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Cabecinho de Nisa

por aquimetem, em 29.11.11

          No domingo passado, dia 27, fui almoçar a Nisa, e assim satisfazer um convite para esse efeito que nas vésperas me foi proposto. Tinha saído de Lisboa na sexta-feira para passar por inteiro esse fim de semana na capital do barro leiriense, mas nestas coisas, como em todas, o homem põe e Deus dispõe. De forma que no domingo, uma vez comprometido com a palavra sim, após a missa das 09h, lá arranquei estrada fora com destino à terra que diz Leite de Vasconcelos tomou nome de mulher que  em tempos idos se notabilizou.

            Vila Velha do Ródão. - Às 10h30 deixei a terra do beirão Padre Jerónimo para directo a Pombal entrar na IC8 que por Ansião e Pedrógão Grande deixei em Proença a Nova, de modo a encontrar depois a IP2 e logo a seguir a EN 241 que por Vila Velha do Ródão conduz a Nisa.

 

          Portas do Ródão, espectacular geositio visto da  ponte sobre o Rio Tejo que separa aqui os distritos de Castelo Brando e Portalegre por Vila Velha do Ródão e Nisa, respectivamente. Ainda conheci este sedutor local antes da construção da barragem do Fratel que lhe veio roubar encanto e às águas qualidade.

          Com a freguesia e paroquia de Nossa Senhora da Graça por padroeira, a vila de Nisa é sede de um concelho constituído por 10 freguesias, a saber: Alpalhão, Amieira do Tejo, Arês, Espírito Santo, Montalvão, Nossa Senhora da Graça, Santana, São Matias, São Simão e Tolosa . Vila muito airosa e bem enquadrada na paisagem que envolve  esta região fronteiriça do Alto Tejo, lá fui nesse dia poisar no nº 14 da Estrada das Amoreiras e na Flor do Alentejo almoçar à boa maneira alentejana.

          Uma vez ali, a visita ao cabecinho de Nisa-a-Velha não podia escapar-se. E assim aconteceu. Afastado do centro da vila cerca de 4km para lá embiquei de modo a poder observar  in loco um santuário de devoção mariana similar ao que na freguesia de Vilar de Ferreiros (M. de Basto) se venera no alto do Monte Farinha: Nossa Senhora da Graça. Creio que a primeira vez que dei realce há existência deste culto Graciano em Nisa foi em Junho de 2006, quando iniciei um arrolamento à volta de todas as freguesias de Portugal  que têm por Padroeira Nossa Senhora da Graça, e que se bem contei no total (com Açores e Madeira) são 82.

          Nesse lugar que dizem teve origem a formação da Nisa que hoje conhecemos, ficou espaço livre para erguer no topo um santuário mariano a Nossa Senhora da Graça, e assim colocar o local sob protecção de Nossa Senhora a perpetuar no tempo o passado histórico da terra e da sua gente.

          Falando da ermida, dizem ser do séc. XVI, mas muito modificada, tudo parecendo indicar ter sido edificada sobre outra mais antiga, talvez do séc. XIV ou XV. O facto de ter/ou ter tido ermitão já por si atesta-lhe muita importância e antiguidade. E os aposentos, agora vazios, ao fundo do escadeiro são bem demonstrativos da recompensa atribuída ao cargo.

          O acesso ao templo faz-se por uma pequena escadaria directa à entrada do templo ou por ladeira muito suave e ampla que desemboca no adro.

           Se necessário quem quiser pode subir de carro até ao cimo do cabeço, mas a visita a pé dá outro prazer e sabor de romaria. 

          Pena tive foi encontrar um local com tando valor histórico e religioso na região, mas sobretudo na vila de Nisa, completamente deserto e com as portas fechadas mesmo aquela hora de domingo. Pesar ainda maior por ter deixado de ver in loco a imagem de Nossa Senhora da Graça que dizem ser do séc. XV, e que repintada recentemente ocupa no Altar-Mor o lugar de padroeira. 

  

          Curioso foi ir encontrar ali uma velinha acesa que, dentro de um garrafão de plastico para a proteger do vento, algum devoto de Nossa Senhora da Graça ali tinha ido há pouco colocar sob um azulejo com a imagem da Padroeira embutido no lado norte da ermida. 

 

           Topo da escadaria.

           Sedutor panorama recolhido do adro

 

           Topo do acesso ao adro pela ladeira.

