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Por: Barroso da Fonte
Um combatente que foi à guerra dos outros, mesmo que não tenha dado um tiro, nem saiba nadar, deve dizer que esteve lá, quando, com quem e para quê. Cabe esta missão ao repórter que esteve lá.Começo esta nota biobibliográfica sobre o Tenente General Alípio Tomé Pinto por onde devia acabar. Desde Maio tem sido este volume de 416 páginas o motivo que me prende à cama, antes de adormecer e depois de acordar. Exatamente porque é das obras que tenho na minha copiosa biblioteca daquelas que mais me reconcilia com os 3 anos e meio que prestei ao país que tão ingrato foi para com os burros de carga que foram os milicianos e filhos do verdadeiro povo. Na contracapa, ao cima da página, reproduziu este militar de carreira: «E lá fui eu para a guerra, um dos primeiros a chegar a ela, com a minha farda amarela e uma espingarda das antigas – uma Mauser». Nessa mesma página mostra-se uma paisagem rural com um aldeamento duriense. Legendado com esta lápide de Miguel Torga: «Trás-os-Montes: «Terra Quente e Terra Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas».
A biografia deste verdadeiro militar transmontano, veio reanimar-me em relação a centenas de outras, de camaradas seus que, em cerca de 40 anos, escreveram, editaram e difundiram, nuns casos como resposta pessoal, noutros casos por imperativo ideológico. Mas quase todas por necessidade de ocupar o tempo e de reivindicar para si, o mérito ou demérito que foi de todos.
Na p. 341 logo se descobre nas fotos de família e nas legendas que valem muito mais do que mil palavras, a desigualdade moral, profissional e cívica entre o General Tomé Pinto e outros que passavam pela Academia, como se passa pelo santuário de Fátima ou pelo Bairro Alto, numa excursão à capital. Com o eclodir da guerra do Ultramar, houve maior preocupação com a quantidade do que com a qualidade. A carreira das armas deixou de ser um deslumbramento de paradas festivas para ser uma preocupação pessoal, familiar ou social. A qualidade deu lugar à quantidade. Os cursos encurtaram, as promoções apressaram-se e os recrutamentos, nas escolas militares, como na sociedade civil, alargaram o campo de ação. Os treze anos de guerra mexeram com toda a sociedade civil. E, naturalmente, a pressa e a necessidade, geraram dificuldades para alguns, transtornos para outros e contratempos para muitos. Se houve «estragos» para os combatentes, os mais lesados foram os soldados em geral e para os milicianos. E também para muitos profissionais das armas que já haviam cumprido os seus deveres como oficiais subalternos e se encontravam na classe dos oficiais superiores, alguns a pensar na hierarquia de oficiais generais, outros em fase de aposentação nos postos a que haviam ganho direito.
Como, normalmente, acontece nem foram os soldados, nem os milicianos, nem sequer os militares mais antigos a reivindicar. Foram aqueles que haviam escolhido a carreira das armas e que viam perigar essa carreira que violaram o juramento e se revoltaram contra os milicianos que apenas serviram para burros de carga daqueles que os traíram.
Nos 40 anos que decorreram cada «capitão de Abril» já escreveu a sua história, raramente contando os factos, mas reivindicando sempre para si, os louros da revolução. É óbvio que alguma coisa teria de fazer-se no sentido de alterar o método de resistência. Mas nunca por nunca deveriam ter sido os milicianos os bodes expiatórios, já que eles foram os mais prejudicados, antes, durante e depois. Infelizmente nunca se deu voz às maiores vítimas do golpe militar: os milicianos.
Em maio deste ano chegou ao mercado um dos livros mais coerente, mais objetivo e mais recomendável acerca da guerra do Ultramar. Logo a seguir ao 25 de Abril começou o mercado livreiro a privilegiar os escaparates, com versões pessoais de heróis à pressa. O poder político, por um lado e esses testemunhos subjetivos, por outro, injetaram nas gerações mais novas a ideia de que tudo havia corrido mal e que uma geração iluminada, havia retirado do fundo do mar o País que somos. Há por aí resmas de papel editadas por gente que quis ficar na História e que interrompeu carreiras limpas, heroicas e exemplares.
As 416 páginas deste livro do Tenente General Tomé Pinto vêm repor alguma clarividência, rigor histórico e prudência ética na opinião pública. O editor Pedro Sousa afirmou na nota que assina (pp 12-23) que: O general Tomé Pinto é um dos mais prestigiados militares portugueses da sua geração. Promovido a esse posto aos 45 anos por razões de mérito, foi duas vezes ferido com gravidade em cenário de combate, primeiro em Angola e mais tarde na Guiné». E outro distinto general – Ramalho Eanes - afirma no prefácio que «contar a história de vida de Tomé Pinto é respeitar a autêntica tradição, a memória coletiva».
Ao lado de Salgueiro Maia, de Pires Veloso, de Santos e Castro e de Jaime Neves, Tomé Pinto deve perfilar-se como um dos militares mais distintos da sua geração.

