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Não é jornalista quem quer

por aquimetem, em 19.02.17

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De Barroso da Fonte

 E o jornalismo é uma atividade que deve estar imunizada contra os vírus sociais, comerciais e políticos. Sem jornalismo sério, isento, oportuno e espevitado, a democracia não funciona na sua pureza original.
O conceito de Jornalista anda adulterado por razões políticas.
Na década de oitenta do século passado deram-se passos decisivos em Portugal para regulamentar o seu exercício, colocando-o no patamar que lhe compete. Tal tarefa não foi fácil mas foi meritória. Em consequência dela mudaram-se muitas atitudes sociais, extinguiram-se alguns vícios e desbloquearam-se meios tecnológicos e até mentais. Alguns órgãos de informação acabaram, outros os substituíram e o sector evoluiu, nuns casos para melhor, noutros casos para pior.
Passado um quarto de século olha-se para trás e nota-se que nem tudo foi bom. Sobretudo na proliferação do conceito de Jornalista e do seu exercício. Desprezou-se o primado do essencial, em relação ao supérfluo. O que não tem interesse de maior para a felicidade dos cidadãos, sobrepôs-se aos valores absolutos que não devem, nem podem, perturbar o primado da democracia.
Os órgãos de informação deixaram de ser, veículos de uso permanente ao serviço de todos, para serem armas de arremesso dos poderosos contra os indefesos. E para que essa tramoia vingasse,onde deviam colocar-se jornalistas colocaram-se jornaleiros,em vez de técnicos da escrita,escolheram demagogos, panfletários de palavras ocas, talhadinhas ao gosto dos mandantes.
Resultado: o papel que cabe aos jornalistas e ao jornalismo, retirou-se do léxico da profissão e da sua serventia,para se entregar a comissários políticos que povoam as televisões, as rádios e os jornais do jetset.
As Universidades passaram a formar jornalistas, ensinando o abc da profissão. Mas os mercados estão pejados de comentadores residentes,que faturam por processos ínvios,os serviços prestados à margem de leis que alguns deles ajudaram a fazer.
A opinião pública vive intoxicada com debates grotescos,pífios e rafeiros. De manhã à noite, de todos os dias, em todos os canais que justificam a sua existência com informação pura, nada de novo, porque se repetem as caras, se ouvem as mesmas vozes, se multiplicam os insultos.
A Comissão da Carteira Profissional,de dois em dois anos, informa os seus legítimos detentores com esta assertiva linguagem:
«a CCPJ lembra que o exercício da atividade jornalística sem título profissional válido constitui contra-ordenação punível com coima de 1.000 a 7.500 euros». E avisa mais: «A admissão ou manutenção de pessoas, por parte das empresas, para o exercício da atividade jornalística, sem que, para tanto, estejam legalmente habilitadas, constitui uma contra-ordenação, punível com coima de 2.500 até 15.000».
Todos os dias lemos, sobretudo nos Jornais diários, deputados que se dão ao luxo de aporem junto à foto, para impressionar: nome, acrescido de: «deputado e professor universitário». Nas televisões chegam a constar nas fichas técnicas. Nos casos de comentadores «residentes»,auferem verbas regulares pela sua presença. Em todos os casos há um atropelo ao Estatuto jurídico da Comunicação Social. Se não houvesse jornalistas capazes, ainda se tolerava. Mas com tantos profissionais no desemprego, por que não acabar com acumulações esdrúxulas,injustas, antidemocráticas e,sobretudo, a com cheiro a esturro.
Vivo numa cidade que na última década do século passado tinha sete jornais. Hoje tem três. E um desses apareceu há um ano para ser a voz do partido do poder. Mas o poder nesta cidade está tão enraizado, tão entranhado, tão viciado que mais parece o partido único de outros tempos. Pois esta cidade e este partido único acabam de ser confrontados com um novo jornal, cujo estatuto editorial é assinado por Armindo Costa e Silva, acrescido de Presidente da Comissão Política Concelhia do PS. Este senhor é, nem mais nem o menos, o administrador do SMAS que se traduz por Serviço Municipal de Águas Saneamento.
Tem o título de «Guimarães merece – Jornal do Partido Socialista de Guimarães – Janeiro de 2017» Tem 16 páginas, todo a cores e em tudo é um órgão que só peca por não ter ficha técnica.
É,pois um jornal sem registo, sem depósito legal, sem domicílio e, certamente, vem poluir a cidade, já de si muito poluída a todos os títulos.
Saberá a ERC- Entidade Reguladora da Comunicação da existência deste novo periódico que se presume mensal?
Se a moda pega e não há organismos que controlem esta bandalheira, qualquer dia há charlatanice em vez de informação, há ofensas onde deverá existir civismo e há desordem onde apenas deve haver disciplina.

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publicado às 12:34


Há de tudo em Trás-os-Montes

por aquimetem, em 14.02.17

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Via Barroso da Fonte, veio-me ao conhecimento que no próximo sábado dia 18, ás 16h00, a Âncora Editora vai lançar mais uma obra de um transmontano que também no mundo das letras tem representação. No acto que vai decorrer no Café Império, Av. Almirante Reis, 205 A/C, Lisboa, estarão como apresentadores os Professores Doutores Boaventura de Sousa Santos e João Madeira. Há de tudo em Trás-os-Montes.

ALÍPIO DE FREITAS nasceu a 17 de Fevereiro de 1929, em Bragança, onde frequentou o seminário. Ordenou-se padre e, na década de 50, foi pároco de Guadramil e Rio de Onor e director de uma Escola de Artes e Ofícios. Parte para o nordeste do Brasil, em 1957, onde lecciona História Antiga e Medieval na Universidade de São Luís do Maranhão e é vigário de uma paróquia de subúrbio. Em 1958 ajuda a fundar a Associação dos Trabalhadores Agrícolas do Maranhão e em 1960 junta-se às Ligas Camponesas, de que foi secretário-geral. Em 1962 participa num comício pelas reformas de base, no Rio de Janeiro, e aceita um convite para estar presente no Congresso Mundial da Paz, na URSS, rompendo, no ano seguinte, com a Igreja. Nesse ano, durante a campanha eleitoral de Miguel Arraes, é sequestrado pelo exército e preso durante 50 dias. Em risco de ser deportado para Portugal, onde também seria preso por participar na recepção a Humberto Delgado e em outras actividades políticas contra Salazar, adquire a cidadania brasileira. Em 1963 é novamente preso, em João Pessoa, no 1.º aniversário da morte do líder camponês João Pedro Teixeira, por causa de um discurso proferido na Universidade da Paraíba. No Rio de Janeiro torna-se secretário-geral da recém-fundada Frente de Mobilização Popular, que congregava grupos de esquerda. Refugia-se na embaixada do México, aquando do golpe militar em 1964, e exila-se nesse país, seguindo para Cuba, onde recebe treinamento político-militar de guerrilha. Em 1966 participa na organização de movimentos guerrilheiros em diversos países da América latina e regressa clandestino ao Brasil, onde integra o movimento armado do partido dos trabalhadores, por ele formado. Volta a ser preso, em Maio de 1970, onde é sujeito a todas as torturas que denuncia no seu livro Resistir é preciso, publicado em 1981. É libertado em 1979, no dia do seu 50.º aniversário. Sai da prisão apátrida. Em Portugal, Zeca Afonso conta a sua história na canção “Alípio de Freitas” (1976). Em 1981 vai para Moçambique trabalhar num projecto agrícola. Regressa a Portugal, em 1984, e torna-se jornalista na RTP. Funda a Casa do Brasil de Lisboa, em 1990. Em 1994 trabalha na Associação Terras Dentro. Foi presidente da Associação José Afonso e é membro dos corpos sociais das Associações: Abril; Mares Navegados; e Casa Grande. Participou no “Fórum Social Mundial”, em diversos países. Pertence ao Movimento dos Sem Terra (MST) e às Ligas dos Camponeses Pobres (LCP), das quais foi eleito Presidente de Honra. A Frente Internacionalista do Movimento dos Sem Tecto deu o nome “Padre Alípio de Freitas” a uma ocupação urbana, situada em frente às instalações da DOPS, onde esteve preso e foi torturado. Foi paraninfo de Gilberto Gil, quando lhe foi atribuído o grau de doutor honoris causae, pela Universidade Lusófona, onde leccionou. Em 1996, o Presidente Jorge Sampaio atribui-lhe a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.