           Video que dá aqui do actual  cabecinho de Nisa uma melhor ideia.

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publicado às 12:09


Ao Velho Continente

por aquimetem, em 23.11.11

          O dia 20 foi para arrumar a bagagem; e para despedida, mais um jantar na Pizzaria da Estação. No dia seguinte era o adeus a Quelimane, cidade que me deixou saudades e interesse pela sua história. Sempre dela falarei com simpatia e do seu povo também. Dos políticos, enquanto nada em contrário, mantenho a mesma opinião do Fernando Manuel, da Savana. Ampliar e ler.

          Às 08h fora da cama, porque já se adivinhava um dia mais comprido...Ainda que  em avião, viajar de Quelimane para Maputo não é o mesmo que  fazer  Lisboa/Porto. São cerca de 1600km por estrada, e pelo ar a distancia não deve ser muito menos, até porque habitualmente o avião faz escala pela Beira ou Nampula. Nesse dia, 21 de Julho, calhou a Beira, capital de Sofala. A hora de partida estava marcada para as 21h30, mas entretanto o nosso amável condutor às ordens e encarregado de antecipadamente transportar a bagagem e fazer o nosso check-in, regressou com a noticia de que o voo estava muito atrasado. Daí resultou mais uma foto deste acolhedor espaço que me deu guarida durante a minha estadia na capital da Zambézia, e trouxe no coração.

 

          O Aeroporto de Quelimane fica do lado oposto à rua Mao Tse Tung, e aqui, ao lado, começa a rua ou Avenida do Aeroporto, portando depressa se percorre a distância que separa os dois pontos de referência. Para quem viaja, ordenam as normas aeroportuárias que em certos casos o passageiro esteja no aeroporto duas horas antes do embarque. Havia tempo, porem, esperar por esperar, nada como no sitio certo; até porque além disso, foi um modo de libertar mais cedo do serviço o nosso atencioso condutor, o amigo Clemente. Quando a objectiva colheu esta foto eram precisamente 21h30 e só muito próximo da meia noite é que  chegou o avião para nos transportar, e que só levantou aos 00h20, com escala e paragem de 20minutos no Aeroporto da Beira.

 

           O dia foi mesmo muito comprido...., durou das 08h do dia 21, às 04h10 do dia 22; hora a que chegamos à já nossa conhecida Pensão Sundown, em Maputo. Deu para repousar até às 08h30 e guardar o sono para gastar durante as cerca de onze horas que vai durar a travessia do Continente Africano, rumo a Lisboa.

 

           Vista recolhida para as traseiras da pensão

 

           Vista recolhida da porta principal da pensão. Em primeiro plano a  sede da Frelimo, onde não faltam antenas...

           O almoço foi na Feira do Artesanato, onde dei conta haver muitos portugueses a fazer o mesmo e que pelo palavreado...percebi eram operários de qualquer empresa portuguesa a trabalhar em Maputo. Findo o repasto, agora há que fazer horas até que se aproxime o momento de regressar a Portugal, e da nossa anfitriã dar as voltas que tinha a dar na cidade, antes  de nos acompanhar ao aeroporto e voltar depois para Quelimane.

           Por volta das 16h00 já aqui temos mãe e filha no recinto da feira a ver as capulanas e outros tecidos de adorno e decoração. E entretanto aproxima-se a hora de passar pela pensão, jantar, pegar nas malas e às 19h30 seguir para o aeroporto. 

         

           Com a papinha quase toda feita, mal dei conta das formalidades  que um entrar e sair do país de origem obriga a respeitar. O ser viajado, o dominar mais que uma língua, o ser desenrascado e culto pesam muito no relacionamento social da pessoa. A sorte de beneficiar desses  frutos que não cultivo  é que não calha a toda a gente. É como os euromilhões...

          Posso e devo considerar-me um felizardo que teve a sorte de ser levado a conhecer mais um grande país africano que oficialmente fala a nossa língua, e que em 32 posts procurei fazer um resumo daquilo que nos sítios e lugares que visitei mais me sensibilizaram, como por exemplo a Ilha do IBO, no arquipélago das Quirimbas, província  de  Cabo Delegado; a Ilha de Moçambique, na província de Nampula; Quelimane, capital da província da Zambézia; Catapú, posto administrativo de Inhmitanga, na província de Sofala; e Maputo, capital de província com o mesmo titulo e também capital de Moçambique. Sobrando ainda tempo para atravessar a fronteira de Massano Garcia e na África do Sul visitar o Kruger National Park.  