 

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publicado às 16:40


O Verão mais quente desde 1975

por aquimetem, em 12.08.16

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 Por Barroso da Fonte

Desde 1975 não houve verão mais arreliador. Politicamente não deixa saudades. Foi a esquerda que ligou as ventoinhas. Mas as ameaças de incêndio ficaram na retina daqueles que se envolveram nas Andanças de Castelo de Vide e que assistiram, desesperadamente, à destruição de 422 viaturas, mais os pertences dos seus ocupantes. Afinal foi terá sido um cigarro mal apagado...

Quem desequilibra as temperaturas não é o povo. Mas é ele que apaga todos os fogos, com a sua paciência, tolerância, resignação e às vezes com a própria vida.

Num só dia (7 de Agosto) ocorreram 455 fogos. E o Secretário de Estado dessa área veio dizer que está provado terem esses crimes início, entre as 8 h da noite e as 8 h da manhã. Esta afirmação, tão clara e tão evidente, deveria ser correspondida com medidas drásticas: em vez de ter o policiamento nas cidades, nas festas, à porta das discotecas, nas inaugurações, a vigiar comícios, residências de ex-políticos e jantaradas privadas com foguetes de artifício, poderiam fazer noites de vigilância nos montes, uma vez que dos pontos mais altos, seria muito mais fácil identificar os malfeitores. Um estudo prévio às zonas a vigiar, mal a labareda fosse localizada, graças à facilidade que hoje há, com os telemóveis e GPS, seria caça certa. Assim o poder político entenda acabar com a segunda guerra mais mortífera, mais cara e mais dramática em Portugal. Quem viu e ouviu as reportagens televisivas, com o país a arder desde Trás-os-Montes à Madeira, nos dias 7 e 8 do corrente, vendo  a fragilidade dos meios aéreos e os gritos de desespero das populações, irrita-se contra o ministro do ambiente que se limitou a dizer que «apesar dos 455 fogos de Domingo e os quase tantos no dia seguinte, a área ardida é inferior à dos anos anteriores». É deplorável, é ridículo e é provocante. O Secretário de Estado garantiu que «a maior parte dos incêndios é fogo posto, entre as 8 da noite e as 8 da manhã». O ministro deveria preocupar-se com esse elemento conhecido: «a mão humana». Com desculpa esfarrapada o Ministro Matos Fernandes, preferiu desviar a água do capote, como se a gravidade dos incêndios se possa media pela área ardida...Valha-nos Deus, Sr. Ministro...

Quando se conhecem as origens dos crimes públicos, o tipo de criminosos, as horas e os métodos e não se tomam medidas, dispondo de todos os meios, incluindo políticos, é ser conivente com essa trágica realidade. Se António Costa que nesses dias ser mostrou no Algarve em calções de banho, fosse mais coerente com a responsabilidade política que a todo o custo assumiu, tinha interrompido as férias, mais cedo, para coordenar as operações. Mas cada país tem os políticos que merece.

A saga dos incêndios nasceu com a liberdade de fazer tudo o que é mau para a sociedade, mas é bom para alguns que sempre viveram da chulice, da fraude, da anarquia e da brandura das leis.

