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Contos de Natal

por aquimetem, em 25.11.16

Vários - Nem sempre os pinheiros são verdes

 Do poeta e prosador João de Deus Rodrigues recebi hoje um convite para assistir à apresentação de uma antologia de Contos de Natal intitulada: NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES, contendo oito contos, cada um de seu autor. Acompanha o convite esta amistosa mensagem : “Bom dia caro Amigo Costa Pereira.
Desejo que essa saúde vá bem! Quanto aos seus blogues, vou vê-los de vez em quando, e lá encontro, sempre, coisas novas o que é sinal de vitalidade, empenho e trabalho.
Amanhã, sábado, vou à apresentação de uma pequena Antologia de Contos de Natal, aqui em Lisboa. São oito autores, entre eles eu, e cada autor escreveu um conto. Ainda não vi o livro”. É forçosamente uma peça de leitura a não perder de ler e já nesta quadra natalícia que se aproxima. Também ainda a não vi, nem li, mas os autores dão essa garantia. E a poética edições,Produção Independente, Loja online, também.

 

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publicado às 15:23

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Por: Barroso da Fonte.

A sociedade exige clareza, respeito e rigor. Se esta trilogia não existir, a sociedade não funciona.
Soube-se que dois juízes do Tribunal Constitucional que vão avaliar os gestores da CGD, não cumpriram a mesma lei. Eticamente é um paradoxo, é reprovável e tem sido este vício um avolumar de situações anómalas.
Há 42 anos deu-se um golpe de Estado em Portugal sob a alegação de que desde há 48 anos era invivível o clima reinante. Tudo e todos se renderam a essa regra de ouro.
Nestes 42 anos apenas se trocou a pobreza cambial pelos fundos comunitários. Trocou-se a falta de liberdade pela libertinagem, a segurança pela instabilidade social, a agricultura pelo desemprego campesino, a terra arável pelas urzes e silvados, os produtos ecológicos pelos químicos enlatados e insípidos, as fábricas de têxteis em laboração plena, pelos prédios em ruínas, enfim, só a liberdade triunfou, dando para tudo até para enlamear classes essenciais como são as Forças Armadas.
Pretendo dar o meu testemunho de jornalista e de militar, embora de curta duração, porque fui miliciano. De ambas as condições me orgulho.
Como jornalista honro-me muito, pela insistência em dar voz às gentes da minha Terra e da minha geração. Fiz militância desta arma de combate permanente. Cedo me envolvi. E, sem obter proventos de qualquer natureza, repercuti a voz do meu Povo, sabendo que corria o risco de somar adversários e até alguns inimigos, não nesse povo, mas entre alguns bem instalados de todos os sítios, condições e idades.
Como militar não pude furtar-me, como alguns fizeram, porque não nasci em berço de ouro, nem tive pais influentes, como alguns que, antes e depois, serviram o regime, dele se valeram, e, ziguezagueando para a adaptação, vivem hoje como nababos, não merecendo o pão que comem.