 O Deserto do Saara e a Cordilheira do Atlas

           Cerca das 22h locais o avião levantou voo, e passados breves minutos estava a sobrevoar o Kruger Park, deixando para trás o Oceânico Indico e  lentamente se afastar da chamada África Austral, para apontado ao Deserto do Saara e depois de atravessado o Mediterrâneo continuar o seu percurso com destino à capital portuguesa.

 

          Por volta das 07h já o avião andava há momentos a sobrevoar o espaço vizinho da Rainha do Tejo, onde não demorou no Aeroporto da Portela aterrar. Devolvendo à procedência um passageiro que maravilhado andou durante 30 dias por terras e enseadas que Vasco da Gama deu a conhecer ao Velho Continente.  

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PS

Faz hoje, 23 de Novembro, precisamente 5 meses que parti para Moçambique, e 4 que regressei a Portugal, de 23/6/ a 23/7/11. Fim  da reportagem!

 

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publicado às 00:09


Dar resposta

por aquimetem, em 17.11.11

  

          O dia 18 foi para deixar o cérebro em liberdade ver desfilar as imagens mais marcantes que nestes últimos dias captou e que jamais esquecerá. Uma madrugada marcada pela despedida da Carla que às 04h partiu de Quelimane com destino a Nampula, resultou daí que não houve sono nessa manhã. Depois passou-se um dia caseiro a culminar com um jantar à salvadorenho que a Ema confeccionou. E a ver fotografias maravilhosas, e outras que só o pensar nelas provoca tristeza e compaixão como, por exemplo, olhar esta relíquia histórica de 1800, que foi Sé Catedral até 1974, e hoje, em ruínas, abandonada em plena marginal, frente ao rio Bons Sinais. A Diocese de Quelimane foi criada a 06 de Outubro de 1954. 

           Colunata que mostra o abandono em que se encontra este templo sagrado que sem favor merecia honras de monumento protegido.

 

           Como a anterior, também a "Sé Nova" de Quelimane, de 1974, é consagrada a Nossa Senhora do Livramento, já a precisar de obras de conservação antes que lhe aconteça o mesmo que sucedeu à antiga.

 

          No dia 19, às 07h, já o Paulo Alberto - aqui na foto junto ao muro da Sé Nova - tinha deixado a sua família, esposa e filhos, em Torone Velho , e montado na sua “ginga”  chegado à rua Mao Tse Tung, onde aguardava que lhe abrissem a porta para receber os recados e ir às compras habituais. Desta vez apeteceu-me fazer-lhe companhia na volta da manhã, e assim ficar a conhecer algumas das modestas lojas comercias e o chão, onde espalhados, se vendem os jornais.

          Nesse dia comprei o Diário da Zambézia que por curiosidade até se diz Mensal. Só depois reparei que era o primeiro número, e tinha a data de 25 de Junho. Também o editorial explicava o porquê “ Inicialmente, uma vez por mês, sairemos à rua em formato de tablóide, até um dia chegarmos a diário”. Faço votos que sim,  Moçambique carece de boa informação, livre e imparcial, que denuncie a corrupção e os corruptos, por forma a abrir os olhos a um povo que não precisa de artigos muito grandes para perceber, mas de noticias curtas e perceptíveis.

 

          No regresso aos aposentos aproveitamos para ao passar pela Sé Catedral, vizinha do campo do Sporting de Quelimane, tirar uma foto ao Paulo e prosseguindo caminho, entrar no "mercado", onde de vestir e calçar não falta que vender. Assim hajam meticais.

          Daqui não saio, daqui ninguem metira....O sol nesse dia começou cedo a queimar, e quando assim é a sombra é um regalo. Até no "mercado".

 

           O artesanato regional  faz-se ali representar à mistura com muita chinesice... como cá, e até na China.

 

           Tudo quanto em feira possa ter compradores ali se vende, em barracas que pela negativa nada têm a ver com as da Feira do Artesanato, em Maputo. Também neste aspecto, lá como cá. Maputo é Moçambique e o resto é machamba reles.

           Já naquela Avenida, vizinha dos meus aposentos e que conduz directamente ao Porto de Pesca, só temos que virar na primeira rua à esquerda e em casa dar pão a quem tem fome.  