Todos os anos, tememos o verão, por causa dos incêndios. Se está provado que existe uma epidemia social e política que aterroriza, aqui, ali e acolá, de noite e de dia, no campo e na cidade que se vale da escuridão, da morosidade da justiça, das amnistias e do faz de conta. 41 anos depois desta saga, já deveriam os políticos ter aprendido com os erros de cada ano que passa. As vidas que se perdem, os martírios que as populações sofrem, os prejuízos que se causam a quem vive da terra, mais os encargos com as máquinas, aéreas e terrestres, com os animais que o fogo queima, merecem alterações profundas. A vigilância das florestas e dos locais que possam servir de esconderijo dos criminosos devem estudar-se, mediante formação atempada e com critérios seletivos, com base no caráter e espírito cívico. O recrutamento deveria ser feito entre desempregados que tenham garantia de trabalho sazonal. E nunca deverá prescindir-se do apoio dos militares e militarizados porque se trata de um serviço cívico de que não podem alhear-se.

Sabendo-se que este é o flagelo social mais revoltante, mais terrífico e mais prejudicial à vida nacional, qual a razão por que não preparar o exército, a marinha e a força aérea, mais as diversas polícias, para, em conjugação com os Bombeiros, prestarem ao País e aos seus habitantes, a tranquilidade a que têm direito? A ministra da Administração Interna – e muito bem - «descobriu» uma série deles, nas messes, bares e «impedidos» e «gratificados». Acabem com esse luxo!

Este drama é tão grave nos dias de hoje, como foi nas décadas de sessenta e setenta, a guerra do Ultramar. Façam bem as contas e digam aos políticos que tenham a coragem de olhar mais para a realidade social do que para as guerrinhas de alecrim e manjerona. Que em vez de escandalizarem   com boleias duvidosas para irem ver jogos de futebol ou outras diversões censuráveis, discutam. Decidam e tranquilizem os cidadãos.

Nunca percebi que ocupações são essas de milhares de jovens dos dois sexos que nos três ramos das forças armadas somam anos e anos, sem que o país conheça os benefícios que produzem. Não havendo guerras a enfrentar, o país continua a pagar a oficiais e sargentos do quadro permanente. Continuamos a ter, às dúzias, generais, coronéis, majores, capitães, tenentes, alferes e sargentos de vários graus, como se ainda houvesse guerras no solo português.

Sabe-se que, de longe a longe, vão alguns desses militares cumprir missões internacionais. Mas que fazem os outros em tantos quartéis que nada produzem de útil à sociedade?

De longe a longe há paradas militares, guardas de honra. Chegam bem equipados, com fardas bonitas, galões dourados e estrelas brilhantes, ornando as peitaças. Executam, ao toque de instrumentos apropriados, continências, gestos e frases de guerra. Não significa que percam esse estatuto. Mas o país sente-se mais solidário, mais coerente e mais justo.

                                                                                                                        

 

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publicado às 11:21


Da terra venho

por aquimetem, em 09.08.16

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De “Poesia, amoras & presunto”, obra de Barroso da Fonte, galardoada com o Prémio Nacional de Poesia Fernão de Magalhães Gonçalves, transcrevo um dos poemas que muito me sensibilizou por corresponder à visão que tenho formatada desta viagem que sem fim determinado o Criador nos concedeu. Mediante estes versos eis-me nas minhas origens territoriais e sociais da década de 30, muito diferente do tempo actual, mas que nem por isso deixamos de ter saudades.


DA TERRA VENHO


Da terra venho
P´ra terra vou
E orgulho tenho
Do que sou


Nasci da fome
Com fome existo
Mas do nome
Não desisto


Venho da vida
Vou para a morte
- toda a ferida
É passaporte


O homem passa
E se renova
A erguer na praça
A sua cova


E eu tenho andado
A vida inteira
Ligado ao fado
A minha caveira.


                       Montalegre , 1972.

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publicado às 16:10


A propósito de um parqueamento

por aquimetem, em 08.08.16

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 A propósito de um parqueamento na Estrada do Poço do Chão, junto à Quinta do Bom Nome. Antes do casamento do PS com o PCP, a Junta de Freguesia de Carnide distinguiu-se como autarquia independente, autónoma e apostada no bem servir os visitantes que visitam este sedutor bairro da preferia alfacinha, onde impera o Colombo, a Casa do Artista, o Teatro Armando Cortez, e o Santuário da Luz atrai centenas de devotos. A IMEL que tem por função caçar dinheiro aos cidadãos, por vezes descaradamente, tinha em Carnide um espaço que sob responsabilidade da Junta não podia actuar, e dava muito jeito a quem por pouco tempo vinha visitar familiares ou amigos. Além disso servia quem estuda numa Universidade aqui ao lado que todos nós sabemos dá jeito a quem ali estuda e muitas vezes o dinheiro escasseia para pagar o estacionamento diário. Não contava com esta, que quanto a mim é fruto do casamento PCP com o PS. Caso assim não fosse a Junta de Freguesia de Carnide continuaria a ser defensora dos seus ideais e do bem servir os seus concidadãos.  

