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A corrupção tomou conta do país. Os tribunais Portugueses estão atulhados de processos. E não são processos de lana caprina. São daqueles que vão ficar na história, com barbas e com cadastro da monstruosidade que envergonha a minha geração. Sei do que falo e por experiência própria, o digo.

Conheço políticos que deveriam ter ocupado a cela 43 ou 45, quando José Sócrates ocupou a 44 da cadeia que o reteve tempo suficiente para dele se descobrir parte do muito que nunca será conhecido nem julgado. Toda a gente viu serem entregues a alguns desses sortudos, medalhas e medalhões pelos sucessivos Presidentes da República Portuguesa.

 Monstruosidades dessas foram cometidas por diversos governantes, de tendências várias, dos sucessivos governos que temos tido. Se os meus leitores não têm visto o programa «Sexta às 9» da RTP, da responsabilidade da Jornalista Sandra Felgueiras e sua equipa, convido-os visionarem a última meia dúzia dessas exemplares averiguações. Desde as negociatas entre altos quadros de associações de Bombeiros, às adjudicações com os meios aeronáuticos para combate aos incêndios, desde as falsas licenciaturas por equivalências, aos saneamentos partidários, tem-se visto de tudo e, praticamente em todas as classes e instituições. Essa última meia dúzia de programas mostram e demonstram que o país entrou numa roda viva, espécie de competição descarada para saber quem mais pilhou, mais arrecadou e mais sangue frio teve para chegar a tanto descaramento. Os tribunais acumulam, em ritmo crescente, processos de todas as origens, de negociatas vergonhosas, celebradas por gente da mais alta estirpe social que usa e abusa da permissibilidade de leis que são ambíguas, ora à falsa fé, ora à sombra de calculismos eleitorais e de outros truques que se congeminam em ambientes que apenas visam o lucro, o egoismo, a confusão e a quase certeza de que que «o crime compensa».

 A construção civil é uma área nevrálgica que dá para tudo, ora para enriquecer bruscamente, os seus empresários, ora para destruir famílias inteiras que compram gato por lebre, e que, num ápice, ficam sem eira nem beira e a maior parte das vezes, por diversos  processos fraudulentos.

 As Câmaras ganham ou perdem eleições, em boa parte, pelo tipo de obras públicas que se adjudicam, ora por concurso público, ora por ajuste de direto. Há outras modalidades. Mas aqueles dois são os preferidos.

O concurso público, deveria ser obrigatório. Mas como é mais moroso, mais burocrático e mais facilitador, a lei prevê que, em certos casos e para obras até determinado montante, os executivos, optem pelo ajuste direto.

Ora aquilo que a lei prevê como excepção, para obras urgentes (género tragédia dos  incêndios), esses executivos generalizam aquilo que é mais fácil: convidam aqueles que patrocinam a campanha eleitoral, que entram e saem dos gabinetes do poder, como se  fossem donos daquilo tudo, entram em todas as fárrias, são vips por quatro anos. Esta promiscuidade, começou com a democracia, mas ganhou foros de institucionazação, com os fundos europeus. Gerou furunculos, no corpo e na alma. Os calendários e os métodos de pagar favores através da distribuição dos dinheiros públicos joga-se em mandatos consecutivos. Sempre na mira de que, se os favores não se puderem cumprir agora, cumprem-se  daqui a quatro, a oito ou a doze anos. Quase todos os governos nacionais, regionais e locais, se deixaram enredar neste tipo de geringonças. Salvo raríssimas excessões, não houve executivos puros, políticos virgens, autarquias  incólumes. Exemplos?

Ribeira de Pena só gosta dos ajustes diretos

Entre 2009 e 2015  três dos 308 municípios Portugueses que apenas praticaram a modalidade do ajuste direto. Ribeira de Pena, no distrito de Vila Real, conforme as redes sociais noticiaram, foi um desses três municípios que em seis anos, nem o  Ministério da Administração Interna, nem as Finanças, inspecionaram ou, se por lá passaram, terá sido para apresentar cumprimentos de cortesia.

Algum sortilégio haverá para que os políticos, aqui, ali e acolá, passem incólumes, desviando-se  como o «diabo da cruz».

 Em Montalegre, Orlando Alves, como que a justificar o uso e o abuso deste mecanismo facilitador de muita instransparência, afirmou no ato de posse que os «ajustes diretos são instrumentos legais de que dispomos para que o dinheiro fique na nossa terra». Assim têm feito e «assim iremos continuar». Na edição nº 525 de 30/10/2017 já então escrevemos que «pela boca morre o peixe», pois os ajutes diretos apenas são legítimos em situações excecionais. A lei sobre esta matéria entrou en vigor, no primeiro dia 1 Janeiro de 2018. Quando ela foi regulamentada, em 30 de Outubro findo, já o prof. Orlando Alves, através do seu partido, deveria saber que os ajustes diretos, em vez de serem banalizados pela rotina do seu uso, iriam ser dificultados pela sua propensão para o crime, para a fraude e, por redundância, para a corrupção generalizada. O seu discurso de posse foi uma escapatória para se libertar dos abusos do passado. Depois da promessa que fez em ato tão solene e com ar de que iria, usá-lo por rotina, como se fez durante seis anos, em Ribeira de Pena e em mais dois casos, na ilha da Madeira, será caso para estar atento, a partir de 1 de Janeiro com a distribuição dos dinheiros públicos para os investimentos a contratar. É que, a nova legislação, limita, substancialmente, os privilégios que o ajuste direto permitia. E as sanções devem aplicar-se para moralização da opinião pública.

  O rigor da Lei, mesmo para casos especiais

Na 1ª série, do Decreto-Lei nº 11/2017, de 17/01 foi publicado e promulgado  o texto do atual governo que autoriza o ajuste direto para a «celebração de contratos de empreitada de obras públicas de valor inferior ao referido na alínea a) do artº 4º da Diretiva nº  2014/24/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26/2/2014, independentemente da natureza da entidade adjudicante».

 Este DL tinha a ver com a vinda a Portugal do Papa, sendo  necessário proceder a obras urgentes e de valores diversificados. Mesmo assim, dizia no artº 3º que «deve a entidade adjudicante convidar, pelo menos, três entidades distintas para apresentação de propostas. Este regime excecional estará em vigor desde o dia 18/01/2017 até ao dia 31/12/2017».