 

            Na rua se encarregou a chuva de fazer poças de água e dar de beber a quem tem sede, por quanto tempo se vão manter é uma incógnita que compete aos autarcas quelimanenses dar resposta

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publicado às 00:17


Por terras de Moçambique

por aquimetem, em 11.11.11

          

          Como já disse, estas casinhas em madeira, os bungalows, não têm paredes, permitido que através das vidraças se possa observar o exterior à volta. Ideal para quem quiser apreciar a fauna nocturna que ali se movimenta, aves, macacos e borboletas são o principal recheio. O figurino diorno é outro e no terreno é que se aprecia, o da minha manhã de 17 de Julho em Catapú foi com o sol a reflectir no telhado e o cantar dos pássaros madrugadores. Ainda não eram 06h e já eu, fora desta casinha que me foi destinada para pernoitar, andava em passeio matinal pelo interior do parque. Um encanto !

 

           Como as casinhas de pernoita também o restaurante é sem paredes, conferindo ao espaço o verdadeiro sentido e significado de "ecolodge por excelência". Rodeado de arbustos e plantas valiosas, espaços para descansar, ler ou estudar comodamente, o silencio, ali , só a chilraria dos pássaros nas árvores e nos bebedouros vizinhos é de vez enquanto harmoniosamente quebrado. Aqui tomamos o pequeno almoço do dia e com as malas prontas aguardamos que da sua casinha chegassem as nossas companheiras de viagem.

          Para memória fica uma foto de mãe e filha juntas a uma árvore, em crescimento, de Pau-Preto que faço acompanhar por uma  revelação atribuída ao concessionário James White que por oportuna transcrevo: " O nosso parceiro é a população que faz a plantação de árvores nativas nas comunidades onde depois de quatro anos de sobrevivência da espécie nós pagamos algum dinheiro como simples incentivo". Uma forma didáctica de moldar mentalidades e proteger espécies da flora e da fauna africana em perigo de extinção. Isto não são chinesices....é sobretudo prestar socorro ao património ecológico de Moçambique.

          E eram 10h locais, em ponto, estávamos a entrar na Estrada Principal nº1 de regresso a Quelimane, deixando com saudades o lodge onde na realidade é um lugar para estar e visitar na localidade de Inhamitanga, zona de Catapú.

          16minutos depois, estavamos atravessar a linha do ramal Beira/Sena, trocando o distrito de Cheringoma pelo de  Caia.

          E às 10h32 já em Caia, junto da portagem da ponte, para deixar a província de Sofala e voltar à da Zambézia.

          Atravessada a ponte sobre o rio Zambeze, no sentido sul - norte de novo se deu entrada em território da Zambézia já nosso conhecido

          Estrada fora a objectiva vai recolhendo recordações que capta, como esta

          Ou esta, que do mel da Zambézia faz divulgação e vende.

          Umbaua-Moogano

          No percurso, deparamos a certa altura com uma tabuleta  indicando que algo ali existe que merece ser visitado. Fomos ver. Uma árvore enorme e à sua volta um espaço muito bem cuidado, e em telheiro a explicação do porquê da chamada de atenção para tal preciosidade, assim:

  " Nome Cient. - Khya Nyasica

    Nome Local   - Umbaua-Moogano

    Idade + ou - 250 Anos

    Altura - 42 m/24 cm

    Diâmetro de Base  - 2, 83metros".

 

          Ás 12h30 estávamos a passar pelo centro de Niocoadala, vindos da floresta por trajecto onde os cajueiros, a mandioca, as palmeiras e bananeiras abundam  e são o enfeite das machambas vizinhas da estrada.

 

          E já nas proximidades do paraíso dos palmares de Quelimane, também com um fim de semana à lorde, quase a chegar ao fim

 

          Ás 13h15 eis-nos a escolher mesa no Restaurante - Pizaria da Estação para  almoçar, onde como não sou apreciador desse prato italiano optei por camarão que em Quelimane é ao preço da sardinha em Portugal quando dantes se pagava com escudos.

          Cabecinha pensadora! Ou modo de sacudir as melgas....como eu.