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publicado às 19:05


Estou sem net

por aquimetem, em 05.08.16

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 Dei comigo sem net, desde que cheguei a Lisboa. Não se admirem do meu silencio.

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publicado às 16:57

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De Barroso da Fonte

 Dos cerca de 30 mil títulos que compõem a biblioteca que construí ao longo de meio século, há alguns especiais. Esses foram escritos por meus colegas do seminário, uns que já partiram, como: António Cabral, Nelson Vilela e Luís Coutinho; outros ainda vivos e ativos, como é o caso de Alípio Martins Afonso, Manuel Carvalho Martins, Lourenço Fontes, Armando Jorge e tantos outros a quem muito devo pelo muito que com todos aprendi. Refiro Fontelas, Perfil monográfico, 1970 que conservo como relíquia, tal como essoutros de meus condiscípulos que citarei noutra altura. O Alípio nasceu em Mairos, 7 anos antes de mim. Quando cheguei ao Seminário já ele usava batina e o recreio do meio, não permitia que convivêssemos tanto. Mas já ele se distinguia pela propensão para a escrita e para a história em que veio a licenciar-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Este Flaviense Transmontano sempre me serviu de referencial, quer como seminarista, quer como leigo, chegou a ordenar-se e a ser um pároco exemplar. Como eu poderia ter feito se tivesse prosseguido, ao fim de dez anos, certamente teria abandonado, como ele fez, por razões de liberdade religiosa. Talvez eu – se o tivesse feito – não conseguisse ser tão bom católico como ele tem conseguido sê-lo, como marido e como pai. E é por isso que admiro, muito, aqueles que, tendo frequentado o seminário e tendo-se ordenado, souberam manter a mesma fidelidade social, cultural e religiosa, como se tivessem continuado a opção clerical. Com grande dignidade, ele e vários outros que fizeram o mesmo, me edificam sempre que os olho e os reconheço, irrepreensíveis cidadãos em plenitude.
Teria que dizer isto publicamente, porque nunca me arrependi de ter abandonado e sido o que fui e como sou, sem moral para repreender seja quem for. Com todos aprendo e com quase todos, concordo. Mesmo com aquele me repreendeu em público, por causa de uns versos que fiz a uma amiga que mos pediu e que a mãe (dela) fez chegar às suas mãos. Preferi sair antes de ser expulso. Mas ele abandonou, casou e, já na qualidade de viúvo, requereu o regresso aos altares. Não lhe quero mal. Mas talvez ele que ainda é vivo, se lembre do ziguezague que fez e que foi mais sinuoso do que o meu.
Volto ao «livro de ouro» que o Prof. Alípio Martins Afonso editou em Março último e ao qual chamou «a vila da Torre e o Concelho de Ervededo». São 304 páginas deliciosas. Considero este seu livro, a obra que marca as «bodas de ouro» de autor. Como historiador profissional merece todos os elogios científicos. Tive o cuidado de ler com atenção tudo o que tem a ver com as primeiras informações, factos, datas e contextualizações historicistas. Recuou o investigador ao ano marcante da nacionalidade Portuguesa: 1096. Foi este o ano do casamento do Conde D. Henrique com D. Teresa. Com esse casamento restaurou o pai da noiva, o primeiro Condado Portucalense que fora confiado a Vímara Peres (em 868), como prémio da reconquista cristã e que terminou com o nono conde, Nuno Mendes, (em 1071), na Batalha de Pedroso, contra o Rei Garcia. 25 anos depois voltou esse território portucalense, Entre os rios Douro e Minho, a ser subtraído ao Reino da Galiza, para servir de dote a D. Teresa e a seu marido o Conde D. Henrique. Desse casamento nasce Afonso Henriques que na Batalha de S. Mamede, em 24 de Junho de 1128, cumpre o sonho do Pai (falecido entre 1112 e 1114, mas que a Mãe preferia manter galego, para gáudio do seu amante Fernão Peres de Trava. Obviamente, as fronteiras desse Condado, só mais tarde foram acertadas a norte e a nascente.
Nesta obra fala-se, sobretudo em divisões religiosas que, ao tempo, eram mais importantes do que as civis. A primeira referência à Paróquia de Ervededo, aparece em 610. S. Martinho de Ervededo, (padroeiro da Igreja Matriz). Fora condiscípulo do Teólogo Santo Agostinho. Por essa altura era a sede mais importante, em termos de poder religioso. O Couto de Ervededo devia obediência a Braga. Mas Ourense disputava-o. Neste livro se explica,exemplarmente, a evolução independentista do território Portucalense e do papel que as Terras a norte de Chaves tiveram no contexto do Reino.
Tudo o que decorre neste volume passa a ser uma fonte de citação obrigatória. Fazia falta. Esta matéria deveria ser de leitura obrigatória das escolas públicas. Porque quem aqui nasce, vive e gosta de viver, deve ter o direito de conhecer os bons e os maus relacionamentos que houve entre povos irmãos. Só pelo tratado dos limites se estabeleceram as fronteiras. Mesmo assim foram acertos aos ziguezagues e os «povos promíscuos», ainda mal conhecem as razões de serem do lado de cá, ou do lado de lá, quando se sabe que há cerca de 200 anos, pertenciam ao lado contrário do que hoje têm. A região do Alto Tâmega que se inscreve na zona de influência das vias romana, das termas de Chaves e Carvalhelhos, dos castros de Curalha, Pedrário, S. Vicente, dos centros urbanos de Grou, Gralhas, Ciade, Caladuno, de Braga, de Lugo e de Astorga são lugares comuns no período medieval.