 

 

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publicado às 11:55

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Por: Barroso da Fonte


Dia 25 do corrente a Academia de Letras de Trás-os-Montes, reúne em Assembleia Geral ordinária, com uma ordem de trabalhos que, não sendo de fim de mandato, se deseja muito participada pela importância de alguns pontos agendados que se afiguram essenciais para o futuro da Instituição.
A convocatória já foi expedida online para todos os associados. Dela constam cinco pontos, cada qual o mais relevante. No ponto prévio a direção esclarecerá algumas dificuldades que a experiência demonstra serem inevitáveis, mercê do exíguo estatuto que normalmente deve ser esclarecedor e complementado por um regulamento interno que ainda não existe.
A experiência sugere-nos que a direção deve prever que os órgãos sociais, muito especialmente a Direção, deva ser alargada de 5 para sete ou nove elementos, dois dos quais para suplentes. A Academia nasceu em Junho de 2010. Apenas se fixaram 5 elementos para a direção, 3 para a assembleia geral e 3 para o conselho fiscal. Numa associação local, se os mandatos forem de dois anos, poderá acontecer que, um ou dois, possam ficar doentes, ou ausentes, ao mesmo tempo. Com três ainda há quórum. Mas em mandatos de 3 ou mais anos e num universo de sócios, com residência em todo o território nacional, inclusive no estrangeiro, pode acontecer que não haja, ao constituir as listas, a preocupação ou a recomendação de acautelar esses imprevistos e confrontar-se - neste caso a Academia - com situações embaraçosas de ser necessário o recurso a membros suplentes.
Numa coletividade local pode, em último caso, alterar-se o dia, a hora e o local. Não implica viagens de véspera ou noturnas. Já em comunidades com membros diretivos residentes em Lisboa, em Coimbra, ou mesmo do Porto, que tenham de garantir o número correto de presenças, nalguns casos pode ser uma violência, para quem trabalha graciosamente e ainda tem de suportar encargos de vária ordem.
A Academia de Letras de Trás-os-Montes foi uma ideia louvável por parte de quem se lembrou desse projeto. Pensou mais nos outros do que em si próprio, graças ao espírito gregário de solidariedade, de companheirismo e da entre-ajuda.
Teve um início fulgurante que se traduziu na adesão pronta, de muitos e qualificados académicos, tendo à cabeça as representativas figuras do Professor Adriano Moreira, Ernesto José Rodrigues, Amadeu Ferreira, Hirondino Fernandes e muitos outros ilustres associados. No presente mandato, aderiram já 80 novos membros e, muitos mais poderão aderir se, a Academia continuar viva e ativa.
Para tanto muito contribuiu a Câmara Municipal de Bragança que desde a primeira hora franqueou espaço e meios logísticos para ela se emancipar. Logo celebrou protocolos com outras congéneres nacionais e estrangeiras, tudo levando a crer que possa cumprir dignamente os fins para que foi criada.
Contudo, nem tudo correu bem, a começar pela morte de um dos mais talentosos investigadores portugueses: Amadeu Ferreira. Surpreendeu tudo e todos. Se tão notado desaparecimento afetou a Instituição, da qual foi o primeiro presidente da Direção, outras consequências advieram dessa ausência. Ernesto Rodrigues, fulgurante académico, que substituiu Amadeu Ferreira, na Direção, tal como este, viviam em Lisboa, onde ambos brilharam, honrando a Academia de todos aqueles que entretanto foram aderindo. Um terceiro membro, igualmente qualificado, António Tiza, que muito dera nos primeiros tempos, sentiu-se, como vice-presidente, um tanto isolado e, invocando trabalhos académicos, em curso, foi perentório, a preferir eleições antecipadas. Esse segundo mandato ficou, sensivelmente, a meio. E, em 6 de Junho de 2015, realizaram-se eleições, fora do tempo habitual que é, por via de regra, até 31 de Março de cada ano.
Os atuais corpos diretivos foram eleitos e empossados em 6 de Junho, pelo que só nessa data, eles completam dois dos três anos de mandato.
Entretanto dois dos cinco elementos da Direção, por razões pessoais que os próprios, melhor do que ninguém, saberão dar, na altura em que entendam fazê-lo, pediram a demissão, em tempos diferentes. Foram eles o vice-presidente Dr. José Mário Leite e a Tesoureira, Drª Maria Idalina Brito. Como a assinatura de ambos era obrigatória, junto da entidade bancária, a Academia deixou de poder cumprir para com os credores.
A direção passou a ter apenas três elementos: o Presidente, o secretário e um vogal. Se todos pudessem garantir assiduidade e empenhamento, talvez os corpos gerentes pudessem concluir o mandato, pelo menos, até 31 de Março de 2018. A Assembleia Geral e o Conselho Fiscal, são solidários com a Direção, porque todos querem o melhor para a Academia. Mas a próxima assembleia geral deverá, no ponto prévio, expressar a sua vontade, sem ambiguidades ou resistências de qualquer um dos três órgãos: 1) ou se marcam eleições para a data mais próxima que a AG entenda ou 2) se cooptam dois ou mais novos membros para substituir as duas vagas geradas por demissão voluntária.
A razão da Assembleia Geral destina-se, essencialmente, à apresentação, discussão e aprovação do relatório e contas da gerência do ano anterior, à proposta de aprovação de cinco sócios honorários, à eleição de um grupo de 3 ou 5 sócios para estudar e propor um Regulamento interno e, finalmente, ao plano de atividades para o ano de 2017.
Deixamos esta notícia que entendemos útil, necessária e prática, para evitar que se publique um anúncio, num ou mais jornais, como publicidade paga. A Academia está a dar os primeiros passos. São compreensíveis os acertos, comuns a tudo aquilo que é obra humana. As receitas são exíguas e
por isso temos de economizar nos meios de que dispõe, sempre que isso seja possível.
Até dia 25, em Bragança, pelas 10 horas da manhã.

