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Recebi a seu tempo um convite que aqui exibo,  dando conta de mais um reconhecimento publico por parte de quem nos meus culturais do país está atento ao labor intelectual do poeta, do escritor e do jornalista notável que e Barroso da Fonte. Como não pude estar presente nesse evento, aproveito para me me associar a essa honraria, com a transcrição do sobre o insigne transmontano recebi:

"Na tarde do último Sábado (28) decorreu no Ecomuseu- Espaço Padre Fontes, em Montalegre, a apresentação do novo livro de poemas de Barroso da Fonte, apresentado por António Chaves e com um numeroso e qualificado público. Ao livro chamou o autor Barrosão Poesia, amoras & presunto, tem 228 páginas e a chancela da Tartaruga editora, com sede no Porto. A escritora Manuela Morais, fundou esta Editora com o intuito de homenagear seu marido, Fernão de Magalhães Gonçalves, considerado o mais fiel intérprete da obra Torguiana, era Leitor de Português na Universidade de Seul, quando (em 1988), morreu subitamente, ao lado da Esposa. Tinha 45 anos de idade e, já nessa altura, era autor de dúzia e meia de livros, sobre alguns dos mais célebres autores Portugueses e europeus. Na sequência do desaparecimento desse talentoso poeta e ensaísta, Manuela Morais, também ela licenciada nessa área do conhecimento literário, além de editar e difundir a obra deste Autor Transmontano, teve o nobre propósito de laurear, anualmente um autor nacional com o «Prémio Nacional de Poesia, Fernão de Magalhães Gonçalves». Como Barroso da Fonte completou em 2015 meio século de autor, em Livro e 62 de jornalismo, regional e nacional, foi o escolhido para receber esse galardão que consiste em ver publicada uma obra da sua autoria e receber em ato público, na sede do seu concelho de origem, essa distinção.

A cerimónia ocorreu, simbolicamente, no Ecomuseu, cujo patrono é o Padre Lourenço Fontes, ex-colega e amigo pessoal do laureado que viu à sua volta cerca de uma centena de ex - condiscípulos, amigos e admiradores. Presidiu à cerimónia o Mestre David Teixeira, vice-Presidente da Câmara, por ausência comprometida antes de se conhecer a data do evento. Viveu-se ali uma tarde muito gratificante para quem pôde assistir. A mesa foi constituída pelo Representante da autarquia, da Directora da Tartaruga, pela Viúva de Nadir Afonso, pelo Presidente da Direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes que se deslocou, propositadamente, de Lisboa, para apresentar a obra e pelo autor da mesma. Todos usaram da palavra para justificarem a sua representação e o gosto que tinham em participar nessa cerimónia festiva, para quem ali nasceu há 76 anos e passou uma vida inteira, cheia de dificuldades e de valorização para ser um vencedor, como as várias homenagens que têm vindo a acontecer desde Lisboa, ao Porto, a Bragança, a Vila Real, Boticas e Montalegre revelam. Recorde-se que, já durante o ano em curso, juntamente com José Dias Baptista, a Câmara os havia distinguido,em 6 de Junho. Mas antes disso foi a Câmara Municipal de Vila Real, através do Grémio Literário, dia 25 de Abril e foi o Fórum galaico Transmontano, em Boticas, durante o Encontro de escritores luso-galaico que ali teve lugar.

Barroso da Fonte, no uso da palavra, agradeceu a todos os presentes e ausentes que lhe fizeram chegar mensagens de felicitações. Começando por agradecer à Tartaruga Editora e à Câmara Municipal, afirmou: quando a escritora Manuela Morais, me anunciou que em 2015, seria eu o autor distinguido com o prémio nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves, pelos meus 50 anos de vida literária, ocorreu-me a ideia de partilhar esse prémio com mais três figuras Transmontanas (já falecidas): Fernão de Magalhães Gonçalves, patrono do Prémio, Nadir Afonso e Miguel Torga, além de Artur Maria Afonso, pai de Nadir, nascido na Casa da Crujeira em Montalegre.

Gorete Afonso, Maria José Afonso e Fátima Rodrigues, leram poemas do livro que tem capa e contracapa ilustradas, a cores, com reproduções de Nadir Afonso: a primeira produzida em 1939 e a segunda em 1938. Aquela simboliza a serra do Larouco com a Portela de Urzeira (hoje Codeçoso) a seus pés. Esta reporta-se à ponte Romana sobre o Cávado. Ora BF nasceu em Codeçoso no preciso ano em que Nadir concebeu essa obra prima. Ambas confirmam a ligação umbilical desse genial Pintor às terras onde seu pai, Artur Maria Afonso nasceu e começou a trabalhar.

Diga-se ainda que o Padre Fontes leu do Correio do Planalto uma notícia de 1988, noticiando a morte de Fernão de Magalhães Gonçalves. O prefácio do livro tem a assinatura de Ernesto Rodrigues, da Universidade de Lisboa que na p. 9 diz: «Fernão de Magalhães e Barroso da Fonte triangularam, numa rara felicidade, com Torga, figura que perpassa em vários momentos daqueles, cristalizando essa tripla relação nas missivas e iconografia de Tora e Eu – Correspondência dele para mim (2007), de BF. Reúnem-se, assim, espíritos de eleição neste volume que honra um dos mais devotados cidadãos às causas pátrias e regionais, interventivo e livre. Esta edição – de Barroso da Fonte - dá a altura de um Poeta e a sua interioridade, como nenhuma crítica fará. Contra Tempo Infecundo, neste solo cresce um grão de humanidade».

Na cerimónia da entrega e apresentação da obra viam-se, entre outras personalidades: a deputada Manuela Tender, o Presidente da AM de Montalegre, os antigos presidentes das Câmara de Montalegre, e de Boticas, respectivamente: Carvalho de Moura e Sousa Fernandes, o Juiz Conselheiro Custódio Montes, Maria Isabel Viçoso, o médico Fernando Calvão, o inspector José Dias Baptista, o Padre Lourenço Fontes e Alípio Afonso, todos escritores; Margarida Canedo, Fundadora e Directora do Antigo Colégio de Montalegre; Natacha Fontes e Henrique Barroso, docentes universitários, da Universidade do Minho, a Vereadora da Educação, Fátima Fernandes, etc. Uma sessão cultural cheia de sol de Outono que mais parecia de pleno Verão.

                                                                                                                João Pedro Miranda

Nota: durante a sessão foi lido o seguinte soneto, dedicado ao homenageado pelo autor: Custódio Montes, Juiz Conselheiro":

"Homenagem

28.11.2015

Do nosso sonho vem a criação.

Inata à nascença nem se crê

Que quando formos homens à mercê

Das circunstâncias venha a inspiração

Às vezes tem-se força e coração

Força dentro de nós que não se vê

Um coração que ama e não lê

Mas para o sonho andar falta a razão

O Barroso da Fonte teve um sonho

De prosa e poesia bem risonho.

A pulso escalou vereda estreita

Subiu ao promontório e ali ficou

A obra engrandeceu e aumentou

Merece a homenagem aqui feita

Custódio Montes".

