Serviram estes derradeiros três dias de estadia no Bongo para como também aconteceu no Huambo, me despedir das pessoas e dos contrastes paisagísticos com que me familiarizei durante quase um mês de permanência no sector do soba e regedor, Sr. Bernabé Celestino e, em particular, na embala da Missão, onde rege o soba Sr. Filipe.
A missão do Bongo é o local onde se instalaram os primeiros missionários adventistas, em 1924, comportando várias infra-estruturas quer educacionais quer hospitalares, incluindo templo e residências. Aqui funcionou um dos mais importantes hospitais de Angola e no qual se notabilizou um Dr. Persons, que com a esposa, D. Mabel, e os filhos David, Elaine e Bob, ainda hoje são recordados pela sua muita generosidade. Se lá voltassem hoje morriam de desgosto ao ver o estado em que a menina dos seus olhos, o hospital, se encontra!
O que foi a vacaria da Missão é nesta altura a sede do Projecto da Acção Agrária Alemã que nas Províncias de Huambo e Benguela, Angola, combate a Doença de Newcastle, a que já noutros posts fiz referência.
Também da horta que vi semear há uns 15 dias e deixo ficar os rebentos deste tamanho vou ter saudades, sobretudo por não poder provar os frutos. Que façam bom proveito a quem os saborear! Que não seja o gado. Do bater ritmado do pisoeiro, da manada que de manhã e à tardinha deambulava pela cerca da Missão, das pantominas dos gatos da casa para afiar as unhas, do sorriso e espírito de partilha que vi nos jovens daqui, de tudo levo saudades. Mas não sou de cá, quem cá fica que a faça grande, como no tempo da Familia Persons e dos comerciantes Amadeu Oliveira Cardoso, Artur Martinho de Lemos & Cª., João Faria Salgueiro, José Gomes Ferreira Gonçalo e José Peixoto de Carvalho. Ou dos lavradores e agricultores Amilcar Simões Barros, Artur Marinho de Lemos, Durval Lopes Julião, Elisio Loureiro e José Baptista Caldeira. Além da padaria, de Artur Marinho de Lemos & Cª., havia pensão, a Pousada Bongo, de João Rodrigues de Brito. Hoje mais parece uma aldeia fantasma, por onde se passa a caminho de Sandombo, ainda uns 12 km. mais para o interior da montanha.
Chegou a hora, mas antes de partir para o Huambo vou primeiro conhecer a embala do soba, Sr. José Adriano, a aldeia de Sopasse que no interior do sertão uma picada que sai de junto à "pracinha" ou ruinas da " Pousada Bongo" nos encaminha até lá. É mais uma das terras por onde não passou Jesus Cristo, ou se passou perderam-se as pegadas. Pese tratar-se duma terra associada à história do Sabado do Bongo. O vídeo e as fotos serve para exemplificar.
Este não queria se vacinado.
Aqui o soba José Adriano a controlar quem é que não vacina a pita
Ora aqui temos a juventude negra, no meio da branca, a mostrar a pita.
O Soba Sr. José Adriano ladeado por mim e minha esposa. Para honra nossa. E porque Sopasse é zona de muita banana um cacho enorme tivemos que carregar. A pobreza dividida por todos é menor. Mas que Sopasse merece e caresse de vias de comunicação garanto-lhes que sim, senhores governadores do tesouro angolano!
Em Angola a actividade diária começa muito sedo, se observarem pelas fotos referentes a Sopasse verificam que às 7h30 já toda gente se tinha levantado e apanhado as aves, e quem foi assistir teve de se deslocar, o que demora. Mas valeu a pena!
Depois no regresso foi só passar por casa, almoçar, fazer e pegar nas malas e adeus Bongo que não te volto a ver.
Três amigos que deixei
Quando se está bem, o tempo parece correr veloz , não se dá conta. Mas nem por isso as horas deixam de fazer os dias e os dias anos. Assim aconteceu comigo no passado dia 8 de Abril deste 2009, em que depois de visitar a aldeia de Sopasse e de no Bongo me despedir dos amigos com quem mais de perto ali privei me pareceu não ser verdade aquele que de facto era um definitivo adeus ao Bongo, e aos amigos que trouxe no coração.