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publicado às 18:39

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Por: Barroso da Fonte

 Só em 19 de Junho de 2016 esbarrei com esta série de testemunhos sobre os 40 anos de Vida literária do Primeiro Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes que foi Ernesto José Rodrigues. Conheci-o na década de setenta, através do énie que o Carlos Pires, ele e mais alguns jovens bragançanos, iniciaram e exercitaram para altos voos. Foi uma geração mais nova do que a minha. Eu já havia regressado da guerra, em Angola e fixara-me em Chaves, como coordenador do semanário Notícias de Chaves, onde criei o suplemento de artes e letras. Aí saiu alguma poesia dessa geração de poetas. O Carlos Pires só, agora, o revi neste documento do Leonel Brito. Ao Ernesto Rodrigues fiquei mais ligado desde que, já no fins do século XX, seu Tio Padre Videira Pires, me convidou a ir a Bragança, falar com ele, com vista a atribuir-me uma disciplina na Escola Superior de que ele era responsável. Almoçámos os três. E, antes que eu desse o meu aval ao convite para assumir qualquer docência, aleguei ser muito difícil ir 2 vezes, por semana, de Guimarães a Bragança, cuja distância era de 204 kms para cada lado. Com eventuais portagens,a deslocação seria negativa. Por nisso me limitei a agradecer a simpatia. Mas foi um bom pretexto para rever o académico, poeta e ensaísta que Ernesto Rodrigues já era nessa altura.
Em 2010 reiniciou-se, entre nós, uma progressiva empatia, telúrica, diretiva e literária. Esse reencontro deu-se com o ato formal da outorga da Academia de Letras: ambos fomos sócios fundadores e outorgantes. Ernesto Rodrigues foi eleito na primeira Assembleia, como Presidente da Direção e o saudoso Amadeu Ferreira, como P. da Assembleia. Ambos fizeram obra que marcou os alicerces da Instituição que Jorge Nunes inspirou e tornou possível. Desde essa altura pude confirmar os grandes recursos científicos de Ernesto Rodrigues, quer na literatura, quer na docência, quer no dirigismo. E, sobretudo na solidariedade, na hospitalidade e no respeito pela diferença. Marcou-me muito o convite que a Câmara de Montalegre lhe fez para ser o palestrante de honra na sessão solene que assinalou as bodas de ouro de autor, do José Dias Baptista e das minhas. Ambos ingressámos no Seminário de Vila Real, em 1952. Um e outro fizemos das Terras e das Gentes de Barroso, o tema privilegiado da nossa escrita poética e prosaica. Ernesto Rodrigues foi muito sóbrio, profundo e generoso. Sobretudo comigo. Nesse mesmo dia o convidei para escrever o prefácio do meu livro de poemas: Poesia, amoras & presunto, fruto do Prémio Nacional de Poesia «Fernão de Magalhães Gonçalves» que a Editora Tartaruga me atribuiu. A esse prefácio chamou «Um grão de humanidade». Nessas seis páginas demonstra aquilo que afirma logo nas linhas 11 e 12: «espanta, por isso, vê-lo ignorado nas antologias da guerra colonial editadas por nomes