 

           E antes de recolher aos aposentos, uma passagem pelo terminal rodoviário da cidade. Às 03h30 da madrugada a seguir, dia 18, a Carla parte de férias para a Ilha de Moçambique, e precisa de antecipadamente marcar transporte, para essa hora, até Nampula. Não sou só eu a viajar por terras de Moçambique

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publicado às 09:07


Dá prazer beber-se!

por aquimetem, em 10.11.11

 

          Do Portal Clube Renascença fui recolher para informação cultural e actualizada este breve aditamento: " Constituída em 16 de Junho de 1938 como associação no quadro do Direito Canónico, com o objectivo de apoiar espiritual e materialmente a Emissora Católica Portuguesa, a Liga dos Amigos da Rádio Renascença - LAR, hoje designada Clube Renascença, contribuiu de forma notável para o desenvolvimento deste órgão de comunicação social  da Igreja". Além de apreciador da Rádio sou também associado do Clube Renascença e por isso mesmo sempre que há iniciativas abertas aos associados eu por norma sou avisado.

 

           Assim aconteceu agora que o Clube Renascença levou a cabo um interessante colóquio intitulado O VINHO - na História da humanidade, Componentes Social, Cultural e Religiosa. Colóquio que foi moderado pela Drª Dina Isabel, directora da Rádio Sim e teve como apresentador António Sala, presidente da  Direcção do Clube Renascença. Aqui a Drª. Dina Isabel em conversa com o Dr. Vasco d'Avillez, momentos antes da chegada dos restantes convidados ao auditório da Rádio Renascença.

          Os 3 convidados, figuras de relevo nas áreas em debate, foram o Mestre José Bento dos Santos, vice - presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Conselheiro Gastronómico da Chaîne des Rôtisseurs, Cavaleiro da Confraria do Vinho do  Porto, membro da Académie des Psycologues du Goût, Chevalier du Tastevin; o Dr. Vasco d'Avillez, Presidente da Direcção da Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa; e o Eng. Paulo Laureano, produtor de vinhos e um dos grandes nomes da enologia em Portugal (vencedor do prémio Enólogo do Ano em 2004).

          Mestres no saber e dizer deixaram a plateia radiante e mais enriquecida culturalmente. Facto que António Sala no encerrar da sessão reconheceu e enalteceu muito agradecido.  A história do Vinho desde os seus primórdios aos tempos actuais foi abordada e com muita clareza exposta. Sem vinho não se celebra Missa, como também uma festa sem vinho é uma pobre festa. Viva o Vinho Português. Que o melhor não é o mais caro ou por ser caro; o melhor é o que dá prazer berber-se!

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publicado às 23:45


Cozinhar em Catapú

por aquimetem, em 09.11.11

          Com o titulo " Parabéns à TCTDalmann" já no passado dia 29 de Julho fiz aqui referencia a este complexo industrial que para além do abate de árvores com destino exclusivo à fabricação de mobiliário, se encarrega de paralelamente zelar e manter o equilibrio ambiental através da reflorestação e protecção da flora e fauna originais da zona onde tem a exploração: Catapú. Nos termos contratuais, entre o governo e o operador James White, consta a obrigação de "proteger todos os aspectos do meio ambiente incluindo florestas e animais. Animais, passarinhos, insectos, população, ar e água formam o meio ambiente, sendo que uma suporta a sobrevivência de outra espécie". - são palavras de White.

   

          Local ideal para o ecoturismo, pesquisa cientifica e centro de um ambicioso programa com base comunitária, este acampameto está situado 32km a sul  do rio Zambeze e da cidade de Caia, na Estrada Principal N1, posto administrativo de Inhmitanga. O Catapú M'phingwe, além do restaurante e dormitórios tem para oferta aos seus clientes passeios guiados que incluem visita à serração, onde é cortada a madeira que fornece a fábrica da Beira, e caminhadas através da mata concessionada que permitem ver e ficar a conhecer muitas das espécies da flora e fauna existentes.

          Fiquei  por exemplo a saber que a famosa madeira de "Pau-Preto" também é conhecida em certas zonas de Moçambique pela designação de  m'phingwe (=pau-preto), e logo daí revelado o significado do termo que dá nome ao restaurante.  

           Dispõe ainda de uma pequena loja de artesanato em madeira feito pelas comunidades locais, resultado do empenho da TCT Dalmann na formação dos membros das comunidades, ensinando-os a tornear madeira derrubada espalhada pela mata e machambas que tem valor e não deve ser queimada. O restaurante, como as casinhas de madeira sem paredes, onde à noite, centenas de borboletas negras, lindas, voam à volta das luzes e das mesas são motivo de admiração. As peças são feitas exclusivamente de madeiras duras como Panga-Panga e Mutondo, e os desenhos das colecções são inspirados nos rios de Moçambique.