 Os autarcas  que podem fazer três mandatos consecutivos no poder e que vão ter direito a uma reforma proporcional ao que a lei permite, deveriam ter a obrigação permanente de apenas aplicarem o ajuste direto a casos muito urgentes ou do declarado interesse público, como foi, em 2017, o exemplo dos incêndios, ou, em 2016, o acontecimento raro da visitado Papa.

Entretanto o atual governo – e bem – reviu e atualizou a lei que fora condensada no D.L. 111-B/2017, de 31 de Agosto e produziu o novo Código dos Contratos Públicos de acordo com a redação que lhe foi dada pela «Declaração de Retificação nº 36-A/2017, inserta no DR nº 209/2017, 2º Suplemento, série I de 30/10/2017. Entrou em vigor, em 1 de Janeiro em curso. De acordo com as exigências preconizadas. Os valores foram reduzidos de 150 mil euros, para 30 mil, tratando-se de empreitadas. Ede 30 mil para 20 mil em bens e serviços.

A justeza deste Decreo-Lei deveria ser respeitada, sem reservas, para todo o país e para todo sempre. Haver três camaras municipais que durante seis anos consecutivos, violaram, sistematicamente, o espírito dessa legislação, é meio caminho andado para incentivar à corrupção.

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publicado às 21:44


Transmontano da diáspora

por aquimetem, em 05.01.18

 

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 João de Deus Rodrigues

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A véspera de “Reis” programei passa-la na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, situada no Campo Pequeno 50. 3º -Esq. –em Lisboa, onde o Grupo Maranus se comprometeu animar um jantar tradicional alusivo à data e ao festivo evento. Mais uma daquelas iniciativas que a actual e dinâmica Direcção a que preside o Dr. Hirondino Isaías preside.  No mesmo dia também a Direção da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro tem o prazer de a/o convidar para a assistir à apresentação do Livro: "Mosteiro (Pedrogão Grande) As Cinzas e a Esperança”, da autoria de João de Deus Rodrigues. A apresentação do livro será feita pelo Cor.Eng.Jorge Golias, com a leitura de textos pelos vários elementos da "Tertúlia Transmontana" e seguida do tradicional jantar de Reis da "Família Transmontana e Duriense". Lamento muito o não poder estar presente para jantar e na apresentação  do livro para  poder conviver e dar um abraço ao notável poeta e prosador que casado na zona dos terríveis incêndios deste ano, transpôs para livro o que sentiu na tragédia. Só Deus é que está em toda a parte. Prometo adquiri e ler mais um trabalho deste transmontano da diáspora

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publicado às 21:48


Quando o blog vale mais que o jornal

por aquimetem, em 01.01.18

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 Por: Barroso da Fonte

Rendo-me ao mério dos blogues que vieram preencher o vazio das revistas cor-de-rosa e dos jornais que vendem o crime como se fosse o erotismo dos antropófagos. O universo entrou em erupção a começar pela seres humanos que se julgam donos de quanto a vista alcança e o sonho ficciona.  A informática agigantou-se perante o que o poder da mente atingira como explicável. Na viragem do século XX para o XXI, o progresso científico marcou o fim do ciclo empírico para o qualitativo, cujos sortilégios ofuscam os homens que se consideravam deuses.A estação espacial das novas gerações, ainda não foi localizada porque a mente humana, cedeu à ambição dos mais ousados.

O blog é hoje a ferramenta mais usada para cruzar o globo e para incendiar o planeta que nos foi colocado debaixo dos pés, como palco de todas as veleidades científicas.

Desde que troquei o cajado de pastor pela lapiseira, viciei-me na arte de formar e de informar. É esta a definição do jornalismo com o qual noivei  aos catorze anos. Foi em 1953 que contraí esse vício. Faz 65 anos no próximo dia 24 (de Janeiro). O calendário informa que o ano tem: 365,242199 dias.Se multiplicar estes 365,242199  (dias) por 65 anos, sendo certo que todos os dias escrevi, em média, um artigo, confirmará que fui autor de, pelo menos: 23.9740 742. É óbvio que, simultaneamente, colaborei em diversos jornais, regiomais e nacionais, diários, semanários, quinzenários e mensários. De uns fui mero colaborador, de outros, chefe de redação, de mais alguns  fundador e diretor.

 Se menciono estas minúcias no intróito do blog tempocaminhado@gmail.com é para lembrar aos mais novos que nestes meus 65 anos de «cabouqueiro» da imprensa regional (e não só), é porque o jornalismo atravessou diversas fases até chegar ao estado  em que o vemos perder o impacto que teve entre os séculos XX e o XXI.

 Nos últimos 50 anos do século passado era o tempo do chumbo. Existiam as muitas tipografias que tinham os tipos (daí o nome de tipografia) no tabuleiro. Os tipógrafos, encostados às mesas com esses tabuleiros, com o texto manuscrito ou dactilografado à sua frente, por ordem alfabética das letras de cada palavra, compunham as colunas e as páginas, pesadas e inamovíveis. A seguir vieram as grandes rotativas que através de elevadas temperaturas transformavam o chumbo, em linhas uniformes que depois de arrefecidas em água, alinhavam nas colunas e com estas páginas. As fotografias tinham que ser fundidas em zinco-gravuras. No Porto havia, pelo menos, uma  casa especializada no tratamento dessas chapas que vinham coladas num soco de madeira, com a altura da página.

A quarta fase trouxe-nos a geração do offset que aboliu a zinco -.gravura e evitou as viagens apressadas ao Porto. A geração mais recente é a edição digital em que tudo se faz com um computador, equipado com programas para realizar todas as tarefas inerentes às publicações. Deixaram de ser precisas ferramentas, como: o estêncil, o telex e o fax.

A internet simplificou centenas de anos, porque a era da informática e da internet revolucionaram tudo quanto se usara no mundo da informação.

 Aquilo que por muitos anos se chamava jornalismo, passou a chamar-se comunicação audiovisual no sentido lato do termo. O vocábulo jornalismo era restrito à imprensa escrita. É um francesismo que se usava para divulgar as notícias do dia.

Podemos hoje, tratar por tu: a comunicação escrita, falada e vista. Ou aquilo que se escreve, se fala ou se vê: jornal, rádio e televisão. Outros chamam ao trio: os audiovisuais.

A generalização destas ferramentas dividiram a sociedade em duas metades:antes e depois da internet.