 

 

 

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publicado às 21:44


Geringonça política

por aquimetem, em 27.11.15

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De Barroso da Fonte:

"Possivelmente já Platão conhecia este aforismo quando escreveu a República. Passados dois mil e quatrocentos anos, há muitos políticos de capoeira que não conhecem o livro, nem o seu autor. Talvez fosse bom criar um curso superior de oratória científica, (não demagógica) para que os políticos (de direita, de centro ou de esquerda), não sejam recrutados nas universidades do verão, entre os coladores de cartazes ou nas praxes académicas, onde o cheiro a vinho e quejandos tresanda. Alguns nunca vestiram um fato, nunca usaram gravata, nada sabem de protocolo e desconhecem as hierarquias ou precedências. No rodopio dos que saíram e dos que entraram na tarde do 26 de Novembro, na «geringonça» governativa, qualquer telespetador se apercebeu da estreiteza cívica de gente mediatizada nas tabletes, telemóveis da última geração ou ao volante dos porches mais potentes. Quem acompanha, pela televisão, esses tiques, trejeitos ou hábitos grotescos, mesmo que toleráveis na informalidade do dia a dia, fica com essa amalgama na retina para toda a vida. Desta vez deu mais nas vistas porque foi uma espécie de excrescência democrática. Uma passarelle para cada um dos 58 que entraram e alguns dos que saíram. Um desfile de vaidades incontroladas e ansiosas por chegarem ao ar condicionado dos gabinetes do poder alheio, subtraído na noite de 4 de Outubro, à socapa do povo que os derrotou. Só desta forma chegaram, onde nunca estariam, se a esquerda radical não abdicasse da sua ideologia. Foi algazarra a mais para mérito a menos. A teatrada a que o país assistiu com a mudança de governos, com o passo trocado e em sentidos opostos, vai ficar na história da democracia portuguesa, muito desfasada daquela que Platão previu na sua República e que Aristóteles consignou na Politeia. Vão ter muito que treinar como Demóstenes treinou a sua gaguês, com seixos na boca, para chegar ao melhor orador do seu tempo.

A Politeia e a República desses vultos atenienses foram deturpadas, antes e durante, essa teatrada a que o país assistiu, na tarde imediata ao histórico 25 de Novembro. Foram precisas quatro forças políticas, renegando os seus princípios básicos para trocar o passo, como quem diz, passar uma rasteira, à legitimidade, para chegar ao poder. Nunca se vira. E o Povo não perdoará, num próximo ato eleitoral, que quatro forças partidárias, esfaimadas, disfarçadas de cordeiros mansos, com roupagens de anjo, mas agindo como diabos, troquem o seu ideário, por um prato de lentilhas. Não mais deverão, esses políticos que destronaram o governo legítimo, propalar que o voto é a arma do Povo. Os quatro partidos que hipotecaram os seus ideários para derrubarem o governo legítimo, disseram uns dos outros que eram «farinha do mesmo saco». Só depois de todos saírem derrotados, esqueceram os insultos e, da noite para o dia, gizaram um casamento de conveniência, para que António Costa chegasse, pela porta do cavalo, ao cargo que por mérito popular, nunca teria. Tudo seria diferente se ele, previamente, tivesse anunciado esse truque, esclarecendo o eleitorado que faria coligação com a esquerda radical, se não ganhasse as eleições. Mas nem uma palavra disse.

Pode António Costa salvar-se desta acusação se conseguir, apesar da derrota vergonhosa que o povo lhe deu, pela traição que fez ao camarada António José Seguro, exigir dos partidos da esquerda que cumpram as promessas que viabilizaram a ascensão a primeiro ministro. Porque a direita não perdoará a traição de que foi vítima.

A direita deve pensar mais no país do que nos partidos. Fazendo uso da abstenção e não do voto contra, sobretudo em matérias essenciais. Deve ser diferente da esquerda. Porque sempre a direita salvou a honra do convento, debaixo da contestação da esquerda que fala em «patriotismo» mas proclama «o não pagamos». Bastou ouvir os debates dos dois dias seguintes nas televisões. Os quatro juntos abafam os dois da direita. Andam aos abraços, aos beijinhos, às subserviências de uns aos outros. A algazarra, o tom de voz, os elogios hipócritas que substituíram as acusações descabeladas. A orquestração desrespeitosa ao chefe de estado, a linguagem imprópria dos representantes do povo,a inversão dos valores essenciais à democracia, tudo isso entrou no desvario da arruaça, só porque o PR promete exercer os seus direitos constitucionais.

O PR tem o direito e o dever de zelar pelo rigor de um acordo que nunca foi mostrado, a quatro. Sempre dois a dois. E já há provas. O Parlamento, em horas, desfez o que havia sido aprovado em relação aos gays, às lésbicas, à adoção, às taxas relacionadas com o aborto. Costa já veio protelar regalias que prometeu ao funcionalismo. E o mais que se verá.

A terminar dois reparos a António Costa. O primeiro tem a ver com o maior número de ministros e de secretários de estado. Só nesse diferencial de governantes há muitos milhões em vencimentos, mordomias, assessores, viaturas e exigências administrativas. O segundo tem a ver com o desprezo pelos Transmontanos, em especial, do distrito de Vila Real, ao não chamar para o numeroso executivo qualquer governante. É a primeira vez que tal acontece. Porque será?"

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publicado às 19:37


Para agora voltarem os mesmos....

por aquimetem, em 26.11.15

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Hoje vai tomar posse um governo ilegítimo que derrubou o governo que ganhou as eleições legislativas de 04 de Outubro, portanto um governo contrário à escolha feita pelos portugueses. A propósito disso, Paulo Portas numa intervenção comemorativa dos 40 anos do 25 Novembro, que decorreu na Amadora, comentou: “Recebemos um Portugal em resgate, entregamos um Portugal sem resgate. Recebemos um Portugal com a troika, entregamos um Portugal sem troika. Recebemos um Portugal na bancarrota, com o esforço dos portugueses o que temos hoje é um Portugal credível. Recebemos um Portugal em recessão, conseguimos, com os parceiros sociais, levar Portugal a um ciclo de crescimento económico. Recebemos um Portugal cujo prestígio no mundo estava reduzido a pó e aquilo que entregamos é um país que é respeitado no mundo por ter superado uma crise dificílima. Atrás de nós virá quem melhor fará.". Também a deputada do PSD/Madeira, Cláudia Gomes considerou, esta quinta-feira, no plenário do parlamento da região, que o Governo liderado pelo socialista António Costa é "um apêndice de Sócrates" cuja composição "faz antever um mau cenário para Portugal". Com franqueza também não me merece confiança todo aquele que para trepar não se importa de pisar o seu parceiro. Como resultado temos esta manhã um país sem governo já que “ Toda a homepage tinha sido limpa e aparecia apenas uma foto de Passos Coelho com a frase: "Seremos os agentes permanentes e incansáveis de uma política positiva". Toda a informação sobre o governo cessante (e os anteriores) já está em "arquivo histórico". Pena tenho do sacrifício que fiz, e os demais concidadãos meus, para ajudar a tapar o buraco que o governo de Sócrates abriu e a coligação Portugal à Frente tapou para agora voltarem os mesmos ao regabofe.

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publicado às 13:28


Os miolos pensantes da direita

por aquimetem, em 25.11.15

 

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De Barroso da Fonte:

"Leio em Ecos de Basto «as três tentações de Cavaco Silva». Assina as 2 colunas o «Engº Luís F. Lopes», com asterisco que reforça o grau académico do articulista «Prof. Doutor da UTAD». Não sei onde dependura o pote. Mas académico tão doutoral,merece continência.

A meio desta sua pertença afirma: «nós os socialistas e muitos outros Portugueses que acreditamos nele» (D. Sebastião o tal que morreu em 4/8/1578),necessitará de Betadine para as feridas resultantes da sua penosa batalha de Alcácer-Quibir». Este naco de «real» Sebastianismo é aqui chamado por este «doutor da UTAD», a pretexto da «maior tentação de Cavaco» para retardar a decisão do PR. E justifica: «a construção do argumento já foi iniciada pelos miolos pensantes da Direita». E o «arroubo» triunfal deste opinador, destina-se a defender os deputados que – coitados – atacá-los «é atacar o povo que neles votou». O que eles acordarem «é irrevogável. Ora, nenhum ser humano poderá garantir tal coisa, muito menos os políticos – ensina a prática política contemporânea que a palavra dada só com muita dificuldade poderá ser honrada...» Pedir a António Costa um novo acordo não será humano». A este «engº prof. Doutor da UTAD» assiste o direito de defender os deputados e a «inequívoca maioria de Cabeceiras de Basto. Mas não admite o contraditório quando condena «os Sebastianistas que anunciam a morte política de António Costa». Ele «está vivo e vai governar». Outro equívoco imperdoável: o distraído articulista alude a uma «inequívoca maioria em Cabeceiras de Basto, correspondente a 4.394 votos, ou seja: 48,4%». A que ato eleitoral se reporta? É que nas últimas legislativas, Cabeceiras e todo o distrito, como em todo o país, a Coligação venceu. Em Cabeceiras o PS perdeu por 45,16%, contra 42,11%. Talvez tenha sonhado com uma vitória online. Assim como seu ídolo é hoje primeiro ministro sendo vergonhosamente derrotado.