Muitos milhares de jovens da minha geração, não fomos voluntários para a vida militar. Fomos todos convocados para servir a Pátria, sob o duro regime militar que era ministrado pelos profissionais das armas. Esses escolheram a profissão. E, enquanto a guerra do Ultramar durou, sempre tiveram, nos soldados e nos milicianos (sargentos e oficiais) os seus mais submissos colaboradores. Só quando esses profissionais já não bastavam para ocupar todos os comandos, o poder político, entendeu convidar alguns milicianos, voluntários, à medida em que regressavam da guerra, com experiência e saber, para ocuparem, nessas falhas, comandos profissionais. Estes deram conta de que os milicianos iriam estragar-lhes a carreira. E gizaram o golpe militar. Foi esse o motivo mais forte e o rastilho certeiro do 25 de Abril.
Apesar desta traição unilateral, quer os milicianos quer os profissionais da guerra, sempre foram solidários com a necessidade de haver forças armadas fortes, bem preparadas e solidárias para defenderem a Pátria. O elo mais forte, nessa altura, foram os capitães porque estavam organizados e detinham as armas e poder militar. Os milicianos estavam desarmados e desorganizados. Acabaram por sofrer injúrias, prejuízos profissionais e morais. Em função do superior interesse nacional não reagiram. Perdoaram mas não esquecem esse revivalismo de classe.
Hoje voltamos a estar solidários com eles porque as Forças Armadas fazem falta para qualquer imprevisto. Entretanto acabou o serviço militar obrigatório. Hoje apenas servem nas fileiras das FA os voluntários. Têm que sujeitar-se à disciplina, aos contratempos e à dureza da preparação física.
Quem escolhe as Operações Especiais (ranger's), Comandos, Fusos e Paraquedistas, sabe que a morte espreita em qualquer exercício, de noite ou de dia, ao domingo como à semana. Em Portugal não há temperaturas tão altas como houve, ao longo de 13 anos na Guiné, Cabo Verde, Angola, Moçambique ou Timor.
O preciosismo da forma como foi dada a notícia da prisão de sete militares, envergonhou a classe e todos aqueles que, mesmo contra a sua vontade, combateram na Ultramar. Nela morreram 9 mil militares. Nunca as carpideiras profissionais ficaram tão furiosas, nem a Justiça, alguma vez, deu tão ruidoso espetáculo como nestes dias de Novembro.
Pessoalmente tenho moral para erguer a voz. Fui Ranger no 3º curso, em Lamego. Fui obrigado, após o COM. Fizemos o percurso fantasma, da mata dos Remédios para a cidade. Furámos pelo saneamento urbano. As 72 horas de resistência, sem comer nem beber, sempre pelas serras do Poio, de Castro Daire, de Moimenta da Beira. Naufraguei, com mais sete, numa operação no Rio Douro (na noite de 21 para 22 de Novembro de 1964). O pneumático que era de 4 mas levava 8, afundou. Boiámos 5 km desde as Caldas de Aregos até Portuzelo. Ainda não existia a barragem que hoje é navegável. Faz agora 52 anos! O corpo do cabo miliciano Dutra, dos Açores, só 33 dias depois apareceu, irreconhecível. O Velez, o Lopes, o Neto e eu próprio, (meus pares de infortúnio), presos ao pneumático, naquela noite cerrada e gélida, desde as Caldas de Aregos até Portuzelo, nunca mais nos vimos. Nem televisões, nem rádios, nem justiça... e muito menos os dois oficiais instrutores: Alferes Morais e Fonseca (do quadro), insensíveis à nossa resistência, foram punidos. O comandante, afirmou no encerramento do curso que «foi pena aquele acidente mas que servia para dar mais realismo ao Curso». A algazarra que por aí se fez, contrasta com o desprezo a que votaram a minha geração. Só berra quem tem que se lhe diga. E até para morrer é preciso ter sorte!