Pessoalmente resisti ao salto para o uso da nomenclatura informática. Uso-a pela certeza de que é irreversível. Veio para ficar. Da minha geração para trás quem não se integrar ficará isolado. Na linguagem falada, na utilização dos meios tecnológicos, no  acesso aos sortilégios do desenvolvimento, na equidade aos meios sociais, na fruição dos bens da natureza.Na era do áudio não sou exemplo para ninguém. Mas dá para reconhecer que o defeito é meu e não da complexidade tecnológica em que todos estamos envolvidos.

A beleza feminina desmente o Aparthei em Angola

Armando Palavras faz do seu blog as delícias da desmitificação da terminologia rançosa que algumas mentes desvirtuam  para gozo doméstico. Na mensagem que colocou às 23,41 de 28, com «as Boas Festas para os cidadãos da Antiga África Portuguesa» tentou, diplomaticamente, demonstrar que em Angola, no tempo dos Portugueses, não se praticava o Apartheid.

Teve o bom gosto de colocar diante dos olhos desse historiador, uma dúzia de misses da beleza humana mais deslumbrante que povoa esse País «da Antiga África Portuguesa». Elas fazem água na boca e pedem meças às mais belas de qualquer paraíso terrestre.

Ele que tem o apelido do Rosas, se tiver os cromossomas e os genes vitais da Raça Lusitana, não se negará a rastejar para lhes beijar o rosto e os seios, como fizeram, ao longo dos tempos, milhares de brancos que preferiram as angolanas para mães das suas filhas, netas e bisnetas. Quantas mulheres brancas se cruzaram com angolanos que demandaram o «puto», como  jogadores de futebol e que por cá ficaram, pulverizando a sociedade com com gente igual na alma, ainda que desigual na cor da pele?

Boas Entradas no Novo Ano e muitos fãs para o tempocaminhado@gmail.com

 

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publicado às 12:55

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Por: Barroso da Fonte

A imprensa do dia 7 do corrente, publicitou «o regresso, meio século depois» de um para-quedista morto em Angola em 1962. Chegou de avião e foi recebido  na sua terra natal, em Lobão da Beira, por ex-combatentes e alguns «Boinas Verdes» a que ele pertencera. O JN desse dia mostrou, em texto de Sandra Ferreira e foto expressiva de Tony Dias/Global imagens, um ambiente pesaroso e frio, sem oficialidades e sem um mínimo de respeito por parte das entidades civis e militares.

No relato do JN escreve-se: «chegaram ontem, ao fim de 55 anos, os restos mortais de António Silva, um soldado para-quedista português abatido a tiro em Angola, na Guerra do Ultramar, ao cemitério de Lobão da Beira. A urna entrou no cemitério com dezenas de para-quedistas a cantar o hino dos Boinas Verdes. O militar morreu em combate a 19 de Setembro de 1962, no Ucua, em serviço do Regimento de Caçadores Para-quedistas de Tancos e a trasladação foi tratada pela União de Pára-quedistas, em colaboração com a Força Aérea Portuguesa e o Regimento de Para-quedistas da Brigada de Reacção Rápida do Exército Português.

Quando o soldado morreu, a família não tinha posses para transladar o corpo, que acabou sepultado em Luanda». Nessa altura já o militar tinha uma filha que entretanto passou a residir nos Estados Unidos. Ernestina Silva, filha única, desde criança, pretendia transladar o corpo para Seixal  da Beira, do concelho de Oliveira do Hospital. O processo começou a ser tratado «há nove anos de luta». Lê-se nessa mesma fonte que a «União dos Pára-quedistas fez um peditório, juntando cinco mil euros. A filha contribuiu com mais 2.500 euros». Uma vergonha para o Estado Português!

Leu-se, ainda que «o Estado abandonou os soldados que lutaram pela Pátria, quando a sua obrigação era trazer para Portugal os restos mortais de todos os que tombassem no campo da batalha. Isidoro Esteves, da União de Pára-quedistas, disse que ainda existem quatro ou cinco soldados portugueses em Luanda. Mas as famílias não têm meios para conseguirem trazê-los. E a reportagem cita ainda António Silva que foi companheiro de Leonídio Melo, na recruta que ambos fizeram em Tancos. E também participou nesse velório, 55 anos depois, António Ferreira Mendes, que fora seu colega na Escola Primaria, garantindo que o mártir Português era o mais inteligente de todos. Esta noticia, a 55 anos de distância, vai passar despercebida à generalidade dos Portugueses que, ignoram tão amarga, cruel e injusta geração dos anos 60/70, do último século.

As gerações que se seguiram e sem culpa nenhuma, foram intoxicados com uma revolução mal explicada, intencionalmente dirigida contra os protagonistas dessas quase duas décadas de guerra, primeiro na India e a seguir em África e Timor. Está por explicar esse período negro da História de Portugal, mormente entre 1955 e 1974. Foram a inveja, a raiva e o medo de uma classe que saía das academias militares, para ostentar os peitos e os ombros, medalhados até  às orelhas e que viam perigar esse estatuto, pela quantidade de milicianos que regressavam e, em conformidade com uma legislação de recurso, optavam por ingressar nos quadros. Não para concorrerem, com os profissionais. Mas porque regressavam preparados, experimentados e conscientes de que as tais academias formadoras que lhes incutiam no espírito de classe, garbosa e elitista, não produziam quantidade suficiente para garantirem comandos suficientes nas diferentes frentes de combate.

Os milicianos pensavam, legitimamente no seu futuro e no futuro da integridade nacional. Eram convocados, forçados, intimidados a comparecer  às ordens do recrutamento. Obtinham uma formação intensiva, teórica e pratica. Deixavam tudo e todos. Nos anos de serviço obrigatório demonstravam que tinham perfil para prosseguiram, agora por vontade própria. Não o faziam com o espírito de deslealdade ou de competição com os profissionais. Haviam servido, em média, dois anos em teatro de operações. Aí não se discutia a competência, a hierarquia e a idoneidade. Nas academias já não se concluíam os cursos de formação. As fornadas eram intensivas porque faziam falta nos comandos de companhias. Para o comando de pelotão e de secções bastavam os milicianos. Estes eram «os piões das nicas» que durante esses anos de guerrilha, perderam a família, o emprego e os cursos universitários, para servirem, como burros de carga, os «capitães» que invocaram o descontentamento do povo, para, em nome da revindicação de classe e com a valentia das armas na mão, imporem as suas teorias revolucionarias.