NªSª das Vitórias ( Kuando - Huambo)
Nesse domingo, 5 de Abril, após o almoço e dumas voltas pelos cantos já conhecidos da cidade do Huambo foi o regresso ao Bongo; e não minto se disser que também já a pensar na minha despedida da terra e rostos que vim conhecer no Planalto Central Angolano, que não tarda. Vou levar saudades! Mas levo também na retina imagens que jamais esquecerei, como esta que recolhi no interior da igreja da Missão Católica do Kuando, e me faz recordar a cena que a imagem não mostra, mas eu conto: a Missão está num estado desolador, mesmo assim são muitos os visitantes, devotos ou não de Nª.Sª. das Vitórias, a passar por ali, eu fui um deles e ao entrar no templo vi um jovem nativo que sem dizer palavra ao ver-me encaminhar de objectiva apontada para a imagem da Virgem, correu para junto dEla e ficou na posição que se vê na foto, achei curioso. Gotava eu, saber quem é e poder enviar-lhe esta recordação. Nunca se sabe, tudo pode acontecer!
Bongo (Missão Adventista do 7º Dia)
Bongo
Bongo ( parecem bananas, mas são fungos hospedeiros)
Bongo
De volta ao bucólico e solitário Bongo, de mato e de mata cercado, se não fosse em breve deixar o sítio ainda ia aprender a falar chines. Vou eu, vêm eles, para recuperar um ou dois pequenos pavilhões que fazem falta.
Num destes pavilhões viram à dias alujarem-se em grupo vários desses operários que não parecem estar em melhores lenções que os pobres nativos angolanos, apenas são mais arrojados e sem complexos se misturam com qualquer pessoa tentando por gestos fazerem-se entender. Mas não deixam de ser escravos duma sociedade desumana e injusta.
Que este bébé que na eira observa o labor tradicional da mulher africana, um dia mais tarde saiba dar a volta ao texto e em vez da mãe, irmã, esposa ou filha seja ele e os demais homens da terra, neste caso do Bongo, a pegar... no pisoeiro e pisoarem o grão. Para dar folga às mulheres...
Como disse, se aproveitei o domingo, dia 5, para vir aqui a este santuário de Nossa Senhora de Fátima assistir à Missa, também ontem, sábado, dia 4, não descorei em fazer uma ronda que vou hoje continuar pelos recantos desta cidade que daqui a pouco tempo deixarei de poder fazer.
E quando se é agradecido, nunca é demais recordar as coisas boas que nos tocam, neste caso, o terraço que junto da igreja e com palanque fixo montado, me serviu de abrigo e eu olvidei no post "chuva africana"
O presente vídeo dá com o anterior uma melhor percepção do local e ocorrências em texto.
Terreno que já deve ter sido quintal bem cuidado e produtivo, hoje faz parte com o património urbano e social do rosto de uma cidade desfigurada e que nada tem a ver com a antiga Nova Lisboa, que Norton de Matos tanto enobreceu.
A cidade das grandes avenidas vai demorar a reconstruir-se e a curar as feridas da guerra civil, mas se os políticos quiserem é terra com pernas para voltar a ser uma verdadeira rainha do planalto central angolano, à altura do rei Ekuikui. Que não demore.
Não sei o que pensam fazer com a maioria dos edifícios neste estado, mas recuperar os que tem estruturas seguras para o fazer não só dava um outro aspecto a cidade, como trabalho e emprego a quem precisa, além de produzir riqueza e desenvolvimento comercial e industrial.
E meus amigos, quer gostem, quer não esta é uma das casas que depois de reconstruída com o mesmo formato original merecem ser preservada, porque também gostem ou não, Jonas Savimbi há-de ser sempre uma referência na história de Angola, como angolano vertical que foi e herói que tombou rendido, mas não vencido.