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publicado às 13:30


Dá Deus as nozes a quem não tem dentes

por aquimetem, em 21.11.16

 

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Por: Barroso da Fonte
A realidade de uma comunidade como a nossa, merece as maiores preocupações das gentes locais. Quem ali nasce, vive e morre desconhece quanto se passa para além do seu horizonte visual. O seu mundo começa e termina onde os seus olhos deixam de ver. Vêm apenas aquilo que a vista alcança. E, aquilo que alcançam, limita-se aos sítios de onde se colocam para alongar a sua própria visão. Se alguma vez subiram ao Larouco esse mundo cresceu até aos píncaros da Sanábria, quase sempre com neve. Se não houver nevoeiro, talvez alcancem o Vale do Lima, com a sua opulência telúrica, por onde corre, rumo ao Atlântico, o majestoso rio Minho. Voltando-se para sul vislumbram os «Cornos das Alturas de Barroso, a Padrela, os montes de Curral de Vacas e o Brunheiro que abriga Chaves, a nascente. A Poente fixam o descarnado Gerês e a Mourela que abrem alas aos Rios Cávado e Rabagão. Este foi o cenário de minha infância e de tantos como eu. E foi o mundo de muitos, homens e mulheres que passaram vidas inteiras a repetir as mesmas coisas, a ver as mesmas pessoas, a ouvir as mesmas desgraças. Para alguns desses somente mudaram as palavras, as caras e alguns cenários desde que vieram as escolas, os automóveis e as alfaias agrícolas.
Há menos de um século chegaram as escolas, vieram os professores e fez-se luz. Para alguns mudaram os cenários. Alguns partiram para sempre. Outros foram e voltaram. E esses que voltaram trouxeram provas de uma vida diferente: os automóveis, as roupagens e alguns vinténs. Foram esses que convenceram aqueles que nunca saíram, de que, afinal, existiam outros mundos, outras serras e até o mar imenso.
Em menos de um século a vida mudou os horizontes e as mentalidades. Mas o que é bom acaba depressa. As escolas primárias ficaram desertas, os cantoneiros não mais se viram, os campos que produziam de tudo aquilo que se alimenta, depressa se encheram de tojos, silvas e ervas daninhas.
Os cemitérios que estavam cheios de campas, encheram-se de lugares vazios, porque muitos nunca mais voltaram.
Hoje a vida é vivida de outra forma. As escolas, envelhecidas e decrépitas, servem de disputas políticas para alguns, dos locais de lazer para outros e de romagem de saudade para poucos que regressam, por instantes, para mostrar aos filhos e aos netos os lugares da sua infância.
O republicanismo substituiu a monarquia. Foram anos dolorosos, inseguros, paupérrimos.
Portugal tremeu e abalou as estruturas de uma nação, que se fez aos mares e foi mais sólida lá fora do que cá dentro. Foi um império e é hoje um palmo de terra disputada pelos que a habitam, mas gerida pelos gananciosos que têm ideias vazias de sentido. São teóricos quando a prática é quem mais ordena. O planeta está em convulsão apressada. A Humanidade deu lugar à brutalidade. A razão foi subvertida pelo posso, quero e mando.
Quase me perdi nesta viagem de retorno ao passado. E não sou eu que devo depor armas. Somos todos nós que devemos parar para reflectir. Se a nascente e a poentes há exemplos claros de que a Humanidade corre o risco de se desintegrar, rumo ao caos, resta à sociedade portuguesa interrogar-se sobre se estamos a caminhar para o lado certo ou errado. E, em função desta realidade, haja alguém que estabeleça um período de tréguas, até que irrompa o grito do Ipiranga.
******
No penúltimo fim de semana participei em duas sessões culturais a pretexto do Castanheiro e da Castanha. Quer na Casa Regional do Porto, quer na sua congénere de Braga, esteve gente de todos os graus etários e de condições sociais. Muitas vezes dizem-se coisas mais importantes em convívios gastronómicos do que em cimeiras internacionais, cujos objectivo têm mais a ver com o mediatismo do que com o bem-estar das pessoas.
Em ambos os casos se exaltou o papel do poder local que, nestes 40 anos, fez mais pelas terras e pelas pessoas do que o pode central ao longo de séculos.
O castanheiro e o seu produto serviram de tema de debate, a propósito de um livro que nesse dia foi apresentado, da autoria do autor Transmontano Jorge Lage. Concluiu-se que faltam técnicos especializados que desenvolvam as potencialidades telúricas do continente e ilhas. O solo é rico, mas está virgem. Abandonou-se a agricultura e, obviamente, os campos e tudo aquilo que eles produziam. As universidades produzem teoria em áreas lucrativas e snobes. Mas despreza-se a investigação e o incentivo em áreas fulcrais, como são os solos, as plantas e os frutos que acompanham o homem desde que ele se conhece.
As duas Casas Regionais de Trás-os-Montes, quer de Braga, quer do Porto, funcionam e podem servir para promover debates com base na prática. Menciono estas duas mas há mais: a de Lisboa, a de Coimbra, a de Guimarães e a de Tomar. No III Congresso Transmontano, em Bragança ficou decidido realizar o quarto congresso, de cinco em cinco anos. Nunca mais se falou nisso. Para esse tipo de iniciativas não há dinheiros públicos. Mas há milhões malbaratados em administrações fraudulentas, ruinosas e sem fim à vista. Verdadeiramente dá Deus as nozes a quem não tem dentes. Ditado tão velho quão verdadeiro e actualizado em Portugal.

 