Que um golpe de estado, ou ação consertada, entre o poder das armas e da sociedade civil era necessário e urgente ninguém o contesta. Mas que os «capitãens» ditos heróis de Abril, elegeram para vitimas maiores os milicianos também é verdade que nunca foi contada nas escolas, nas empresas, em jornais, rádios e televisões.

O que se viu é que essa geração de militares, enquanto tiveram armas, mandatos de prisão sem assinatura e poder nas mãos, espalharam medo em todas as classes. Prevaleceu o bom senso. Mas foram os oficiais superiores e generais da época que viram interrompidas as suas legitimas carreiras e os milicianos e soldados em geral, que sofreram e ainda sofrem as consequências dessas formadas  ideológicas. Houve honrosas exceções. Mas o desprezo oficial, a crueldade do esquecimento e o medo ás armas que ditaram este holocausto que leva 43 anos de injustiça social e política.

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publicado às 11:56

 

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 Por: Barroso da Fonte

Foi em 6 de Dezembro de 1185 que morreu o Fundador de Portugal. Na FNAC de Guimarães, será apresentado às 18,30 h o livro sobre a Saga da Santidade de D. Afonso Henriques que pretende invocar essa data e esclarecer a comunidade cientifica de que, em Julho de 1728, foi defendida e editada, em Roma, uma tese doutoral onde se demonstra que o nosso primeiro Rei,foi «Pio, Beato e Santo». Essa tese foi investigada pelo Teólogo Vimaranense e Cavaleiro da Ordem de Cristo José Pinto Pereira que foi destacado durante 29 anos pela Cúria Romana.

Com base nas muitas lendas e indícios de santidade, entre o nascimento, em 25 de Julho, em Guimarães e a sua morte em Coimbra, em 6 de Dezembro de 1185, o nosso primeiro monarca, sob o signo da predestinação, tudo fez para autonomizar o novo Reino, tudo tendo feito, em ordem ao bem-estar do povo e à  expansão da religião católica.

 Foram dez os argumentos em que esse Teólogo se apoiou para concluir que Afonso Henriques não teve vida fácil, mas sempre agiu em conformidade com os princípios da sã convivência humana e divina.

Desde a Batalha de Ourique, em 25 de Julho de 1139 , em que venceu os cinco reis Mouros, até ao encontro, do seu Corpo, incorrupto, na Igreja de Coimbra, onde jaz, foram dois dos indícios de Santidade analisados.

A essa tese chamou o Teólogo José Pinto Pereira Lusitano: «Aparato Histórico». Foi escrito em Latim, o que terá contribuído para se manter inacessível à  comunidade cientifica, quer nacional quer estrangeira.  Durante 283 anos, embora publicada, em Roma, na Tipografia Rochi Berrnabò, em MDCCXXVIII (1728), a obra foi engavetada.

O autor esclarece que referiu «estes favores extraordinários, não só em vida, como depois da morte, referidos neste Aparato na mesma língua em que foram escritos, para que nem um só jota ou ápice faltasse na Versão; esta será talvez dada depois em idioma Latino em favor dos Estrangeiros para os quais o nosso e o Espanhol ou não são suficientemente conhecidos ou absolutamente estranhos».

 José Pinto Pereira explica por estas palavras as razões de escrever o livro em Latim, a pensar nos estrangeiros visto que por essa altura nem a língua espanhola nem a portuguesa, tinham a importância que têm hoje.

Fosse como fosse, já passaram 832 anos desde a morte do Rei Fundador de Portugal. E já passaram 878 desde que lhe apareceu, na véspera da Batalha de Ourique, a hierofania  da visão divina a garantir-lhe que iria vencer os cinco reis mouros, o que se concretizou. Desde essa altura brotaram os primeiros perfumes da santidade que até hoje se adensaram na opinião pública.

 José Pinto Pereira confrontou-se com essa dúvida que chegou até nós. Mas ele por ser Teólogo, por ser cavaleiro da Ordem de Cristo e, nessas circunstâncias privilegiadas, conhecer as regras, os métodos e as  formas de agir, investigou até à  exaustão, as lendas, os mitos e as tradições, para que, separando  as águas, pudesse chegar a conclusões.

Só motivações de força maior poderiam interromper aquilo que era fácil: iniciar o processo de beatificação, a exemplo de outros casos, como foi, entre nós, o do beato D. Nuno de Santa Maria.

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publicado às 11:01

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O paí­s vive sem rei nem roque. Tudo por causa da geringonça. António Costa deixou-se seduzir pelas sereias do BE. E, por cada decisão que toma, tem de violar o refrão que, jurou seguir: «palavra dada é palavra honrada».

 Sem tirar nem por. Foi vedeta na abertura da Web Summit. Tudo ia correr bem porque «ele era o primeiro ministro». Disse o que disse a brincar, mas saiu-se mal. Quando soube que o jantar de encerramento desse acontecimento iria ser realizado no Panteão Nacional, Costa arrepiou caminho e, antes que as manas Mortágua e a Catarina Martins lhe toldassem o discurso, surgiu ele a gritar contra a indignidade. Que era uma afronta aos mortos mais famosos do império português!

  Só aí­ se apercebeu de que o Web Summit fora realizado em Portugal por decisão do Governo de Passos Coelho. E que, indirectamente, os êxitos desse evento, seriam creditados na conta do seu adversário, mais temível como o demonstraram as últimas legislativas.

 Antes que aquelas sereias o admoestassem pela permissão do jantar à  luz das velas, em sítio tão propenso para os gritos satânicos, eis que A. Costa apontou logo os holofotes para ex-Secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier que produzira o Despacho para aquele e todos os museus, palácios e sítios públicos. Foi então que Costa retirou a indignidade satânica que propalara contra aquele governante de direita, sem coragem para demitir o Ministro de cultura ou a directora do Panteão. Pois se ele não teve coragem para demitir os ministros da defesa e da saúde como pode demitir aquela dirigente?

Pelos vistos A. Costa está muito mal assessorado. Porque nesse mesmo Panteão já ele jantara quando foi Presidente da Câmara de Lisboa. E a lei que foi feita pelo ex-Secretário de Estado, não foi contestada. Era extensiva a  todos os espaços públicos susceptíveis de terem interesse para gerar receita. E o primeiro ministro não pode, nem tem moral, para reprimir seja quem for por, desconhecer as regras do paí­s pelo qual é responsável.