Este doutoral, engº Prof da UTAD, não terá estudado lógica,nem exercitou o mérito do silogismo. Nem saberá que a filosofia é, por definição,a mãe de todas as ciências.

Por isso lhe recomendaria a leitura do artigo do seu camarada António Barreto,publicado no DN de 8/11/2015. Esse artigo conclui que «O Parlamento não existe». E se perguntar ao também seu camarada António José Seguro e aos seus apoiantes,ouvirá da boca deles que não é da direita que surgem os «miolos pensantes» que refere. Para o poupar à procura do libelo de António Barreto deixo-lhe aqui uns laivos desse artigo para lhe abrir o apetite.

«Olha-se para São Bento e o que se vê?

Uma casa assombrada. Um Parlamento inútil, inoperante e incapaz. Se alguém tinha dúvidas sobre a qualidade, o valor e o papel da Assembleia da Republica,tem agora matéria para ser esclarecido: um período de um mês, talvez mais, em que o nosso pobre Parlamento revela à luz do dia, a todo o mundo, a sua futilidade, a sua dependência do governo, a sua função de arena de mau gosto, a sua falta de espírito de corpo, a sua ausência de orgulho e a sua deficiência de honra! Eleitos há mais de um mês, os deputados passeiam-se pela intriga partidária.

Só se preocuparam com a eleição do novo presidente, que imediatamente se vestiu de valete de copas, às ordens do seu partido e de um futuro governo ainda em estado gasoso. Aos 230 deputados, não lhes ocorreu reunir, discutir, debater, organizar os seus trabalhos, criar comissões,estabelecer ordens do dia e agendas para os próximos meses, começar a preparar projectos de lei, coligir informação, analisar situações reais nos vários sectores da vida, olhar para a execução orçamental, estudar a sério as PPP, voltar a olhar para os grandes casos que ainda hoje ameaçam a democracia (BPN, BPP, BCP, CGD, PT, Cimpor, BES, GES...) e fazer qualquer coisa que se veja, que interesse ao país e que justifique o vencimento que recebem. Dizem que, desculpa de preguiçosos, estão à espera do programa do governo...»

Procure ler o artigo completo e, antes de abordar temas partidários, procure não ludibriar os leitores. Fui amigo de verdade do fundador desse Jornal. Se ele fosse vivo não autorizaria a publicação desse infeliz artigo".

 

 

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publicado às 11:02

 

 

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À volta de Barroso da Fonte:

"No próximo dia 28, sábado, pelas 16 h decorrerá no Ecomuseu em Montalegre a apresentação do livro: Poesia, amoras & presunto, comemorativo das bodas de ouro do Poeta de Barroso da Fonte.

Em Junho passado este escritor e jornalista Barrosão foi homenageado pela Câmara, conjuntamente com o seu colega de Seminário de Vila Real, José Dias Baptista. Os mesmos autores já dia 25 de Abril deste ano haviam sido distinguidos pela Câmara Municipal de Vila Real. E em Boticas, durante o IV Encontro do Fórum Galaico- Transmontano e, em Vizela, pela Tertúlia dos Amigos da Rádio voltou Barroso da Fonte a ser publicamente a ser aplaudido em sessões muito participadas.

Desta vez voltará a ser homenageado pela Editora Tartaruga que lhe atribuiu «o prémio nacional de Poesia, Fernão de Magalhães Gonçalves». Esse prémio consiste em ser a Editora a editar uma obra do homenageado e a promover as apresentações que tiverem anuência, em cada sede de concelho ou instituição no ano de 2015. A Câmara de Montalegre, por ser Barrosão o celebrado, é a primeira a ter essa honra, já com a certeza de que ofertará um exemplar do livro a cada participante na sessão que terá lugar pelas 16 horas de Sábado, dia 28.

António Chaves, presidente da Direcção da Academia de Letras de Trás-Montes, apresenta o livro que foi chamado Poesia, amoras & presunto.

A Câmara estará representada pelo vice-presidente, Dr. David Teixeira e Drª Fátima Fernandes, vereadora da Educação.

De recordar que o homenageado nasceu em Montalegre, em 1939. Frequentou o Seminário diocesano de Vila Real, entre 1952 e 1962. De 1962 a 1964 foi funcionário da Hica na Barragem de Pisões. Seguiu-se o cumprimento do serviço militar em Angola (1965-1967), como oficial Ranger.

No regresso fixou-se em Chaves, como professor Eventual do antigo Liceu. Fundou e dirigiu o Centro de Emprego dessa cidade (1968-1975). Por transferência fixou-se em Guimarães, terra onde constitui família. Licenciou-se em Filosofia na UC entre 1977-1982, ano em que foi requisitado ao IEFP (Instituto de Emprego), para assumir a direcção da Delegação do Norte da Direcção-Geral da Comunicação Social. Em 1985 regressou a Guimarães e, no ano seguinte, foi convidado a integrar o executivo da Câmara, como vereador. O Partido pelo qual se candidatou venceu, pela primeira vez as eleições, pelo que cumpriu esse mandato de 4 anos, com os pelouros do: pessoal, serviços administrativos, cultura, desporto e, desde 1988, também o Turismo.

Em Fevereiro de 1990 regressa ao Centro de Emprego como técnico superior principal. Mas em Setembro seguinte é nomeado director do Paço dos Duques de Bragança e do Castelo da Fundação, até que em Agosto de 1995, a seu pedido, se aposentou. Ainda voltou à Universidade do Minho onde fez o mestrado e preparou durante os cinco anos curriculares a tese de doutoramento sobre Alfredo Pimenta que foi editada em 2005 sobre a « Alfredo Pimenta – da práxis libertária à doutrinação nacionalista». Entre 1998 e 2005 leccionou no Instituto de Estudos Superiores de Fafe, a disciplina de «animação no contexto educativo». Simultaneamente fundou e dirigiu o jornal a Voz de Guimarães que chegou a ter a maior tiragem de entre os sete que no concelho se publicavam. E para apoio a esta e a outras valências, fundou a Editora Cidade Berço.

OBRA EDITADA

Em prosa e verso publicou nos 50 anos de vida literária que este ano tem vindo a comemorar, cerca de 60 livros, nove dos quais em poesia. Em prosa, privilegiou a etnografia, a antropologia, a monografia e a história. O Pensamento e a obra de Alberto Sampaio resultou do Mestrado. E Alfredo Pimenta: da práxis libertária à doutrinação nacionalista, foi trabalho dos cinco anos de investigação para doutoramento. Já teve duas edições. Entre 1990 e 2011 liderou a polémica entre A. de Almeida Fernandes e a tradição que defende ter Afonso Henriques nascido em Guimarães, em 25 de Julho de 1111. Esse medievalista sempre defendeu essa tradição, até que, no declarado intuito de puxar esse nascimento para Viseu, «minha pátria distrital», urdiu a teoria de que, afinal, o Rei Fundador teria nascido em Viseu, em 5 ou 6 de Agosto de 1109. Para que essa sua teoria pudesse bater certo com os seus intuitos, negou a existência do Condado Portucalense, alegando que D. Teresa sempre viveu em Viseu, com base numa escritura que ali teria ocorrida em 5 de Agosto de 1109. Para seu desgosto essa escritura havia ocorrido em Coimbra em 29 de Julho desse ano.