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publicado às 20:54


Cinco anos sem parança cultural

por aquimetem, em 17.11.16

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 Por: Barroso da Fonte

Só um irrequieto e talentoso espírito como o de António Alberto Alves poderia conceber e dar resposta plena a um projeto cultural com a polivalência de Traga-Mundos, com sede em Vila Real. Completou em 5 deste mês a bonita idade de outros tantos anos, impondo-se pela dinâmica, pela diversidade dos seus produtos e pela originalidade, como os seleciona, os trata e os dispõe ao público. Abriu a porta na Rua Miguel Bombarda em Vila Real, não gastou dinheiro inaugural em foguetório e em comes e bebes, não mendigou subsídios à mesa do Orçamento geral do Estado, não se pôs a jeito dos capatazes de cidade, nem se deu ao cuidado de celebrar qualquer aniversário dos cinco que já ocorreram. Neste lapso de tempo já correu «Seca, Meca e Olivais de Santarém» realizando 357 eventos, 60 apresentações de livros, 5 Encontros livreiros em Trás-os-Alto Douro. Levou longe carradas de livros, vinhos, coisas e loisas do Douro. Difundiu autores e artistas, produtos da terra Transmontana e Duriense, artefactos manufaturados pelas suas gentes,organizou e distribuiu cartazes turísticos, levou aos confins do planeta informação de pessoas e bens que de outra maneira, nem com campanhas oficiais dispendiosas surtiriam tão bom efeito. Precisamente porque a cultura tem o dom de ser assimilada, intuída e inoculada com o ar que se respira.
O criativo deste projeto original, servido em bandeja, como um sorvete no verão quente, disse na sua mensagem de mais esta etapa que ele e o seu projeto são «independentes». Não devemos nada a ninguém e, por conseguinte, o mérito é todo nosso e de todos vós, amigos e familiares, clientes e produtores, escritores e artesãos, editores e livreiros».
Confesso que ainda não passei pela Rua Miguel Bombarda, na velha mas sempre renovada e atraente capital Transmontana. Já fui, amavelmente, convidado para ali apresentar livros, para visitar as Feiras em que tem marcado presença. E recebo, pontualmente, os programas que ali ou noutros espaços culturais, a «Traga-Mundos» abanca com a sua «tralha» de livros, de vinhos, de coisas e loisas. Conheci, pessoalmente, o estruturado agente cultural na Casa de Trás-os-Montes do Porto. Falou-me em linguagem académica, em termos tais que me impressionou a sua linguagem técnica e metodológica. Diria que tem um curriculum invejável. Mas pediu-me para o tratar como um aprendiz de tudo. E até me disse que conhecia Gralhas, a seis km da minha aldeia natal, porque dali se fez à vida sua Mãe.
Dá gosto viver e conviver com este tipo de missionário das nobres causas. Sempre o suor do rosto, o saber fazer, a perseverança e a humildade a darem forma aos homens raros, que comem à noite o pão que ganharam durante o dia.
Vila Real acolheu-me entre os 12 e os 22 anos. Numa instituição que procurei honrar, tal como os meus excelentes companheiros do Seminário de Santa Clara. Amo esta cidade como se nela tivesse nascido. Relembro-a, a cada passo e regozijo-me com as estruturas de ontem e de hoje, nomeadamente das valências culturais que homens como António Cabral, Pires Cabral, Alberto Miranda, Ângelo Minhava, Passos Coelho, Otílio de Figueiredo, João Ribeiro, Salvador Parente, Joaquim de Barros Ferreira, Amaral Neves, Joaquim Ribeiro e outros que têm catapultado Vila Real para a galeria dos autores dignos de registo.

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publicado às 19:19


Mesmo sem Marcelo em Cuba. 

por aquimetem, em 14.11.16

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Hoje a mãe do meu neto Álvaro faz 39 anos que vai completar em Havana, a capital do pais onde a família Castro impera e a laboriosa aniversariante trabalha com muita dedicação. Para lá envio neste dia um forte abraço e beijinhos de pai orgulhoso pela filha que tem, e que vão acompanhados com votos de parabéns e desejo para que em ambiente familiar a data fique bem assinalada. Mesmo sem Marcelo em Cuba. 