da Esquerda». Também na 1ª página desse prefácio escreveu ele: «Conheci Barroso da Fonte, só ao quarto livro, do seu pós-guerra: É preciso amar as pedras (1970). Estava eu no Mensageiro de Bragança, como estivera ele n'A voz de Trás-os-Montes, em Vila Real, ambos em letra de forma, ele aos 13 anos, eu aos 14, e ambos no seminário». Na 2ª página não esconde: «Quando, em 2011, organizei, com o malogrado amigo Amadeu Ferreira, «A Terra de Duas Línguas. Antologia de Autores Transmontanos», selecionei este poema, bem como «na praça pública»...
Nunca serei capaz de agradecer estas gratificantes palavras que um académico assumido da Esquerda, exarou neste prefácio e outras que proferiu, em Montalegre, dia 6 de Junho de 2015, na sessão solene das minhas bodas de ouro de autor. Já não terei, em vida, forma de retribuir a um dos mais lúcidos, sólidos e plenos intelectuais da sua geração, tão declarado apoio acerca daquilo que escrevi, em prosa e verso, nos 63 anos que levo de ligação ao jornalismo e à recensão bibliográfica. Mas não poderia eu omitir esta confissão, a destempo, quando tropeço com esta série de testemunhos gravados no site da Academia de Letras de Trás-os-Montes. São génios, como Ernesto Rodrigues, que fala pouco e que produz muito e bem, que geram o progresso, quando se pensa que já tudo foi dito e inventado. As muitas e engenhosas tarefas académicas que nele se concentram na Universidade que o soube aproveitar, garantem que Bragança vai ter, ao lado do Abade de Baçal, de Hirondino Fernandes, de Adriano Moreira e de Amadeu Ferreira, mais este Bragançano que já tem obra que baste para o busto que lhe está reservado no centro urbano de Mirandela e de Bragança. E até do coração da sua freguesia natal: Torre de D. Chama.

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publicado às 22:54


Em tempo de férias até dá jeito.

por aquimetem, em 17.07.16

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Hoje já ninguém sabe se na viagem, no local de trabalho ou em sua casa tem a vida segura, o recente massacre de Nice e o golpe falhado da Torquia, são exemplo a ter em conta. Mas em contrapartida os portugueses podem se dar por felizes, além de Campeões Europeus de Futebol, primeiros em Atletismo, e agora Campeões Europeus de Hóquei em Patins é caso para não esquecer e festejar de forma exuberante. Se maneira melhor não houver para desenvolver a industria medalheira seja esta fomentada pelo Sr. PR que não tem tido mãos a medir a medalhar os nossos atletas campeões. Eu vou para ferias uns dias e não sei se por lá terei oportunidade de acompanhar o rodar do nosso cotidiano, mas na medida do possível vou fazer por isso. Comigo levo o que neste 17 de Julho já me deu para reflectir: 84 mortos, em Nice, pelo menos 265 na Torquia, e com um António Costa nos bastidores à espera que a conjuntura europeia dê uma ajuda. Se não der também se dispensa, o Zé tem cinto com buracos para apertar, e em tempo de férias até dá jeito.