Nessa polémica nacional entrou (mal) a Academia Portuguesa de História, cuja presidente chegou a anunciar aos canais televisivos, em Setembro de 2009, que iria providenciar para mudar os manuais escolares. E a própria, com a chancela daquela Instituição Histórica, coordenou a edição de 34 pequenos volumes comerciais, referentes aos 32 reis e 2 rainhas, impingindo essa nova teoria que num debate público, em Dezembro seguinte, levou José Mattoso a demarcar-se dessa e de qualquer alteração ao que até ali se defendera, porque nenhuma prova consistente foi encontrada.

Barroso da Fonte refutou esse cisma histórico, em 2009, com o livro Afonso Henriques – Rei Polémico e (re)confirmou essa refutação em 2011, com os 900 anos do nascimento de Afonso Henriques: 1111 – 2011.

João Pedro Miranda – in: Noticias do Barroso”.

 

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publicado às 17:18


Chaves e a grande Guerra (1914-1918)

por aquimetem, em 19.11.15

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 De Barroso da Fonte:

"Entre 1914 e 1918 decorreu o primeiro conflito mundial em que Portugal entrou com participação ativa desde Março de 1916 a Novembro de 1918. De Julho de 1914 a Março de 1916 o país discutiu internamente a opção sobre se deveria manter-se neutro ou deveria entrar no conflito. Em Março de 1916 já tinha optado pelo sim e acabou por ter de preparar um Corpo Expedicionário para prestar serviço na Flandres. E no âmbito da velha aliança com a Inglaterra, em 18 de Agosto de 1914 o Exercito Português passou a mobilizar tropas para Angola e Moçambique, sem que tal facto redundasse em beligerância por parte da Alemanha.

Um século depois, por todo o país, os investigadores e os políticos procuraram assinalar a memória dos seus combatentes. Os cemitérios e lugares públicos, das cidades, vilas e algumas freguesias, assinalaram esses Combatentes, cujos filhos, avós e a consciência cívica tiveram o bom gosto de perpetuar.

Chaves, sede dos concelhos da região do Alto Tâmega, viu partir do seu Regimento de Infantaria nº 19 para os três territórios: Angola, Moçambique e Flandres, nesse período bélico, vários batalhões e companhias militares. Para dar aos descendentes ainda vivos, a certeza de que ainda os não esqueceram, o Grupo Cultural Aquae Flaviae, conjugou forças (militares, académicas, civis e políticas), para editarem uma obra que materialize aquela homenagem. Tarefa árdua por ampla, dispersa e materialmente cara. Somente seria possível por iniciativa de espíritos com força interior, capacidade de resistência física e mental do ímpeto daqueles valentes guerreiros que deram tudo o que podiam dar, para honrarem a missão que os chamou e para salvação dos próprios que partiram e por lá andaram, protagonizando «as passas do Algarve». Cada história daria uma «estória». Mas a História de Portugal deste quadriénio está por fazer, o que não honra tantos milhares de historiadores profissionais que anualmente saem, ou pelo menos vivem da e para as Universidades pagas pelo erário público, sem que produzam para o erário público que lhes paga, as contrapartidas que deveriam ser os registos dos principais factos que a História de Portugal merece que sejam registados para memória pública. Um século depois os Historiadores profissionais ainda não cumpriram os deveres da cidadania. E é por isso que nos empobrece e nos obriga a saudar esforços de toda a ordem de Instituições como o Grupo Cultural Aquae Flaviae, do Comando do RI 19 e do cidadão Dr. António de Sousa e Silva.

De facto, o Grupo Cultural e a revista Aquae Flaviae que dele emana, através da sua responsável Drª Maria Isabel Viçoso, foram além daquilo que lhes seria exigível: sobrepuseram-se a serviços e a investigadores a quem o erário público concede meios técnicos e financeiros que foram insensíveis a estudos parcelares e globais de um período nevrálgico para o verdadeiro, profundo e urgente interesse nacional já exigiam há décadas. Um século depois é muito tarde para gente que nasceu, viveu e morreu sem conhecer o drama humano, social e político da História do seu país. Meio século depois aconteceu outro drama social e político: a descolonização. Mas em nome deste gastou o erário público pipas de dinheiro, para realizar filmes falaciosos, para criar museus, arquivos e bibliotecas, com todo o tipo de argumentos sem nexo, falsificados ou narrados por escribas, alguns deles para vanglória pessoal ou de grupo.

A Revista Flaviense de que, - com vaidade o digo sou sócio fundador nº 5 – surpreendeu tudo e todos, ao editar a edição número 50, da revista do mesmo nome, com 632 páginas, mais seis tomos com as fichas de todos os militares dos concelhos periféricos. E um sétimo com os nomes dos mobilizados pelo RI 19, mas naturais de outros concelhos. Foi um trabalho insano, em tempo recorde e com a metodologia científica que nenhuma regra académica poderá reprovar. Para que possa ter-se legitimidade para censurar algo que se faça, acerca da vida de um país, apenas terá legitimidade quem tenha feito algo melhor ou parecido, antes que outros o fizessem, acerca dos mesmos factos e nas mesmas circunstâncias.

A revista semestral, é distribuída gratuitamente aos sócios. O GCAF. Foi fundado em Abril de 1986 e com esta edição completa o ano de 2015. O valor da quota associativa é igual ao preço gráfico de um dos vários volumes, ora editados. O Grupo Cultural, os autores desta magnífica colaboração a os concelhos do Alto Tâmega e a cultura Portuguesa prestam um relevante serviço aos Transmontanos, ao País e à Sociedade internacional pelo trabalho que produziu e colocou aos dispor dos apaixonados pela História de Portugal. Não cabe nesta nota de leitura a dissecação de cada volume. O volume principal ocupa integralmente a história da «Grande Guerra e a participação

dos militares do RI 19 e do Alto Tâmega no conflito». Estas 632 páginas são da autoria do Dr. António de Souza e Silva. Quer o índice quer a estrutura e exposição mais parecem uma investigação científica para a obtenção do grau doutoral. Um trabalho exaustivo que faz deste Flaviense um verdadeiro historiador. Igualmente lhe pertenceu a organização do volume dedicado a Montalegre. Já o mais volumoso tomo dedicado aos participantes na G. Guerra nele inseridos (que é dedicado aos participantes do Concelho Flaviense) se ficou a dever ao Coronel Armando dos Santos Ramos, comandante do RI 19. Uma parceria social e cultural que honra e proclama as três entidades que assinam esta portentosa obra cuja que fica a dever-se, antes de mais e acima de tudo, pela postura cultural, cívica e humana da Drª Isabel Viçoso. A sua perspicácia, sua competência, honestidade e propensão para o diálogo são motivos fortes para distinguir esta Barrosã que merece o seu nome na toponímia Flaviense. A qualidade das suas obras, o mérito pedagógico do seu saber, o apego às causas e a disponibilidade permanente para assumir o interesse público, são virtudes que exornam esta talentosa Barrosã que escolheu Chaves para viver".

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publicado às 21:10

 

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Por: Barroso da Fonte:

 

"Chegaram a ser anunciados 14 candidatos ao alto cargo de Presidente da República. A erosão política já reduziu aquele número. Nos tempos que passam ser político é uma aventura e um risco. Não pela falta de candidatos, mas pela ambição de quem não se contenta com aquilo que é, ou que representa.

No JN de 1 do corrente deparei com uma entrevista de página e meia com Maria de Belém Roseira, onde faz afirmações narcisistas. A caixa alta puxaram os editores com esta tirada: «Marcelo é criador de factos políticos e pode induzir instabilidade». No mesmo contexto confessa: «não cheguei agora à política. Não começo o exercício da política com uma candidatura à Presidência da República». E mais esta: «não posso ser considerada candidata de facção porque não pertenço a nenhuma facção do PS». Já numa toada a alta velocidade foi alegando que considera ser seu dever por a sua experiência e o seu conhecimento ao serviço do país. «Tenho mais de 40 anos de vida pública, em sítios muito variados que me deram profundo conhecimento da Administração Pública, das instituições e dos problemas reais dos portugueses. Tenho grande experiência internacional e também governativa. Tenho um perfil de grande experiência política. Não cheguei agora à política. Fui ministra, deputada, representei o país em múltiplas situações, desempenhei em inúmeros cargos...Tenho um perfil que me permite arbitrar conflitos e resolvê-los».