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publicado às 19:52

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Por: Barroso da Fonte

O atual governo tinha prometido reverter, praticamente, tudo aquilo que o governo anterior fizera.
Um governo que faz promessas desse estilo revela mais ódio do que bom senso. Porque mexe com pessoas, com serviços, com estruturas que custam balúrdios ao erário público e, para desfazer o que foi mal feito, destrói trabalho, esbanja o que estraga e consome, com vinganças, novas somas de dinheiro que seria muito mais útil em serviços inexistentes. Esse hábito de desfazer quem chega, o que o anterior deixou feito, é, declaradamente, um grave erro. É um erro pior do que aquele que pretende corrigir.
Recentemente a Câmara de Lisboa resolveu inutilizar a ampla Avenida da República e introduzir um novo figurino que, a avaliar pelos testemunhos que os media repercutiram, não facilita a circulação de pessoas e de viaturas. A centenas de milhões que ali foram investidos dariam melhores frutos se investidos na construção de casas para os sem-abrigos. Só que as eleições na apetecida Câmara de Lisboa não se ganham com a resolução de situações sociais, mas materiais. Têm que ser espaços de fachada opulenta e com um centro propício à colocação de uma placa vistosa para esculpir o nome do político que ordenou esse seu desejo.
O exemplo de Lisboa simboliza o que se passa em qualquer vila ou cidade de outras zonas do País.
Em Guimarães, onde vivo, com os 111 milhões destinados à realização da Capital Europeia da Cultura, deu-se um reboliço que mexeu com todos. Cometeram-se dezenas de erros urbanísticos de toda a ordem. Esse programa europeu ficou na retina de quem viu e gostou de dois espetáculos primorosos: a inauguração e o encerramento. Tudo o mais foi fachada, maquilhagem, confusão urbanística e um amontoado de ideias e de projetos, dos quais resultaram frustrações, falências, logros, numa palavra: um fiasco.
Em 2009, quando foi feito o anúncio da CEC, Guimarães vibrou de euforia. Quando se soube que viriam 111 milhões, anunciados pela então ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, todos os comensais da área do poder, esfregaram as mãos de contentes porque tanto dinheiro nunca mais acabaria. A cidade acordou como se tivesse acontecido algo de fantástico. Tal desarrumação durou até 2012. E para qualquer reclamação vinha a desculpa: tenham paciência,isto é por causa da CEC.
Ora da CEC ficaram na retina apenas dois momentos: a inauguração e o encerramento. Dois espetáculos de excelência que iludiram milhões de tele-espetadores. No meio desses programas e programinhos houve quem vendesse prédios urbanos, devolutos, condenados a ruínas de longo curso, para museus, casa de estudantes, laboratórios da paisagem, albergue de arquitetura, casa da memória...
De Lisboa, Porto e arredores chegaram técnicos, formaram-se orquestras, editaram-se mais de uma centena de livros e publicações cor-de-rosa.
Seis anos depois ainda há processos de indemnização para resolver. Só um desses reclama 400 mil euros- A viatura do Presidente da CEC, apodrece num parque da Oficina. Foi o JN que a mostrou.
Meia dúzia de mamarrachos às moscas. A Casa da (triste ) Memória, já tem montões de queixas.
O gabinete de imprensa para liderar essa opulenta comandita funcionava em Lisboa. Constituiu-de uma Fundação para gerir essa panóplia de intenções. O partido do poder que já tinha poderes a mais, reforçou essas lideranças. Toda a gente ganhava dinheiro pelas vindas à cidade para a qual traziam ideias e levavam prémios. Dizia-se à boca cheia que a CEC publicou mais de uma centena de livros. Esses livros terão vindo e voltado com quem os coordenou. Nós que somos pessoa de livros quisemos comprar uma coleção dessa centena. Nunca soubemos onde encontrá-los.
Soubemos que uma boa parte desses livros estiveram armazenados, ao longo de anos. Publicava-se um ou outro. Mas ninguém tinha acesso a eles. Só para os amigos.
João Serra que foi o chefe da Casa Civil do Dr. Jorge Sampaio, quando este foi PR, terá ficado desempregado. E o chefe, por solidariedade, deve tê-lo convidado a acompanhá-lo. Como A. Magalhães, ao seu estilo ditatorial, saneou Cristina Azevedo, da Presidência da CEC, por esta ter admitido o Dr. Ricardo Rio por um contrato de seis meses, ela deixou o lugar para o Prof. João Serra. Sempre a família política a gozar com o dinheiro de todos. Volvidos seis anos esse processo do saneamento, na altura mediado pelo Dr. Jorge Sampaio, com a sua capa partidária, diluiu a gravidade do despedimento selvagem. Cristina voltaria para a CCRN e a CEC pagaria a diferença de salário. Só que como disse ao JN o vereador da Cultura, de Guimarães, o dinheiro da CEC (ou da Câmara), guardado para essa indemnização, entretanto, foi gasto noutros fins. E Cristina Azevedo, é, desde aí, colunista residente do JN. Exige ela 400 mil euros para que Magalhães e o Conselho de Opinião durmam sossegados. O diferendo prossegue, na exata dimensão da CEC que tem meia dúzia de mamarrachos às moscas nos quais gastou muitos milhares de Euros.
Apesar destas cumplicidades de muitos implicados, José Serra, no flash do JN de 21 de Janeiro veio elogiar a CEC e o Vereador da Cultura da Câmara de Guimarães. Num corajoso gesto de agradecimento político, não se coibiu de defender o passado cultural de Guimarães ao afirmar que «foi (a CEC) uma excelente aposta, bem como a Casa da Memória». Disse mais: «Penso que a CEC foi um momento que potenciou, pelo menos, duas décadas de política cultural consistente».
O 2º Presidente da CEC, nos cerca de 3 anos que esteve em Guimarães, não investigou a verdade. Investigou apenas aquilo que lhe interessou dizer pelo emprego que lhe entregaram por causa do saneamento da sua antecessora. Irei demonstrar isso em livro em preparação.