Como cidadão tenho direito e força moral para deplorar mais esta peripécia política de A. Costa.

Explico-me e estou pronto a repeti-lo seja onde for.

 Em1990 fui nomeado director do Paço dos Duques de Bragança (em Guimarães). Encontrei uma gestão ruinosa da ordem dos 15/20 mil contos. Para que seis anos depois deixasse lucros  equivalentes aquele montante, tive que, pela primeira vez na Historia daquele Monumento, recorrer ao aluguer do átrio e salões do rés-do-chão. Sem prejuízo de qualquer espécie, transformei o Paço  na Casa de Cultura que Guimarães não tinha e no espaço mais nobre da cidade, para receções, casamentos, convívios e saraus musicais. Rendia tanto essa inédita valência, como os ingressos no Museu. Tal experiência quase me crucificou na imprensa e fora dela. António Costa estava ao lado de Jorge Sampaio, ao tempo secretário geral do seu partido, que distribuiu panfletos contra mim, através da secção local. Acusavam-de que eu vinha de pastor de vacas para dar cabo da Corte Real. Prova-se, agora, que o guardador de vacas, afinal andava, quase trinta anos,à frente do actual primeiro ministro que já jantara  no Panteão quando era Presidente da Câmara de Lisboa e que não teve sensibilidade bastante para perguntar que geringonça era aquela?

Como pode continuar a reclamar que, para ele: «palavra dada é palavra honrada»? Pelo menos tenha a  hombridade de pedir desculpa aos portugueses pela indignidade que atribuiu aos organizadores do Web Summit.

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publicado às 20:50


  1. barroso_da_fonte.jpgNa edição do Diário de Noticias, de 7/10, mas com base na Lusa, escreve-se, em manchete, que «O ministério Publico já abriu um inquérito ao caso da suspeita e fraude eleitoral em Montalegre, onde, nas últimas eleições autárquicas, centenas de emigrantes foram recebidos por um autarca no aeroporto Sá Carneiro e transportados para as autarquias onde votaram», regressando, de imediato aos países de onde vieram com transporte e refeições pagas. Segundo se lê na mesma fonte «o caso foi revelado pelo programa "Sexta às 9" da RTP que indicava que esses emigrantes tinham à sua espera, no aeroporto, o presidente da junta de freguesia de Meixedo e Padornelos, Ricardo Moura, recandidato nas listas do PS, no concelho de Montalegre. O programa mostrava que a entrada dos emigrantes nos autocarros que os aguardavam, era coordenada pelo autarca» que viajava no "lugar do crime" pelo facto de enjoar». Continua a ler-se no DN  que «no domingo seguinte, dia da votação, logo à  abertura das urnas, os mesmos emigrantes foram encontrados, pelo "Sexta-Feira às 9", a votar na freguesia, onde o presidente de junta acabou por ser reeleito: a União de Freguesias de Meixedo e de Padornelos». Estes acontecimentos foram filmados, editados e tele-visionados por milhares de cidadãos, nesses dias. E ainda circulam, e vão perdurar, online, assim como vai acontecer, com o debate radiofónico pré-eleitoral, entre os três candidatos, emitido pela rádio Montalegre e coordenado por um locutor flaviense que, sendo um antigo radiologista e repórter, sediado em Vila Real, não teve tarefa fácil nessa noite infeliz para todos os intervenientes. Foi mau de mais para a região de Barroso, para quem o viu e ouviu e até para as futuras gerações que hão-de lembrá-lo, para além delas. Uma pobreza franciscana, a todos os níveis, quer na linguagem, quer nos gestos, quer na chusma de palavrões, de infâmias, de jaculatórias, mais próprias das sextas-feiras 13, do que de representantes do povo ordeiro, sensato, prudente e calmo. Foram feitas nesse fórum afirmações de quem devia dar exemplos de civismo, de tolerância, de respeito e de democracia, através de palavras e de gestos que ofenderam, mais do que reconfortaram, os destinatários. Algumas dessas afirmações foram graves, por falsas, maliciosas e descontextualizadas. E não só para os presentes, como para com os ausentes, como a seu tempo se verá.

  2. Depois dessa tragicomédia mais apropriada para a bruxaria da «Sexta-Feira 13», que esteve bem mas que não apagou a memória desse debate, da excursão eleitoral e das evidencias reveladas pela RTP, no dia 6 de Outubro, que já  estão a ser alvo de averiguação judicial, esperava-se que no ato de posse dos eleitos locais, os excessos linguísticos, as injuriarias, as mentiras e as dislexias mentais, dessem lugar a palavras apaziguadoras, toleráveis, civilizadas e coerentes, para uma convivência serena nos quatro anos seguintes. Aconteceu o pior. Um discurso escrito, lido e apresentado em tom que agradou, naturalmente, aos bem intencionados, que batem palmas de boa fé, mas que desagradou a muitos convidados, aos neutros e até as crianças que perguntaram pelo significado dos foguetes, em semana e dia de luto nacional, pelas vitimas dos incêndios. E desagradaram, sobretudo, aos vereadores e deputados municipais que deveriam ouvir uma mensagem serena, pacificadora e propicia a preparar um ambiente de fraternidade telúrica e convencional para os quatro anos de mandato. As tomadas de posse dos políticos deverão primar pela serenidade, pela prudência, pela sã convivência social. Não pode ser um ajuste de contas, pelo que se deveria ter dito e ficou por dizer, ora no debate a três, ora nas 48 horas de reflexão obrigatória. Foram seis paginas penosas, provocatórias e indiciarias de que o reeleito edil se robusteceu nesta segunda vitória para incentivar os adversários,para inviabilizar acordos e para unir os barrosões. Impossível e inédito! 3. Orlando Alves, mesmo que tente regenerar-se dos maus fígados que mostra perante quem não vai com ele à missa, dificilmente o conseguirá. Teve alguns mestres, mesmo no seu partido, que poderia seguir, depois das campanhas eleitorais. Um qualquer presidente da Câmara, de Assembleia Municipal, de Governo, pelo facto de ter garantidos os votos da sua bancada, deve saber que não está livre de precisar do apoio da oposição para obviar projectos comuns. O Alto Tâmega epicentro de seis outros concelhos que nas últimas duas décadas concretizaram empresas comuns que precisam, entre si, da oposição. Orlando Alves sabe disso melhor que ninguém, porque é um político profissional. Está enganado se há situações como este flagelo dos incêndios que obrigam a classe política a unir-se em nome do bem comum. Nas decisões municipais que se tomam nas reuniões mensais ou quinzenais e que são obrigatórias, tanto peso tem o voto da oposição como do grupo que gere a Câmara. Cada um dos sete vereadores teve o mesmo numero de eleitores. O PS teve cinco eleitos e a coligação apenas teve dois. Já antes fora o contrário. Mas todos foram eleitos. E, a partir da instalação da Câmara, até final desse mandato, são todos vereadores, merecendo o mesmo respeito democrático. Perante palavrões de «boca suja», «aldrabão», «cale-se seu reles», «seja educado seu reles», etc, qual será a predisposição do vereador Carvalho de Moura para manter em publico, como em privado, a decadência e cortesia que são atributos indispensáveis à  cidadania mais elementar?