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publicado às 11:30


Com castanhas e vinho já se anda caminho

por aquimetem, em 28.10.16

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 Por: Barroso da Fonte
Tenho pelos provérbios um enorme respeito. Minha mãe que nunca conheceu uma letra, falava pelos cotovelos e, a cada conto, acrescentava um ponto. A falta da riqueza verbal em que a nossa Língua sempre foi fértil, remediava-se com os ditos populares que diziam muito em poucas palavras. O evolucionista Lamarck provou que a necessidade cria o órgão. É a lei do uso e do desuso.
Como estamos próximos do S. Martinho, tempo em que se prova o vinho, ocorre-me falar da castanha e do vinho. Dois produtos que a terra dá, mas nem todas as terras são suficientemente férteis para darem estes dois bens essenciais, em quantidade e qualidade. O clima e a altitude exercem grande influência na produção, sobretudo do vinho. E, na mesma região, há anos em que se produz muito e bom e outros anos em que se dá pouco e de fraca qualidade, quer a castanha que o vinho. Neste ano a falta de chuva no seu devido tempo, prejudicou, parcialmente, quer a castanha quer o vinho. Mas não foi dos piores. A castanha chegou mais tarde e é mais pequena e o vinho ainda beneficiou da chuva que chegou excessivamente tarde.
Apesar destas contingências e da falta de mão-de-obra, o calendário anual cumpre-se e pelo S. Martinho, come-se a castanha e bebe-se o vinho. É a tradição no seu esplendor. Às crises climatéricas a que o homem não pode opor-se, acrescem as da desertificação e da concorrência. Antes da adesão à União Europeia apenas se importavam alguns produtos agrícolas porque os nacionais, nalguns casos, não chegavam para abastecimento do todo nacional. Com a liberalização dos mercados, o país deixou de ter falta de qualquer bem comestível e, ao longo do ano, nunca faltam produtos sazonais. De verão e de inverno há sempre muita quantidade mas pouca qualidade. Regra geral nenhum tipo de fruta ou de tubérculos, se compara àquilo que se colhe em Portugal. O próprio vinho, chega muito bem apresentado, tal como a fruta. Mas o sabor de outros tempos foi chão que deu uvas. A entrada na UE matou a agricultura, desertificou o país e empobreceu o povo.
Com este introito pretendo dizer que estamos às portas do S. Martinho, época de primazia para a castanha e para o vinho «novo». Ninguém despreza a tradição e há que mantê-la para estímulo dos mais novos que devem ligar-se aos usos e costumes.
Com esta preocupação se ocupam alguns intelectuais oriundos da «Província», que nasceram entre ouriços e salgadeiras e não querem perder essa ligação umbilical aos campos, sejam castanheiros, marmeleiros, cerejeiras ou outra qualquer árvore, cuja imagem guardam desde a meninice.
Jorge Lage é um exemplo concreto dessa peregrinação país fora, visitando soutos, recolhendo receitas em que a castanha é rei, como a cereja em cima do bolo, ouvindo provérbios, lendas e maneiras de conservar, pelo ano adiante, castanhas cruas, assadas ou cozidas. Apaixonado pela memória dos seus tempos de criança, já no entardecer da sua caminhada, fixou os olhos no valor dessa árvore e desse fruto. Já editou quatro obras, que o catapultam para especialista nacional.
Neste livro fala do desprezo com que nasce, cresce e morre o castanheiro, em qualquer pedaço de terra, ao deus-dará, sem esterco, sem dono e sem os mimos da cebola, da alface ou do tomate. Ensina ao homem como deve resistir ao clima, ao sol, à chuva e ao gelo. Como cumpre o seu destino montanhês, aceitando a vizinhança dos fetos, das silvas ou das urzes. Não dá ouvidos à florestação, à falta de regadio ou às disputas da propriedade. Não toma partido pela individualidade ou pelo coletivismo. Tanto cresce ao ar livre, encostado aos marcos, como às paredes. Indiferente à vontade humana, floresce, dá folhas, dá fruto e dará madeira da melhor que há. Os seus frutos não têm dono. São de quem os apanhar e os comer. Sem pressas e sem destino marcado. Vê passar gerações, desafia incêndios e tempestades; abriga os pastores e os animais; dá lenha para aquecer os pobres e os ricos. Sem pressas, cumpre o seu destino, durante séculos, milénios, quase parecendo o rei da biodiversidade.
Jorge Lage, transmontano de antes quebrar que torcer, nasceu no verão de 1948, em Chelas que rima com Cabanelas, sua freguesia. Talvez, nesses difíceis tempos de criança, como eu e tantos, tenha dormido à sombra dum castanheiro, quando a mãe, levando-o ao colo, teve de ir ao monte levar o almoço ao pai, que não podia perder tempo nos caminhos. Intuiu, nesses possíveis percalços da sociedade embaraçada que o Castanheiro seria o símbolo da sua firmeza, independência e durabilidade. E, talvez por isso, tenha escrito nas primeiras páginas deste seu quarto livro, sobre Maria Castanha – Outras memórias:
«O que é difícil tem outro valor. Como trabalhador de valor mínimo e de vontade máxima, não me posso queixar, porque os meus pais, sábios agricultores transmontanos, sempre me ensinaram a viver feliz e a ser feliz com pouco. A classe nobre ou erudita, sempre quis pairar acima do grosso humilde da nossa população, mesmo que isso implicasse um atropelar ou até descaracterizar das raízes da língua materna. Eu sei – acrescenta Jorge Lage – que um ou outro técnico agrário ou docente do ensino superior gostaria de se intrometer neste trabalho de recolha etnográfica e de etnolinguística, reduzindo à medida da sua visão este manto cultural que o povo teceu ao longo de nove séculos. Obra que poderá um dia ser trabalhada e urdida por etnógrafos, filologistas ou dicionaristas sérios e doutos». Mais um grande livro a merecer o pódio no mercado livreiro.
Esta mais recente novidade literária sobre a castanha,vai ser apresentada no próximo dia 12, pelas 15 horas na Sede da Casa de Trás-os-Montes do Porto, Rua de Costa Ca bral, 1037. 