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publicado às 18:41


António Costa tem mau perder

por aquimetem, em 25.01.17

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 Por: Barroso da Fonte

Quem acompanhou o último debate parlamentar, dia 17 de Janeiro, deve ter-se rido a valer, com o cinismo com que o primeiro ministro liderou essa tarde de sol de inverno. Tinha chegado da Índia, feliz com o regresso desses pedaços de Portugalidade, que guardam, a sete chaves, expressões linguísticas que são o nosso orgulho. Gostámos das imagens de Goa que deixámos nos meados do século passado. Presumo que terá valido a pena essa romagem de saudade e de orgulho quinhentista. O futuro o dirá. Ainda com esses sabores orientais nos lábios, falou pelos cotovelos no primeiro debate parlamentar do ano. A dado passo acusou o líder parlamentar de que «tinha mau perder». Passos Coelho gostou dessa afronta porque Costa estava a ver-se ao espelho.
-Então não foi o Senhor que afrontou, com esse mau perder, a anormalidade democrática, ao celebrar um acordo contra nature, com toda a esquerda, rejeitando quaisquer conversações com a direita? Não foi por essa via que chegou a primeiro ministro, cargo a que nunca ascenderia, porque perdeu as eleições que eu ganhei? Quem acusa quem? Nem com essa farsa picaresca, fruto do mau perder, António Costa moderou o tom da sua vozearia. Assunção Cristas chamou-lhe mentiroso com todas as letras. A primeira inverdade ficou no ouvido dos ouvintes: - que o acordo com Concertação Social entrava em vigor no dia seguinte, quando apenas deverá vigorar a partir de 1 de Fevereiro. Se vigorar! Em segundo lugar ao garantir que esse acordo estava assinado por todos os intervenientes, quando, pelo menos três deles, ainda não tinham assinado. Tinha António Costa a intenção. Mas ele sabe, como jurista, que uma coisa é o facto e outra é a intenção. Para saber isso nem é preciso ir a Coimbra. Como as mentiras dos políticos valem mais do que as verdades de muitos que os elegem, como é o exemplo dos deputados, António Costa prosseguirá o seu passeio, de braço dado, com a esquerda e com o guarda-chuva Presidencial. Quando o guarda-chuva lhe fugir com o vento, Costa ainda vai ter que engolir: - Volta José Seguro que estás perdoado...
O deputado Europeu Nuno Melo, no JN de 19 seguinte, clarificou a geringonça em que António Costa se enrolou e nos enrola todos os dias, como acaba de acontecer com a retirada daquilo que é nosso: o dinheiro sagrado dos reformados e dos funcionários públicos no ativo.
Voltando às Geringoncices de Nuno Melo: «mandaria a prudência que, pretendendo o PS uma solução com a Concertação Social, que violava necessariamente as garantias dadas ao BE e ao PEV, António Costa, ao menos, chamasse Passos Coelho e Assunção Cristas às conversações. Mas não. Em outubro de 2015, quando o PSD e o CDS queriam formar Governo, por terem vencido as eleições, Carlos César dizia que, na falta de maioria, Passos Coelho era obrigado a "dialogar com o PS", não podendo "tratar o PS como se fosse o CDS". Perceba então o PS que o CDS e o PSD também não são o PCP, o BE ou o PEV. Felizmente. Se têm a maioria, governem-se. E já agora, governem». Aquilo que os Portugueses querem é que o país viva em paz social. Nada tem faltado a essa paz social, graças, sobretudo, ao Presidente da República. Parece ser inata essa bonomia Marcelista. Mas com outro PR que se remetesse ao silêncio, não fosse tão beijoqueiro e, sobretudo, não se vestisse de Pai natal e de bombeiro voluntário em cada percalço que se adivinha, António Costa não teria a paz social que a providência presidencial antecipa, como se de «milagres» se tratasse.
Desta vez esse providencialismo terá dificuldades em sobrepor-se ao anúncio que o PSD já tornou público. O CDS fica-se pela abstenção. Se António Costa não tivesse criado a geringonça, a oposição deveria viabilizar o acordo da Concertação Social. Como, para chegar a primeiro ministro, rastejou até consumar o «casamento», tem o dever de entender-se com a pareceria a quem se entregou para quatro anos. O povo tem princípios filosóficos para este tipo de litígios: «quem lhe comeu a carne que lhe coma os ossos».

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publicado às 12:48


Até para morrer é preciso ter sorte

por aquimetem, em 13.01.17

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Por: Barroso da Fonte

 Nascer e viver são destinos de tudo e de todos aqueles que têm vida. Como as flores estiolam depois de embelezarem a natureza, assim as pessoas que se sucedem em circunstâncias que não conseguem controlar.
Escrevo esta crónica num domingo soalheiro. O país está de luto. Não por morrerem muitas pessoas. Mas por morrer Mário Soares. Não foi por castigo divino porque Deus não é vingativo. Nem por ser republicano, socialista e laico. Morreu porque o seu prazo de validade acabou aos 92 anos de idade. Até nesta sua última batalha foi feliz, porque nada lhe faltou. Teve tudo aquilo que era possível ter. Dignidade.
No momento em que dedilho estas palavras aparece no ecrã do computador, via Público, este dístico: «Soares morreu. Começa agora o combate da imortalidade».
Ora aqui está: não é preciso ser católico para se obter a imortalidade. O que é preciso é ter sorte. Mário Soares era filho do Padre João Soares. Nada lhe faltou na vida, a confirmar que «não custa viver, o que custa é saber viver». Mário Soares soube viver. E por isso vai ficar na História de Portugal. Só por coisas boas? Só por ser revolucionário? Só por ser honesto e pacífico?
Antes que escorregue neste labirinto de congeminações satânicas, vou lembrar outras mortes que ocorreram no mesmo espaço temporal. De entre essas só outro nome mereceu destaque: Guilherme Pinto, Presidente da Câmara de Matosinhos. Todos os canais televisivos, nomeadamente aqueles que se dizem de interesse público, cerraram fileiras, mobilizaram todos os repórteres, rebuscaram todos os arquivos. De noite e de dia, desde as vésperas de Natal, talvez por todo o mês, todo o ano, todos os anos. E o mais que se verá. A imortalidade só agora começou...
No mesmo período temporal morreram três ilustres vultos da cultura portuguesa: Mons. Ângelo Minhava, Padre Doutor João Ribeiro Montes e o Médico especialista Daniel Serrão. Três notáveis personalidades, cada qual a mais ilustrada e todas Transmontanas.
Não tiveram as televisões que nos martirizam o corpo, a alma e a bolsa, uma palavra que fosse, a lembrar esses desaparecimentos.
Para tudo é preciso ter sorte. Até para morrer.
Mário Soares foi, inegavelmente, um Homem diferente, destemido, culto e frontal.
Na qualidade de diretor do Paço dos Duques de Bragança, durante cerca de seis anos, recebi-o três vezes nesse Monumento Nacional que funciona como residência oficial do chefe do Estado no norte do País.
Já antes, em 1986, como vereador da Câmara, eu tinha contribuído para aí se realizar a primeira «semana aberta». O executivo era social democrata. Carneiro Jacinto era o jornalista da Presidência. Falou comigo para auscultar se uma Câmara diferente da sua cor, receberia bem essa experiência presidencial. Passou-se esse dialogo com aquele jornalista na Pousada de Santa Marinho da Costa em 24 de Junho. Ainda nesse espaço de tempo, falei com os vereadores da oposição: CDS (Carlos Costa), PS (Manuel Ferreira), CDU (Capela Dias). Que sim senhor. Avançou-se e a experiência que permitiu a Mário Soares, levar a efeito, outras semanas abertas em várias cidades do País. Conservo no meu espólio uma carta de agradecimento de Mário Soares pela maneira como foi benéfico o meu contributo.
Nada de pessoal me permite censurar o chamado «pai da democracia portuguesa», em quem votei na sua reeleição para a PR, quando concorreu contra Salgado Zenha. O que pasmo é ver e ouvir, chorões e choranas, - verdadeiras poltronas - desta carpidaria-mor do reino.