 

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publicado às 15:47

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Por: Barroso da Fonte

 Sempre tive pelos magistrados e pelos tribunais um enorme respeito. A toga preta que os titulares da justiça usam em julgamentos e audiências próprias da aplicação da Justiça, sempre me amedrontaram. Quando comecei a ir à vila de Montalegre (a sede do meu concelho), fixei na minha retina um ambiente quase sinistro. Volvidos 70 anos, ainda me arrepia o corpo e a alma. Em frente ao edifício da Câmara: o tribunal, a cadeia, o carvalho da Forca e o paredão da Casa do Cerrado. Nesse recinto se realizava a feira quinzenal do gado. Das aldeias chegavam os bezerros com cerca de 6 a 7 meses. Lá apareciam o Cinzas, o Barbudo, o Miranda e outros compradores que chegavam do Minho. Os preços por cada vitelo oscilavam entre as 17 e as 19 notas (de cem escudos cada). Meu pai já tinha comprador certo: o João Cinzas. Quase sempre oferecia 18 notas que era «dinheirinho sagrado» para os gastos essenciais, ao longo do ano. Outros vitelos eram comprados por negociantes habituais da zona do Minho. Juntavam esses vitelinhos em cortes de vila. E ao fim de cada feira, eram encaminhados, em manadas, por caminhos e atalhos que conduziam, com grandes dificuldades, até Braga e Guimarães, revendendo a talhos ou matadouros conhecidos. Conservo desses tempos recordações saudosas pelo amor aos bezerros que via nascer, crescer e partir para o abate fatal.
O cenário do Largo do Toural, mudou de sítio e de forma de comercialização. Em vez das «manadas», vieram as camionetas de transporte e o local da feira também mudou de sítio, tal como eu que deixei de ser pastor para ser estudante, militar e várias outras coisas, como esta de dar testemunho de como era no meu tempo e na minha geração.
Dessas más recordações me servi para não querer nada com tribunais, cadeias e funções afins. A primeira vez que entrei num tribunal foi em Chaves, num conflito entre clientes de dois advogados: Manuel Verdelho e o «Dr. Alheiras», cujo nome verdadeiro nunca fixei. As coisas «aqueceram» entre os dois juristas, de tal modo que eu, regressado de Angola, como oficial miliciano Ranger, disse aos circunstantes que, em dois anos de guerra, nunca assistira a cena tão peripatética.
Declaradamente fiquei mal impressionado com a experiência e, ainda que, como jornalista tenha sido arguido nalguns processos por «alegado abuso de liberdade de imprensa», nunca fui julgado, nem sequer admoestado, o que considero uma façanha para quem, como eu, sempre foi tão frontal como polémico.
A este propósito deixo aqui um certo sentimento de pasmo: o anterior governo – que eu saiba – atravessou um mandato de 4 anos sem que algum governante, político ou assessor, tenha processado qualquer jornalista ou órgão de informação. E muitas injúrias, nomes feios e acusações graves foram, publicamente feitas contra vários governantes. Já o mesmo não se pode dizer de membros do atual governo e de seus apoiantes, como o ministro da Educação e o sindicalista Mário Nogueira que já anunciaram processar alguém que os beliscou. Pela aragem...
Trouxe este tema à reflexão com os meus leitores pela notícia que tem circulado em jornais credíveis, como o JN de 21 de Maio, pela revista Gente da última semana. Nesta revista cor-de-rosa foi manchete, na capa, em duas páginas interiores. Na capa pôde ler-se: «Sócrates e advogados chocados- não queremos acreditar que isto possa ser verdade – Escândalo Festas Privadas no Tribunal – oficiais de Justiça divertem-se no local de trabalho». A revista usa letras garrafais e imagens com diversas pessoas como interpretes, facilmente identificáveis.
O JN mostra uma imagem elucidativa e escreve em título: «Vídeo de funcionárias judiciais faz furor nas redes sociais: Dança no varão sem inquérito disciplinar». Se a notícia vem confirmar que tais procedimentos afetam a (boa) imagem dos funcionários da Justiça, o que aí se lê, é que alguma coisa mais profunda e revoltante se passa com a Justiça e seus servidores.
«As funcionárias judiciais que improvisaram uma dança no varão no local de trabalho não deverão ser alvo de processo disciplinar». E esclarece: «o que fizeram durante a hora de trabalho, se ocorreu, é grave. Mas ocorreu há mais de um ano. E «o Código Administrativo não permite abrir inquéritos sobre algo que ocorreu há mais de três meses. Ora a cena terá sido filmada numa terça-feira de Carnaval, em 2013 e, durante o almoço. Vê-se bem que foi uma brincadeira»...
Mas os funcionários públicos, já por si, têm má imagem, por parte de quem a eles recorre. No caso concreto dos tribunais, as televisões mostram, nalgumas reportagens, as pastas espalhadas pelo chão, em cima de mesas mal arrumadas e acauteladas, face aos casos jurídicos que estão em segredo de justiça. Essas imagens vêm sempre ao de cima, quando, num caso como este, surgem cenas nada edificantes. As decisões políticas recentes, de fechar, de reabrir, de alterar serviços tão complexos, quase dá a entender que a justiça anda de rastos. E a justiça não é, nem pode ser uma bola de pingue-pongue.