 

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publicado às 10:56


Jornalistas vão ter de mudar de perfil

por aquimetem, em 20.10.16

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 Por: Barroso da Fonte

Leio esta profecia no semanário a Voz de Trás-os-Montes de 13 de Outubro. A novidade chega-me no mesmo instante em que se anuncia o nome do vencedor do prémio Nobel da Literatura: Bob Dylan. Tal como os músicos vão ceder o primado artístico aos poetas, também os comentadores políticos vão destronar os jornalistas que terão de encarnar o papel de bibliotecários ou tarefeiros. Quem anunciou esta evolução semântica foi Ricardo Jorge Pinto, diretor adjunto de informação da Lusa na palestra de abertura do Curso de Pós-graduação, em Jornalismo Regional UTAD/Lusa que decorreu dia 9 em aula aberta na Universidade Transmontana.
Conservo deste académico e comentador televisivo uma boa imagem pela forma clara como se exprime, pelo equilíbrio do seu discurso e pela simplicidade do seu modo de estar. Pertence à geração que se seguiu à minha, nos domínios da comunicação. Foram posturas como a sua que deram seguimento aos contributos que as várias associações criadas no meu tempo e os vários poderes que se sucederam a formatar o status quo que hoje enfrentamos. Face aos exageros ideológicos, à ganância no acesso ao domínio empresarial e à proliferação dos compromissos éticos, a moralidade informativa foi absorvida pelo poder económico.
O jornalismo não ficou incólume. E seus servidores foram as maiores vítimas da atual geringonça.
Ser jornalista foi vocação de muitos, mas ocupação séria para muito poucos. Basta olhar para a biodiversidade social, para perceber que muitos se formaram para apóstolos da verdade, mas muitos tiveram de trocar o «quarto poder, pelo quarto do poder». Neste moderno aforismo se condensam todos os ingredientes dos maiores escândalos, nestes 40 anos de democracia.
Na última semana, dia 7, o GI (Gabinete de Imprensa de Guimarães), primeira associação criada (em 3/3/1976) após a revolução de Abril, assinalou quatro décadas dessa associação que foi o fermento da maior parte das medidas moralizadoras do sector. O GI convidou o ex-líder do PS, José António Seguro, para uma palestra sobre « transparência e reforma eleitoral». No dia seguinte a Lusa surgiu nos órgãos da informação com um naco de prosa de inspiração ideológica, a quatro colunas, mas nem uma palavra a falar do aniversário ou do aniversariante. O cerne do evento não foi o antigo secretário-geral, mas os 40 anos de uma associação de utilidade pública. Mas nenhum leitor, de qualquer jornal ou revista, soube da instituição que acolheu essa cerimónia, nem o motivo porque se deslocou a Guimarães. Tal-qual o exemplo que esclarece um qualquer candidato a jornalista: «se o cão morde o homem, não é notícia. Mas, se o homem, morder o cão, é notícia, de certeza».
Que anda tudo invertido vê-se, ouve-se e comenta-se. Que os jornalistas foram substituídos por comentadores das mais variadas atividades, constata-se em cada dia que passa. Que todos os canais televisivos ou radiofónicos dizem o mesmo nas notícias, às mesmas horas e com os mesmos intérpretes é indesmentível. Só mudam as caras, os cenários e o tom de voz. Os jornalistas que têm os direitos de autor nos artigos que escrevem, perdem esses direitos logo que entregues à redação dos jornais ou das rádios. Os profissionais da imprensa que apostaram em cursos superiores para exercerem aquilo que aprenderam e que o Estado e as Famílias investiram. Mas o próprio Estado permite e facilita todas essas manobras antidemocráticas em nome da liberdade de expressão e de empreendedorismo.
O exemplo que acima relato e que se passou na presença do signatário, implicando a Lusa, transporta-me aos tempos do PREC, em que valia tudo, desde a RTP à agência nacional de Informação (desde a ANI à ANOP). Na qualidade de diretor da Delegação do Norte da então Direção-Geral da Comunicação Social, fui vítima dessa maleita revolucionária. Quem não fosse da esquerda radical era enxovalhado. E eu, encontrando-me no meu gabinete de trabalho, na Rua de Santa Catarina, tive de «gramar» na RTP a notícia de que o «Delegado da DGCS será hoje julgado à revelia por ação movida por A. Garibáldi». A mais pura ficção num país em busca da liberdade. Prezo-me de ter contribuído, de diversas formas, para o Portugal com que sonhei e que, infelizmente, ainda me envergonha num setor que me absorve desde há 63 anos de militância jornalística.
Não culpo Ricardo Jorge Pinto, embora ele seja diretor adjunto da Lusa, herdeira da ANI e da ANOP. Mas desagradou-me a notícia que li, dia 9 do corrente. Na aula de abertura na UTAD «fez o retrato da evolução do setor, desde o iluminismo até aos nossos dias..O jornalismo da notícia, da total isenção, mas sobretudo da objetividade … está sendo abandonado. Objetividade é hoje um conceito perigoso, pois há sempre uma componente subjetiva na visão dos factos».
Partilho inteiramente desta visão do jornalismo que por aí se faz. E partilho também que «o perfil do jornalista vai ter de mudar. Terá de ter qualificações multimodais: saber escrever, paginar, fotografar, dominar tudo, mas ser também especialista em alguma coisa».
Devolvo ao jornalismo e aos jornalistas integrais o que sempre fizeram e continuam a fazer. Ainda são eles que seguram a transparência que vamos tendo. Têm falhado todos os líderes e em todas as profissões. O que custa é constatar que esses líderes, cada vez mais mais, usurpam as áreas e as competências dos jornalistas, quando se sabe que não o fazem para melhorar a transparência, antes pelo contrário.