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publicado às 15:48


Boas entradas no 2017.

por aquimetem, em 31.12.16

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Como de costume quando na capital do barro leiriense tenho por hábito visitar o patrão da terra em primeiro de tudo, mas hoje não foi assim. Com receio de se esgotar a cozedura do pão, passei primeiro pelo Olival da Paróquia, onde parei uns segundos a ver a tradicional equipa bajouquense dos Amigos do Verbo Divino atarefada com mais uma fornada destinada à angariação de fundos para o benjamim convento das Clarissas de Timor, que as Irmãs Clarissas de Monte Real fizeram germinar.

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 Dá gosto ver esta laboriosa equipa com a Fernanda Capitão na vanguarda, a trabalhar afincada e generosamente por esta e outras causas nobres da, e para além, Bajouca. Chama-se a isto passar e festejar verdadeiramente um fim de ano cristão: servir com ternura e carinho tudo quanto seja ajudar os mais carenciados a terem uma vida melhor. Para esta gente laboriosa os votos de boas entradas no 2017.

 

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publicado às 11:31


Uma história «linda de morrer...»

por aquimetem, em 23.12.16

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 De Barroso da Fonte:

O país deveria parar para refletir se vale a pena manter a sociedade que temos, o estado a que chegámos e a que planeta teremos de bater para entregar os corruptos e os corruptores, recebendo em troca, astronautas restaurados, mesmo que sejam feios e reconstruidos.
Deveria ser este o tom da minha mensagem semanal. Mas, ocorre-me a quadra de Natal e do Ano Novo. Devo ter respeito pela tradição e pelos valores tradicionais. Com esses devemos preocupar-nos, dando-os a conhecer aos filhos, netos e bisnetos. Mas a tradição deve ter pausas, etapas, calendário, para sabermos, a partir de que data, a corrupção derrotou a tradição.
Adiando este tema para mais adiante, vou substituir uma crónica vadia por uma estória linda e verdadeira. Talvez possa ser contada como se fosse o Menino Jesus a entrar pela chaminé de todos os lares abençoados, deixando o livro da nossa primeira classe.
Em 4 de Outubro de 1952 entrei no Seminário de Vila Real, com a ideia de ser padre. Eu não gostava muito de estudar e pensei que se podia ser padre sem estudar latim, grego,inglês, francês, matemática, filosofia... Nunca saíra do meu horizonte visual. Mas guardar a vezeira, vacas, ir dormir ao moinho para não «abarbar», tirar esterco das cortes dos porcos, roçar matos, não era coisa que me agradasse. E lá fui para longe desse meu horizonte visual.
Em 8-X-1958 tive de comprar o manual de História de Portugal. O saudoso Padre Bernardino, recomendou-nos o livro da autoria de Fortunato de Almeida, que já ia na décima edição e que fora aprovado pelo Ministério da Educação em 1945.Tinha capa dura e continha 380 páginas. Custou 35$00. Como me habituei a escrever neles o meu nome, número de aluno e a data, entendi apor na 1ª página esta quadra: Barroso da Fonte é seu dono /Enquanto este existir/ Por isso se for perdido/Às suas mãos deve vir.
Em 30 de Junho de 1962 entendi deixar o seminário. Nesse dia à noite coincidiu ser no Teatro Avenida, a sessão da entrega dos Prémios dos primeiros Jogos Florais do Clube de Vila Real, aos quais eu concorrera com uma reportagem sobre uma «chega» de bois em Barroso. Já não me lembro hoje como tive a ideia de convidar quatro meus amigos para jantarem comigo e me acompanharem a essa sessão, na qual fui contemplado com o 1º prémio que consistiu em mil escudos em dinheiro real, além do diploma que conservo, bem como o opúsculo com os nomes do júri, dos premiados e o regulamento. Recordo esses meus colegas: o Padre Albano da Silva, de Murça (ainda vivo) e o saudoso padre Max (Maximino Barbosa de Sousa), o João Granja da Fonseca e o Vaz Gouveia. Cada um de nós seguiu o seu destino. Só o Padre Max já partiu.
Nos 54 anos houve no pais e no mundo muitas e profundas alterações. Não sei o que fiz aos livros, nem à batina que usei quatro anos. Gostava de a ter para me amortalhar quando chegar a minha hora. Mas sabem os meus leitores o que me aconteceu neste último mês de Novembro?
Recebi uma embalagem do meu ilustre Amigo, Nuno Canavez, natural de Mirandela, mas desde há muitos anos radicado no Porto, como livreiro e alfarrabista da Livraria Académica. Poucos serão os Transmontanos e Portuenses que não conheçam este vulto da cultura Portuguesa que, estou certo, a toponímia da Invicta, mais cedo ou mais tarde, há-de registar.
E que surpresa me chegou nessa embalagem do proprietário da livraria Académica do Porto?
Exatamente o compêndio de História, editado em 1945 e já em 10ª edição,do Prof. Fortunato de Almeida, que eu comprara por 35$00, em 8 de Outubro de 1958 e no qual manuscrevera a quadra acima referida.
Acompanhava esse surpreendente «achado» uma carinhosa carta de Nuno Canavez, a cumprir o pedido: « se for perdido/ às suas mãos deve voltar».
Como foi parar ao sítio certo, às mãos do HOMEM que é mestre na arte de apreciar os livros e afins, é mistério que eu próprio não sei explicar, nem Nuno Canavez me soube dizer. De imediato lhe telefonei a agradecer a oferta. E disse-me mais: desde há mais de vinte anos que não mexia na zona de livraria onde o volume se encontrava. Como veio aqui parar não sei. Sei que de um versejador que escreve e acautela os livros com este tipo de referências só poderia ser do meu Amigo. E por isso lho devolvi.
Outra curiosidade, quase mítica: desde Setembro preparo um livro, em coautoria com mais três investigadores sobre «A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques». Este reencontro com o livro que me ensinou a História de Portugal, fez-me recordar aquilo que nele vem na página 41: «a batalha de Ourique (25/7/1139) dia em Afonso Henriques fazia 28 anos, refez o prestígio do nosso I Rei e dos seus cavaleiros». Na véspera dessa batalha, em que o nosso Primeiro Rei venceu os 5 reis mouros, apareceu-lhe Jesus Cristo, a garantir-lhe que sairia vencedor. Esse é um dos dez argumentos que o Teólogo José Pinto Pereira, desenvolveu no seu «Aparato Histórico» publicado em Roma, em 1728 e onde concluiu que Afonso Henriques «foi Pio, Beato e Santo».