   Em relação a Marcelo «considero que tenho características que passam, não só pela minha experiência em cargos públicos, mas também pela minha maturidade e serenidade».

Maria de Belém mostrou nesta entrevista que gosta de ser elogiada. E que como esses elogios não aparecem, é ela própria a reclamá-los, colocando-se acima de Sampaio da Nóvoa que «só agora chega à política» e de Marcelo Rebelo de Sousa que tem a sua idade, é Professor catedrático, tal como Sampaio da Nóvoa, mas não têm eles a sua «experiência, os seus conhecimentos e a sua serenidade».

   Nunca entendi qual a diferença entre «ética, o civismo e a urbanidade» que os manuais escolares preconizam para o comum dos cidadãos e que não se aplica aos políticos. Sempre aprendi e ensinei que devem ser os noutros a reconhecer as nossos méritos, a elogiar eventuais qualidades e a aceitar eventuais homenagens. Mas nunca reclamar essas homenagens, esses elogios e a proclamação de eventuais contributos. Devem ser as boas obras a falar por nós.

     Em relação aos políticos profissionais a postura é inversa: são eles próprios que mandam colocar cartazes, que redigem e mandam distribuir panfletos, pedem apoios monetários, pedem votos e palmas, mesmo que ainda não tenham dado provas.

Acusar um candidato que ascendeu ao topo da sua carreira profissional, que foi reitor de uma prestigiada universidade nacional e que, sentido-se em idade ideal para entrar na política, ainda sem vícios, sem manhas e sem telhados de vidro, seja rejeitado só por esse facto, é impróprio de quem se reclama superior e com melhores atributos. É o caso de Sampaio da Nóvoa, candidato impoluto.

   Ou de outro candidato, Henrique Neto, empresário de sucesso que gerou riqueza, promoveu empregos e, sendo militante activo, da área política do referida candidata, poderia, eventualmente, acusá-la de ter gasto em benefício próprio, 2.500 contos em flores, quando foi Ministra da Saúde; de ter sido «foco de polémica por acumular as funções com a consultoria para o Grupo Espírito Santo» e, sobretudo por «outra polémica em que se viu envolvida por causa da construção da sua casa, alegadamente contra directrizes municipais, junto a uma das praias da Linha de Sintra». Por tudo isto lhe entregou o seu camarada Jorge Sampaio, quando PR, em 2005, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo». Não terá saldado essa condecoração pública qualquer pontinha de merecimento que os vencimentos públicos de 40 anos de trabalho não tenham contemplado?

Ao contrário do que Maria de Belém aduziu nesta entrevista ao JN, a seu favor, e em detrimento dos opositores: Sampaio da Nóvoa e de Marcelo Rebelo de Sousa, pessoalmente sou apologista da renovação política e não de quem já mostrou, ao longo de 40 anos, que deve dar lugar a alguém, que noutras funções, já deu provas sobejas, das suas potencialidades. Sejam: Sampaio da Nóvoa, Marcelo, Henrique Neto ou Paulo Morais, longe de terem menos «maturidade, experiência e serenidade», gozam de mais independência, de mais capacidade de diálogo e de maior margem de manobra. Possivelmente eles e os restantes candidatos menos mediáticos – não gostarão de mostrar desinteresse, irresponsabilidade ou falta de apreço pela função presidencial. Sobretudo numa conjuntura como esta que a Europa Comunitária atravessa, deve eleger-se, para tão importante cargo, uma personalidade que reúna todos os predicados intelectuais, morais, cívicos, físicos e psíquicos que se imponham a nível Europeu".

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publicado às 13:15


Para onde caminhamos?

por aquimetem, em 15.11.15

 

 

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O escritor e poeta João de Deus Rodrigues

Estamos no mês de Novembro. No passado dia 11, foi dia de São Martinho. O santo, fidalgo, que quando passeava pelo campo, montado no seu cavalo, encontrou um pobre velhinho, a tremer de frio, e lhe deu a sua capa bordada a ouro, segundo nos conta a Lenda. É também neste dia que manda a tradição que se prove o vinho novo, acompanhado pelas saborosas castanhas assadas, que tão bem se criam na minha região transmontana. E este ano, esteve um dia lindo de sol. Fazendo jus ao ditado popular, do verão de S. Martinho.

O São Martinho já tinha ficado para trás, já era passado. Da sua Lenda já ninguém fala, nem mesmo os professores na escola. Como fazia o meu, quando nos contava a Lenda e ficávamos a imaginar um fidalgo rico, a cavalo num cavalo, a dar a capa bordada de ouro, a um pobre velhinho que encontrou no caminho a tiritar de frio…

Eram, de facto, outros tempos… Mesmo num meio rural, como aquele onde nasci. Onde, nesta altura, os jovens faziam a zunga e o zangão e iam brincar com eles para o adro da capela de São Sebastião.

Mas ontem estávamos num dia aziago, para uns, e de sorte, para outros. Foi sexta-feira treze. Dia que sempre considerei igual a outro dia qualquer da semana. Não fosse os Média fazerem-lhe publicidade, para entreter as pessoas, e eu nem dava por eles. Como aconteceu ontem, quando fui à capital, sem me lembrar dessa coincidência, até que ouvi um cauteleiro, já coisa rara nos tempos que correm, a apregoar: “quem quer o treze?! Hoje é sexta-feira treze, compre uma cautela, freguês…” E foi então que me lembrei do dia das bruxas…

No dia anterior tinha estado na Fundação José Saramago, no lançamento do livro “MAIS PATRIMÓNIO – Vida e alma por trás das pedras”, do meu amigo escalabitano, escritor José Miguel Noras, do qual tinha falado a um amigo, ausente de Lisboa, que me pediu para que fosse lá comprar um exemplar para ele.

Foi este o motivo que me levou à capital. Ao passar pelo Rossio comprei uma dúzia de castanhas assadas e, sem cerimónia, comi-as em frente da antiga delegação do Diário de Notícias, onde passei algumas horas, nos anos sessenta, a ver passar anúncios luminosos, na fachada virada para a Praça D. Pedro IV.

E foi assim que passei a tarde. Depois regressei a casa, e fui dar continuidade ao poema que estava a escrever “ um dia passado num hospital”, até que a esposa me chamou, para ir jantar.

E foi a partir das vinte e duas horas que a televisão começou a difundir imagens e dar notícias da tragédia que se estava a desenrolar em Paris, na capital francesa.

As primeiras imagens fizeram-me recordar os massacres do Jornal Charlie Hebdo, em 7 de Janeiro de 2015, e as dos comboios em Espanha, em Março de 2004. Onde morreram duas centenas de homens, mulheres e crianças, que não tinham nada a ver com a causa por que os terroristas fizeram aquela chacina.

Então, tal como nessa altura, interroguei-me. Meu Deus, a sociedade actual está doente! Há quem queira acabar com a Civilização Europeia, e não só, e não olhe a meios para atingir esse fim. Como é possível alguém fazer barbaridades destas, a seres humanos?! Gente pacífica que estava a divertir-se, vendo jogar futebol, ou a assistir a um concerto musical, numa casa de cultura!... Ou, pura e simplesmente, ia a passar na rua, a caminho de casa e da família, e é assassinado assim, sem ter culpa, por alguém que mata um seu igual, em nome de Deus?!

Com estas imagens na retina deixei a esposa sozinha, a ver polícias e ambulâncias em Paris, e a ouvir anunciar, hora a hora, o número, cada vez maior, de mortos e feridos desse bárbaro atentado à Liberdade e à segurança de pessoas pacíficas que saíram de suas casas, e foram para o sítio errado, na hora errada.

