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Fortuna para exportar

por aquimetem, em 31.07.11

 

 

          A chuva que diariamente de 5 a 13 de Julho caiu em Quelimane não favoreceu a minha estadia de quase três semanas ali de modo a poder aproveitar melhor o tempo na observação e contacto com o ambiente citadino e uma população predominantemente chuabo que generosa e paciente ao ritmo da ginga se movimenta impávida e serena. Semelhante, e que me impressionasse tanta bicicleta, em circulação, só em Florença senti um dia! Em toda a África não deve existir terra onde a bicicleta seja tão usada como na capital da Zambézia. Mesmo assim e graças ao Paulo, encarregado das compras e limpeza da casa, tive ocasião de ver e obter informação acerca do muito que a cidade  de Quelimane tem para mostrar e ser admirada. Desse muito já  a minha presença física deixou de poder beneficiar, pois acabou-se a temporada aprazada para a estadia.No dia 21, por volta das 21h, lá tinha o simpático Clemente à  porta para  me conduzir ao aeroporto da cidade. Na Av. Mao Tsé -Tung deixei com saudades entre outras amizades que ali fiz a salvadorenha Ema e seu compatriota  Giovane, a portuguesa Carla, e o nativo Paulo Alberto, um lomwè de Mugeba (Mocuba), há mais de 10 anos radicado na capital provincial. Depois foi só ter paciência…, voar… e regressar a Lisboa. Assim: avião inicialmente marcado para as 21h30, foi já no dia 22, às 00h40, com paragem de 20mts na Beira, e chegada a Maputo cerca das 04h00. Deitar e às 08h30 fora da cama porque quem não dormiu que dormisse. Uma volta pela cidade, almoço na Feira do Artesanato, jantar na pensão e às 19h30 partida para o Aeroporto Internacional de  Maputo, donde às 22h15, em avião da LAM, partimos  directos a Lisboa, onde  pela hora da origem de partida aterramos às 08h15 (07h15, hora portuguesa). Mas há que recordar: as coisas feitas com calma até costumam ser muito mais bem feitas, portanto se as imperfeições por vezes acontecem também se deve em parte aos apressados de dentro e de fora em fazer fortuna para exportar… 

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publicado às 13:34


Não sou de cá

por aquimetem, em 30.07.11

 

          Com nova catedral consagrada a Nossa Senhora do Livramento que desde 1974 veio substituir a antiga igreja da padroeira que em ruínas, na marginal, se junta ao demais património construído em degradação, Quelimane tem na portuária zona que do Porto de Pesca ao Terminal Ferroviário se distende, o mais encantador dos sítios para se ver e percorrer apreciado e contemplando um rio bordado de mangal e um porto  que já teve mais actividade confiado à concessionária Cornelder. Quando a navegação de 5 e mais metros de calado voltar em forca rio dentro, a industria da pesca retomar a garra, os têxteis de Mocuba desçam de novo pela via férrea até ao desactivado terminal de Quelimane, então sim, o progresso regressou  à capital da Zambézia e toda a nossa gente de cara alegre e “ginga” nova festejará o feito! Eu que vim de visita, gostava de aplaudir, mas vou-me, não sou de cá.       

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publicado às 16:44


Parabéns à TCT Dalmann !

por aquimetem, em 29.07.11

 

          Uma filha muito dilecta e generosa proporcionou aos pais um mês de férias que só uma vez na vida se pode gozar, foi esta! Connosco de Lisboa para Maputo ali fomos levados a visitar a cidade e pela fronteira de Ressano Garcia ir à África do Sul  ver o Kruger Park. Isto antes de partirmos para Cabo Delegado, onde em Pemba e na ilha de IBO nos sentimos quase príncipes com tão fino tratamento. De Cabo Delegado passamos a Nampula, para na Ilha de Moçambique também nos deliciar, e dali ir abancar 800km afastado, na capital da Zambézia. E como já não bastasse de percorrer tantas províncias e distritos, ainda nos presenteou nas despedidas de Quelimane com um passeio e dormida na província de Sofala, de modo a  eu também poder dizer que  vi com  ”estes dois” a imponência do grande rio moçambicano que é o Zambeze; bem como levado a conhecer e sentir a autenticidade de viver no interior da floresta africana, como aconteceu no Catapú Mphingwe, complexo hoteleiro integrado num parque florestal  com a área de 35.000ha  destinada à exploração de madeira para mobiliário. Ali além da preocupação em proteger o ambiente também a floresta é uma dessas principais prioridades, que se verifica na limpeza da mata, seu repovoamento e venda de plantas raras como o pau-ferro, umbila, chanfuta e outras mais em risco de extinção. Parabéns à TCT DALMANN !