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publicado às 11:01


O 13 de Outubro

por aquimetem, em 13.10.16

 

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No dia 13 de Outubro de 1917 os três pastorinhos,  Lúcia dos Santos, e os primos Francisco e Jacinta Marto, respetivamente  de 10, 9 e 7 anos de idade afirmaram ter visto “ uma senhora mais branca que o Sol” sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, lugar de Aljustrel, pertencente ao concelho de Ourém, distrito de Santarém, Portugal. - Assim recolhi da Wikipédia, a enciclopédia livre. Era o fim de uma sucessão de aparições que se vinha repetindo desde o dia 13 de Maio desse mesmo ano, aparições portadoras de mensagens dirigidas aos homens de todo o mundo, pela boca da Irmã Lúcia relatadas. Só na aparição de 13 de Outubro a “senhora mais branca que o Sol” revelou ser a Nossa Senhora do Rosário.

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 A fama espalhou-se por todos os continentes e não demorou que cedo a Igreja respeitasse e acolhesse a mensagem que os fieis lhe impuseram aceitar. Não foi a Igreja que deu origem a Fátima, foi a fé e a piedade dos cristão, quem impuseram Fátima à Igreja Católica. 

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 E não foi de ânimo leve que o aceitou, só mesmo quando deixou de ter dúvidas sobre a veracidade dos relatos feitos pelos Pastorinhos, é que assumiu a direção espiritual e administrativa do que é hoje o Altar do Mundo.  

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Já assisti lá a muitas cerimónias, a ultima foi no passado dia 5; e das muitas, três foram com a presença Papal: Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Para o próximo ano está prometida a presença do Papa Francisco, a 13 de Maio.

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Se por intercessão de Nossa Senhora conseguir arranjar canto para me posicionar nesse dia lá estarei também, no Centenário das Aparições.

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Preparar o ambiente para então receber o Santo Padre, o Papa Francisco, neste 13 de Outubro veio presidir à Peregrinação, o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que convidou os católicos a rejeitar a corrupção e mentira, como noticia a Ecclesia. Por certo que leva de Fátima boas recordações para contar ao Papa Francisco.

 