  3. Para quem não ouviu, nem tem acesso ao site da Câmara, onde estão gravadas, em papel timbrado da autarquia, as seis paginas do discurso de Orlando Alves, vale a pena obte-lo e guarda-lo. Talvez esse estilo seja útil ao Ministério Publico quando elaborar o relatório acerca do tom, do ambiente linguístico e da riqueza verbal e ética do grande beneficiado da eventual fraude eleitoral que mereceu caixa alta no programa da televisão pública «Sexta as 9». Pelas piores razões Montalegre correu mundo, como exemplo a não seguir, numa democracia plena. Esta mensagem que deveria ser uma espécie de água-benta para purificar, mais lembra lixívia que se usa, por engano, nos esgotos ou em roupa manchada. Mas foi o contrário, como iremos ver em crónicas posteriores. E mais do que isso: talvez o reeleito Presidente da Câmara de Montalegre venha a ser vitima do grito de vitória, quando afirma que os «ajustes diretos são instrumentos legais de que dispomos para que o dinheiro fique na nossa terra». Assim tem feito e «assim iremos continuar». Pela boca morre o peixe. Talvez esta bicada pretenda justificar «o polvo» que o jornal Noticias de Barroso levantou na edição 523. A resposta a essa decisão, que propõe para ser pratica corrente, foi condenada no último «Sexta às 9» quando se soube que, através de um contrato desses, pagamos todos 1 milhão e 460 mil euros a uma empresa de aviões que nem chegaram a levantar voo por causa da chuva. Os ajustes directos apenas são legítimos em situações excepcionais e até montantes condicionados. As leis europeias existem para serem cumpridas como as nacionais. O uso dos ajustes directos apenas está previsto para casos raros e em situações muito especiais. Incitar a sua generalização, num concelho e numa cerimonia deste cariz, é estranho que o presidente reeleito fatigue os convidados com pormenores técnicos que só visam desviar as atenções  para eventuais casos de consciência política. Em dia de luto nacional deitar foguetes de artificio, para anunciar a festa da provocação, de que estas seis paginas são prova clara de insofismável revivalismo, é um ultraje e uma afronta à  maioria dos Barrosões: aqueles que não votaram e  aqueles que perderam. Logo no 4º paragrafo, Orlando Alves ofende essa maioria que não teve direito a defender-se. Eis o epitáfio do presunçoso Presidente: «Passada a hora dos festejos e manifestações de júbilo com que os barrosões tributaram os vencedores enquanto os vencidos afogavam a magoa na promoção de danças  eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade...» Este autarca Barrosão, nem depois desta prova anti-democrática a que terá de responder perante o Ministério Publico, teve a sensatez de evitar a calúnia que as palavras sublinhadas encerram, as tais «danças eróticas de algum mau gosto e dose farta de insanidade». Ao que chegamos!

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publicado às 11:02


Montalegre: a Catalunha portuguesa (?)

por aquimetem, em 28.10.17

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O reeleito executivo da Câmara de Montalegre, por distracção, por sobranceria ou para demonstrar a sua força política, programou e cumpriu o ato de posse, em clima de euforia tal que, a meio da tarde, houve descargas de foguetes que se ouviram nas aldeias vizinhas, para além da vila, sede do concelho. É bizarro que num concelho onde 80% das povoações não têm saneamento básico e onde o despovoamento rural é incessante, se celebre uma vitória eleitoral autárquica com foguetes, tanto mais que nos quatro dias anteriores e seguintes a vaga de incêndios provocou 45 mortes. Pior: o governo decretou e o PR promulgou três dias de luto nacional dias 17, 18 e 19, tal como fizera em Junho, em idêntico holocausto, em Pedrogão Grande e Castanheira de Pera. Montalegre marimbou-se para esse luto nacional, festejando, no preciso dia 18, a vitória da ostentação, da vingança e da velhacaria.

A primeira reunião de Câmara deste novo mandato ficou marcada pela apresentação de queixa, pela infracção cometida, provavelmente, por gente do PS, que não conteve a sobranceria política. Manifestando-se través  dos foguetes, imediatamente a seguir ao opulento almoço festivo, pago, certamente, pelos dinheiros da autarquia para cerca de trezentas pessoas, incluindo convidados e simpatizantes do partido que há 28 anos administra a Câmara, cometeu viários erros.

Carvalho de Moura, líder da força derrotada, que já no debate radiofónico pré-eleitoral, fora fustigado com a arrogância que Orlando Alves, repetiu, em seis paginas do discurso de posse - um documento histórico pela negativa, numa ocasião em que deveria prevalecer a pacificação para os quatro anos de mandato - ouviu o chorrilho de palavrões do Presidente da Câmara. A democracia tem destas encruzilhadas. O vencedor nas urnas, por ser mais novo 13 anos, do que o vencido, nunca poupou o adversário dos anos oitenta, que estivera em situação inversa, como presidente. Fora o primeiro presidente eleito durante três mandatos. Era tempo de vacas magras, ao contrário de hoje, em que o dinheiro sobra e dá para gastar à  tripa forra, sabendo-se que a União Europeia não tem comissões fiscalizadoras para investigar o destino dos fundos comunitários. Basta o exemplo da Ponte da Vergonha, na qual se gastaram mais de 500 mil euros, entre duas margens de um rio que seca no verão e que nunca lá passou, nem passará, qualquer viatura. Daqui a um século, para as gerações vindouras, esse cancro estará entre silvas e arbustos silvestres. Um ou outro pastor de ovelhas, pensará que se trata de um achado arqueológico, de uma ponte romana ou de uma anta mourisca, onde se escondem as bruxas, cartomantes ou tarólogas endemoninhadas que endeusaram o Padre Fontes que as descobriu na clausura do deus Larouco.