O efeito emocional das imagens não me deixava concentrar na poesia. Até a Musa ficou tão triste, que se recusava a colaborar comigo. Desliguei o computar, desci, e fui novamente para junto da esposa, que continuava de olhos pregados na televisão, fazendo zapping… Cada canal aumentava o que ainda, ao certo, ninguém sabia sobre o número de mortos e de feridos. É isso, o que fazem as audiências...

Era uma hora da manhã quando me fui deitar. Mas, adormecer não havia maneira. Foi então que comecei a pensar nos muçulmanos, no Corão, no Koweit, no Iraque, na Síria, em Israel, na Palestina, no Irão… Numa reunião havida nos Açores. Nos Estados Unidos da América, na Inglaterra, na Rússia… Até chegar aos lugares sagrados, onde nasceram as civilizações mais antigas de que há conhecimento. E foram o berço de Abraão e de Moisés, de Cristo e da Cristandade, e de Maomé e do Corão…

E terminei a pensar no ouro negro que, infelizmente, está debaixo do solo dessas regiões. O qual, penso eu, é o causador do que se está a passar no mundo. Pois, como está provado, hoje o ser humano não vê mais nada que é o malfadado deus dinheiro, como já lhe chamou o Papa Francisco!

Adormeci, já passava das cinco horas e acordei às oito da manhã. Com a certeza que a minha meditação, sobre a causa da minha insónia, em nada ia mudar o mundo. Que tudo continuará a ser igual, até que a Providência Divina se encarregue de tomar conta das pessoas que matam outras pessoas, por ignorância e fanatismo, em nome de Deus!    

                         João de Deus Rodrigues

Charneca de Caparica,14 de Novembro de 2015

    

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publicado às 14:57

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Em cerimónia de elevado sentido histórico para a promoção da Portugalidade decorreu na Sé de Lamego, na manhã do último Sábado, a investidura de mais 17 damas e cavaleiros. Vieram de todo o país. De Lisboa, onde funciona a sede, chegaram em autocarro 50 membros, entre os quais o Estado Maior da Ordem. A chegada à cidade que alberga o Centro de Operações Especiais, mais conhecidos por rangeres, foi ao início da tarde. Seguiu-se uma visita guiada ao Santuário de N. Srª dos Remédios, às caves e às 21 h decorreu uma vigília e veneração a São Nuno de Santa Maria, na igreja Maior de N- Srª de Almacave. Na manhã de Sábado, teve lugar o ato da investidura na Capela do Divino Espírito Santo, uma cerimónia de grande recolhimento e sentido cristão que foi presidida pelo Bispo Emérito de Lamego D. Jacinto Botelho. Ao meio dia realizou-se uma concelebração de Missa Solene na Sé Catedral, com um amplo coro, muito afinado e com os cavaleiros acabados de empossar e outros mais antigos, trajando as mantas brancas da Ordem e colares alusivos para cavaleiros e para as damas.

Seguiu-se o almoço no Hotel de Lamego, durante o qual foram entregues os diplomas aos novos cavaleiros e damas, após uma prelecção alusiva ao acto, pelo Sócio Fundador Dr. Abel de Lacerda Botelho. Foi deste ideólogo sem fronteiras que nasceu e tem vindo a implantar-se na sociedade Portuguesa este ímpeto. No preâmbulo dos estatutos consignou que a «Ordem de Ourique é um bem comum, inerente em primeiro lugar, a todos os povos que herdaram esse bem e, em segundo lugar, a todos os que, fora da linha hereditária, na Portugalidade achem motivações e respostas adequadas ao seu destino, à maior glória de Deus e da Pátria. É uma Associação cívica, sem fins lucrativos. Nasceu da vontade de portugueses que têm consciência da realidade de uma axiologia lusíada que se exprime, quer no pensamento, quer na história mediante uma língua e uma cultura específicas, singulares, sem prejuízo de uma dialogante existência, com vista ao estabelecimento de uma sociedade justa, solidária e cultuante da paz».

A cidade de Lamego assistiu ao cortejo de dezenas de Cavaleiros e Damas, com suas capas brancas e insígnias próprias da Ordem que pretende reavivar a memória da Batalha do mesmo nome, ocorrida em 25 de Julho de 1139, dia em que Afonso Henriques completava 28 anos. Foi após essa Batalha em que venceu os cinco reis mouros que Afonso Henriques se considerou rei, pela primeira vez. A este feito do Rei Fundador se deve a legenda: In Hoc Signo Vinces = com este sinal vencerás. A tradição diz que esta legenda com as quatro palavras e a figura de Constantino, foram vistas em volta de uma cruz que lhe apareceu nos ares, quando marchava contra Maxêncio.

Este emblema estampado nas capas que os sócios, beneméritos, honorários ou efectivos usam em cerimónias públicas representa um dos Sinais e Selo que D. Afonso Henrique criou e usou após essa Batalha. E simboliza o Anjo de Portugal com as suas Asas abertas e protectoras. A Cruz ao centro relembra a visão que D. Afonso Henriques teve de Cristo crucificado na véspera da mesma Batalha. As quatro esferas nos pontos cardeais simbolizam a perene compromisso que Afonso Henriques em seu nome e de todas as gerações de Portugueses assumiu perante Deus, de tornar conhecido e venerado em todo o mundo, o Santo nome de Cristo e a sua mensagem de Justiça, de amor e de paz.

   Na cerimónia de investidura dos novos confrades que teve por palco a Capela do Divino Espírito Santo, o investigador J. Pinharanda Gomes e o Confrade Fundador Abel Lacerda Botelho proferiram explicações alusivas aos actos que tinham começado na véspera com uma velada e leitura de meditação pelo Postulante Cor. João dos Santos Fernandes. Seguiram-se uma invocação de Santo Nuno de Santa Maria e essa velada terminou com a Bênção pelo Confrade Padre Fernando Albano.

Foi uma jornada histórica esta que os órgãos sociais da Ordem de Ourique fizeram em 6 e 7 do corrente à cidade de Lamego. O pintor João Soares expôs ali dez pinturas alusivas ao Fundador.

Participámos como sócio honorário (nº 5 ) nesta memorável deslocação ao norte. Conhecemos entre os participantes membros da mesma família (Pizarro, de Chaves) três gerações: avô, filho e neto. Como estudioso da vida e obra de Afonso Henriques, esta Ordem diz-nos muito. E em Lamego, onde em 1964, fiz o curso de Operações Especiais (ranger), e lá regresso, de vez quando, como sócio nº 15 da Associação dessa classe de militares, quase me arrepiaram os cabelos do corpo e da alma.

A Ordem de Ourique tem um simbolismo inimaginável para os Portugueses. E encerra mistérios que o Padre José Pinto Pereira condensou nos dez argumentos que ditaram o «Aparato Histórico» sobre a Santidade de Afonso Henriques. Nessa obra que possuímos e que foi editada em Roma em 1728, demonstrou que o nosso I Rei foi «Pio, Beato e Santo». Foi uma tese aprovada em todos os graus hierárquicos da Santa Sé. Nessa obra insuspeita se confirma a tradição que em 2009, numa pirueta historiográfica, alguns historiadores profissionais, com o beneplácito da Academia Portuguesa de História, quiseram impor ao afirmar o seu nascimento em Viseu, em Agosto de 1109.

O Dr. Abel de Lacerda Botelho, alma da Ordem de Ourique, recordou-nos o convite para avançar com a reedição dessa obra que até agora esteve retida nas prateleiras. Assim a saúde o permita.

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publicado às 17:52


De um português de Barroso

por aquimetem, em 09.11.15

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Por: Barroso da Fonte:

«Em nome da ganância lixe-se a coerência

Quando esta crónica vier a público talvez Portugal já tenha sofrido um trambolhão que fará dos seus cidadãos, astronautas em viagem, tipo refugiados de Leste, para um planeta descoberto por António Costa e seus sequazes.

