mais sólida lá fora do que cá dentro. Foi um império e é hoje um palmo de terra disputada pelos que a habitam, mas gerida pelos gananciosos que têm ideias vazias de sentido. São teóricos quando a prática é quem mais ordena. O planeta está em convulsão apressada. A Humanidade deu lugar à brutalidade. A razão foi subvertida pelo posso, quero e mando.
Quase me perdi nesta viagem de retorno ao passado. E não sou eu que devo depor armas. Somos todos nós que devemos parar para reflectir. Se a nascente e a poentes há exemplos claros de que a Humanidade corre o risco de se desintegrar, rumo ao caos, resta à sociedade portuguesa interrogar-se sobre se estamos a caminhar para o lado certo ou errado. E, em função desta realidade, haja alguém que estabeleça um período de tréguas, até que irrompa o grito do Ipiranga.
******
No penúltimo fim de semana participei em duas sessões culturais a pretexto do Castanheiro e da Castanha. Quer na Casa Regional do Porto, quer na sua congénere de Braga, esteve gente de todos os graus etários e de condições sociais. Muitas vezes dizem-se coisas mais importantes em convívios gastronómicos do que em cimeiras internacionais, cujos objectivo têm mais a ver com o mediatismo do que com o bem-estar das pessoas.
Em ambos os casos se exaltou o papel do poder local que, nestes 40 anos, fez mais pelas terras e pelas pessoas do que o pode central ao longo de séculos.
O castanheiro e o seu produto serviram de tema de debate, a propósito de um livro que nesse dia foi apresentado, da autoria do autor Transmontano Jorge Lage. Concluiu-se que faltam técnicos especializados que desenvolvam as potencialidades telúricas do continente e ilhas. O solo é rico, mas está virgem. Abandonou-se a agricultura e, obviamente, os campos e tudo aquilo que eles produziam. As universidades produzem teoria em áreas lucrativas e snobes. Mas despreza-se a investigação e o incentivo em áreas fulcrais, como são os solos, as plantas e os frutos que acompanham o homem desde que ele se conhece.
As duas Casas Regionais de Trás-os-Montes, quer de Braga, quer do Porto, funcionam e podem servir para promover debates com base na prática. Menciono estas duas mas há mais: a de Lisboa, a de Coimbra, a de Guimarães e a de Tomar. No III Congresso Transmontano, em Bragança ficou decidido realizar o quarto congresso, de cinco em cinco anos. Nunca mais se falou nisso. Para esse tipo de iniciativas não há dinheiros públicos. Mas há milhões malbaratados em administrações fraudulentas, ruinosas e sem fim à vista. Verdadeiramente dá Deus as nozes a quem não tem dentes. Ditado tão velho quão verdadeiro e actualizado em Portugal.

 

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publicado às 20:54


Cinco anos sem parança cultural

por aquimetem, em 17.11.16

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 Por: Barroso da Fonte

Só um irrequieto e talentoso espírito como o de António Alberto Alves poderia conceber e dar resposta plena a um projeto cultural com a polivalência de Traga-Mundos, com sede em Vila Real. Completou em 5 deste mês a bonita idade de outros tantos anos, impondo-se pela dinâmica, pela diversidade dos seus produtos e pela originalidade, como os seleciona, os trata e os dispõe ao público. Abriu a porta na Rua Miguel Bombarda em Vila Real, não gastou dinheiro inaugural em foguetório e em comes e bebes, não mendigou subsídios à mesa do Orçamento geral do Estado, não se pôs a jeito dos capatazes de cidade, nem se deu ao cuidado de celebrar qualquer aniversário dos cinco que já ocorreram. Neste lapso de tempo já correu «Seca, Meca e Olivais de Santarém» realizando 357 eventos, 60 apresentações de livros, 5 Encontros livreiros em Trás-os-Alto Douro. Levou longe carradas de livros, vinhos, coisas e loisas do Douro. Difundiu autores e artistas, produtos da terra Transmontana e Duriense, artefactos manufaturados pelas suas gentes,organizou e distribuiu cartazes turísticos, levou aos confins do planeta informação de pessoas e bens que de outra maneira, nem com campanhas oficiais dispendiosas surtiriam tão bom efeito. Precisamente porque a cultura tem o dom de ser assimilada, intuída e inoculada com o ar que se respira.
O criativo deste projeto original, servido em bandeja, como um sorvete no verão quente, disse na sua mensagem de mais esta etapa que ele e o seu projeto são «independentes». Não devemos nada a ninguém e, por conseguinte, o mérito é todo nosso e de todos vós, amigos e familiares, clientes e produtores, escritores e artesãos, editores e livreiros».
Confesso que ainda não passei pela Rua Miguel Bombarda, na velha mas sempre renovada e atraente capital Transmontana. Já fui, amavelmente, convidado para ali apresentar livros, para visitar as Feiras em que tem marcado presença. E recebo, pontualmente, os programas que ali ou noutros espaços culturais, a «Traga-Mundos» abanca com a sua «tralha» de livros, de vinhos, de coisas e loisas. Conheci, pessoalmente, o estruturado agente cultural na Casa de Trás-os-Montes do Porto. Falou-me em linguagem académica, em termos tais que me impressionou a sua linguagem técnica e metodológica. Diria que tem um curriculum invejável. Mas pediu-me para o tratar como um aprendiz de tudo. E até me disse que conhecia Gralhas, a seis km da minha aldeia natal, porque dali se fez à vida sua Mãe.
Dá gosto viver e conviver com este tipo de missionário das nobres causas. Sempre o suor do rosto, o saber fazer, a perseverança e a humildade a darem forma aos homens raros, que comem à noite o pão que ganharam durante o dia.
Vila Real acolheu-me entre os 12 e os 22 anos. Numa instituição que procurei honrar, tal como os meus excelentes companheiros do Seminário de Santa Clara. Amo esta cidade como se nela tivesse nascido. Relembro-a, a cada passo e regozijo-me com as estruturas de ontem e de hoje, nomeadamente das valências culturais que homens como António Cabral, Pires Cabral, Alberto Miranda, Ângelo Minhava, Passos Coelho, Otílio de Figueiredo, João Ribeiro, Salvador Parente, Joaquim de Barros Ferreira, Amaral Neves, Joaquim Ribeiro e outros que têm catapultado Vila Real para a galeria dos autores dignos de registo.

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publicado às 19:19


Mesmo sem Marcelo em Cuba. 

por aquimetem, em 14.11.16

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Hoje a mãe do meu neto Álvaro faz 39 anos que vai completar em Havana, a capital do pais onde a família Castro impera e a laboriosa aniversariante trabalha com muita dedicação. Para lá envio neste dia um forte abraço e beijinhos de pai orgulhoso pela filha que tem, e que vão acompanhados com votos de parabéns e desejo para que em ambiente familiar a data fique bem assinalada. Mesmo sem Marcelo em Cuba. 

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publicado às 11:30


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