 As terras de Barroso dão para tudo, até para palco de romances como o Terra Fria, para centro de congressos das ciências ocultas, onde o sagrado e o profano se entrelaçam, ou ainda para ensaiar o paganismo mais concorrido, graças aos dons satânicos do mais mediático clérigo que as Terras de Barroso pariram, como o demonstram «as sextas-feira 13» em cada mês de coincidência temporal.

Depois do tempo de S. Bartolomeu dos Mártires que por aqui andou, esta região serviu para consagrar criativos das artes que marcam os progressos do conhecimento. Aquilino chamou-lhes Terras do Demo, Ferreira de Castro baptizou-as como Terra Fria, Miguel Torga preferiu trata-las por «reino maravilhoso». A quem aqui nasce, custa-lhe a abrir os olhos. Mas logo que desperto, faz-se a vida; enfrenta-a com estoicismo, vai à  luta com lealdade, dá a camisa do corpo pela sua gente e pela  sua grei. Mas sempre há excepções que escapam à  selecção natural. Essas excepções, por vezes, atingem patamares alheios que acabam por ruir ao menor vento.

O lamiré deste ensaio quase burlesco remete-me para o tema da indignidade. A política é uma arte traiçoeira. Não pelo significado semântico mas pela simbologia do eco que, em termos militares, se chama ricochete. De tão repetido, sem conteúdo heurístico, cansa e enerva quem merece que o deixem em paz e sossego. São cassetes gastas e regastas, que acabam nas lixeiras nauseabundas.

«O luto nacional visa relembrar ou reflectir sobre a morte de alguém que em vida teve acção significativa para o país ou homenagear as vitimas de catástrofes que provocaram grande numero de vitimas. O luto nacional de três dias decretado pela ocorrência do evento de excepcional relevância como os incêndios de Pedrogão Grande, Oliveira do Hospital e até o histórico Pinhal de Leiria são disso exemplo».

«Compete ao Governo decretar o luto nacional sob a forma de Decreto, submetido a promulgação do presidente da Republica. Durante os dias de luto nacional a Bandeira deve ser içada a meia-haste, em todos os edifícios públicos e encontram-se impedidos todos os festejos organizados ou promovidos por entidades publicas, devendo os mesmos, consoante o caso, ser cancelados ou adiados. Ou seja, entidades políticas, incluindo partidos políticos, são obrigadas a cancelar iniciativas». In Noticias do Funchal, 18/6/2017.

O Governo de António Costa decretou. Marcelo Rebelo de Sousa promulgou. Muita gente chorou. Nos nos jogos de futebol guardou-se um minuto de silêncio. A dor falou mais alto.

 Montalegre, que mereceu um programa especial da RTP «Sexta às 9», dia 6 de Outubro, mostrando políticos  de Montalegre a arrebanhar emigrantes, como quem vai numa excursão a Fátima, talvez por isso, numa espécie de ricochete à RTP e a quem viu essas imagens, estando proibido, nesses três  dias de luto nacional, não só festejou o triunfo, como se preveniu com pirotecnia adversa aos incêndios, como gastou esses foguetes, ao ar livre e em tom provocatório.

O Ministério Publico deverá  agir na proporção  da gravidade. Deverá averiguar se os autores da proeza que facilmente serão identificareis obtiveram a licença que é obrigatória e, a mando de quem cometeram essa leviandade.

 

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publicado às 16:20


24 de Junho, dia de Portugal

por aquimetem, em 23.10.17

 

 

CCE19042011_00001 FOTO e ASSINATURA.jpg

Por: Barroso da Fonte:

Em 1728 foi publicada tese que confirmou

Afonso Henriques: «Pio, Beato e Santo»

Em 24 de Junho de 2014 foi apresentado no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, o Aparato Histórico sobre a Santidade do nosso I Rei D. Afonso Henriques. Essa apresentação fez parte do programa comemorativo dos 886 anos da Batalha de S. Mamede. Tal obra chegou a ser mencionada pelos poucos Historiadores que dela souberam, como «a primeira História de Portugal». Foi escrita e defendida  em Roma, como tese de doutoramento de José Pinto Pereira, nascido em Guimarães (31/3/1659 -17/2/1733) e destacado para o Vaticano, onde permaneceu 29 anos, como Cavaleiro da Ordem de Cristo. Este padre Vimaranense, já nessa altura ouvia diferentes «estórias», acerca do primeiro Vimaranense. E por isso se dispôs a recontar a vida desse Português que fundou o País que fomos.

O júri aprovou a tese desse Teólogo, incluindo o Papa Bento XIII que deveria iniciar, em 1728, o processo de beatificação, perante a conclusão cientifica de que Afonso fora «Pio, Beato e Santo». A obra ficou conhecida como Apparatus Historicus. O livro fora escrito, em latim, como era comum, a esse tipo de obras relacionadas com a religião. O titulo, em versão latina, era usual nessa época e as palavras significam o mesmo em Português.

Coincidindo o aparecimento da obra com o corte de relações, entre Portugal e a Santa Sé o Aparato Histórico ficou impresso, mas silenciado durante os quase 300 anos que decorreram. Quando, em 2011, publicamos «Os novecentos anos de D. Afonso Henriques», o investigador Pinharanda Gomes elogiou o livro mas lamentou que nele não constasse esse titulo. Obtivemos um exemplar na Biblioteca Central da Catalunha e demos dele noticia na imprensa da época. Apelamos à  sua tradução. Apareceu um  leitor que nos pediu esse exemplar para confrontar com um outro que se encontrava no seu espolio. Confirmou-se essa hipótese. Ele próprio liderou um grupo com vista , à  tradução. Até aqui tudo decorreu bem, em grupo de cinco pessoas.