Ao longo de 900 anos Portugal teve reis e presidentes da República. Travou batalhas em terra, mar e ar. Cada cidadão sempre agiu em consonância com os ditames cívicos. Algudos seus cidadãos, astronautas em viagem, tipo refugiados de Leste, para um planeta descoberto mas vezes houve prisões internas por desobediência ao poder supremo. Mas nunca houve inversões ideológicas tão abismais, tão intempestivas e tão contraditórias, como António Costa que transformou uma derrota rocambolesca em vitória satânica. Foi a maior cambalhota política de um homem só que reduziu a cinzas, os princípios dogmáticos de três partidos políticos que durante quase meio século, guerrilharam entre si, se insultaram, se combateram e que, num ápice, se fundiram numa lâmpada florescente para a iluminação do pagode carnavalesco da barbárie social.

   Este salve-se quem puder foi cozinhado em ambientes secretos, em moldes iníquos e com instintos impuros, gizados contra natura, violando normas e preceitos, nunca permitidos nem imaginados, o que constituem pecaminosa maldição contra quem exerceu o direito de votar e foi traído por ver falseados os direitos dos vencedores.

O PS tem sido um partido sério, uma Força política adulta e responsável e um fator de equilíbrio e gerador de progresso social.

Mas ao fim de 41 anos, um dos seus membros entrou numa luta desleal para com os seus próprios responsáveis e – inacreditavelmente – tudo fez para apear o líder, legitimo e legitimado para os desafios que se seguiram. Foi pior do que aquele que destronou. A derrota foi humilhante. E, em vez de se demitir como é tradição, rendendo-se à sua incapacidade, incompetência e falta de carisma, aliou-se aos seus inimigos tradicionais, cumprindo aquela máxima que se usa nas grandes batalhas: se não podes vencer o inimigo, junta-te a ele.

Aqueles queao longo dos anos sempre divergiram, em matérias essenciais ao ideário que constitui a coluna vertebral de um qualquer partido político, igualmente incapacitados de terem votação bastante para chegarem ao poder, ajoelharam perante o insaciável golpista, cuja ambição dividiu a sociedade, dividiu o partido e embaraçou a vida empresarial, política e cívica do país que andou quatro anos a subtrair a economia nacional, entupiu postos de trabalho, obrigou os inocentes a uma crise das piores de sempre.

Os incapazes, os medíocres, os insaciáveis, perante o desespero prestam-se aos papéis mais exóticos e ridículos, ainda que se auto proclamem de iluminados e sabichões. Mercê deste imbróglio que a paciência lusitana tem vindo a suportar, o país irá viver a pior semana política desde o Verão Quente de 1975.

Escrevo esta crónica na noite do dia 5 de Novembro, depois de ver e ouvir Francisco Assis, representante dos socialistas descontentes com o «cozido rançoso» do PS- BE- CDU. Este estranho guisado daria em congestão fatal se o meu conterrâneo Bento Gonçalves e Álvaro Cunhal fossem vivos. A memória deles permite adivinhar que se estivessem cá, esses dois primeiros secretários gerais do PCP, não trocariam a sua coerência, a sua visão e a sua tenacidade, por um prato de lentilhas que poderá traduzir-se nalguns vislumbres de poder na governação.

O Bloco de Esquerda que é uma força política mesclada de descontentes de várias procedências, ainda não tem história, mas o mediatismo e a palavra fácil da teatrista Catarina Martins, fez o resto. Somou os indecisos e os descontentes desde o CDS ao PCP e gere hoje esse mediatismo que esbarra com amadorismo saloio, já que a realidade, muitas vezes, não rima com o ilusionismo.

   A salada russa que se prevê com a queda do governo legítimo, a partir de um assalto ao poder totalitário e desregrado, vai tranquilizar aqueles que se acostumaram a dividir para reinar.

Os profissionais das greves terão que escolher outra ocupação. Os sindicalistas, com bigode ou sem bigode; deixarão de ter tempo de antena por cada mais um distúrbio de rua; na assembleia de República, já não haverá debates acalorados entre os três partidos desse cozinhado de mau gosto. Teremos quatro anos mornos, com a atual «Coligação» a poupar para a esquerda consumir. As leis vão sair em catadupa, para revogar aquelas que a «Coligação» produziu. Os assessores do governo legítimo, mas chumbado pela incoerência unida, vão triplicar, porque todas as forças do conluio vão exigir colaboradores da sua confiança. Não mais haverá fome, salários desiguais, desemprego, roubos, zaragatas, pedofilia, rendas altas, hospitais com camas nos corredores, falta de vacinas para quem precisa e não tem dinheiro, bichas nas repartições públicas, enfermeiros a emigrar. As privatizações reassumirão os métodos do Prec. Muitas decisões vão ser revogadas, tudo o que está mal, vai ser trocado pelo que eles querem que esteja bem: Ricardo Salgado, Oliveira Costa, Duarte Lima, Vara, Sócrates e seus comparsas serão inocentados. Tudo em nome do povo que cada vez mais é o pião das nicas.

Tudo o que de mal advier para a sociedade portuguesa terá um destinatário: o golpista António Costa. 

Calvão da Silva ministro Barrosão

Tomou posse no dia 30 de Outubro como Ministro da Administração Interna, o Prof. Doutor João Calvão da Silva, natural de Solveira, (Montalegre). Veio ao mundo dia 20 de Fevereiro de 1952. Ingressou na Faculdade de Direito em Coimbra no ano lectivo de 1975, concluindo a sua formação com 17 valores. Em 1986 concluiu o curso de Pós-graduação em Ciências Jurídicas com 18 valores.

Em 28 de Novembro de 1990 defendeu a tese de doutoramento, em Direito Civil e, em 5 de Junho de 2003, foi aprovado por unanimidade como Professor Catedrático.

Fez parte do IX governo Constitucional, como Secretário de Estado Adjunto do Vice-Primeiro Ministro, Mota Pinto. Foi deputado da Assembleia da República, desde 1 de Outubro de 1995 até Outubro de 1999. Foi ainda membro do Conselho Superior de Magistratura, eleito pela Assembleia da República, entre Maio de 2005 e 2009. Desempenhou outras importantes funções em cargos de relevo na Banca, nos Seguros e em organizações comerciais e industriais.

Presentemente é dos raros Professores catedráticos do concelho de Montalegre. E por isso é uma agradável notícia para qualquer Transmontano de Barroso.

Desagradavelmente esta nomeação coincidiu com a rocambolesca, patética e carnavalesca farsa política que um homem só, para mais derrotado, desorientado e aos ziguezagues, congeminou para sobreviver a esta inédita pirueta da vida nacional.

Esta paranoia coletiva que o pais atravessa, demonstra que a política descarrilou para palco de confrontos, de assaltos e do vale tudo. Que os partidos da extrema esquerda e esquerda convencional, aproveitassem o grito do Ipiranga do tal líder derrotado, caluniado, oprimido pelos próprios correligionários que ele rasteirou para que, pela primeira vez na vida democrática, consigam chegar ao poder,compreende-se. Mas que introduza na vida democrática Portuguesa, por vias rocambolescas, demoníacas, totalitárias e inimagináveis, métodos estonteantes e fraudulentos à luz da tradição e da forma freudiana como decorreu a campanha eleitoral, é postura que desmonta a hipocrisia política de quem não olha a meios para atingir os fins. Quem perdeu os escrúpulos, o decoro, a ética e se comportou, para com alguns dos seus próprios camaradas e com a força que venceu as eleições, como um intruso, não pode, não deve e não tem legitimidade popular, para gerir o país. Teria essa legitimidade se durante a campanha eleitoral, ele e os dois partidos que aceitaram esta escapatória tivessem esclarecido os eleitores, dessa possibilidade. Pelo contrário: esses partidos ao longo da campanha sempre disseram que o PS era «farinha do mesmo saco». O ganancioso «chefe do governo revolucionário» que arquitetou, na noite das eleições, esta tramoia, inverteu os valores que geriram o país durante 40 anos. E, não tendo a humildade de aceitar as regras do jogo, optou por confrontar e afrontar os eleitores, passando-lhes um certificado de atrasados mentais. Nem Salazar foi capaz de tanto. Tal político cavou um abismo entre os portugueses. E, embora António Costa, não tenha sequer capacidade intelectual, nem cívica para medir a gravidade dos prejuízos morais e materiais que provocou à sociedade portuguesa, a verdade é que, depois do caos em que o governo do seu partido deixou o país, em 2011, com estas cambalhotas, piruetas e e ziguezagues que encenou, a economia ressentiu-se. Os sacrifícios que os portugueses fizeram durante quatro anos de nada valeram. Tudo para sobrevivência política de António Costa que dividiu o PS, a meio, traiu António José Seguro e semeou a discórdia, o ódio e a perseguição entre cidadãos que votariam de maneira bem diferente, se, durante a campanha eleitoral Costa tivesse a coragem de explicar o destino do voto.