 

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Um Conto de Natal

por aquimetem, em 21.12.16

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Do livro "NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES", transcrevo um conto de Natal da autoria do poeta e prosador João de Deus Rodrigues. Uma rica prenda de Natal  para ler nesta quadra:

(O Natal no Nordeste Transmontano e os rebuçados do céu…)
Na maioria das aldeias do Nordeste Transmontano, o mês de Dezembro era considerado um dos nove meses, ditos de Inverno. As noites eram monótonas, longas e frias, e os dias, rotineiros e gelados, com vento e com chuva.
As casas de habitação não tinham electricidade, nem água canalizada, nem qualquer tipo de aquecimento. Restava apenas a fogueira na cozinha, ao redor da qual as famílias passavam os serões à luz da candeia, a ouvirem o silvar do vento e a chuva e a neve a caírem nos telhados, enquanto os pais contavam “estórias” e lendas aos filhos, ou olhavam para os gatos, a ronronar a seus pés, quando não estavam nos palheiros a murar ratos, e as mães fiavam a lã e o linho ou faziam os meiotes e remendavam a roupa da família, habitualmente numerosa.
Outras vezes, rezavam todos junto à lareira por alma dos seus mortos, ou cantavam de alegria quando nascia mais uma criança que vinha aumentar o agregado familiar e a ser mais um lavrador ou pastor, ou uma esposa e dona de casa, dedicada.

Nas aldeias não havia rádios nem televisões, e quanto a livros só havia o Missal na igreja, e poucos mais. Mas também não eram necessários, a maioria das pessoas não conhecia uma letra do seu tamanho, como diziam com mágoa: “ eu nunca entrei numa escola e não conheço uma letra do meu tamanho!”.
Havia anos em que as pessoas passavam dias seguidos em casa, porque a bufarra (nevoeiro), o gelo e a chuva a isso as obrigava. Nessa altura, os rebanhos ficavam nas curriças, onde os pastores os iam alimentar com palha, e os lavradores ficavam em casa preocupados, a deitarem contas à vida: “com o tempo assim, vai ser outro ano de fome!”.
Também os nevões caíam com regularidade, e depois, a seguir a eles, o gelo e o cacimbo deixavam o carambelo pendente dos beirais dos telhados, onde os garotos o quebravam e comiam, como sendo o melhor “Gelado” do mundo, coisa que eles não conheciam…
Nas escolas não havia qualquer espécie de aquecimento e os alunos, muitos descalços e mal agasalhados, choravam com o frio e o professor mandava-os para casa para se aquecerem à lareira, se havia lenha para a acender.
À noite, das serras e dos montes desciam lobos esfomeados aos povoados, e nem cães nem gatos que vagueassem pelas ruas lhes escapavam. A fome é negra, comer era uma necessidade vital.
Contudo, no meio deste abandono e solidão o mês de Dezembro era o mês do ano mais esperado pelas populações das aldeias. Isto porque, para além de ser o mês do Natal e da matança do porco, também era quando chegavam os familiares ausentes, que vinham passar o Natal com a família e matar saudades da santa terrinha. Esses sentimentos que, desde a diáspora, sempre prenderam os transmontanos às origens...

Nesse ano, a Maria da Céu “andava de esperanças” (grávida) do terceiro filho. Filha de pais católicos e sobrinha de padre, em casa dos pais o Natal era passado em família e comemorado intensamente, sem, contudo, haver sapatinhos na chaminé. A lenda do pai natal, essa criação do “tio Sam”, ainda não era conhecida por aquelas bandas…
Porém, ao serão não faltavam cânticos ao Deus Menino, cantados com fervor e fé junto da lareira onde o fogo crepitava, e à mesa se sentavam pais, filhos e criados, sem distinção. Sendo que o rapaz mais novo, sentado à mesa, era o que dava graças a Deus (rezava) pela refeição servida, no início e no fim da ceia de Natal.

A Maria do Céu vinha dando à luz de três em três anos. A causa provável disso acontecer talvez fosse o facto de amamentar os filhos nos primeiros dois anos.
O primeiro filho nasceu no mês de Agosto e o segundo no mês de Julho. E este, o terceiro, esperava-o, segundo as suas contas, para finais de Dezembro. Por isso, pedia a Deus que nascesse na noite de Natal!
Que felicidade seria a minha, se depois da ceia fosse à Missa do Galo e quando chegasse a casa sentisse as águas e viesse a Dona Eugénia para o ajudar a nascer, são e escorreito, e depois de lhe dar banho mo pôr no colo para eu lhe dar de mamar…
Fazei isto, Senhor, se eu o merecer, rogava ela a Deus! E prometia-lhe: se for menina vai-se chamar Esperança, se for menino vai-se chamar João…
Mas Deus não lhe fez a vontade. Por isso, no dia de Natal, “mesmo de barriga à boca” (grávida), preparou a ceia. Acendeu a lareira e colocou junto dela dois potes de ferro. Dentro do mais pequeno cozeu o polvo, e dentro do maior cozeu o bacalhau, os tronchos de couve portuguesa, as batatas e os rábanos.
De seguida, amassou a farinha para as filhós e partiu o pão para as rabanadas. Filhós e rabanadas que, com o polvo, eram os acepipes principais da ceia de Natal, na casa dos lavradores, em Trás-os-Montes.
À tardinha, composta a mesa, a família sentou-se à sua volta e ceou. Depois, finda a refeição, cantaram todos ao Deus Menino as canções de Natal que passavam de geração em geração:
Já se ouvem os clarins,
Dos anjos e serafins,
Que Deus enviou à terra,
Cercados de paz e luz,
Para anunciarem ao mundo,
O nascimento do Seu Filho,
O Menino Jesus.

E junto à manjedoura,
Num estábulo em Belém,
Já se encontram pastorinhos,
E outra gente, também,
Em frente Dele,
E de Maria, sua mãe,
Cantando alegremente:

“Olá, meu Menino,
Como Tendes passado,
Só para Vos ver,
Deixei o meu gado.”

Isto prolongou-se até próximo da meia-noite, altura em que o sacristão tocou os sinos, ecoando na noite escura, para chamar a população da aldeia para a Missa do Galo.
E foi então que a Maria do Céu, o marido e os filhos se encaminharam para a igreja, para assistirem à Missa do Galo e beijarem o Menino Jesus, que o padre Francisco foi buscar ao Presépio para o dar a beijar aos presentes, que, em silêncio, o beijaram com tanta devoção como se fosse o Deus verdadeiro.
Findas as cerimónias religiosas regressaram a casa. A noite estava tão serena como a Maria do Céu a tinha imaginado, quando pediu a Deus que lhe desse o filho nessa noite de Natal.
O vento tinha amainado e a neve caía em silêncio nos telhados e nos campos, dando a impressão que os anjos tinham descido sobre eles e os tinham coberto com um imenso lençol branco, de linho, em homenagem ao nascimento de Jesus.
Na aldeia o silêncio era absoluto. Agora só de longe a longe se ouviam cantar os galos, porque eles sabem a música de cor. Pensava para si a Maria do Céu quando, já deitada, encostava a barriga ao marido para que ele sentisse o filho a dar-lhe um pontapé…
Filho que só viria a nascer três dias mais tarde, no dia 28, num sábado solarengo, para quem a Maria do Céu, cumprindo a promessa feita a Deus, pediu ao marido que lhe fosse dado o nome de João. O que veio a acontecer, quando o padre Francisco o baptizou a seguir, no domingo de Páscoa.