E porque hoje é domingo, e ontem se poupou nos gastos, há que também ser rico pelo menos um dia e na hora de almoçar. No fim da missa, e mal a chuva me deixou chegar a casa, deu-se meia volta em busca do Largo Wassanjunca, na Cidade Alta, e vai de no Snack-Bar Restaurante Nelce, fidalgamente abancar e mandar vir: 1 Cozido à Portuguesa, 2000.00 Kz; 2 Peit. Frang. Ass., 2600.00 Kz; 1 Mvelho 375Ml, 1000 kz ; Àgua 1,5Lt, 250.00 Kz; 2 Coca Lata, 200.00 Kz; 1 Couvert simples, 150.00 Kz; 3 cafés, 299.00 Kz; 1 Mousse, 300.00 Kz, e 1 Macieira, 300.00 Kz. Total a largar do bolso: 7099. 98 Kz. É uma fortuna, num país e numa cidade onde a maioria dos nativos não tên cinco centimos para gastar. Manda, a lei do mais forte!
Se o meu principal objectivo era de facto participar na eucaristia dominical de 5 de Abril, as minhas madames além disso estavam também empenhadas em fazer uma visita ao "Mercado de Kissala" que nos arredores da cidade do Huambo aos sábados junta feirantes de todo o género e feitio. Os que mais me impressionam ali, foram os miúdos que com rosto de pobres, em país rico, sobraçavam sacos de plástico, na expectativa de haver alguma alma caridosa que carecida de algum para levar as compras, em troca largasse o seu centimo de kuanza...
Tomando a direcção de São Pedro para daqui apanhar em género de picada o trilho que quase intransitável conduz a Kissala lá se conseguiu chegar sem ficar atolado no lamaçal e terreno esburacado. Milagre de São Pedro ou da Virgem de Fátima que nos faziam companhia.
A feira vende de tudo, de tudo que uma população desabituada de viver à farta e à portuguesa, precisa de gastar. Assim, em vez dos carrinhos "papa-moedas", dos nossos Hipermercados, são os artesanais carretos em pau de madeira, tipo carreta, que servem de apoio na condução das cargas, e que para ganhar a vida alguns angolanos se prestam conduzir a pulso.
Aqui temos um desses exemplares, que a cima estão amontoados, à espera de clientes, assim como também o "taxe" que pintado à "dragão...", se vê a meio corpo.
No género é o maior certame de comércio feirante que semanalmente no Huambo tem lugar, e por isso mesmo merecia outras condições que não tem: acessos, condignos; espaço, dotado com barracas e instalações sanitárias decentes, e um chão, em condições do feirante poder circular ali, com agrado, quer em tempo chuvoso, quer em época de cacimbo.
Do vestir ao calçar, dos tecidos ao artesanato, dos aperelhos electrónicos ao fogão a gás ou a carvão, da pedaleira à motorizada, do pescado ao talhante, das frutas e hortalices aos cereais, passando pelo comes e bebes o Mercado de Kissala de tudo é abastecido.
Aqui as motorizadas fazem lembrar antigamente os porcos nos "19" de Fermil de Basto, ou as vacas nos "27" do Bilhó, também expostas num espaço descampado a que chamavam e chamam feira.
Em fim, a hora do almoço já vai bastante esticada, demorar por aqui era uma hipótese, só que os olhos também comem!... Se a ASAE calha de ser convidada pelo Governo angolano a fazer notar o seu olho clínico no espaço higiénico, já não digo no económico, dos comes e bebes, a maioria dos comerciantes está tramada, fecham-lhe o negócio, a porta não, porque muitos não a têm.
Foi uma boa maneira de regressar mais cedo aos aposentos e depois de limpar a lama dos sapatos e mudar de calças que no Mercado se sujaram procurar um restaurante que sirva bem e que no Huambo já existem vários. E com a cozinha portuguesa a marcar pontos.
Esta semana, 1ª de Abril, a minha estadia no Bongo foi muito curta, apenas durou de 4ª a 6ª-feira. Pesou aqui além das indispensáveis comodidades sociais que ali não existem, também o facto de qualquer cristão coerente com a sua fé ser obrigado a procurar fora dali o serviço religioso que a Igreja Católica, no lugar, nem aos domingos raramente garante.