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publicado às 16:14


Que perdeu ou lhe roubaram

por aquimetem, em 28.07.11

 

          Já importante centro comercial suaílis quando os portugueses ali aportaram e ocuparam a terra, o porto de Quelimane sempre foi uma mais valia no contexto socioeconómico da região como porta aberta à entrada e saída de produtos comercializáveis ou de pessoas que  do rio e do mar se servem para locomoção ou actividade. Situado na margem sul da cidade, no estuário do rio Bons Sinais cuja bacia o caudal do Cuacua faz avolumar, e afastado da foz cerca de 20km, este porto tem sido o principal motor do progresso e actividade económica da cidade, contribuindo de igual modo para o desenvolvimento social do país e de toda a província da Zambézia.E não só, uma vez  que a sua global importância ultrapassa as próprias fronteiras, como em relação ao Malawi se pode ver. Tratando-se de um pais sem acesso directo ao mar, o Malawi exporta através do porto de Quelimane os vários produtos que produz, como cana-de-açúcar, chá e algodão, e entre outros  importa fertilizantes e material de construção. Dai também a necessidade de para o efeito manter drenado um rio muito sujeito a assoreamento com areias que as águas arrastam da montanha e se depositam no estuário, só possível mediante a rotineira tarefa anual da drenagem na bacia de manobras cuja duração dos trabalhos ronda cerca de 3 meses. Que o nome e significado do rio e porto de Quelimane não sirva apenas para continuar a alimentar Quelimane de bons sinais, mas antes com obras de reconstrução que lhe devolvam o rosto airoso que há alguns anos atrás  perdeu ou lhe roubaram.

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publicado às 16:27


A ver navios.....

por aquimetem, em 26.07.11

 

          Na pesca uma razoável industria actua na captura de peixe e crustáceos, destacando-se  nessa  área o papel predominante de uma conceituada empresa de produção e exportação de camarão, com fabrica e viveiros na ilha Eracamba, frente ao Porto de Pesca de Quelimane. Como esta outra  das potencialidades  económicas  muito importante da região é a madeira das suas matas do interior, que com as rasteiras e verdejantes plantas  do famoso chá de Gurué, e as do algodão, também junto à costa  os extensos  palmares, fonte produtora de coco e copra, que adornam a paisagem a caminho de Niacoadela, são parte do todo que dá vida e cor a toda uma província que em  anfiteatro sobre o Indico encanta e seduz quem por ali passe. E a propósito de madeiras, recordo uma reportagem que li, no semanário Savana, do passado dia 8, em que relata  o crime de lesa lei que acoberto de responsáveis políticos, funcionários e autoridades locais se vem praticando por todo o país, mas com mais evidência no distrito de Mocuba, onde em particular o pau-ferro, umbila, jambila e chanfuta árvores valiosas e em extinção que por “pisteiros” identificadas na floresta são abatidas e em toros transportadas até ao porto donde embarcam rumo à China, deixando a floresta empobrecida e  depenada, com os moçambicanos a ver navios....  

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publicado às 16:13


A seu tempo voltará

por aquimetem, em 24.07.11

    

           Com uma populacão a rondar os 194.000 habitantes, a cidade de Quelimane tem na industria pesqueira uma das principais fontes de riqueza que a par da produção agrícola,  que a nível de município e província a envolve, faz dela uma cidade das mais típicas e de maior potencial económico de Moçambique. A recuperar de uma crise que após a independência se abateu por todo o país, também a capital da Zambézia se não livrou do choque provocado e muita da sua riqueza foi penalizada por abandono ou falta de investimento. O estuário dos Bons Sinais, com um porto de grande calado e um terminal ferroviário com linha férrea que se estendia por mais de 150 km, para o interior, a facilitar em especial  o transporte dos produtos agrícolas como sisal, arroz, milho, mandioca, cana-de-açúcar e sorgo (mapira), dava à cidade e aos seus habitantes  o encanto e conforto social que nesta ocasião não abunda, mas que se espera a seu tempo voltará honranda a praca dos heróes.