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publicado às 21:14


Revisitando as Terras do Demo

por aquimetem, em 08.10.16

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 Por: Barroso da Fonte

No penúltimo dia de Setembro, tórrido, mas propício ao vislumbre paradisíaco duriense, revisitei com António Xavier e Vitorino Costa um roteiro geográfico de soberba grandeza: Guimarães, Régia, Trevões, Anta, Penedono e Prova. O dia foi pequeno para alongar a visita a Vila Nova de Paiva, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Aguiar da Beira. Havia lido uma expressão feliz: «Terras do Demo, esquecidas por Deus, eternizadas por Aquilino». Mas li nessa mesma fonte, online, que «chegar às Terras do Demo já não é tão difícil como nos tempos de Aquilino Ribeiro», quando se fazia essa viagem por «lanços perigosos e ziguezagues mortais»
Quando li o roteiro das Terras do Demo localizado no Lifecoolor, «largava-se de Viseu pela tardinha e ia-se para o cabo do mundo. Mas agora basta meia hora para chegar da capital a Vila Nova de Paiva, uma das portas deste território, por onde nem Cristo, nem el-rei, passaram».
O trio que partiu com «vontade de ir à «Prova», fazer a prova da vinha e dos vinhos, do «companheiro de luta», Prof. José Mário Lemos Damião, adiou o programa para um novo dia.
Em Trevões visitámos o Museu de Arte Sacra, que nos comoveu pela eficiente disposição e pelo empenho com que se fez dessa vila um centro de cultura e de atracção turística. Também a lindíssima e histórica igreja de Santa Marinha, com o túmulo do vice-Rei da Índia Francisco de Almeida, em 1625. E toda a zona envolvente ao centro histórico. Uma lição de civismo, de bom gosto e de respeito pelos visitantes que não podem deixar de render-se a esse museu que é todo esse agregado populacional. Esta freguesia pertence a uma zona de Planalto. Faz parte do concelho de S. João da Pesqueira e da zona demarcada do Douro. Nesse limpíssimo centro histórico existe uma tradicional habitação adquirida pelo conhecido político Eurico de Figueiredo. Bons gostos. É um primeiro espaço do feio-belo que essa encosta sul do Douro proporciona ao viandante.
António Xavier que foi em dois mandatos Presidente da Câmara de Guimarães,e que fez sua zona histórica, o primeiro Centro Histórico do país, repetiu aos dois vereadores e deputados que compunham o grupo, esse pioneirismo da Cidade Berço. Recorde-se que esse estatuto de pioneiro dos Centros Históricos (1975-1012), viria a transformar Guimarães em Património Cultural da Humanidade e em capital Europeia da Cultura (2012). Em Trevões não deixámos de anotar o centro de interpretação histórico-religioso, a que estiveram ligados vários sacerdotes, de entre os quais o Padre Amadeu da Costa e Castro. São figuras como estas e obras como aquela que ali se pode ver que tornam grandes as pequenas vilas ou cidades.
Aí nos esperava o Dr. Lemos Damião que nasceu na freguesia de Prova (Mêda) e, foi mestre de milhares de outros professores, do Ensino Primário e Secundário, na qualidade de fundador e de Presidente da Associação Nacional de Professores (ANPEB). Terá sido o cidadão mais mediático da sua geração. O seu espírito revolucionário, no sentido positivo do termo, fez com que colocasse a sua irreverência, o seu estro criativo, a sua ânsia de mais e de melhor, para bem-estar da sociedade. Nasceu na Prova e fez o Magistério Primário,em Vila Real, deslocando-se, como docente para Guimarães, onde gerou trabalho, dando largas à aventura de criar sete novas empresas e de chamar amigos e profissionais sérios para celebrar parcerias. Com sucesso numas e desaires noutras, criou postos de trabalho, gerou riqueza e, sem esquecer as origens, formou família, nunca virando a cara à luta. A freguesia de Prova (nome da freguesia) tem hoje estruturas suas e comunitárias que bastam para o proclamar cidadão do mundo.
Conheci, pessoalmente, este grande Senhor, quando, em 1967 casei em Guimarães. Tornámo-nos amigos e párias da mesma causa ideológica. Ele mais político do que eu. E eu mais fadado para dar testemunho, como jornalista, das causas alheias. Lemos Damião chegou a ser nos seus 19 anos de Deputado da AR, a terceira figura do Estado, como Secretário da Assembleia da República. Fez parte de muitas e nobres causas nacionais, sobretudo na área da Educação, criando a ANPEB. Foi uma espécie de anjo protetor dos docentes do ensino básico e Educadoras de Infância. E foi meu colega no executivo da Câmara de Guimarães, (1986-1990), feudo socialista, onde António Xavier foi Presidente, em 2 mandatos. Lemos Damião, Fernando Roriz e o signatário, pela primeira e única vez ganhámos, por 118 votos a Câmara da então autarquia mais populosa a norte do Rio Douro
A convite desse pedagogo, viajámos, pelas terras do Demo, em busca da vinha e dos vinhos, deste político de raiz, conduzidos por outro deputado do ex-PRD, doutorado pela Universidade de Santiago de Compostela: Vitorino Costa. Ambos foram coautores da ANPEB, coetâneos no Parlamento e na Assembleia Municipal de Guimarães. Estes e outros amigos, vivemos o nosso entardecer social, visitando terras, sítios de cultura e espaços de liberdade que reforçámos na freguesia da Prova, numa espécie de ante-câmara do paraíso.

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publicado às 22:08


Dois de Outubro

por aquimetem, em 02.10.16

 

DSCN0003.JPG

Uma foto tirada em dia dos Santos Anjos da Guarda, 2 de Outubro,  da janela do espaço onde dou corpo aos meus arrazoados. Com objectiva mais abrangente.

 

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