Daí que já afreguesado em percorrer a distância que separa o Bongo do Huambo e sobretudo este troço que entre o Bongo e o desvio entronca com a estrada do Huambo/ Benguela, uma vez mais subisse até à capital da província para no lugar habitual me acomodar.
Atravessando toda a vasta área rural que depois de Lépi, por Caála, tem nos vales do Kunhingamua e do Lufefena a principal fonte de energia vital, o destino é alcançado.
E a paisagem entre Caála e Huambo é âmpla e sedutora. Mas hoje pessimamente aproveitada, como se vê.
Desta vez o meu objectivo central era participar na eucaristia dominical, e na melhor das hipóteses calhando no Santuário de NS de Fátima por já me ser familiar e o mais perto do sítio de acolhimento.
Nesse domingo, 5 de Abril, no fim da missa das 09h00, que muito participada e animada com cânticos tradicionais acabou por volta das 10h30, a chuva veio de mansinho dar os bons dias aos fieis, e eu, fugindo-lhe a caminho de casa, tive ainda tempo de no trajecto, a pé, tirar mais esta foto ao colégio de São José de Cluny. Mas a chuva em Angola tem a particularidade de molhar e passado momentos deixar os corpos secos. É chuva africana.
A visita que fiz a terras africanas de Angola está a chegar ao fim. Mais uns dias para aqui no planalto central ocidental apreciar a paz e sossego que a aldeia do Bongo oferece a quem tem o privilégio de poder ali demorar-se a viver e sentir a magia do sertão, e acabou-se!
Coincidi-o a minha estadia com a estação das Chuvas, que como se sabe ocorre entre Setembro e Abril, e à qual em posts anteriores já dei conta de alguns dos efeitos que a sua acção provoca quando em fortes e assustadoras trovoadas se manifesta. Até o céu fica escuro e as aves em pavorosa!
Mas a terra agradece por ver nas torrentes o sangue que as enriquece e faz germinar as sementes e as plantas que são a riqueza desta angolana região do Huambo.
Se esta cabrita soubesse Português ou percebesse Umbundo aqui a tínhamos a louvar os efeitos benéficos da chuva sobre uma lavoura que quando à antiga portuguesa era explorada dava pão à farta para brancos e negros, e hoje pelo que se vê..,nem para fatos à medida das necessidades da casa dá. Neste aspecto, mete dó.
No entanto a terra é fértil e continua a produzir, como disso esta viçosa papaia, no meio do milheiral, deixa ver.
E esta árvore florida, na cerca do antigo hospital, que só com a água das chuvas se enfeita desta forma! É a magia africana.
Depois de uma semana afastado do planalto central angolano (de 26 de Março a 1 de Abril), regressar a Huambo para na Rua dos Ministros encontrar uma casa com o indispensável conforto que a maioria do angolano não tem, era desejo que já vinha no meu pensamento, na viagem.
Assim, mal o jipe chegou à porta do escritório da AAA, foi só ajudar a tirar a trouxa que era para deixar ali, e sem perder tempo subir ao 1º andar para tomar um regalado banho de chuveiro, também para a maioria dos angolanos coisa rara de ver e sentir...
Com o corpo limpo e refrescado pelo banho, agora há que procurar satisfazer o estômago que com os solavancos da viagem desfez tudo quanto no Caimbambo ao pequeno-almoço havia ingerido. Cumprida essa obrigação física o regresso ao Bongo estava nas prioridades, pois os deveres profissionais da minha anfitriã em terras de Angola assim obrigavam. A meio duma tarde chuvosa e depois de cerca de uma hora de viagem estava o jipe que nos transportava a passar por esta ponte que o programa da AAA mandou restaurar e assim beneficiar o acesso ao Bongo e terras circunvizinhas.
Como sabemos o Bongo que hoje mais parece uma aldeia fantasma foi ainda não há muitos anos das terras mais famosas e prósperas de Angola, ali funcionou um dos melhores hospitais de terras africanas sob tutela da igreja Adventista do Sétimo Dia, sinal também de que a liberdade de opção e o sentimento ecuménico que se vivia antes da independência existiam.