 Extintos os obstáculos, o liderante com o processo em fase de edição contactou a Câmara de Guimarães que até aí nada sabia do processo. O vereador da cultura foi sensível á  publicação da obra. E não havia data mais propicia para a sua apresentação: o 24 de Junho, feriado municipal, por assinalar a Batalha de S. Mamede, «a primeira tarde portuguesa». O leitor que mandara procurar o exemplar para se certificar se era igual ao seu e que, em boa hora, «descobrira» o tradutor, teve o bom gosto de encontrar dois académicos que, em tempo recorde, elaboraram dois valiosos contributos, interpretativos desse texto latino, já vertido para Português escorreito. Acrescidos de um texto afirmativo do Presidente da Câmara e outro do vereador da cultura, com um prefacio de 4 paginas do promotor da proposta de parceria por parte do nosso leitor, mereceram a aprovação dessa parceria que José Bastos justificou por estas palavras: «a sua publicação configura um processo de decisão por parte da C.M.G. O mero esquecimento da sua evidencia material, por um lado e o seu não patrocínio, por outro, seriam actos de passiva negligencia ou até de preocupante intencionalidade consciente». Com este pressuposto político a parceria concretizou-se numa edição de 500 exemplares ao preço de 60 euros cada  exemplar a custear pela autarquia. Só que o livro não saiu do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. Soubemos que apenas se venderam seis exemplares. E, a confirmar-se esse facto não abona ninguém, a começar pelo desinteresse do publico, mesmo tratando-se da figura eloquente do nosso Rei fundador. Essa obra pelo que representa e pela importância de, pela primeira vez estar, em lingua portuguesa é factor decisivo para velhos e novos que não saibam lidar com o latim.

Para obviar esta evidencia a Fundação Lusíada que inspirou e corporiza os objectivos da Ordem de Ourique, convidou-nos a coordenador de um livro, mais acessível, mais pratico e plural, na medida em que reúne testemunhos de quatro autores, sistematizando tudo quanto, acerca deste tema da santidade, se tenha escrito e ensinado. Quase quatro anos depois não se realizou qualquer evento académico. A Academia Portuguesa de História que protagonizou, em 2009, uma pirueta mais ampla do que o actual mapa de Portugal, fez orelhas moucas. E os departamentos de História das Universidades Publicas e Privadas, ou não têm dinheiro para actualizar as bibliotecas, ou não têm docentes sensíveis aos progressos científicos.

 Talvez ainda não tenham tido acesso ao Aparato Histórico que, sendo uma tese de doutoramento, defendida em Roma, deveria encher de alegria, pelo menos, o departamento das Faculdades de letras e ciências que funcionam nalguns dos seus núcleos, dispersos pelo Continente e Ilhas. Para não alegarem que ainda não tiveram acesso ao volume do Aparato Histórico, que está disponível no Arquivo Alfredo Pimenta, aparece, neste outono soalheiro, um novo livro que nasce por causa dessa nova forma de censura. Nas suas quase 400 paginas, os quatro co-autores, explicam e fundamentam aquilo que escreveram em fontes impressas da Lusofonia acerca deste tema. Alem desses quatro textos o leitor encontra o extractos que foram saindo, aqui e ali, sobre a Saga da Santidade de D. Afonso. Citam-se em português os dez argumentos ou «indí­cios de santidade» que andam no ar, como lendas ou ditos, alguns dos quais, analisados à  luz da ciência e da fé, foram considerados, pelos teólogos, visões do divino.

Uma seleção  substancial de testemunhos registados ao longo dos três séculos decorridos, permitem ajuizar acerca do estado de espírito que tão delicada matéria sempre conflituou entre sagrado e o profano. Por último o leitor actualiza, mediante a leitura de textos polémicos, as divergências entre aqueles que amam a História e nela satisfazem esse orgulho; e aqueles que a mercantilizam, adicionando peripécias que induzem mais do que deduzem, informam mais do que afirmam e especulam mais do que o bom senso recomenda. A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques não é mais do que uma explicação dos dez argumentos ou indícios de santidade de D. Afonso Henriques que permitiram proclamar, em 1728, a conclusão a que os mais qualificados Teólogos ao Serviço do Vaticano chegaram, da leitura da tese de José Pinto Pereira: que ele fora «pio, beato e santo».

Em 2009, o Papa Bento XVI, perante idêntica situação, relativamente a D. Nuno de Santa Maria, não hesitou em canoniza-lo.

Bento XIII, negou-se a atribuir ao cardeal Vicente Bichi, a nunciatura de Lisboa. E D. João V negou-se a receber, em Lisboa, D. José Firrão, que fora imposto por Espanha. O papa não teve coragem de satisfazer a vontade a D. João V, mas sim, em contentar Filipe IV, de Espanha. Impunha que o rei Português se ajoelhasse perante o homologo de Madrid. Por outro lado o cardeal Polignac combatia o seu homologo, Vicente Bichi. Face a essa birra, o monarca Português que deu muito mais a Roma do que Roma merecia, para expiar os pecados com as freiras de Odivelas, abruptamente, cortou relações, perdendo-se a beatificação de D. Afonso Henriques.

 Urge retomar este processo. E daí a oportunidade deste livro.

 

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publicado às 22:30


As queixas não são só minhas

por aquimetem, em 19.10.17

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Não sei se a Carris já passou ou não para a administração municipal de Lisboa, mas sei que Carnide tem uma Junta de Freguesia empenhada na defesa dos seus fregueses e esse é o assunto que quero expor e que mais importa. Hoje, 19 de Outubro, precisei de me deslocar a Benfica, Av. Grão Vasco, com hora marcada para as 10h30. Eram 09h55 e lá estava eu na paragem do 729 - junto ao Metro, lado norte - a fim de nele me transportar, pois consta nos horários afixados em placar que de 18  em 18 minutos circula um autocarro. Acreditei. Vai de esperar, esperar,  e só às 11h00, é que apareceu um 729 ! Vergonha, para quem prometeu retirar aos privados para melhorar os transportes públicos. Perante isto e para evitar repetições destas, informo e recorro ao dinamismo do Sr. Presidente da Junta de Freguesia, Fábio Sousa para que interceda junto de quem de direito no sentido de cuidar melhor os utentes  da carreira 729, e dota-la com placares electrónicos onde conste a chegada do autocarro, por forma a melhor orientar e bem servir quem paga como os demais que gozam dessa benesse informativa. Não esquecer que é a única carreira que liga o "bairro da policia de Carnide" com a estação da CP de Benfica e a zona Ocidental de Lisboa. As queixas não são só minhas

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publicado às 14:26


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