João que, nove anos depois, quando o professor mandou sair mais cedo os alunos para irem ajudar a fazer o Presépio, correu para casa e disse à mãe:
- Mãe, já começaram as férias do Natal! Dê-me de comer que quero ir buscar musgo para o levar à igreja, à minha madrinha, para fazermos o Presépio. Olhe que já faltam poucos dias para ser o Natal e para nascer o Menino Jesus…
A mãe, ao vê-lo com tanta ansiedade, disse-lhe:
- Então come alguma coisa antes de saíres, e agasalha-te bem porque está frio e podes constipar-te.
E respondeu-lhe ele, eufórico:
- Ó minha mãe, eu não tenho frio! A senhora não vê que o Menino Jesus está couracho (nu) no Presépio, junto de Nossa Senhora e de São José, e da vaca e da burrinha, e não tem frio?...
E diz-lhe a mãe:
- Isso é verdade, meu filho, mas tu não és o Menino Jesus…
- Pois não minha mãe, mas também não tenho frio…
O João saiu de casa a correr e foi procurar musgo ao tronco dos olmos, ao Ribeiro dos Inverniços, e levou-o à madrinha, que já se encontrava na igreja a ajudar o padre Francisco a fazer o presépio.

O João andava feliz e contente. Agora, apenas esperava que chegasse o dia e a noite de Natal. Primeiro, para comer as filhós, as rabanadas e o polvo. Segundo, para ir à Missa do Galo e beijar o Menino Jesus. E depois, quando chegasse a casa, ir-se deitar e ver entrar no seu quarto o Menino Jesus, quando lá fosse levar os rebuçados do céu. Mas este segredo nem à mãe o tinha revelado…
Nessa noite, depois da ceia e dos cânticos ao Deus Menino, o João foi com os pais à Missa do Galo e quando chegaram a casa foi para o quarto e deitou-se, mas não adormeceu logo…
O dia e a noite de Natal eram especiais para toda a gente. Porém, a noite tinha uma magia muito especial para as crianças, porque esperavam que o Menino Jesus fosse ao quarto deles levar os rebuçados do céu, por que isso era a prova de que não tinham mentido aos pais nem ao professor.
De manhã, quando acordavam, encontravam os rebuçados espalhados pelo chão e corriam para os pais, a dizer:
- Ó meus pais tomem lá um rebuçado do céu, que o Menino Jesus me deixou no meu quarto…
Os pais e os irmãos mais velhos, se os havia, não se desmanchavam e aceitavam o rebuçado, mantendo-se assim o segredo da tradição na aldeia.
Tradição essa, que passava de geração em geração até que os filhos descobriam que quem lá ia levar os rebuçados eram os pais e não o Menino Jesus. E, então, quando isso acontecia era uma desilusão enorme para eles. Primeiro, por que se sentiam enganados pelos pais. Segundo, por lhes roubarem esse sonho, tão lindo, de uma noite verem entrar o Menino Jesus no seu quarto, acabando assim a magia dos rebuçados do céu.

O João ainda acreditava nos rebuçados do céu. O pai, algum tempo depois de ele ter ido para o quarto, julgando que já dormia, pegou nos rebuçados que tinha comprado na vila, para serem diferentes dos que se vendiam na taberna da aldeia, e dirigiu-se ao quarto dele, com mil cuidados e abriu a porta e espalhou os rebuçados no chão. Mas quando já estava de saída, qual não foi o seu espanto quando vê o filho a saltar da cama e a dizer para ele:
- Então o pai é que é o Menino Jesus...
O pai, embaraçado, pediu-lhe desculpa e disse-lhe o mesmo que já tinha dito aos irmãos, em circunstâncias iguais:
- Desculpa, meu filho, por te ter enganado. De facto, quem tem cá vindo a deixar os rebuçados tenho sido eu, e não o Menino Jesus…
E para minimizar o choque do filho, quando o viu a chorar, acrescentou:
- Sabes, meu filho, o Menino Jesus não tem tempo para ir ao quarto de todas as crianças do mundo que se portam bem e não dizem mentiras. Pergunta aos teus irmãos se não foi também assim com eles… E olha que já o teu avô me fez a mim a mesma coisa…
O filho, triste, olhou para o pai mas não tocou nos rebuçados, correu para a mãe a chorar e disse-lhe:
- Mãe, o Pedro tinha razão quando me disse que eram os pais que deixavam os rebuçados no quarto dos filhos e que não era o Menino Jesus, mas eu não acreditei nele…
A mãe, abraçada a ele, deu-lhe um beijo e disse-lhe:
- Sabes, meu filho, todos os pais fazem isto aos filhos, até que eles descobrem, como tu, que não é o Menino Jesus que lhe traz os rebuçados. Mas deixa lá, não chores. Não é por isso que Ele não gosta de ti! Agora vai dormir e não penses mais nisso, o teu pai gosta de ti e não o fez por mal.
O João regressou ao quarto e adormeceu, mas o desgosto ficou com ele. A partir desse dia fez os trabalhos escolares, que o professor lhe tinha mandado fazer em casa, e no dia sete de Janeiro voltou para a escola, mas apareceu de semblante triste. Então o professor, ao vê-lo assim, perguntou-lhe:
- O que se passa contigo, João? Vens tão triste!... Não fizeste os trabalhos de casa, como te mandei, foi isso?
E ele respondeu-lhe:
- Não é por causa disso, senhor professor. Eu fiz os trabalhos todos, mas na noite de Natal quando estava no meu quarto à espera de ver entrar o Menino Jesus com os rebuçados do céu, quem lá foi pô-los foi o meu pai…
Dizia isto ao professor de olhos pregados no chão, prestes a chorar.
O professor conhecia a tradição e ficou embaraçado. Sem saber o que lhe dizer, pediu-lhe que lhe mostrasse os trabalhos de casa. Ele foi mostrar-lhos, e o professor passou os olhos por eles e deu-lhe um “B” grande e disse-lhe: parabéns João, estão muito bem!
Tu és bom aluno, vai-te sentar.
Ele viu escrito, a encarnado, o “B” grande no topo das páginas e foi-se sentar.
Os alunos mais velhos já sabiam que era assim que acontecia. Os mais novos, esses, continuaram a acreditar que era o Menino Jesus.
Definitivamente, para o João findou esse sonho, tão lindo, de uma noite de Natal ver entrar no seu quarto o Menino Jesus com os rebuçados do céu. Agora já sabia quem o fazia…
Apenas não sabia que, se um dia fosse pai, nas noites de Natal ia fazer aos filhos o mesmo que o pai lhe fez a ele, até que fosse apanhado com a boca na botija e um filho saltasse da cama a dizer: então, o Menino Jesus é o meu pai!…

Os anos foram passando. Em todos houve um dia e uma noite de Natal. A Maria do Céu teve mais quatro filhos, sete ao todo. Para ela, alguns dias de Natal foram alegres, outros foram tristes. Muito tristes! Longe eclodiram guerras e para uma delas foi enviado o seu filho João, onde viria a falecer no dia vinte e três de Dezembro.
No dia seguinte apareceu em casa um sargento do Exército a levar a notícia de que“ o soldado João Almeida tinha morrido numa emboscada, em Moçambique, e em nome do Exército apresentava condolências e informava que o seu corpo chegaria brevemente ao Continente, para ser entregue à família”.