O que dantes era um espaço urbano e limpo está transformado em matagal para o pouco gado pastar e as carraceiras a par encher o papo. Valeu entretanto surgir o projecto da Acção Agrária Alemã no combate à doença Newcastle, pois ao aproveitar o espaço da Missão para instalar os seus escritórios e aposentos dos seus funcionários veio dar vida à aldeia e alguma esperança de dias melhores aos nativos da zona.
Neste pavilhão restaurado mora a directora-técnica do citado projecto, e durante cerca de um mês ali hospedou os seus progenitores. Aqui onde falta quase tudo que a ciência e a civilização do século XXI disponibilizam, a roupa continua a ser lavada à antiga portuguesa: à mão, e no resguardo da varanda pendurada! Com receio de também ser pendurado, o gato da casa retira-se e vai à caça...
Como disse no post anterior estava ansioso por ver a sementeira que no dia 24 de Março o Noé mais a minha cara-metade fizeram nas traseiras da casa, por isso logo no dia seguinte ao meu regresso ( 2 de Abril) apressei-me a ver e fotografar a horta. E pensei para comigo: como é possível que haja fome em Angola, se as sementes lançadas à terra passado uma semana estão como a foto mostra?!
É tempo da tecnologia voltar a estar ao serviço desta aldeia angolana, de trocar a zorra pelo tractor, de convencer os africanos que a mulher nasceu para ser mãe e governar a casa, pois doutro modo a miséria continua.
Também na eira os homens não aparecem, e lá tem de ser as mulheres a pisoar o grão e a peneirar a farinha.
São imagens do Bongo, duma aldeia cuja noite e o luar desta Primavera de 2009 me fez roubar à cama algumas horas do meu sono. Mas bem perdidas, como disso o presente vídeo deixa perceber:
"Deus escreve direito, por linhas tortas", não haja duvida. Sem mais aquele percalço de 2ª- feira, a minha estadia no Caimbambo perdia qualidade no aspecto de conhecimentos da terra e da gente com quem ali privei de perto desde 26 de Março a 1 de Abril pp. Também a Sra. Administradora da AAA , e a instituição em si, ficou a ganhar com a ajuda que na 2ª e 3º-feira obteve por parte a Drª Gisela, que só por isso adiou a partida para 4ª-feira, "dia das mentiras".
A respeito da origem etimológica do topónimo contaram-me que no morro que serve de pano de fundo a este embondeiro, vizinho dos escritórios da AAA, viveu em tempos remotos um famoso caçador chamado Bambo, que certo dia quando regressava da caça caiu com gravidade e morreu. Então os nativos apressam-se a informar: Cai(m) Bambo e morre.
Vagar tive também para me aventurar a mexer na máquina digital e sem conhecimentos técnicos fazer o meu primeiro vídeo que consta no post anterior. É fácil para quem sabe, mas para mim foi uma descoberta maior do que para Newton, a lei da gravidade.
Também aqui este jovem padeiro, com o cesto do pão à cabeça, me fez lembrar os tempos que com a idade dele fazia o mesmo por terras de Celorico de Basto. Ele por regra sempre com calor; eu, ao tempo, vitima do muito frio de Inverno e do calor de Verão.
Não há uma sem duas, nem duas sem três. Ou melhor dito: "Às três é de vez!". Agora sim, possivelmente não voltarei a ver estas simpáticas crianças que vão ser os homens de amanhã, e oxalá venham a ter mais sorte do que os seus progenitores
Eram 08h10 quando deixamos a vila que criada a 1 de Setembro de 1921, teve por seu 1º administrador António Rodrigues que, vi algures, inicialmente se instalou em Catengue, a 30km a Oeste da sede municipal Caimbambo. Se a viagem fosse de Comboio, e ele como dantes circulasse, a distância entre Caimbambo e Huambo rondaria os 262km. Por estrada andará, também, por aí.
Já com a vila a perder de vista, num derradeiro adeus, seguimos em direcção do "morro da vitória" ou "Irmãos gémeos" .
Pela sua fama a morro merece um foto tirada de mais perto
Tudo ainda muito perto do ponto de partida, apenas 14 minutos foi quanto demorou de Caimbambo a este lugar que como é obvio, jamais esquecerei. Não só pela pedra que beija, mas também pela avaria do jipe...