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publicado às 15:45


Serve de comparação….

por aquimetem, em 22.07.11

 

  

          Não tenho bem presente a quilometragem que separa a Ilha de Moçambique da cidade de Quelimane, mas sei que demorei cerca de 10h. a fazer esse trajecto de boa estrada e condutor experimentado. Apenas só um desvio e troco em reparação com cerca de 50km obrigou a diminuir a regular velocidade, fugindo aos buracos que semelhantes fui encontrar nas esburacadas ruas da cidade capital da Zambézia. Que mesmo assim labuta airosamente  para não estagnar, e no aspecto carencial faz lembrar a cidade de Setúbal com a qual é germinada. Até no contexto económico e social a situação neste momento é muito semelhante, ambas vivem o drama do desemprego e da pobreza. Qual delas será a primeira a sair do atoleiro em que a incompetência dos políticos as meteram? Claro que  Setúbal e Quelimane não são a mesma coisa , mas serve de comparação…     

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publicado às 16:16


Quelimane

por aquimetem, em 20.07.11

   

 

          Da Ilha de Moçambique, por Monape e Namialo, directos a Nampula; e depois de um cafezinho continuar por Murrupula até deixar para trás o Alto Ligonha, eis-nos na província da Zambézia e após o Alto Molócué descendo por Nampevo, Mugeba, Macuba, Malei e Niacuadala finalmente abancar em Quelimane. Vila  desde 1763 e cidade desde 21 de Agosto de 1942, Quelimane além de município é  capital e a mais importante cidade da província da Zambézia (Moçambique).

          Localizada no rio dos Bons Sinais, a sua etimologia dizem, uns, ter origem na palavra inglesa : Killing Man (= mata homens); defendem outros ter origem na expressão local : Kuliamani (= estamos a cultivar). Até se conta que foi quando Vasco da Gama, em 1498, ali chegou ao perguntar a um dos nativos o que estavam a fazer, este sem perceber português, terá respondido: Kuliamani, e logo nós que temos certo jeito para fazer interpretações, entendemos por Quelimane. Esta como quer que seja até tem mais lógica do que a inglesa, pois mosquitos existiam e existem por toda a parte e não era só aqui que então a malária matava homens.   

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publicado às 16:38


Ilha de Mocambique

por aquimetem, em 18.07.11

 

 

           Esta pérola moçambicana do Indico que com a Cabeceira Pequena o navegador Vasco da Gama deu, primeiro, a conhecer aos europeus; e que durante centenas de anos Portugal chamou sua, tem para oferecer ao visitante além do acolhedor espaço geográfico  logo também um diversificado e genuíno património construído que com a vertente histórica que lhe anda associado dão à Ilha  de Mocambique um estatuto raro de igualar por  muitas outras cidades do mundo civilizado.  Do seu património vale destacar: Fortaleza de  São Sebastião, Hospital - que foi dos mais importantes da África Austral -, igreja da Misericórdia e Museu da Ilha (Palácio de São Paulo). Isto na Cidade de Pedra e Cal, pois em relação Cidade de Macuti ressai o Forte de Santo António, a Cisterna da Ponta da Ilha, a igreja de Nossa Senhora da Saúde, uma Mesquita e a Ponte com 3,2km de comprimento  a ligar a Ilha à terra firme, e sem fazer seleccão… Tanto os ”pedra e cal” como os ”macuti” podem circular misturados. Nem deu para apreciar, mas em hora de muito movimento dever ser curioso ver os carros encostar nos desvios para darem passagem uns aos outros. Ao atravessá-la, na manhã do passado dia 2, em demanda de Quelimane senti um vaidoso sentimento de portugalidade e veio-me à mente o homem das grandes pontes : Arrábida (Porto), Salazar(Lisboa), e entre outras, também esta, em 1966, na Ilha de  Mocambique.

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publicado às 16:21


Cartas no bem servir

por aquimetem, em 16.07.11

 

 

           Paredes meias com o Museu da Ilha (Palácio de São Paulo) e com a bagagem instalada no acolhedor Terraco das Quintadas, chegou então a vez de dar atenção ao badalar de um  estômago viajado, mas vazio. E para isso  um café-restaurante ali ao pé foi ouro sobre azul. Se IBO já foi capital de Cabo Delgado, a Ilha de Mocambique antes de Maputo foi de Mocambique capital. Com 3,5 km de comprido por 350 a 500m de largo e ocupada por uma população de cerca de 18.000 habitantes, esta pérola moçambicana do Indico que deu hospedagem a Camões é Património Mundial da Humanidade, mas nem por isso as obras de conservação e recuperação do património construído e natural aceleram mais o passo, devolvendo à Ilha o prestigio devido. No que consta de turismo e serviços afins estão estes sítios bem servidos com complexos hoteleiros tais como o Terraco das Quintadas ou um Ruby Backpacker, na Ilha de Mocambique, a darem com muitos outros cartas no bem servir.

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publicado às 16:17

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