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publicado às 11:18


Mais lembra o tempo da pedra lascada

por aquimetem, em 16.07.16

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Por: Barroso da Fonte

 No último Domingo um canal televisivo escolheu – e bem - a cidade de Vila Real para divulgar o Picnic Famílias que se repete há oito anos consecutivos e que pelo seu interesse regional, depressa galgou fronteiras e atingiu estatuto nacional Nasceu em Trás-os-Montes e é hoje uma referência nacional. As boas notícias acabam por impor-se. E Vila Real - onde ainda não terá chegado o mau hábito de registar, em nome pessoal, tudo o que cheire a dinheiro e a fama – está de parabéns por ter dado ao país uma ideia nobre relacionada com a família que tão maltratada tem andado. A autarquia Vilarealense tem estado atenta a todos os movimentos inovadores e deve exaltar-se esta evidência.
A Família estruturada é o alicerce da sociedade. Tudo o que por ela se faça é louvável. Ao invés quando ela nasce enviesada, tolheita, com desvios congénitos, a sociedade não deve rejeitá-la, mas sim proporcionar-lhe um estatuto adequado, que não colida com a normalidade.
No Jornal de Notícias de 6 do corrente, saiu uma notícia com este título:
«Marido de juiz pede 2,1 milhões pela sua morte».
Eu que entre 1975 e 1992 fui delegado regional desse matutino e que levo 63 anos de «João semana» no jornalismo de causas, tomava café nessa hora de leitura. E, na mesa do lado, três conhecidos professores universitários, aos quais pedi que me ajudassem a interpretar aquele título, entreolharam-se, riram-se e disseram: - pior do que isso este «marido juiz» exerce no tribunal desta cidade». Em caixa alta dessas 4 colunas, podia ler-se:
«Miguel Lopes, de 45 anos. Morreu atropelado por um comboio, em 2014 na estação de Esmoriz, em Ovar. O marido está a pedir uma indemnização de 2,1 milhões de euros à CP e a Rede Ferroviária Nacional. Ontem (5/7), no Tribunal de Aveiro, decorreu a audiência preliminar do caso, mas o autor da ação cível não chegou a acordo com os advogados das referidas empresas. Por isso, o caso segue mesmo para julgamento. O seu início ficou agendado para Novembro».
Foi a Lusa que difundiu esta notícia. Todos aqueles que pugnam, diariamente pela dignidade singular e comunitária, empenham-se, esforçam-se e suam as estopinhas, para terem o pão e a sopa com que se alimentam. Assim procedem todos aqueles que primam pela dignidade pessoal e da Família que produz riqueza, gera progresso e valoriza a sociedade. Face a esta notícia,pasmo por dois motivos inimagináveis.
Primeiro: como é possível deixar prescrever tantos casos jurídicos que envolvem arguidos de colarinhos de veludo e ter este sórdido incidente, em menos de dois anos, já em fase de julgamento? Segundo: Como é possível exigir o pagamento de 2 milhões e cem mil euros a favor de quem foi colhido mortalmente pela composição, que cumpria o seu horário regular, buzinando atempadamente, como se diz na notícia? Quem não cumpriu: - o comboio ou o atravessante da linha?
Este negócio é mais do que uma geringonça democrática. Se a moda pega e a lei continua a ser «cega, surda e muda» estaremos à beira do abismo final.

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publicado às 21:32


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