Também aqui à entrada da Ganda, esta taberna me despertou curiosidade pelo titulo que escolheu e tem na frontaria: Taberna dos Irmãos de Verdade.
O rio Catumbela continua cheio, e quando o seu caudal for bem aproveitado Angola será ainda mais rica.
Do Alto Catumbela também me não vou mais esquecer, aquela viagem em seco.., num dia de trovoada, fica na memória. Mas foi providencial, como já disse.
Eram 10h00 estávamos na Baboera para deixar a província de Benguela e pelo município de Tchindjenje - para os cubanos e russos - ou Quinjjenje -para os portugueses e nativos- , entrar na província do Huambo.
Depois de Quinjenje, surge o município de Ucuma
Esta linha de água que aqui atravessa a estrada não secou enquanto estive em Caimbanbo, continua como atractivo turístico de Ucuma
A seguir a Ucuma é Longonjo, outro município de Huambo de que já falei.
Paisagem entre Longonjo e o desvio do Bongo, onde estou desejoso de chegar para ver a hora e a sementeira que deixamos a crescer.
Desvio para o Bongo, mas nesse dia seguiu-se em frente para na cidade descarregar a trouxa e tomar um merecido banho de chuveiro que nem em todos os sitios é fácil.
Ás 12h04 eis-me chegadinho a esta bela praça da capital do Planalto Central angolano, que após restaurada já dá um cheirinho ao que foi. Vale sempre alguma coisa os maiorais do mando provincial ou municipal assentarem arraiais em certo espaço, ao menos aí, não raro, as obras ganham formosura e prontidão....Que diferênça do que se passa, entre Caimbamdo e Huambo!
O vídeo dá da vila de Caimbambo uma ideia de como ficou Angola com a guerra fratricida que só recentemente parece ter terminado. Embora o "morro da vitória" que entre Caimbambo e Cubal é tido como que emblema vitorioso da região, no terreno não há disso sinal assim tão evidente. Mas também é certo que "Roma e Pavia não se fizeram num dia". Isto para também dizer que "um azar nunca vem só ". No dia 30, 2º-feira, manhã cedinho aí vai de novo a família Pereira em demanda das alturas do planalo central angolano, desta vez na expectativa do mau tempo não fazer das suas. Mas ali quando não é do casaco é das calças. Não tínhamos saído há uns 15 minutos de casa e já o azar nos começou a perseguir, com o motor do jipe a não quer responder. Tínhamos já passado o "Morro dos Irmãos Gémeos" e alcançado as proximidades da "Pedra que Beija", onde aqui se foi mesmo a baixo, e adeus, Huambo!
Numa terra onde a carência de serviços é elevada, só quem de facto tem alguma influência e bom relacionamento social consegue dar a volta às situações. Num lugar isolado e sem rede para comunicar, valeu entretanto passar um taxe (uma motorizada) que cobrando 1000 kwanzas transportou a Drª Gisela ao local de partida , em busca de socorro, enquanto os pais ficaram no deserto a guardar o jipe.
Não demorou que uma equipa de pessoal técnico, ao serviço da AAA, dirigida pelo Sr. Haleka surgisse ali para reparar a avaria. Mas depois de várias experiências fomos aconselhados a regressar a Caimbambo, para ver o problema com mais cuidado. Para ser franco até nem desgostei do azar, pois prestou-se a desfrutar de mais uns bons momentos de convívio agradável com aquele pessoal simpático que encontrei nos escritórios da Acção Agrária Alemã e de voltar a ver os porcos e as cabras a pastar na rua.
Neste embondeiro ao lado dos escritórios entretive-me várias horas ao fim do dia a ver as cabras saltarem estas pedras e aqui passarem a noite, sempre muito barulhentas e em alerta
Eram 08h09, desse dia 30, quando numa 2ª tentativa para regressar ao Huambo partimos de Caimbambo. O 2007 que figura no foto deve-se ao facto de eu não ter tido o cuidado de acertar as datas na minha máquina digital. Mal sabia eu que ainda nesse dia havia de voltar a ver esta escola, e miúdos a saltarem muro, não o da vergonha..., embora pareça.