  

          Mas não só de noite, também de dia estas exemplares poisam em tudo quanto é sítio e são motivo de atenta observação 

           Outra das atracções do Catapú M'phingwe são os bebedouros, onde uma variedade infinita de passarinhos vão matar a sede e em bando se retiram para dar a vez ao bando seguinte. Uma lição que os humanos deviam aprender com estas aves da floresta africana, sobretudo a classe política que uma vez no bebedouro só quer a água e tempo para si.

  

           Mas nos passeios e safaris através dos carreiros e trilhos da exploração onde entre os antílopes  predomina a gazela vermelha e nyala, pode acontecer também encontrar outras espécies como leopardo, búfalo, crocodilo pois são animais desta região.

 

           Como os pássaros e os demais habitantes da fauna local dispõem de bebedouros, também as abelhas tem particular tratamento sendo honradas com hospedagem em colmeias de fina madeira, onde constroem seus favos e produzem o delicioso mel.

          Com uma forte vertente cultural, os passeios e safaris ofertados pelo Catapú M'phingwe aos seus clientes tem a vantagem de serem enriquecidos por um guia explicativo, onde constam os nomes e os números de algumas espécies, sobretudo da flora por ser ali, a madeira, o principal ramo de exploração.  

           Alguns dos muitos exemplares da floresta que os anos se encarregaram de encarquilhar, antes de abatidos em tempos remotos e agora sob totela  da TCT Dalmann.  Empresa de quem diz John Burrows : " Se todas as operadoras florestais pudessem ser tão selectivas e cuidadosas com o ambiente como em Catapú, talvez então houvesse um futuro para as poucas florestas tropicais remanescentes". Elogio que neste ramo poucas operadoras em Moçambique são merecedoras de receber, e também o não recebe.

           Árvores de todo o tamanho e feitio povoam o parque do Catapú M'phingwe

          No regresso de um passeio ou safari um almoço ou jantar de carnes servido à casa faz parte do programa.

          ......e para o efeito aguardar pela hora das refeições ou antes de recolher ás casinhas é muito reconfortante este acolhedor espaço; junto da lareira, onde nas noites mais frescas se fica em conversa ou a  contemplar o luar africano.

 

          As casinhas são muito simples mas confortáveis, com duas camas, um armário e mesa de cabeceira. Quarto de banho e um salinha de estar.Não têm cozinha porque não é permitido aos clientes cozinhar em Catapú.

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publicado às 08:12


A surpresa era Catapú !

por aquimetem, em 07.11.11

 

          No post anterior, já dava a entender que o dia seguinte prometia; e como vou demonstrar, acertei em cheio. No sábado, dia 16, com um sol radiante, eis-nos, cerca das 08h45, a passar em frente da igreja da Sagrada Família de Quelimane, com destino a terras de Sofala, para gozar ali um inesquecível fim de semana.  

          Situada no centro de Moçambique, a província de Sofala é um dos principais pontos de confluência nas ligações entre o Sul, o Norte e o Oeste; estas últimas através do corredor da Beira, uma via importante e muito antiga, para penetração no interior de outros países vizinhos. Tem a cidade da Beira como capital e a província é limitada a Norte por Tete e Zambézia, a Sul por Inhambane, a Oeste por Manica e a Leste pelo Indico.

 

          A estrada até Niocuadala já me não era totalmente estranha, pois por ali passei, ao cair do sol, quando vim da Ilha de Moçambique. Mas ver, seja o que for, à luz do dia, tem outro encanto e é também um outro dos predicados do astro-rei: dar luz e tudo fazer brilhar.

          Trajecto para apreciar agora, ainda que de passagem, na sua normal dimensão diurna que um povo em movimento anima e torna atraente ver. 

           A "ginga", que em Quelimane e em toda a província da Zamézia, reina como meio privilegiado de locomoção, tanto idividual como no transporte de pessoas e haveres compete com o taxe ou outro qualquer tipo de transporte utilitário. 

 

           Mas é também o fantasma, que assusta e faz abrandar os condutores de motorizados que circulam nas ruas ou estradas onde a bicicleta, a "ginga", impera e domina. Que sempre seja rainha e o exemplo ganhe adeptos nos grandes centos urbanos da Europa, porque além de económico e saudavel não polui o ambiente.