O governo legítimo vai ser empossado no dia em que escrevo esta crónica. Desse governo fazem parte muitos cidadãos que aceitaram o convite de quem tem plena legitimidade. O que vai seguir-se é da inteira responsabilidade daqueles que alinharem com o desespero de António Costa. O BE e o PCP apenas aceitaram um convite envenenado. Nenhuma culpa têm porque aumentaram a votação. O único que perdeu foi o PS, tendo obrigação de ganhar. Se não tivesse feito o que fez ao camarada A.J. Seguro, o PS podia ter ganho as eleições. Nessa condição podia contar com o apoio do PSD e do CDS. Foi-lhe prometido, cara a cara, por Passos Coelho. Tinha evitado esta salada russa que envolveu todos os Portugueses e o mais que se verá.

No meio desta jagunçada, desta peixeirada e deste mau perder, espera-se que o bom senso dos deputados prevaleça, sobre a senilidade antecipada de alguns políticos de meia tigela que nada de novo produziram para o progresso da humanidade.

Volto a saudar o Barrosão, João Calvão da Silva, pela sua ascensão a ministro de uma pasta muito sensível à convivência social. Foi de Barroso para Coimbra, onde não se ficou pela mera licenciatura em direito. Nem optou pelo mero ato de ser jurista. Quis progredir e conseguiu chegar ao topo da carreira. É isso o que diverge entre cidadãos. Quem nasce na cidade e por lá fica, não conhece a austeridade que se experimenta na «província». Os «provincianos» quando lá chegam, em equidade de condições, habitualmente são melhores, porque conhecem o rigor da vida. E lutam, honestamente, pela superação das barreiras que protagonizaram nos primeiros anos.

Ainda não sei se mais algum governante deste totoloto, nasceu em Trás-os-Montes. Na pessoa do novo Ministro da Administração Interna cumprimento-o e a todos os seus pares.

               

Livros de autores do concelho de Montalegre

Trago hoje ao diálogo com os leitores obras de três barrosões. No corrente ano, vieram à luz do dia, cerca de uma dezena de livros, das mais variadas modalidades literárias. Destes falo hoje.

História da Polícia em Portugal é um documento muito útil e prático da autoria de Domingos Vaz Chaves, colaborador regular de Notícias de Barroso. Nasceu em Gralhas em 1954. Em 1974, com 19 anos, já residente em Lisboa, completou o Curso Geral dos Liceus. Em 1980, ingressa na Polícia de Segurança Pública, onde continua após sucessivas progressões na carreira. Em 1989 conclui o 12º ano e ingressa na Faculdade de Direito. Foi fundador e vice-presidente da Direção Distrital de Lisboa da ASP - Associação Sócio-profissional. A partir de 1992 passou a pertencer à Direção Nacional da mesma. Em 1994, por divergências no seio da ASP funda, com outros, a APP/PSP à qual preside até Outubro de 1999. Nessa altura foi eleito para o Conselho Superior, até 2001. São estes os seus dados biográficos que constam nas duas primeiras páginas deste volume encadernado de 306 páginas desta História da Polícia em Portugal, debruçando-se sobre «Formas de Justiça e Policiamento». Esta sua primeira obra saiu numa edição de 2.500 exemplares, no ano 2000. É um esboço histórico muito bem conseguido. Nessa data já tinha a categoria de Chefe de Polícia de Segurança Pública.

Já em 2015 editou, com o apoio da Câmara Municipal, um segundo livro, centrado na sua aldeia natal – Gralhas, - reunindo elementos etnográficos que qualquer Barrosão conhece, ou que, não conhecendo, deve ler e reler.

A Gesta de Gualtar é o último livro de fôlego de Paleólogo Bento Miranda Pereira, natural do Baixo Barroso. Embora convidado, não pude estar presente. Mas pôde ver-se pelas fotos que o auditório da sede de Junta de Freguesia, esteve cheio como um ovo. Numa sessão presidida por Ricardo Rio, Presidente da Câmara de Braga, ali marcaram presença qualificados historiadores académicos, como Franklim Neiva e outros como Eduardo Pires de Oliveira que escreveu o Prefácio. Nesse prefácio se afirma que o Paleólogo Bento Miranda Pereira teve o cuidado de relembrar (com documentos), o passado histórico da Freguesia de Gualtar. Porque «não teve medo em perder tempo e andou a escavar em muitos arquivos: os da paróquia, nos Arquivo Distrital e Municipal e em todos os demais, onde acreditou que pudesse haver algum material interessante para o conhecimento de Gualtar. A partir de agora as famílias de Gualtar saberão de onde vieram e quem são, graças também ao apêndice compilado por António da Mota Gonçalves. O livro vai percorrendo o tempo, desde a arqueologia à modernidade, desde a via romana que saindo de Braga, em direção a Chaves e Astorga, passava em Gualtar até ao novo Hospital». Menciona a data de 1032, anterior à Nacionalidade, para dizer que já nessa altura havia registo de propriedades e da igreja velha e das confrarias do Subsino. Tem 2,74 km2 de área e 5.286 habitantes residentes, pelo censo de 2011. Afirma ainda o Liber Fidei, obra de referência obrigatória, situa a póvoa de Gualtar em frente ao sopé do Monte Espinho. Curioso é constatar que, situando-se nessa freguesia o Campus principal da Universidade do Minho, que leciona o Curso de História, seja um autodidata a escrever a monografia da freguesia. Este argumento basta para aplaudir a Junta de Freguesia que confiou a um Barrosão com tarimba, o primeiro livro, a sério, sobre a freguesia.

Mp3 & outras minificções é um livro de poemas do docente universitário (UM) Henrique Barroso que nasceu em Salto, em 1960, terra da Mãe, sendo o pai asturiano. Reside na Póvoa de Lanhoso e tem 2 filhos da companheira, alemã, Silke, igualmente docente na U. do Minho. Doutorou-se em Ciências da Linguagem, na área de conhecimento de Linguística Portuguesa. A Língua de um povo é dinâmica. E se o mestre da Língua é o povo que a usa como instrumento comunicacional, são os cientistas que a estudam, a reconhecem nas suas formas inovadoras e a promovem. Aqui está um livro pedagógico. A começar pelo título, passando pelos duetos, tercetos, quadras, quintilhas, sextilhas, lendo as sentenças, os enunciados, os quase- provérbios, fica-se com a ideia de que estamos perante um neologismo ou novo conceito de poema. Quer na disposição gráfica, quer no desenvolvimento contextual. É como aterrar na Lua e provar o primeiro tipo de fruta que apareça ao esfomeado terrestre, acabado de chegar. Mas vindo de um especialista em ciências da linguagem tem que aceitar-se como novidade certificada. A confirmar esta dinâmica poética logo aparece Maria do Carmo Cardoso Mendes, também docente na UM, a esclarecer que, com estas «minificções», o Poeta propõe uma reflexão sobre como o conhecimento dos valores que norteiam uma existência e do modo como o texto literário conduz tais valores».A prefaciadora louva o aparecimento desta inovação linguística «numa época em que os valores humanistas legados pela cultura clássica têm dificuldade em sobreviver».                                                                     

 

 

 

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