Na véspera até me deliciei ao parar ali para ver e admirar a escultura natural que daquele lugar ermo é atractivo, mas quando no dia seguinte fui forçado a permanecer lá de sentinela ao jipe, ó meus amigos, quais pedra que beija, quais quê! Valeu enxergar, não muito afastado dali, pessoas de trabalho que atravessando a estrada se dirigiram para uma casa de campo para logo ficar mais seguro do meu posto...Tirei foto. para registo.
Casa do antigo e modesto fazendeiro, esta está a ser recuperada, para quê não sei.
Cerca das 10h30, partimos rumo ao Planalto Central angolano. O tempo estava soalheiro, mas nestas terras até o comportamento da meteorologia não raro estraga os planos de quem quer que seja.
Eram 10h27 quando atravessamos a pequena ponte sobre o também modesto rio Caimbambo, onde junto uma placa assinala o fim da localidade.
A viagem é longa e a estrada pouco ou nada convidativa para se fazer de noite, por isso há que aproveitar. Depois o tempo é outro condicionante, como vão ver...
Aqui até as vacas decidiram travar a pressa, a quem a tem. Faz lembrar a Terceira, onde em Angra do Heroísmo as vacas têm mesmo prioridade nas estradas secundárias. Que remédio!
Aqui o famoso morro dos "irmãos gémeos" que pela sua configuração em "V" os politiqueiros recentemente baptizaram de "morro da vitória" .
Não muito afastado e já próximo da progressiva vila do Cubal fica a "Pedra que Beija" termo que se deve a uma pedra de grande dimensão parecer estar a ser beijada por outra de dimensão reduzida e feitio de pessoa. Como as vacas também esta me fez reduzir a marcha.
Dez minutos depois da Pedra que Beija, tínhamos já atravessado o Rio Cubal e feito o desvio que mais uma vez nos impediu de passar pelo centro da vila, dando connosco numa aldeia em feira onde o desvio desemboca em direcção à Ganda
A Ganda é um município que tudo aponta há-de voltar a ser dos mais importantes de Benguela. Se não estou em erro é dos únicos municípios vizinhos que neste momento dispõe de multibanco
Ainda muito carenciada a cidade da Ganda tem como seu padroeiro São João Baptista ou não fosse o município rico em linhas de àgua, muito mal aproveitadas.
Como atrás disse as condições meteorológicas aqui condicionam a circulação de pessoas e bens e quem já tem experiência por conhecer o terreno sabe disso. Percebi que não foi por mero capricho que devíamos sair o mais cedo possível de casa. É que na Estação das Chuvas as trovoadas no Planalto ocorrem com frequência e em certas situações não se pode circular. Aqui já no Alto Catumbela, começou-se a prever o pior....
Confiado aos cuidados maternais de Nossa Senhora da Conceição do Alto Catumbela, e percorridos já os 18km que separam esta vila da sede do município, andamos mais uns 2 ou 3km para lá do centro da povoação que teve a maior fábrica de celulose e papel de Angola, e hoje é como que uma aldeia fantasma, tudo na expectativa de podermos prosseguir viagem, mas em vão.
Ainda tive tempo para tirar uma foto uma chaminé sem fumo, mas logo a seguir deparei com o pandemónio....do trânsito
A chuva tinha feito das suas, ali mais um dos muitos desvios enlameou-se e quem tentou passar naquela situação ficou atolado. Muito boas vontades, mas uma coisa é certa "sem ovos não se pode fazem omeletas".
Esperou-se ainda que um milagre se desse, mas quando começamos a ouvir os motoristas dos camiões dizer que único remédio era ali pernoitar, pois a isso já estavam habituados, o que nos acorreu á mente foi inverter a direcção e regressar ao Caimbambo a tempo de jantar.
Cerca das 15h00, deixamos a barafunda, para depois de com uns 250 km gastos em seco por terreno encharcado ir pedir asilo no Caimbambo
. Bodas de Prata duma Prela...
. Os manos
. BTT- Fisgas de Ermelo - S...