Nesse ano, em casa da Maria do Céu já não houve ceia de Natal, nem se cantaram canções ao Deus Menino. E na mesa da cozinha ficou vazio o lugar que mais ninguém ocuparia.
A partir desse dia, em sua casa a harmonia e o sossego familiar alteraram-se, profundamente. Primeiro, com a morte do filho, na guerra do ultramar, depois, com a do marido, que não resistiu à morte do filho. E, finalmente, com a solidão.
Viúva, os desgostos da vida e os anos a pesarem levaram-lhe a felicidade e a paz de espírito, até ao fim dos seus dias. Embora os filhos, enquanto viveu, fossem todos os anos, com as famílias que constituíram, passar o Natal a casa dela.
Eles estiveram sempre ao seu lado, porque ela foi uma boa mãe. “Ai de quem toque nos meus filhos, nem que seja com uma flor”, dizia ela, quando se referia a eles.

João de Deus Rodrigues.

In: Livro “NEM SEMPRE OS PINHEIROS SÃO VERDES” – Poética Edições

 

 

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De Barroso da Fonte

Quem era vivo e tem a memória fresca lembra-se da música dos anos sessenta, durante a guerra do ultramar «Angola é nossa». De resto havia duas canções com o mesmo título. Mas com letra e música diferentes. Ambas muito conhecidas, ritmadas, muito persuasivas e muito empolgantes. Ninguém ficava indiferente à música e à letra. Sobretudo nas rubricas radiofónicas de discos pedidos, tanto uma versão como a outra, eram das mais requisitadas pelos ouvintes, quer em Angola, quer no Continente. Logo após a autonomia das Províncias Ultramarinas, uma e outra versões foram silenciadas, deixando de ouvir-se. Uma dessas versões tinha música e letra do Padre Ângelo do Carmo Minhava, natural de Ermelo, concelho de Mondim de Basto. Este sacerdote Transmontano nasceu em 15 de Janeiro de 1919 e faleceu dia 2 de Dezembro em curso. Foram 97 anos de vida cheia, de entrega aos outros que foram todos aqueles que com ele se relacionaram, que com ele aprenderam nas aulas e cumpriram as normas religiosas.
Ordenou-se no Seminário de Vila Real, em 1942. Desde cedo se dedicou à arte musical e poética, lecionando, formando tunas e orfeões e regendo esses agrupamentos, quer no antigo Liceu Camilo Castelo Branco, na Escola de S. Pedro, no Instituto Politécnico de Vila Real (mais tarde UTAD), quer no próprio seminário a que pertenceu como aluno e mais tarde, o resto da vida, como professor. Foram seus alunos e vários e conhecidos maestros, como José Luís Borges Coelho, Altino Moreira Cardoso, Prof. Magalhães. Padre Branco de Matos.
Foi professor de latim, Francês, Literatura e, obviamente, música. Em 1947 escreveu e publicou o poema herói-cómico – Lírico Cabrilíada. Editou vários outros livros sobre literatura e boas maneiras de falar e de conviver em sociedade. Foi autor de muitas marchas, entre as quais de: Vila Real, Montalegre, Régua, Boticas, Ribeira de Pena, Pensalves, Pontido, Lagoaça. Hino do Regimento Militar de Chaves e de vários regimentos que prestaram serviço no Ultramar. Com letras do autor desta nota, musicou os Hinos das Casas Regionais de Trás-os-Montes de: Guimarães e do Porto; o soneto «Para meu Pai» e o poemeto «Da terra nasce o amor».
O que fica para além da morte do Padre Minhava, depois de 97 anos de vida, são a bondade, o saber o exemplo cívico. Resta seguir as linhas mestras que o Padre Minhava nos incutiu.
Falo por mim que fui seu aluno durante dez anos. Foi meu maestro, meu complemento em coisas que têm a minha assinatura, mas precisei da dele; e, em cultura, que muito me ensinou e que, por culpa minha, tão pouco aprendi.
Perdemos todos os Transmontanos, muitos portugueses e a sociedade, em geral, um dos mais lúcidos, mais sólidos e mais coerentes cidadãos do nosso tempo. Quase um século de uma convivência proveitosa, porque viveu para os outros e não me parece que tenha vivido para si. Permita-me o leitor que fale na primeira pessoa. Há notícias que se escrevem e que podem gerar incomodidades. Mas quando se fala de alguém, como foi o Padre Ângelo do Carmo Minhava, fica-se, com a quase certeza, de que falamos de um ser humano, verdadeiramente exemplar.
Conheci-o em 1952, como meu professor de música. Nunca fui bom aluno em nada, nem sequer em música. Em dez anos solfejei, cantei e até regi algumas vezes, mas só nas aulas e entre colegas. Fui barítono por escolha sua. Nessa condição cheguei a ir, integrado no seu orfeão, atuar aos estúdios da Rádio Alto Douro. Penso que era um brinquedo para o (depois, meu amigo) Carlos Ruela. Era um privilégio nesses tempos, em que não havia estúdios, nem televisões. Mas, de facto, apenas fiz letras que (os hoje maestros) José Luís Borges Coelho e o Altino Moreira Cardoso, musicaram.
Por não conseguir musicar, sinal de que aprendi pouco, em dez anos, tive a rara satisfação de ver quatro poemas meus musicados pelo Mestre de nós os três. Pela vida fora foi lendo os meus escritos em jornais e em livros, em prosa e em verso,que produzi em mais de meio século. Sempre me escrevia a agradecer e a felicitar; e, algumas vezes, a puxar as orelhas, por excessos de linguagem ou discordâncias formais. Recordo que numa entrevista a Gil Silva e a Paulo Mourão ao programa «Perfis -Transmontano sem preconceito», questionado sobre - «o que tem a dizer sobre Pires Cabral, António Cabral e Barroso da Fonte, respondeu assim: - «embora discorde, por vezes, de certas efabulações do escritor Pires Cabral, reconheço nele um escritor de muito mérito... O dr. António Cabral é, desde jovem, vocacionado para as letras. Barroso da Fonte, idem, por vezes bastante conflituoso, mas frontal e grande patriota». Nunca me reconheci tão bem caraterizado. De Ângelo Minhava fica, para além da morte, aquilo que todos nós deveríamos deixar: erudição, obras e exemplos de toda a natureza. A imprensa regional já noticiou o seu desaparecimento. Na imprensa diária, a começar pela RTP que se proclama de serviço público, ainda nada vi, nem ouvi, de entretida que anda com o futebol, com guerras de alecrim e de manjerona e com vedetas vazias de tudo, a não ser a espuma que lhes tapa as mazelas. Espero que o poder político distrital, desde Mondim de Basto a Montalegre, desde Vila Real à Régua, de Chaves a Lagoaça, saiba perpetuar o nome e a obra deste Transmontano do tamanho das Fisgas de Ermelo e do simbolismo intelectual do Douro. Há homens do tamanho do mundo como o Mons. Ângelo Minhava que só aparecem e desaparecem de século a século.

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