           Todavia para fazer, em tempo útil, a viagem de fim de semana que me foi dado gozar, não fui de "ginga" antes  preferi a comodidade e rapidez do poluidor veículo motorizado, e como "Maria vai com as outras" até me esqueci que a poluição também actua onde nós respiramos. A maioria dos ecologistas também se esquecem e andam de pópó.

 

          Já com cerca de duas horas de viagem, e com pena de não poder imitar os andantes que em sentido oposto caminham despreocupados em terra de animais selvagens e fama de ferocidade, uma paragem era oportuna e acontecia daí a pouco.

          Ainda na província da Zambézia, e com a moderna ponde do Caia à vista, vamos através dela entrar na província de Sofala. Depois de atravessado o Zambeze, mais à frente umas bonbas gasolineiras e uma loja de apoio... ao cliente. Saí para esticar as pernas. 

          Rio Zambeze, um dos maiores rios africanos.

 

           Caia -  Bombas de Gasolina, da Ponte.

 

           E com uma paisagem e motivos sempre grandiosos e belos, lá continuamos estrada fora à espera da maior surpresa da viagem:o local de alojamento. Esperar para ver.

 

           Cerca de quarenta muitos depois de Caia, um sugestivo sinalizador de transito indicava um desvio à esquerda, sem isitações para lá embicou a minha condutora, e  picada fora logo à frente uma cancela automática se abriu e...

          .... ao cabo de três horas de viagem fiquei a saber o destino, e que a surpresa era Catapú!

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publicado às 15:33


A água de Vumba!

por aquimetem, em 03.11.11

          Do modo como esse dia 15 foi aproveitado, além do que já ficou exposto junto mais uma série de imagens recolhidas no percurso de regresso a casa,  e que vou procurar legendar para assim melhor poderem ser apreciadas, e no espaço localizadas.   

 

          De volta em direcção ao Porto de Pesca, porque o trabalho estava feito e o bom tempo convidava a gastá-lo da melhor forma, um passeio mais demorado dado à moda da terra, “ devagar, devagarinho”, foi o que fiz. Caminhando pela Avenida Marginal fora, até porque andar além de salutar digestivo é um tónico que fortalece a alma e agrada à retina.  Aqui quase junto a uma repartição do Ministério da Marinha e perto do restaurante,  foi  onde esperei, antes de escolher mesa, pelo resto da companhia, desde manhã cedo ocupada no escritório.

 

          No meio do mangal que margina o rio, embarcações como esta, e muito lixo também, têm aqui a sua ultima morada, com os esqueletos à mostra e a provocarem mau aspecto e cheiro pouco agradável em alguns pontos desta zona que é a mais atraente de Quelimane.

           O mesmo local, junto ao encordouro das  embarcações, visto noutra  perspectiva.

           Os coqueiros são árvores da família Palmae (Arecaceae) que abundam por toda a cidade e cujo fruto consta de um epicarpo, camada fina, que cobre o mesocarpo fibroso, formando a casca do "coco"(com aproximadamente 5 cm de espessura)dependendo da variedade. Por baixo desta, encontra-se o endocarpo lenhoso ou quenga.

           Outra perspectiva da Marginal recolhida de costas viradas para as ruínas da antiga sé catedral .

 

           A ladear a Avenida, de um lado os imóveis e recantos ajardinados em agonia à espera de restauração e alindamento; do ouro, as margens de um rio rico em pescado de qualidade e condições excelentes de navegabilidade, como em post intitulado "Não sou de cá" de 30 de Julho pp, aludi, revestidas de mangal que parece tudo à sua volta sufocou.  Deixamos a Marginal, aqui junto ao Porto de Pesca, e vamos apressar o passo que o dia amanhã promete.

 

           Tempo para ainda passar pela Praça dos Heróis, o centro da capital da Zambéziia

 

          ......e mais adiante fotografar mais um coqueiro

           Já em casa e após o jantar, ocorreu-me fazer esta foto, e com ela comparar o mesmo que aconteceu com Portugal, após o 25 de Abril : toda a nossa gente entra na moda e vai de usar produtos importados, desde os alimentos aos utensílios. Resultado, economia falida e troika em acção.... Moçambique tem outras potencialidades que não as nossas, mas não é gratificante para um país com condições para se abastecer com abundância e exportar os seus produtos agrícolas, apareça neste figurino alimentar com  nescafé, azeite e leite da África do Sul, vinho do Chile e de Moçabique apenas a água de Vumba!

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publicado às 17:54


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